quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Todas somos Divas. Algumas de nós, Venezianas

#Leanintogether é uma campanha americana para mulheres ajudarem  outras mulheres, como verdadeiras mentoras. O vídeo é incrível, e mulheres de destaque, como Serena Williams, Kerry Washington (a poderosa da série Scandall), Emma Watson (a sempre Hermione), entre outras, falam da importância que outras mulheres tiveram em suas vidas e foram essenciais para o seu sucesso. O link é http://leanin.org/together/women e sempre me emociono, porque é sobre as mulheres serem generosas umas com as outras. 
Isso é um start para falarmos de parceria, amizade verdadeira, e não essa mania de dizerem que mulheres competem entre si e que não são amigas de verdade. São várias pequenas coisas que acabam queimando nosso filme. 
Por exemplo, o fato de eu me arrumar para um encontro com amigas não significa necessariamente que estou querendo ser melhor ou mais bonita, ou mais arrumada, e sim que quero ficar bonita para elas e com elas. As fotos vão ficar mais incríveis. Esse negócio de mulheres serem rivais sempre é uma ótima estratégia para os homens, isso sim. 
Na verdade, temos é um jeito diferente de nos relacionarmos. Os homens também brigam e divergem, e competem, sobre temas, aliás, estranhíssimos e sem sentido, como tamanho (...) e times de futebol. Ok, Quando discordam muito entre si, brigam fisicamente, e assim resolvem a questão. Super paleolítico. Mulheres evitam conflito direto, e isso pode gerar rancor e mágoa, mas passa. Tudo passa. Mesmo quando a gente fala mal da outra, nem sempre isso quer dizer desamor ou inimizade, é só como nos relacionamos umas com as outras e com nossos sentimentos. Let it go é meu lema, meu e do Frozen,  acho muito oportuno. Gosto de ver as coisas em perspectiva, e problemões e divergências super importantes de dez anos atrás podem não significar nada agora, então deixa para lá.  Foca no bom.  
E na corrida tem  bom. Mulheres podem se ajudar muuuito na corrida. Podem se puxar, estimular, empurrar, dar toques de roupa, cabelo, preparação, chamar de linda, de poderosa, divar de verdade. 
Quando a gente se sente diva correndo, não necessariamente isso se apresenta fisicamente. Corro com cara de sofrimento muitas vezes, e não costumo ir gatinha (acho lindo quem vai), corro meio molamba. Me sinto diva por dentro, enquanto corro, com aquele sentimento de "eu posso". Um dos meus mantras quando estou correndo e está difícil, é: "correr é o que eu faço. O que me alegra. Bora"
Prova de equipe feminina é o momento realmente de se sentir Diva absoluta. E acontece o seguinte: se minha amiga está correndo mega bem, melhor para mim, que estou na mesma equipe que ela. Quanto melhor cada uma estiver, melhor para o grupo. E ponto. 
Como assim competição? Sim, se estivermos em uma prova de corrida individual, estamos competindo, mas correndo, e não pessoalmente. Competir é estabelecer referências de melhoria. E é saudável, eu acho, querer treinar e ter o mesmo resultado, ou semelhante, da outra. 
Divas Venezianas foi uma prova de revezamento feminina, organizada pela Ecofloripa, em Nova Veneza. Gostei do nome. 
Devo confessar a vocês que nunca tinha pensado em correr em Nova Veneza. Conheço a cidade desde muito pequena, minha avó ia bastante para lá, visitávamos parentes do meu avô postiço. A cidade é pequena e acaba sendo longe daqui e de Blumenau, fica perto de Criciuma, mais para o interior. É uma graça, pequena,  arrumadinha e com boa comida, mas  beeeeem rural, bucólico, para correr. Não me recordo de ter visto outra prova de corrida por lá. Não é um lugar de super trilhas, nem com mar, nem com cachoeiras, ou seja, não tinha muita noção do que encontraria como percurso, só imaginei que não seria dentro do centrinho da cidade.
Mas prova da Ecofloripa é chance de vaga para Volta à Ilha. Sabe aquele sonho que você tem, bem sonhado? é a Volta à Ilha, sempre. Cada ano, é o sonho que se renova no meu mundo da corrida. Pelo visual, pela dificuldade, e, principalmente, por ser entre amigas e em Floripa. 
Sendo assim, depois de muita conversa, eu, Simone, Grazi e Rita acabamos decidindo montar uma equipe veterana. Sim, isso significa que todas no grupo devem ter 40 anos no ano da prova. E todas temos. Pareceu a melhor estratégia, porque não tinha divisão por número de integrantes, nem todas as sublimáticas estão treinando, aliás, nem todas têm tanta vontade da Volta à Ilha, então não era justo ficar tentando impor uma participação. E, tendo as quatro mais de 40 ou 40, melhor já se inscrever nas veteranas e reduzir a concorrência.
Fomos as quatro, no sábado, no carro alugado, para Criciuma, para dividir um quarto de hotel e muitas experiências. A união já começa nos preparativos, nós temos treinado, porque a intenção sempre foi ir realmente bem na prova. Tivemos reunião (com vinho), papos no whatts, encontro (com vinho), e fomos estabelecendo algumas diretrizes, e na verdade tudo é desculpa para um bom papo e muita risada (e vinho). 
E vivemos, no domingo, a experiência de receber aquilo para o que treinamos, para o que lutamos e para o que sacrificamos dinheiro e tempo precioso com a família. O resultado correspondeu exatamente aos treinos e à dedicação: vitória. 
Mas, mais do que os treinos, que não foram coletivos, nossa sintonia deu o tom da prova e do seu resultado. Cumplicidade define. 
Cada uma sabia o potencial e a força da outra, e esperava nada mais, nada menos, do que isso. E sempre tendo muito claro que, se não desse, cada uma estava dando o seu melhor. Fomos para isso. Dar o melhor para o grupo. E esperar que fosse o suficiente.
No sábado, resolvemos conhecer o percurso de carro porque era possível, menos a trilha. Conseguimos nos perder no interior de Nova Veneza, mas foi excelente (não essa parte, claro), porque tivemos noção ao menos do tipo de terreno em que correríamos: estrada, chão, pedrinhas, asfalto com subidas...De noite, de carro, pareciam intermináveis os trechos, com uma paisagem indefinida de campo. Ficamos com a sensação de que seria duro. A Grazi, profissional da corrida, fez uma prévia dos tempos por trecho e o tempo geral para conclusão da prova. E ficamos com isso em mente.
Acordamos antes das 5h, 12 graus, chuva fina, resto da que caiu durante a noite, e partiu Nova Veneza. Nossa largada era às 7h, e fomos as primeiras a chegar, junto até com a organização da prova. Comemos nossas coisinhas pelo caminho, de café da manhã, cada uma com suas manias  e o que dá energia. Provas da Ecofloripa são caras, porque a inscrição não é barata, o kit é uma camiseta para cada e uma mochila (de qualidade duvidosa) para a equipe toda, ou seja, para a coordenadora, e não tem nada de hidratação, isso é sempre com o grupo. Então a gente paga sem saber muito bem se deveria ser aquilo tudo. Mas são provas com temas bem definidos e de paisagens variadas, ou seja, desafios diferentes em cada uma delas. Tem Volta à Ilha, tem Volta à Ilha de São Francisco do Sul (linda), tem Desafrio em Urubici, tem Praias e Trilhas (duríssima), tem Maratona Express (meu maior pesadelo, maratona de revezamento de 1km).
No pórtico o clima era legal, de manhã cedo é todo mundo mais relax, e não tinha aquela multidão de Volta à Ilha nem Desafrio, mais gostoso de conversar com as outras. Mas nós, as loucas, de olho nas concorrentes. 
A largada atrasou cinco minutos, e lá foram elas, Grazi largando para a trilha. Houve algum  problema de marcação do percurso na trilha, todas se perderam e foram para o caminho errado menos uma corredora...estranho...quando retomaram o caminho, haviam se unido as demais, no fim chegaram meio emboladas todas juntas.
Dali em diante era revezamento mesmo, e de dia a paisagem era bem melhor. O percurso continuava duro, e o visual muito parecido dos trechos realmente dava uma cansada. Prova de cabeça, porque a gente corria, corria, e estava sempre no mesmo lugar porque não mudava a paisagem.  Tinha trecho de estrada de chão com pedrinhas. Odeio pedrinhas, muito...pelo menos choveu e não subia poeira. Quase todos os postos de troca eram em frente a Igrejas, isso era simpático.
Os trechos eram curtos, até porque a prova toda era de 49km. Isso foi ótimo, não precisava levar montes de hidratação, gel, cintos, esses penduricalhos todos. No meu caso, eu só tomava água antes de correr e entre os dois trechos comi um gel para segurar. Um carro para todas, tranquilo.
Os carros acompanhavam o percurso, e era muito legal dar força para as corredoras, e sentir o entusiasmo das concorrentes também, todas eram corredoras, afinal, e a gente se diverte.
Alias, ver a Rita no final do percurso quase dançando para a gente, feliz, dando aquela puxada final para a troca, era muito bom. Amiga, que energia!! Nunca seria a mesma coisa sem ela. Que, diga-se, correu muuuuito. 
Estivemos em primeiro lugar geral por três trechos, praticamente. E isso significou correr com o carro da polícia acompanhando, muito chique. Na verdade, dá um nervoso. Kkkkkk. Decidimos que a Simone correria o penúltimo trecho, talvez fosse eu, mas a Si está em um momento incrível na corrida, rendendo muito, bem melhor com ela naquele momento.
Fizemos nosso melhor, e cumprimos o tempo estimado pela Grazi, e isso nos rendeu o segundo lugar geral e o primeiro lugar de veteranas, e a vaga para a Volta à Ilha.
Nessa prova, embora estivéssemos um pouco tensas, pela responsabilidade que nos impusemos, ficamos muito bem nas transições, conversando muito, trocando ideias, o estresse passou e deu lugar à alegria e ao entusiasmo de quem percebe que vai dar certo. Nos emocionamos em alguns momentos, terminando trechos, e quando a Simone entregou para a Rita fazer o último trecho, sabíamos que já tinha dado, e foi muito emocionante. Eu e a Si queríamos muito conseguir a vaga juntas para correr juntas, isso ainda não tinha acontecido. Foi sensacional conquistar a vaga correndo, e não por sorteio (eu adoraria ganhar por sorteio, queria a vaga, mas correndo é diferente), e éramos nós, as com mais de 40 e muita energia para queimar ainda. 
Chegamos com aquela mesa de frutas ainda quase intocável, isso é diferente.
A premiação foi adiantada, não sabíamos, e chegamos bem no horário marcado anteriormente, ou seja, só faltava a gente receber os trofeus. A cidade nos recepcionou muito bem, todos eram gentis, e na parte habitada dos trechos fomos sempre recebidas com sorrisos (às vezes surpresos).
Vários duvidaram da nossa qualidade de veteranas, e isso não tem preço!
Nossa última volta à ilha foi graças à Giovana que, sozinha, ficou em primeiro lugar na sua categoria em Urubici. Agora podemos retribuir com essa vaga para todas as Sublimáticas. 
E voltamos de mais uma prova com uma parceria que não se mede. Minha admiração total a Simone, Rita e Grazi. Obrigada pelo privilégio de correr com vocês e contar com a sua amizade. 
E que venha nosso treino no sábado, estamos ansiosas e esperando muita gente!!






 "Together women can do more, go further, and change the world"

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Quando um treino é mais do que qualquer prova...Treinão em Comemoração aos 10 anos da Lei Maria da Penha

Bom, eu estou mega empolgada. Já sou normalmente com corrida e com temas que me tocam o coração, então juntando os dois...super.
Ninguém faz nada sozinho, mas pessoas incríveis costumam ter a ideia e dar os primeiros passos.
Sendo assim, em vez de tentar resumir, vou transcrever a vocês o texto da jornalista Yara Achôa primeiro. 

Lugar de mulher é na corrida!
Treinão em comemoração aos 10 anos da lei Maria da Penha

A cada ano, mais de um milhão de mulheres são vítimas de violência doméstica no País, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse tipo de violência, apesar de sistêmica, tem sido combatida com a defesa do direito das mulheres.

Em agosto, a lei nº 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, completa 10 anos. Ela é reconhecida pela ONU como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres. Sua criação foi um grande avanço. É preciso comemorar e continuar fazendo mais.

Para lembrar essa conquista e incentivar o empoderamento feminino por meio do esporte, o MOVIMENTO PELA MULHER e as DIVAS QUE CORREM se uniram na organização de um treinão de corrida em São Paulo - e simultaneamente em várias cidades do país -, que será realizado no dia 13 de agosto. Em todos os encontros o acesso será gratuito.

Em São Paulo (*), acontecerá um bate-papo comandado pela promotora Gabriela Manssur (Movimento pela Mulher) e pela jornalista Giselli Souza (Divas que Correm), seguido de um treino de corrida de 6K, para todos os níveis de condicionamento, a partir das 8 da manhã, na Cidade Universitária (USP).

A ação se repetirá, sob o comando de representantes dos dois projetos, nas seguintes cidades:

·         Americana – Bike Hotel Sports - Av. Cillos, 4532
·         Aracaju  – Orla de Atalaia
·         Balneário Camboriú  – Concentração e Largada na praça Almirante Tamandaré
·         Bauru  – Parque Vitória Regia - Av. Nações Unidas, próximo a USP
·         Brasília  –Parque Olhos d'Água, Asa Norte
·         Campinas – local a definir em breve
·         FlorianópolisParque de Coqueiros
·         Itapetininga  – Largada da OAB Itapetininga, próximo à prefeitura
·         Maringá  – A.T.I do Parque do Ingá
·         Porto Alegre – Calçadão da Barra, em frente ao Barra Shopping
·         Rio de Janeiro – Posto 5, em Copacabana
·         Sorocaba – Parque das Águas
·         Teresina  – Parque da Cidadania, próximo à estação ferroviária

(*) As inscrições para o treinão em São Paulo, limitadas a 200 participantes, esgotaram-se em um dia.
           
Quem é Maria da Penha: cearense de Fortaleza, a farmacêutica bioquímica Maria da Penha foi vítima de violência doméstica por mais de 20 anos. Em 1983, seu então marido tentou matá-la duas vezes. A primeira, com um tiro nas costas, que a deixou paraplégica. A segunda, eletrocutada. Após as tentativas de homicídio, ela tomou coragem e denunciou o companheiro. A condenação demorou, mas saiu. E sua luta deu origem, em 2006, à lei que protege a mulher da violência doméstica - justamente batizada com seu nome, Lei Maria da Penha.

Movimento Pela Mulher: idealizado pela promotora de justiça Gabriela Manssur, de São Paulo, o projeto tem como objetivo promover empoderamento, igualdade, justiça e qualidade de vida para todas as mulheres por meio da corrida. Como forma de estimular constantemente a prática esportiva e ampliar as discussões a respeito das conquistas femininas e pelo fim da violência doméstica, o MPM procura manter uma agenda de eventos com treinões ao longo do ano e uma corrida anual (já foram realizadas duas edições, em 2015 e 2016, com 2500 participantes cada). 

Divas que Correm: o blog foi criado pela jornalista Giselli Souza durante a preparação para sua primeira maratona, em 2013, com o objetivo de não só compartilhar experiências do esporte como também unir as mulheres em torno da corrida e incentivar quem ainda está no sofá. A projeto cresceu e transformou-se no primeiro clube de corrida feminino na web do Brasil.

Bom, e o que nós temos a ver com isso? Tudo! Tenho o pensamento que qualquer forma de violência é sempre problema de todo mundo, da sociedade. Também penso que cada um escolhe suas bandeiras para lutar. Uma das minhas é essa, e não estou sozinha. Inclusive, para esse evento, estou com mulheres e homens, porque discordo totalmente de quem diz que todo homem é um violentador em potencial. 

Em maio, já com essa ideia de empoderamento feminino e mudança de vida através da corrida, junto com as sublimáticas da volta e pelo blog, inventei e realizamos o Treino Coletivo Mulheres que Correm, que foi uma delícia! Dali o Mulheres que Correm Oficial passou a ter vida própria, e outras ações foram iniciadas, principalmente por mim e pela Simone Andriani (que diferente né?), para começar a tratar do assunto de combate à violência contra a mulher de uma forma relacionada ao que vivemos, o universo da corrida de rua para amadoras. 

Infelizmente, a violência contra a mulher e a corrida têm algo em comum: são democráticas, ou seja, não têm idade, classe social ou econômica, tipo físico...
Pensamos e então criamos a camiseta de corrida, linda, maravilhosa, que quem comprou vai receber dia 03 em Blumenau e BC (Floripa não esqueci, aguardem contato), e já é uma forma de todas mostrarem que estão juntas. Mulheres não têm mais nada para competir que não seja na pista, de tênis. Juntas somos melhores e mais fortes.

Depois disso, conversei com a Gabi Manssur, que é minha ídola absoluta não só nesse assunto, mas em tantos outros, e ela achou boa ideia eu ser a líder e trazer o treino para Balneário Camboriú. Eu não sou daqui, adotei a cidade no instante em que me mudei (como não amar?), e não conheço muita gente ainda, mas sei do seguinte: 1. quem corre treina no finde; 2. tem muita gente no combate à violência contra a mulher. Pensando nisso, tive certeza de que podia montar o treino aqui, mas não sozinha, evidentemente. 
Simone é a parceira em Blumenau, e claro que a Clínica Wellness foi, de novo, a primeira a apoiar a iniciativa, e em BC, como sempre, posso contar com o apoio, inclusive técnico, da Gamboa Sports pelos excelentes Diogo e Daia. 

É uma grande responsabilidade. Em São Paulo já é quase um clássico, em BC temos que caprichar (a pessoa é competitiva até nisso...socorro). Esperamos contar com corredoras e corredores de Itajaí, Camboriu, Brusque, Gaspar, Blumenau, Tijucas, Canelinha...toda a região está mais do que convidada a vir correr um treino muito especial, com um propósito, e com um astral único! Correr em BC já é o máximo, imaginem assim?!

A OAB de Balneário foi muito receptiva, e está nos ajudando muito. A Fundação Municipal de Esportes acredita e apoia a iniciativa, e está nos permitindo utilizar área pública. Isso permitirá a realização do treino da melhor forma que imaginamos. Teremos até a possibilidade de cadeirantes correrem!! 

Mas o mais importante é todo mundo confirmar e ir correr ou caminhar (sim, nós temos a opção), acreditando que está fazendo algo que realmente importa. Já ia correr no sábado dia 13? Então se junte a nós, vamos juntos, e mais uma vez criar uma energia incrível que repercutirá a nosso favor, tenho certeza, e chamaremos a atenção para um assunto tão importante.

Quem vem conosco?
 Saiba mais seguindo no instagram @mulheresquecorremoficial 


Todos estão convidados a participar do movimento, postando fotos com hashtags #nenhumamulhermereceviolencia #10anosdaLeiMariadaPenha em apoio a causa, além das hashtags dos projetos #movimentopelamulher #divasquecorrem #mulheresquecorremoficial #vidaeumacorrida #treinãobc #elesporelas


O básico é:





sábado, 23 de julho de 2016

Back to the game

Acho que já falei sobre como uma lesão me deixou medrosa. Nunca tinha me lesionado até 2014, e aquela fratura por estresse com tenossinovite no tornozelo me deixou mal. Recuperada totalmente, 2015 foi o ano do medo. Eu corria, mas sempre literalmente com um pé atrás, morrendo de medo de acelerar. Além disso, eu me sentia tão grata por ter voltado a correr, por poder correr, que toda corrida era especial simplesmente porque eu podia ir e completar, e tinha, de novo, medo de estragar. 
Mas eu não sou assim. Eu gosto de evoluir, de ser mais rápida, de melhorar meus tempos. Uma mala. E aqueles tempos que eu obtinha nas provas em 2012 e 2013, meus melhores anos até agora, começaram a ficar muito distantes da minha realidade. E eu não quis mais isso. Assisti (não ao vivo por enquanto, infelizmente) a palestra dos meninos da Wellness, Daniel, Maicon e Franklin, e definitivamente quero buscar a minha melhor versão. Descobri (ou decidi) que o meu melhor ainda está por vir, e preciso lutar para isso, porque é claro que perdi a evolução que estava em andamento. Mas nunca é tarde. E como comecei a correr mais velha, tenho certeza de que tenho o que queimar ainda. 
Para isso tem que treinar certo e treinar bastante (não em km, necessariamente, mas em frequencia). O corpo e a cabeça. Sou a melhor em me auto-sabotar, boicoto mesmo. Chego na prova e meus pensamentos me traem, me deixam insegura, não visualizo certo. E não adianta treinar sem preparar o cérebro,  algo que estou aprendendo ainda a fazer, tenho muito pela frente, mas já me sinto mais forte. 
É isso. Tem que se sentir forte para alcançar os objetivos.  E estabelecer objetivos possíveis, inclusive quanto ao treino. Se você não pode cumprir a planilha para fazer uma meia maratona, que tal mudar a meta para provas de 10km? Eu fui displicente com a musculação quando treinava para o Desafrio, mas simplesmente porque eu não tinha tempo para treinar para aquela prova e fazer musculação. Quando tinha tempo, priorizava sempre o treino de corrida. O resultado é que eu estava realmente frágil na prova e depois dela. 
A musculação, ou funcional, ou o que você decidir com o seu treinador, tem que ser cumprida também. As pernas e a musculatura exigida na corrida, como a região do core, têm que estar fortalecidas para poder correr. 
Planilha do treinador tem toda uma lógica, inverter os dias de treino, acelerar quando é para ser regenerativo, se exibir aumentando o pace ou a distância, são péssimas ideias. Sou uma cdf cumpridora de planilha. E olha que tem dias que eu acho que o Diogo é maluco em achar que consigo fazer o que está ali. Pois não é que eu consigo? Eu saio para fazer o treino completinho. E é o que faço, mesmo que no final eu ache que não consigo caminhar mais dez metros. Porque nessa hora é a cabeça que comanda. E é isso que eu percebi. Eu confio no Diogo e na planilha que ele me mandou. Então naturalmente eu conseguirei cumprir. Se no penúltimo tiro eu acho que não vou conseguir fazer o último, eu lembro que se ele disse que eu consigo, é porque é verdade, e meu corpo sempre pode mais um pouquinho quando a gente acha que já chegou no fim.
Fácil falando assim né? Não é, não. É duro. A gente tem dias ruins, difíceis no trabalho ou em casa, dias em que treinar é sorte no meio de todo o caos. Nesses dias, na verdade, é ainda mais importante treinar, para lembrar como aquilo melhora o dia da gente. A Paula Narvarez (do blog Corre Paula) diz que não acha que correr ajuda nos problemas, nem faz esquecer, porque eles continuarão ali. Para mim é diferente. Quando eu termino de correr, os problemas são vistos sob nova perspectiva, e geralmente não parecem tão grandes. Fora ideias geniais que tenho enquanto corro. 
Mas, voltando aos objetivos, para ser rápida, tem que sofrer. Ir para a prova querendo fazer um bom tempo é ir para sofrer a prova toda, e ter a glória no final. O que acontece muito comigo? Na hora eu tenho pre-gui-ça de sofrer. Que feio...
Na prova da Unimed eu já estava mais focada. E agora veio a meia maratona de aniversário de Balneário Camboriú. 
Não estava treinando especificamente para meia maratona, de modo que não tive muito tempo para me preparar. Mas eu e Diogo chegamos à conclusão de que era um bom momento para fazer, sem muito estresse. Só aumentamos um pouco a soma dos km semanais, e deu tempo de fazer um longo de 17km antes da prova. Mas como fiz super bem, fiquei animada. 
A prova foi em um final de semana que eu tinha vários eventos sociais e familiares, inclusive um casamento no sábado à noite. Mas na adversidade eu cresço.
O dia estava tão lindo neste Balneário Camboriú! Quando eu saí de casa o sol estava nascendo e ainda tinha lua, como não ser feliz e grata? Estava frio, não vou negar. Mas menos do que em Floripa. Ainda assim, corri de luvas até o km5. E de meia de compressão,  manguito de lã...passar frio não está com nada. 
Em geral, eu acho as provas da SB5 (o pessoal da GP Sports) bem organizadas. Desta vez estava um pouco confuso. Quem fez 5km se deu muito mal, porque não tinha marcação do retorno, e o povo continuou correndo, dia de prova é assim, a gente não se dá conta das coisas. Então não pode uma coisa dessas. 
Mas para quem foi correr a meia, estava tudo ok. Eu levei garrafinha com minha água para não depender da organização, e foi melhor assim. Os pontos de hidratação eram distantes um do outro, passavam-se muitos km sem nada. E como eu tinha bebido litros de água no sábado, como faço sempre em véspera de meia maratona, já sabia que o que eu tinha num dos mil bolsos do short seria suficiente. 
Uma das coisas mais legais em correr é você poder se conhecer. Seu corpo,seus limites, suas necessidades. Descobri que preciso de menos água numa prova do que eu achava. Eu ficava inchada de água, achando que tinha que tomar direto, sentia a água na barriga, era péssimo. Agora já sei que são pequenos goles, então prefiro nem usar os copos da organização. Ah, e também porque eu invariavelmente aspiro a água pelo nariz, e dá a maior confusão, lindo de se ver...
Outra coisa é saber se é ou não O dia. Aquele dia de fazer uma boa prova. Isso a gente descobre já no segundo quilômetro. Corre solto, as pernas vão...é um bom dia.
O percurso foi alterado. Fomos pela Atlantica até final da barra sul, inclusive correndo naquele molhe, uma coisa horrorosa correr nas madeirinhas, não tinha espaço para a turma da ida e da volta. Mas correr na orla é delicioso demais. A ida e a volta até a praça davam 10,5km, e o povo da dupla trocava ali, achei legal porque dava para a dupla se organizar bem, fazendo o primeiro trecho quem fosse mais rápido no plano, e o segundo quem fosse mais forte para subir. 
Depois fomos sentido Itajaí, rua Miguel Matte, que é subida constante, e Rodovia Osvaldo Reis, subidinha constante também, embora não íngreme. É daquelas que não termina. Fomos até a Praia Brava, e antes de subir a Rainha voltamos pelo mesmo caminho,  o que era bom porque tinha mais descida na volta. Nessas ruas não batia sol, vinha um ventinho gelado malvado.
Conversando com o Diogo, projetamos que eu poderia completar em 1h52 a 1h54, bem.Considerando a falta de treino específico, as subidinhas, achei que estava bom. Mas eu estava em um bom dia, e completei em 1h50'41". O mais importante é que eu fui fazer a prova para mim, eu queria me manter focada na prova e na corrida em si, sem pensar nos outros, só em fazer o que eu considerasse uma boa prova. Fazia muito tempo que eu não terminava tão feliz uma prova de corrida. Minha chegada foi de pura felicidade por completar do jeito que eu queria, controlando todo o percurso, com a mente focada nisso, e me sentindo de volta ao jogo, de volta aos meus objetivos.





Não foi um mega power tempo, não. Conheço tantas mulheres maravilhosas que fazem em 1h45, e até menos, mas agora esse era o tempo que eu queria fazer dentro do meu coração. E que eu precisava ter certeza de que era possível.  
O primeiro lugar na categoria foi um plus delicioso, não vou negar. Um trofeu de meia maratona sempre é importante. Embora não fossem muitos inscritos (em torno de 600, pelo que falaram), sempre tem gente boa e treinada, considero uma honra poder estar lá.
Terminada a prova, trofeu na mão e banho quente gostoso, vem aquela vontade louca de treinar para melhorar. Já não sou nenhuma mocinha, a recuperação é um pouco mais lenta, percebi nos treinos da semana. Mas terminei inteira!
Tenho várias provas nos próximos trinta dias, vai ser meio loucura. Divas Venezianas, Circuito Estações, Brisas...mas nenhuma delas será tão importante quanto um treino. Sim, treino. O Treinão Lugar de Mulher é na Corrida, dia 13 de agosto, em comemoração aos 10 anos da lei Maria da Penha, e para chamar a atenção sobre esse assunto sério demais que é a violência contra a mulher. Mulheres e Homens correndo por esse propósito. O próximo post será com tooooodas as informações e mais um pouco. Estamos preparando com muito carinho. 
Até lá!! 











quarta-feira, 6 de julho de 2016

Correr no frio e Prova da Unimed


Então, winter is here (Game of Thrones, hehe). Aliás, chegou no outono, daquele jeito friaca total. O problema é que ainda é julho, então teoricamente, vamos até setembro com isso. Que horror. Detesto frio. Mas ouço muita coisa sobre como o frio pode ser aliado de quem corre, para o desempenho. Afinal, os batimentos sobem menos, não tem queda de pressão e outros inconvenientes do verão. Você sua menos, perde menos água, economiza energia. Não me importo. Quero de volta os inconvenientes todos. Mas, até lá...vamos ao aprendizado, porque deixar de correr não é uma opção. 
Domingo foi dia de Corrida do Circuito da Unimed em Itajaí, na praia brava. Também teve circuito Sesi em Blumenau, provas honestas e bem organizadas. 
Fui na da Unimed, a inscrição é muito barata para quem tem o plano, e o kit é digno com sua boa camiseta e sacola com ziper.
Não deu sol...ohhhh. Mas não estava horrivelmente frio, só friozinho. Úmido. 
Largada pontual, um pouco confusa pelo afunilamento na saída, bons pontos de hidratação, ótima sinalização sobre o percurso. Massss (sempre, né), o nível dos percursos de 5km e 10km era muito diferente. A prova de 5km era razoavelmente tranquila, pela região da praia brava, mas os 10km...prova de aventura, mas sem um aviso prévio a quem não está acostumado. Quando me passaram o percurso já percebi que não seria uma prova para fazer um bom tempo, como planejei antes. Afinal, se tem estrada da rainha, caminho de madeira, areia da praia dos amores, escada e subida do Morro do Careca, não é uma prova plana nem moleza. Não recomendaria para quem está estreando na distância.
Por outro lado, prova linda. Visual estimulante, cheguei a correr de costas quando estava chegando no topo do morro do careca para ver a vista. Só faltaram fotógrafos subirem também para registrar, uma pena. O que acho mais legal nessas provas é que quando você acha que cansou de um tipo de piso, tem outro. 
Na real, eu não gosto de correr em lajotas e paralelepípedos, não me parece seguro. Assim, eu estava querendo mesmo chegar na rainha, minha conhecida, subindo direção Balneário Camboriú, uma subida menos íngreme, mas maior e constante. Aquela subida não me vence, corro todo o percurso, ainda mais porque tinha uma corredora que eu queria alcançar e que também só corria. Quando você acha que não aguenta mais, acabou. 
Na descida a tentação de soltar tudo é grande, mas descida é perigosa e pode gastar energia, ainda tinha bastante chão. Final da descida, entrava direto naquele deck de madeira para correr até a praia dos amores. Não é um lugar fácil de imprimir velocidade, mas também não é desconfortável. Em parte, bom para dar uma descansada. A praia dos amores estava em um bom dia, a areia não estava tão fofa, e é ali que eu consigo fazer a diferença, alcancei quem eu queria e mais uma que nem achei que conseguiria. 
Mas aí  veio a escada. Degraus.  Subi até com certo pique, mas então chegou o morro propriamente dito. Foi ali que caminhei, junto com todo mundo, o que é sempre um consolo. Descida deliciosa, firme, porque também a estas alturas já se está no 7km, falta pouco. Praia Brava pela orla (treino habitual para mim), depois por dentro para a chegada, a intenção ali era manter ritmo, foi o que fiz.  
Estava num bom dia, bem focada, e com o sangue nos olhos, fiz a melhor prova possível. 54' não é um ótimo tempo, mas é um bom tempo para o tipo de prova, fiquei feliz, 11 lugar geral e 2 da categoria, sem chance de alcançar a primeira, que chegou com mais de dois minutos de diferença (prefiro assim, não me angustio). Não tive força para sorrir para fotos, estava sofrendo um pouquinho.
Parabéns mesmo é para a Simone, primeiro pódio geral, 4º lugar com um tempaço em uma prova cheia de gente forte, fiquei super super orgulhosa. Ela merece!!
Foi mais uma prova em dia de frio. Parabéns à organização que agilizou a premiação, sem esperar todos chegarem. Sei que parece meio antipático, mas nas provas grandes é sempre assim, não dá para esperar todo mundo para iniciar a premiação, e no frio...pior ainda!
Fazendo mais esta prova no frio, fiquei pensando...
E quero compartilhar com vocês o que aprendi correndo no frio, sem qualquer base teórica séria. Fiz algumas pesquisas, é verdade, e gosto de perguntar para as pessoas, para ver o quão maluca estou.
1. Você não precisa passar frio: este é o ano de investir em roupichas de frio para correr. Tem um certo charme. Meu marido já viu gente correndo de meia calça. Não dá. Errrrrrou.  Várias marcas têm camisetas de mangas longas confortáveis e térmicas. Existem os manguitos, que eu adoro, e acho bem práticos, mas não são tão fáceis de encontrar para comprar, e você tem que experimentar, por causa do tipo de braço, comprimento...Têm a vantagem de caber em qualquer bolso, ou você só enrola no pulso se der calor. 
Eu não gosto de correr de calça comprida, mas dependendo da situação ela é necessária. Quando corri em NY eu não sabia nada, quando corri em Atlantic City já estava mais esperta e fui de calça, eram só 11km, não queria passar frio. Há recomendações para que você inicie a corrida com frio mesmo, e depois vai passar. Sei não...Eu fico muito tensa no frio, musculatura retesa mesmo, e se demora a passar já vai me dando um ruim. E se usar calça, é calça de corrida, não qualquer legging que usa para fazer musculação. Já que vai investir, compra uma de compressão de uma vez, para ter para sempre. Se correr no exterior, aproveite para comprar nas expo, sempre tem marcas boas. Em Amsterdã comprei da Saucony, muito boas, e beeem quentes. 
2. Voce precisa de menos agua, mas ainda precisa de água: a gente de repente não sente tanta sede, né? Mas se duas horas depois do treino você ainda não fez xixi, estava desidratado (essa sou eu). No inverno, não vale o negócio de beber água só quando der sede. Nem que seja um tanto antes de sair e outro na volta, sem hidratação durante treinos curtos. Isso, aliás, é realmente algo confortável, sentir menos sede. Só no inverno mesmo. Resultado: menos garrafinha para carregar.
3. Prepare-se para tirar roupa: a gente vai testando e vendo o que dá certo. Se você decidiu ir correr de calça, se ficar com calor, sorry, é o que tem. Por isso tem que se conhecer, saber como é. Eu sei que dependendo do dia, só vou deixar de sentir frio depois de 3km. Se o treino for de 6km, calça está ótimo. Mas se for correr 12km, vai rolar um desconforto. A verdade é que quando a gente está com frio, apura para correr e acabar logo para esquentar, mas quando fica com calor e não tem como tirar roupa, pode até passar mal. Calcule qual é o seu caso. Se achar que vai passar calor, não use calça.
Eu não uso manga comprida por baixo da manga curta, justamente porque é muito comum ficar com calor, e aí para tirar a que está embaixo é muita função. Se você usa corta vento justinha, que é para ficar por baixo, vá na certeza de que ficará confortável até o final. Senão, melhor sair meio estranho com manga comprida por cima, mas poder tirar. Por outro lado...
4. Não use no treino só o que é para tirar: essa é uma dica importante, tenho feito umas observações na rua. As pessoas colocam uma camiseta e um casaco de zíper e capuz por cima, de moletom, prque, afinal de contas "vai esquentar durante o treino". Isso traz dois problemas: 1. você tem que amarrar aquele treco na cintura e correr com um peso morto pendurado em você; ou 2.  você faz o treino todo com aquela beleza de moletom, de modo algum feito para isso, porque continua com frio ou porque não quer carregar a tralha. Mas é comum que se queira tirar a manga comprida, então é bom que seja algo prático para amarrar na cintura, ou o manguito. Quando corri em NY, o papo era para usar um casaco velho para doar durante a prova. Ok. Tenho ele até hoje, não esquentou e o pessoal do central park ficou na mão. Isso porque...
5. Às vezes, o frio não passa durante a corrida. Fica frio do começo ao fim. Só que treino é treino, prova é prova. Eu tenho que estar com tudo do meu jeito em dia de prova, sem nada me incomodando ou me distraindo do foco. Então, se você só usar moletom e outras roupas do tipo em treinos, sem maiores preocupações, como vai saber como vai ser na prova? Na prova não vai de moletom, certo? Imagina o Foco Radical te vendo!! Vai de camiseta? no frio? sem ter se acostumado? Pode ser, os de elite vão, fico impressionada, mas não é para todo mundo. Tem a adrenalina também. A dica é treinar também com o que vai usar na prova. Sim, isso vai custar mais dinheiro, mas correr no frio exige investimento, senão você não vai correr no inverno porque ficará doente. Eu corri a meia de Floripa com camiseta (não gosto, gosto de regata, mas meus ombros ossudos sentiram frio), manguito de lã e camiseta de manga comprida por cima. Não cheguei a ter calor nos 10km, estava frio demais, e não tirei nenhuma das peças. E se fosse um casaco horrível que me prendesse os movimentos? Tem que usar o que planeja  para o dia da prova pelo menos em algum treino da semana, de preferência o longo. 
6. Acostume-se a correr feia/o: no verão, a gente se esforça para estar bem porque pode ser que tire a camiseta, então até o top combina...isso vale para as meninas. No inverno isso não vai acontecer. E a gente não tem tanta manga longa quanto regata. Tudo isso para dizer que combinar não é sempre uma opção. A única calça pode não combinar com a manga longa limpa da vez, e é isso aí. A touca em vez da viseira, a calça em vez da sainha...isso faz parte. Lembre-se das razões pelas quais você corre, e uma delas é ficar bonita não durante, mas depois da corrida, certo?
7. Cobrir o ouvido é questão de saúde: eu sinto muito frio no ouvido. Muito. Não posso correr só de bonezinho no inverno. Preciso de algo que aqueça. Tenho faixa protetora de feltro, que ganhei no Desafrio, uma que comprei numa feira, e duas de tecido gostoso que comprei de um site que amo de itens de corrida, dos EUA e que pedi para meu irmão trazer. Fica lindo? não fica, não. Vejam minhas fotos na corrida da Unimed. Mas protegem o ouvido, e isso é minha prioridade. Tenho também a touca com buraco para o rabo de cavalo, que amo. Em dias de chuva, cubro tudo. Os homens tem que usar touca, ficar doente correndo não está com nada. 
8. Luvas, extremidades em geral: além dos ouvidos, pés e pontas dos dedos costumam gelar. Os meus, com certeza. Tenho Síndrome de Raynaud, das extremidades frias. Meus dedos dos pés e das mãos chegam a ficar dormentes de frio, e isso é da minha natureza. Então, quando está frio mesmo, corro de luvas até esquentar. Isso porque esquento o corpo quase todo, e por último as mãos e os pés, e por isso continuo com frio. Meus dedos dos pés ficam duros, é bem ruim. Já usei duas meias para correr em frio congelante, e foi bom. Mas esquentar extremidades ajuda a aquecer, certamente. 
9. Meias de compressão: placebo? Vez ou outra aparece alguém falando sobre a questão das meias de compressão. Não vou falar tecnicamente, não sou habilitada. Vou falar por mim: funcionam comigo. Quando uso, tenho uma recuperação melhor, e durante a corrida, mais conforto especialmente nas panturrilhas, que ficam mais travadas em provas mais duras. Com frio, uso as meias mesmo, prefiro. Quando esquenta, uso pernito/polaina, para não trancar o tornozelo durante a corrida, mas gosto mais das meias. Tem gente que não nota diferença, mas eu tenho batata da perna grossa, e em provas com morro e areia, sinto diferença. Só tem um jeito de saber, que é usar. Existem marcas diversas, modelos muitos, tem que experimentar. Minhas favoritas são da CEP, e não uso em prova curta.
10. Pós prova: depois que o suor esfria, dá muito mais frio do que antes de correr. Vá preparado para as provas, levando uma manga comprida extra, de preferencia uma camiseta também, para substituir a suada. Se você pega pódio, vai ficar mais tempo no frio, tem que ter roupa extra. Por fim...
11. A gente não congela. Tem dias que eu acho que vou congelar quando saio para correr, queria usar meia no rosto igual assaltante de desenho animado, e tento escolher o horário mais quentinho possível nas minhas opções. E quanto antes eu for, melhor, porque depois que começo, a alegria vem. Às vezes em 1km, às vezes só no 5km. Ou não. Pode vir só no final. Mas sabe o que eu penso? que em alguns países o inverno dura 8 meses, e eles correm, porque não podem esperar o frio ir embora. Se eles correm, eu corro. Que a adversidade seja minha aliada. Ah, e quando tudo parece péssimo, e ainda chove, sempre tem a esteira.
Beijos, bons treinos!!
p.s. Vem aí uma oportunidade de fazer a diferença e mostrar empoderamento pela corrida...13 de agosto, save the date!

Nesta foto do calçamento da rua, está meu melhor sorriso...







quarta-feira, 29 de junho de 2016

Projetos e Histórias de Vida que inspiram

Todo mundo tem problemas. Certo? Errado. Como eu já disse antes, muitos de nós temos mais incômodos do que problemas. E não dá para comparar. 
Por natureza, não sou reclamona. Tenho o hábito de ver algo de bom nas situações ruins, sou um tanto quanto Polyana (se você não sabe quem é, tem menos de trinta anos e precisa se informar kkkk). Mas, mais do que isso, sinceramente, tenho realmente muito a agradecer na vida. 
Tem gente, por outro lado, que de fato tem ou teve problemas. E cada um reage de forma diferente aos problemas que aparecem, e quem somos nós para julgar tais reações?
Só que algumas pessoas são inspiradoras na, digamos, administração do problema, e mais ainda no caminho para sua superação. 
Um evento pode mudar toda a sua vida, fazer você enxergar e fazer tudo de forma totalmente diferente. Inclusive, pode fazer você ter novas metas e projetos de vida.
Ou não. Com o passar do tempo, vamos percebendo nossas vocações para melhorar o mundo. Sim, todo mundo tem uma, é só deixar ela aparecer e seguir. A minha é combate à discriminação em geral e especialmente no trabalho, e à violência contra a mulher. Por isso estou, junto com as meninas, numa continuação do projeto Mulheres que Correm, voltado a isso. Falarei mais sobre ele na semana que vem, mas muitas das corredoras já estão por dentro e participando. Ação simples, nada espetacular, do jeito que acredito que pode ser: cada um, um pouquinho. 
Mas hoje o post é de uma mulher que corre que tem uma história muito especial. Não é uma história alegre, mas o modo que ela escolheu lidar com o evento que mudou sua vida é inspirador. E certamente tem final feliz. Se ainda não teve, não chegou ao fim. Tenho outras histórias para compartilhar com vocês, mas preciso que seja agora essa, pelo timing, afinal de contas, não é sempre que tenho como convidada especial do blog alguém que vai conduzir a tocha olimpica. 
Com vocês, Márcia Bina.

"Um novo começo

Meu nome é Márcia Bina, sou atleta amadora de corrida de rua e agora na luta para virar triatleta. No dia 30 de novembro de 2014, eu fui atropelada e muita coisa na minha vida mudou depois disso. Costumo dizer que eu sempre fui “atleta de alma”, quando criança eu gostava de disputar até par ou ímpar, já joguei tudo que vocês podem imaginar, fiz até faculdade de Educação Física.

Naquele dia, era um domingo, sete e pouco da manhã e estava indo fazer uma prova de corrida em Balneário Camboriú, SC. Antes da largada resolvi voltar até o local onde meu carro estava estacionado pra buscar uma camiseta que tinha vendido para um amigo (tenho uma loja virtual, inclusive, sobre a temática corrida -  www.lojacorreria.com.br). Quando estava a uns dois carros de distância do meu, e já vinha pelo costado dos carros, um motorista em alta velocidade, veio fazendo cavalo de pau, e sem qualquer tipo de tempo de reação, fui pega em cheio, prensada contra o carro que estava estacionado (esse carro, inclusive, deu perda total). O carro ainda bateu em outros dois e parou no meio da rua. No fim desta avenida já havia barreira de segurança, pois a prova passaria por ali. O motorista foi abordado imediatamente pelos agentes de trânsito, ele não sabia nem onde estava, qual era a hora, estava visivelmente embriagado (atestado no BO) e, inclusive, encontraram dois tipos de droga no automóvel dele.
Bom, quanto a mim? Eu lembro de absolutamente todos os momentos daquele dia, fiquei acordada o tempo todo. Lembro da sensação de ver o carro vindo, a impotência total e pensar naqueles segundos que tudo tinha acabado ali. Até hoje é uma sensação muito estranha, que não gosto de pensar. Lembro também de  estar deitada no chão, com todos os paramédicos a minha volta, sentir a tensão enquanto já estava com colar cervical e um deles me pediu pra mexer o dedo do pé. “E se não mexer?”, lembro muito de pensar isso. Fui para o hospital e tive fratura de quadril, três vértebras da coluna, fratura de perna, joelho, estiramento de ligamento de joelhos, milhões de hematomas e tudo mais que vocês podem imaginar. Eu estava inscrita para a São Silvestre em dezembro e começava os treinos para fazer a minha primeira maratona em 2015. Tudo abortado, esquecido, adiado. 
Andei de cadeira de rodas, fiquei mais de 70 dias imóvel numa cama, nem no banheiro podia ir sozinha, tive que reaprender a andar, porque é engraçado, quando você fica muito tempo inerte, mesmo que possa andar, você esquece como é, perde o equilíbrio. Mas, em momento algum pensei em não correr mais, correr é minha vida. Quando a fase de recuperação saiu do “apenas esperar” para a fisioterapia eu fazia o dobro do que as minhas fisios mandavam. Fazia desafios diários para mim mesma, tipo, se eu fiz 10 contrações de perna em 30 segundos ontem, hoje farei 15. Se subi até a fisio de muletas em 3 minutos e 15 ontem, hoje tenho que conseguir em 3 minutos e 14, e outras sandices mais.
Tive anjos nesse longo tratamento, meu médico maluco (um ortopedista que é triatleta e entendia toda aquela ânsia por voltar), duas fisioterapeutas e meu personal. 
A volta - Voltei a correr, de forma impressionante, ninguém acredita, no dia 14 de junho do ano seguinte, apenas 6 meses e meio depois de tudo isso. Foram apenas 5k, em longos minutos, mas eu consegui. (A foto ajoelhada no chão é desse dia, na meia maratona de Floripa. Foi uma catarse) Ainda sofro para poder correr, nada voltou a ser como era, mas a cada dia, o que digo é, alongarei mais, fortalecerei mais e, quem sabe, um dia eu consiga realizar aquele sonho: a maratona.
Mas, sabe, meninas, aprendi nesse meio tempo que nem tudo precisa ser exatamente como a gente sonhou. A gente pode buscar “novos caminhos”. Se dói e não posso correr longas distância, eu sou feliz por poder estar aqui e correr qualquer distância e, mais ainda, aprendi também que você pode adaptar seus sonhos. Hoje eu treino para fazer um sprint de triathlon. Mas meu maior desafio todos os dias é não esquecer. Não esquecer para buscar justiça, claro, porque afinal quem bebe, dirige e comete um crime, tem que pagar por isso, mas não esquecer que é preciso sorrir, mesmo que esteja difícil, e seguir em frente, porque viver é um privilégio.
Aí depois de tudo isso, um dia muito difícil de fisioterapia e angústias, eu recebi uma ligação. Do outro lado da linha alguém fala: a sra foi selecionada para ser condutora da tocha olímpica. E, de repente, todo aquele sofrimento, todos as dúvidas que sempre me afligiam, "porquê tudo aquilo", acabaram indo embora. Sei lá o porquê, nunca vou saber, mas uma coisa eu sei, se tudo aquilo aconteceu para que eu tivesse a alegria de poder carregar o maior símbolo do esporte, então valeu a pena. Por 200 metros, eu serei olímpica. Viver não é o máximo?"






sexta-feira, 17 de junho de 2016

Rápida como Berlim, Fria como NY, Bonita como Floripa, mas não plana...

Quando digo que sou de Florianopolis, uma amiga carioca (que acho que não lê o blog) diz: "pára com isso, amiga, que você é paulixxxxta". Então vamos esclarecer. Eu nasci em São Paulo, capital. Mas não sou parte da estatística que escolheu Florianópolis, etc. Meus pais são de Santa Catarina. Meu pai nasceu em Blumenau, mas é de Indaial (lá não tinha maternidade em funcionamento), e foi para Florianópolis antes dos 12 anos para estudar. Minha mãe é mané da ilha em grau máximo, sotaque, jeito, culinária. Mas meus pais são professores, e foram fazer mestrado em São Paulo. Nessa circunstância eu nasci. E com cinco meses retornamos, os três, a Floripa. Então, com todo o respeito aos conterrâneos em tese, não sou paulista. Sou florianopolitana de alma, me criei com tainha frita e pirão d'água, bolinho frito das sobras (arroz, espinafre, batata, abóbora, vagem...)...
Criada na ilha, ia pouco ao continente quando criança. Essa beiramar continental, para mim, ainda é uma super novidade, uma coisa incrível, porque sou do tempo que o balneário do Estreito não tinha quase nada. E lá é lindo demais. Inclusive, devo dizer que é um dos lugares com a vista mais incrível da ilha. 
Esta ideia de fazer uma prova que tenha a largada lá, com trajeto que inclui as duas pontes transitáveis, sinceramente, é genial. E o mais legal é que se você faz 10km já atravessa as pontes. A Pedro Ivo na ida, e Colombo Salles na volta, no mesmo sentido dos carros. Claro que na volta você vê melhor a  Hercílio Luz, e se sente em um cartão postal. 
Imagino que isso que deve atrair tanta, tanta gente para essa prova. Na minha opinião, a prova de asfalto mais bonita da região, talvez do Estado.
Bom, impressões gerais da prova: padrão O2, ou seja, inscrição tranquila, kit lindo e de qualidade, com a camiseta de manga comprida ótima, que, no meu caso, por ser do clube O2 (você também pode ser, é só assinar a revista), posso ter a camiseta personalizada. Os kits foram entregues no hotel Majestic, e embora tivesse muita gente, foi tudo rápido e eficiente, com várias pessoas para atender, todas felizes. 
Tinha a previsão do tempo para alegrar a gente...sqn. Semana de frio, muito muito frio em Santa Catarina, muitos memes e piadinhas sobre o assunto. E a previsão era de 5 graus no domingo em Floripa. Era o frio de correr no exterior, praticamente. Em NY corri com 2 graus, mas era NY, a gente viaja até lá, investe muito, nem cogita não correr. Mas sair do quentinho da cama na casa da mãe, e dormindo com meu filho gostosinho...é vontade de correr mesmo. O segredo, como sempre, é não pensar muito. No meu caso, tinha a missão de entregar o chip e numero para o Mario, da Gamboa, que eu peguei. Ótimo. 
Passei a semana pensando se ia correr de calça ou short. Odeio correr de calça, meus movimentos ficam péssimos, mas sendo só 10km, confesso que fiquei com medo de não esquentar. Mas em NY, quando eu era mega mega mega amadora, não tinha calça para correr e fui de short, com toda aquela gente nórdica, alta, atlética, acostumada com o frio, ao meu lado, com calças tecnológicas que eu nem sabia que existiam. E ainda assim eu fui, e deu certo. Depois que eu senti meus pés, o que levou uns 3 km pelo menos. 
O treinador Diogo disse para ir de short, porque eu estava acostumada e ia esquentar. Simone disse para ir de calça para não congelar. Mas ela tem perna fina, a minha tem capinha de proteção.
Levei tudo para Floripa para ter opções. Naturalmente. Oba, chance de usar manguito de lã!!
Hoje eu valorizo a tecnologia das roupas, são bem importantes e auxiliam a nossa vida, tornam tudo mais confortável. Tenho bastante coisa para correr no frio, para não ficar triste quando preciso fazer isso. Inclusive um gorro que amo, porque tem um buraco para o rabo de cavalo.
O Diogo falou para eu usar o frio a meu favor. Realmente, é mais fácil correr no frio, a gente quer se aquecer, não fica derretendo, não cai a pressão, até os batimentos demoram mais para subir, e é possível uma performance sem tanto sofrimento. Mas me doi o frio, tenho frio no rosto, no ouvido, na cabeça, meus pulmões ardem e demoro para ter o ar necessário. 
Mas na hora da prova, a gente tem que contar com treino e adrenalina.
Usei uma baita estratégia para não sentir frio ao acordar. Dormi mega empacotada, com moletom e três cobertores. Deu certo: acordei suando, nem pensei em usar calça. Mas a meia de compressão, sem dúvida. Aliás, não deixo dizerem que tem efeito placebo. Para mim, pelo menos, a meia funciona, especialmente para subidas e recuperação. Se uso, não sinto a panturrilha no dia seguinte. Fora que, no inverno, esquenta. 
Fui de ursinha: tinha o top, camiseta de manga curta, manguito de lã, camiseta de manga comprida. Fui com calça de moletom por cima e um casaco corta vento, e as luvas. E o café. 
O plano era bom: chegar cedo, aquecer bastante, para esquentar as extremidades, levar as coisas para o guarda volumes e me dirigir, calmamente, à largada, no pelotão quênia (uhuuuu).
Vamos à vida real. 
Estrutura da cidade. Mais um evento esportivo. Atrai turistas de classe média a média alta, corredores que ficam em hoteis e comem em restaurantes, muitos vêm com a família porque é Floripa, mas  chegar na prova é uma aventura. 
Como fica interditada a beiramar norte, tem que ir pelo centro para atravessar a ponte, com trajetos não tão conhecidos para quem é de fora, e mal sinalizados. Os semáforos funcionavam normalmente, embora praticamente 90% do movimento de carros, no domingo de manhã, fosse para a largada da prova. Havia desvios sem qualquer orientação, e o transporte público era o de sempre. O de domingo, com seus horários matinais. Saí da casa da minha mãe às 6h40min, e tinha fila na rua Bocaiúva até a ponte. Largada às 7h30min.
 Ai ai...estava sozinha, eu e meu café no copo térmico.  Chegando no estreito, aquela fila imensa porque o povo já estava estacionando. Longe, muito longe da largada, continuei. Mas demorou para ter vaga. O resumo da ópera é que às 7h20min eu já tinha passado do ponto que entraria para a beiramar, e não tinha achado vaga ainda para estacionar. Quando finalmente consegui, parecia uma louca para ir até a largada a tempo. 
Não deu tempo nem de pensar: tirei casaco, calça, peguei as coisas do Mário, minha micro garrafinha, celular, para me comunicar com ele  e chave do carro. 
Aquecimento: correr como louca para chegar a tempo. Alongamento? desconheço. Multidão, e fui para o pelotão, mandando mensagem para o Mário, que estava estranhamente (para mim) calmo, dizendo que tudo bem se não desse para entregar. Como assim, tudo bem? Nada bem, eu tinha que entregar, senão ia ter que dar minha medalha para ele no final. Nem pensar. 
Nunca vi o pelotão tão cheio, a fiscalização era só de um dos lados e tinha gente pulando a cerca do outro. E eis que vi o Mario, do outro lado, corri mais ainda, e consegui entregar. Frio? que frio? Só sentia o nervoso com o alívio de chegar. Quando eu o vi, o locutor anunciava que faltavam dois minutos para a largada. 
E aí quando a gente começa, é bom demais. Nem vou falar de mim agora, vou falar do que vi. Vi a democracia da corrida, que as provas da O2 sempre proporcionam. Tem jovem, velho, gordinho, magrelo, iniciante, veterano...é maravilhoso. Ultrapassei e fui ultrapassada. Era 12 de junho, então havia casais, váááários casais correndo juntos, juntando as mãos para fazer coração para os fotógrafos (eu não curto, mas aprendi a respeitar). Corredores buscando superação, outros querendo terminar, outros só para diversão...gente tirando foto da ponte Hercílio Luz, gente focada no trajeto. 
Não é plano. Se Chicago for assim, não é plana. Para quem faz os 21km, o percentual plano da prova é grande, realmente. Mas para quem faz os 10km, não é bem assim. Ponte não é plana!!!! E a gente sobe uma, desce, sobe o elevado, desce, sobe a outra ponte, desce. Com muitas curvas, que também mudam a corrida. Isso não desmerece a prova, mas não dá para chamar de plana. Plana é a que larga na beiramar norte. 
Essa é, então, a prova das fotos bonitas, porque com o visual do fundo, e o dia espetacular de sol que fez, não dava para ficar feio. Um céu azul que parece pintura, com o mar paradinho, nem acreditei que não tinha vento com aquele frio, mas não tinha. Em Floripa, que super!!
Hidratação mais do que suficiente em todos os pontos, só não curti o isotônico em pó entregue com uma garrafinha de água no final. Não usei. 
Fiz uma boa prova, ainda podia ter forçado mais, estou chegando no que quero,  aproveitei bem.
Depois que cheguei, fui para o espaço da O2, que fica em frente à chegada. Adoro ficar lá para esperar os primeiros colocados da meia. Adoro ver aquele pessoal de passadas incríveis chegando de 21km, apenas alguns minutos depois de eu chegar, correndo 11km a menos do que eles. 
Mas desta vez eu também fiquei observando a chegada dos 10km e de algumas pessoas ainda dos 5km. Muitas estavam tão felizes quanto os primeiros colocados da meia maratona, inclusive chegando com eles. Era evidente a sensação de vitória daqueles corredores. A alegria de completar, de chegar com amigos (muitos chegando com amigos), de chegar com seu amor, abraçados, em um momento que é só do corredor. 
É o que falo sobre corrida. Não é solidão, é solitude. Você correu, sozinho ou com alguém, mas o sentimento na chegada, aquela endorfina que dá, é tudo seu, é a sua libertação, sua vitória. Numa alegria que não cabe na gente. E só entende quem corre. 
Bom, eu tive que ir logo embora, não pude ir ver as Divas que Correm nem esperar a Carol (que fez um tempaço) para finalmente nos conhecermos, porque deixei todos os meus agasalhos no carro, e o suor esfriou, pior parte. Pulei a celebração, o que me faz muita falta, porque se a chegada é individual, a comemoração com amigas não tem preço, Rita que me ensinou. É o complemento perfeito. 
E aí lá fui eu. Para onde mesmo? Eu não tinha a menor ideia de onde tinha deixado o carro. Larguei e saí correndo, não olhei nome de rua, nada. A única coisa que deu tempo foi olhar para trás e procurar uma referência,e vi uma igreja. Então, na volta, lá fui eu, buscando a igreja. O mais legal foi encontrar dois rapazes na mesma situação, os perdidos. Levei um tempinho, mas achei. 
E cheguei na casa da minha mãe com uma bela medalha e mais uma história de corrida para contar. Uma das boas. Descobri depois que tinha bastante gente conhecida na prova, mas eu não vi ninguém nessa minha correria. 
Adoro provas, por isso recomendo que todo corredor faça, especialmente as bem organizadas para iniciar. Lá a gente renova a motivação, junta as energias boas dos outros corredores e devolve...isso deve fazer um bem danado para o universo!












terça-feira, 7 de junho de 2016

Treino Coletivo Mulheres que Correm - parte 2

É como organizar qualquer evento, seja um aniversário, um jantar...você quer que as pessoas venham né? Era o que eu queria, que as mulheres viessem, para viver um dia diferente, uma experiência nova. As veteranas, confraternizar com outras corredoras, e, sem espírito competitivo, compartilhar o momento. As iniciantes, ver como é delicioso correr com mais gente na mesma vibe, e saberem que uma prova pode ser bem divertida, além de desafiadora, e as que nunca tinham corrido...que soubessem como a alegria é simples. Acima de tudo, sempre quis que as mulheres viessem e corressem, simplesmente, e tivessem um momento depois para confraternizar sem pressa e sem vergonha de nada. 
E foi isso que vivemos. 
Durante a última semana eu fiquei bem maluca, pobres humanos ao meu redor. Todos os sorteios foram feitos, menos um biquini Apsara e um tenis 361°, que seriam sorteados no dia do treino, quando também entregaríamos todos os outros.
Na semana anterior choveu, como eu disse. E na sexta choveu muito. Uma chuva que não combina com BC. E o povo a me perguntar se teria treino. Outras me falavam que com chuva ia ser muito ruim. Bom, corredor aprende logo que não é de açucar. Quem não corre na chuva vai passar trabalho em várias cidades, como Blumenau, que chove muito. Bem verdade que quando é treino a gente vai para a esteira e resolve o assunto, e na prova vai debaixo de vendaval, tempestade, neve...Mas esse não era um treino qualquer. Que outro treino tem kit com tacinha de espumante? Sacolinha da mulher maravilha? lencinhos umedecidos? pós treino com frutas, oleaginosas, picolé frozenfit. energético, bolinhos do Mundo Selvagem Natural, atum Gomes da Costa? Era treino com astral de prova, a parte boa, a que não dá o medo do fiasco.
Mas eu sempre soube que não ia chover. Tinha tanta certeza que nem pensava no que fazer se chovesse. E, naturalmente, não choveu. Inclusive, ao longo da manhã, o sol foi só aparecendo mais, e tivemos muita areia para correr. (siga a gente no instagram para ver as fotos:  @mulheresquecorremoficial)
A ideia de correr na areia foi pela praticidade mesmo, e a desburocratização, afinal, a praia é pública. Sei que para algumas não era o ideal, mas na região também temos muitas provas de praia. O desafio é maior.
Na noite anterior Rita e Cris montaram os kits, fizemos os últimos ajustes, nos divertimos juntas, como sempre, e bora dormir porque antes das 6h eu e Simone iríamos para a praia.
O pessoal logo chegou com as tendas e fomos montando nossa estrutura pré treino, de entrega de kits e conferência de distância. 
As meninas foram chegando, e então eu visualizei. Estava acontecendo. Do jeito que imaginei? Não, muito melhor. Havia aquela mágica pré corrida no ar, a que nos faz ir em frente, aquela alegria de quem está lá para fazer algo bom para si, simplesmente porque pode e merece. Pensei em quantas outras mulheres, que eu não pude alcançar, e que também podem experimentar isso um dia, e nem sabem. Que podem ser sua nova versão, melhor e mais feliz, pela corrida. 
Fomos então conversar com todas, explicar novamente nossa ideia, cada orientadora falou um pouquinho, e passamos para a Marcela fazer o alongamento com as meninas. 
Alguns momentos foram muito especiais para mim no treino. O momento em que todas estão em circulo para alongar e aquecer é um deles, foi o momento de ver o conjunto. 
Rita, Cris e Bruna foram com cones marcar os percursos, e depois de um papo mais individualizado, cada orientadora/treinadora saiu com seu grupo, iniciando pelo grupo dos 8km com a Diandra, depois a Daia com as do 5km, e Grazi com as corajosas iniciantes de 3km. A Pri não era iniciante, mas estava retornando, veio de Floripa, fiquei tão feliz, porque nos conhecemos há tantos, tantos anos (fizemos catequese juntas!), e quem poderia imaginar um encontro para um treino, para que ela retome aquilo que lhe pertence, que é sua capacidade de ir longe e além?
A Monica, que eu sempre soube que viria, porque é uma pessoa que mudou sua vida com a corrida também, foi super parceira, e sorrindo sempre, como boa corredora. 
E assim tantas outras...conheci a Marcia Bina, que tem uma história que espero contar aqui no blog de (tentativa de)destruição e superação, e está voltando com força total!  A Silvana, que está se transformando na sua melhor versão de si mesma, impressionante sua força! Não posso falar de todas, até porque sei que cada uma tem sua história particular e especial com a corrida, mas algumas eu pude perceber mais facilmente a força da corrida nas suas mudanças. 
A corrida é democrática demais! Não tem idade, nem tipo físico, nem nível social. Por isso acho que pode ser tão boa para tanta gente.
As fotos abaixo são bem significativas para mim. 
Algum tempo depois da largada,  foram chegando as meninas, e aquele sorriso...ah, aquele eu conheço. O da loucura. Da loucura da corrida. As endorfinas tomando conta de cada uma, a falação típica da mulherada, que pós treino!!!
Bebidinhas, comidinhas, conversa alta, entrega dos brindes, sorteio, e fotos, fotos, fotos!!
Com certeza foi um dos dias mais legais da minha vida, e agora, já mais de duas semanas depois, escrevo ridicularmente emocionada com a confiança que essas mulheres depositaram na ideia do Mulheres que Correm. 
Tantas me perguntaram quando teremos outro, que realmente vamos pensar em como fazer mais, e melhor. 
Mulheres que Correm  não foi só um treino, agora é um conceito. Um projeto de vida, que vai envolver mais do que treinos coletivos específicos. Várias corredoras agora se conhecem e podem correr juntas, se encontrar em corridas, puxar umas às outras. Podem chamar outras mulheres. 
Podemos usar nossa corrida para influenciar e mostrar nossos pontos de vista. Podemos exigir respeito como corredoras de rua que querem correr sem medo de violência, e exigir respeito a todas as mulheres. Nada justifica a violência contra as mulheres, e mulheres que correm vão falar sobre isso em breve!



Muito obrigada a todas que compareceram, que confiaram, que correram. Muito obrigada às sublimáticas, especialmente Simone e Giovana, por tudo. Muito obrigada a quem apoiou e veio junto, acreditando. Espero que saibam que foi tudo feito e pensado para atrair a felicidade, porque é isso que vejo que a corrida pode ajudar. Corra, e clareie suas ideias. 
Quem vem comigo?