segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Empoderadas em Blumenau


Ai, que blogueira fuleira que não posta as novidades...eu estava cuidando dos acontecimentos e de todo o resto da vida que tenho que dar conta, mas com uma parte do cérebro aqui, pensando em quanta coisa legal conseguimos fazer em tão pouco tempo desde que pensei no treino feminino e virou o nosso Mulheres que Correm. 
Quando pensamos em fazer a  edição do Treino Coletivo Mulheres que Correm em Blumenau tínhamos o sentimento de que seria bem legal, mas não fomos capazes de imaginar a energia que teríamos ali.
Tivemos muita gente maravilhosa que acreditou na ideia de empoderamento feminino pela corrida e que embarcou conosco na nossa viagem. Os apoiadores e patrocinadores, mais uma vez, tinham a nossa cara: viver  bem os momentos felizes, que se tornam memoráveis.
Uma das coisas que sempre pensamos sobre o treino era a ideia de cada uma poder ir lá e projetar seu desejo da forma que quisesse: começar a correr, correr finalmente uma distância específica, correr com outras pessoas, fazer amizades na corrida, correr com alguém junto, melhorar seu tempo, melhorar sua saúde, emagrecer correndo, e sempre encontrar a felicidade pelo caminho. Sabemos que na corrida, especialmente em dia de prova, tem vezes que a felicidade vem só no final, seja pelo objetivo cumprido, seja pelo fim do sofrimento (quando é isso que acontece), seja simplesmente pelo processo químico de produção da endorfina.
E se você pode literalmente aproveitar aquele momento pós corrida, o da celebração, realmente celebrando...muuuito melhor, não é? Isso que queremos!!
A verdade é que a maioria de nós não tem vida de atleta. Porque estamos muito ocupadas tendo vida de mulher polva, que dá conta de muitas atividades, e quer que a corrida esteja entre elas. Nem sempre, portanto, pode ser uma prioridade. Eu sempre falo que se você quer correr, tem que tratar como compromisso. Daqueles que não pode faltar. Depois que a gente sai para correr, tudo faz sentido, e ninguém se arrepende de ir, só de ter ficado em casa. 
Claro que podemos e devemos nos inspirar e aproveitar muito da vida das atletas profissionais, o que inclui uma boa alimentação, de qualidade, conforme sua proposta conversada e orientada por nutricionista para os seus objetivos. Regularidade de treinos, planilha bem feita, disciplina...e tem o sono. Ah, o sono. Todo atleta fala em entrevista que dorme bastante, porque o descanso faz parte do treino. A gente até descansa, no sentido de fazer dia off, mas não tem off da vida de mãe, nem de profissional, de esposa, de namorada, de filha...o cansaço é outro. E as horas de sono são geralmente as sacrificadas. Na verdade, quando eu vou dormir, não é porque tenho consciência da importância do repouso. Estou é exausta mesmo!
A gente usa o que consegue, e inveja o resto. Mas não tudo. Importante lembrar que elas vivem disso e os resultados esperados são sempre os melhores possíveis (às vezes impossíveis). E não tem chopinho com amigas, nem um show até de madrugada, nem ficar de salto sambando, porque o pé tem que estar perfeito e pronto para os tênis. 
E o que isso tem a ver com o nosso treino? Tudooooo!!!
Nós temos a corrida como a nossa alegria! Nosso momento, nossa terapia, nossa meditação, nosso encontro com amigas. E isso combina com o resto da nossa vida. Mulheres que correm são mulheres que comem, que bebem (se quiserem), que celebram. Também são mulheres que choram, que se frustram, que mudam de ideia.
E o treino é para essas mulheres reais. Tem iogurte Bem Livre, cheio de probióticos, tem Barrinha de proteína natureba total da Leite Vivo, tem bolo delicia sem veneno da Mascavo, salada de frutas da Cia da Saúde, espaço no Bier Vila para nossa bagunça organizada, tem nutri Kátia, tem Lojas Hardt com suas opções mara e atendimento show... e também tem espumante da Decanter, cosméticos para nos segurar mais tempo lindas, da Jeunesse e da Mimos da Beleza, tem cerveja Maniacs...fora aqueles que simplesmente acreditam no empoderamento através da corrida, como a Unica Locadora. Mas somos nós, querendo tudo o que for possível. E isso é o que merecemos.
Nossa intenção é sempre fazer algo que seja como gostaríamos de ter. Quando vi o kit pronto, pensei: nossa, como eu quero participar disso. Quando montamos tudo para esperar as corredoras, pensei a mesma coisa. E ver todas chegando, alongando e aquecendo com a Grazi e sua competência incrível,..só aumenta a vontade. Ana Ruschel comandando o microfone, e todas com aquela vida toda...ah, que sentimento indescritível. Isso tudo só foi possível porque temos Giovana, a BAP, que cria a arte toda e faz tudo ficar com cara de magia e glamour. Como merecemos. No final, aqueles rostos suados com a cara da loucura que é autoexplicativa. 
Espero que todas tenham gostado, e se divertido, e também descoberto coisas novas sobre si mesmas. Tivemos várias estreantes, devidamente aplaudidas ao final, porque descobriram que são mulheres que correm!! 
O treino foi no feriado do dia 2 de novembro. Sim, é um feriado triste, dia de Finados. Eu acredito que aqueles que não estão mais aqui conosco querem mais é que a gente celebre a vida, com todo o respeito. Podemos render nossas homenagens, e mostrar que aproveitamos o tempo em que estamos por aqui. 
Um treino assim renova as energias e nos mostra que podemos tentar uma prova nova, distãncia diferente, cidade diferente, forçar mais ou menos...o treino é o momento da descoberta para a evolução. Eu penso assim.
Muito obrigada a todas que foram e ano que vem teremos mais, com certeza. Nossas mentes fervilham de ideias. Quem também tiver, me conta, adoro novos olhares. 
Agora é hora de dar aquela reduzida, eu estou bem cansada do ano, mas não tão cansada para dispensar comemoração.  
E depois dessa eu volto para os assuntos pendentes...meia maratona de Florianópolis, corrida em Itapema...nunca é tarde para falar de correr. A canelite está quase boa, mas tenho que cuidar ainda, que bom que este ano não tenho mais muitas aventuras. 
Enquete final antes dos próximos: onde você gostaria de um treino feminino de corrida em 2017? 
Beijos, boa semana!!





segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Da série Coisas que a Corrida faz por Você: Mountain Do Lagoa 2016

Aconteceu comigo este ano algo muito diferente, uma surpresa para mim: fui convidada para integrar um quarteto misto para correr o Mountain Do da Lagoa, uma das provas mais lindas e com melhor astral que conheço. Ou seja, convite para ser a menina do quarteto, porque em quarteto misto competitivo só tem uma menina, que, em geral, corre muito bem. Assim que fui convidada essa parte não foi bem esclarecida, mas com o passar do tempo vim a descobrir que era essa a intenção, que eu fosse forte também porque o quarteto era forte. 
Num primeiro momento, fiquei realmente lisonjeada, por ter sido lembrada pela professora Edna, da natação, como alguém que poderia fazer parte do grupo dos fortes. Depois acordei para a vida e veio o desespero. Minha velha síndrome da impostora (sou uma fraude). Avisei então que não era isso tudo na corrida, só esforçada, tanto que fui rebaixada para o segundo quarteto, o que era mais modesto quanto ao pódio, isto é, menos pressão, embora altamente competitivo, tipo aqueles que correm por fora na disputa. Assim, foi muito incrível me sentir corredora de elite sendo convidada para o grupo hahahahaha. 
Foi a terceira vez na vida que havia pressão numa prova de equipe. A primeira foi uma Maratona Express e a outra foi no Divas Venezianas, ambas para conquistar vaga no Volta à Ilha.
Mas agora era totalmente diferente, já que eu não conhecia a equipe. Na verdade, ninguém do quarteto. Corajosos, eles, né?
Fui adicionada ao grupo de whatts com todos os atletas, a maioria vinda da academia Estação Azul, de Itajaí, muitos profissionais de educação física e era um pessoal bem animado para treinar. E de sangue nos olhos também. Eles postavam os treinos e era algo  impressionante. 
Foram combinados muitos treinos, todos voltados ao tipo de prova que é o MD: aventura, areia, subida, ralação. Eu não pude ir a NENHUM. Show, parceiraça eu. Mas realmente não dava certo, os horários não batiam. Os sábados marcados foram em dias de aula na pós, e os domingos quando eu estava em outro lugar, Floripa ou Blumenau, troço  impressionante. 
Fui fazendo meus treinos, e nem sabia quais seriam os trechos, então caprichei na subida da Rainha, corrida na areia, o que dava na região. Não consegui nem ir a Taquaras para dar aquela forçada. 
E o povo correndo e confraternizando...Depois descobri que além de mim, mais uns dois ou três não foram em nada também. Ufa. 
Isso porque o Team V8 Praia Brava era composto de 4 equipes, sendo três quartetos e um octeto, este feminino. Uma galera, mais o staff, com camiseta de patrocinador e tudo, bem diferente do que estou acostumada.
E eu só postando meus treinos no grupo para eles saberem que eu estava treinando, não era uma mentira. No meio disso, veio uma canelite ruinzinha, diagnosticada em ressonância, com dor , que me fez reduzir o volume de treino semanal consideravelmente, mas felizmente não precisei parar, fui fazendo fortalecimento da panturrilha, liberação, alongamento, gelo, tudo o que era possível, e segurando a vontade louca de sair correndo. Cumpri aquela planilha com treinos toscos de 3km leves...mas melhor assim e poder voltar. Avisei ao quarteto, para  saberem que a menos de um mês da prova eu não estava 100%, ou seja, não daria tempo de estar no nível que gostaria. Fiquei triste por tudo, inclusive pelo MD mas não só, porque eu realmente venho evoluindo e estava chegando onde queria nos meus tempos de 10km. E uma lesão é balde de água fria, sempre um recomeço. 
Enfim, fizeram a reunião definitiva (que eu não pude estar) e escolheram os meus trechos, que eu aceitaria mesmo que fossem os piores, porque quem não participa não tem direito a opinião. Mas até achei bons para os meus treinos, eram o 4 e o 5, com bosque e areia, praticamente, totalizando pouco mais de 12km. Só que fazendo os dois juntos, dobrando, a moleza não é tão grande. 
Como não bastasse, eu estou envolvida com o próximo treino Mulheres que Correm (esperando as meninas em Blu dia 02),  mais o trabalho dobrado porque estou sozinha na Unidade Judiciária com o colega em férias, e ainda as aulas na pós, então demorei para ligar o modo on do Mountain Do. Só ia treinando como dava e pensando que no final dá tudo certo (porque dá).
Mas quando foi chegando mais perto, eu, com essa minha necessidade de comunicação e integração com as pessoas (quase uma doença), criei o grupo no whatts do nosso quarteto, para pelo menos conversarmos só nós. Foi ótimo. O Fabiano logo entrou na minha de compartilhar (acho que ele também gosta de um papo). O Felipe também foi contando como ia fazer, só o Gabriel que se manifestou pouco. Tão pouco que dois dias antes da prova ele saiu do grupo porque não poderia ir no dia da prova. Emocionalmente não fiquei abalada porque eu só tinha visto a foto dele, mas como corredora acelerei os batimentos. Como assim, perder o corredor na semana da prova?
Mas, como convidada que era, realmente o problema não era meu, tanto que foi resolvido sem mim kkkk. Minha função era definitivamente só ir correr. Foi alterado o outro quarteto, e um dos corredores deles veio para nós, o Xilipoca (oi? sim, sim, mas para a mãe dele é o Felipe). Logo percebi que ele era animado também. 
Então o Fabiano disse que não tínhamos carro para deslocamento na prova, nem apoio. Daí deu um apavoro.
Uma das muitas lições que aprendi na corrida é que, em prova de equipe, tão importante quanto correr bem é ter uma boa logistica. A equipe não é só composta por quem corre, precisamos de staff. Basicamente em todas as vezes que corri Volta à Ilha, alguém não conseguiu chegar antes do colega que fazia o trecho, que, depois de se matar correndo, tinha que esperar o parceiro. Isso porque nós sempre tentamos fazer a melhor logística possível,  temos motoristas incríveis (e praticamente surdo-mudos, como o Walter, marido da Gio, que escuta cada coisa...), mas tem o trânsito, o dia de sol, Floripa, muitas variáveis. 
Também o Fabiano (eu acho) resolveu isso, A Helenita (que eu não conhecia também) cedeu o carro dela, e apareceu um anjo motorista, o Angelo. 
Depois dessa semana cheia de emoções, combinamos de eu ir com eles para Floripa na sexta-feira.  
Dali em diante eu entrei em um novo grupo, com teoricamente desconhecidos. E aí vem mais algo incrível da corrida. Você conhece pessoas que são muito diferentes de você, mas graças à democracia que a corrida tem, todo mundo se entende rapidamente. 
Que pessoal gente boa!!! Sou muuuuito sortuda. Conheci a Simone, a Vanessa, a Lari, a Helenita, o monstro da corrida Chico e sua querida esposa Suely, pessoas que me receberam como se me conhecessem por toda uma vida! Gente que gosta de correr, mas especialmente gosta de viver com a corrida na sua vida! E em menos de 12 horas, você parece conhecer aquele povo há séculos! Só a corrida proporciona momentos assim. 
Choveu a semana toda, mas eu sabia (mais uma vez) que no sábado não choveria, não importava o que a previsão dissesse. Deu sol. Um dia delicioso alternando sol e nuvens, para a gente não morrer de calor direto. 
O Angelo foi o nosso apoio de carro, motorista, psicólogo, incentivador. Meu quarteto era fora de série, Felipe, Xili e Fabiano, guris que correm com muita determinação e me receberam com compreensão, logo sacando o poço de ansiedade em que eu me encontrava. 
Ah, e a corrida?  Então, dobrei o 4 e o 5. Isoladamente, 6km cada um, sem altimetria, seriam tranquilos. O 4 é do bosque, com areia de praia inicialmente e depois praia do Moçambique. O 5 pega estrada de areia, depois duna e um riozinho para "molhar o pé" no final. 
Mas o cérebro da gente não é bobo. Então meu corpo estava com a programação de 12km, e não de 6+ 6. E isso já muda tudo. Você sai para fazer 6km com uma velocidade, e para fazer 12km, com outra. Não podia quebrar antes de chegar no trecho 5. O bosque, que eu acho um lugar bacana para correr, tem as melhores fotos, estava com todas as pinhas no chão. TODAS. Prontinhas para receber pés para virar. Tive que tomar mais cuidado. Pensei comigo que segurar no bosque para soltar na praia era uma boa. Errrrrrrroooouuuuu. A areia do Moçambique estava movediça. Aqueles 2km não passavam. Tinha vento contra, e o pé afundava no que era areia de mar. Só não chorei porque  percebi que todo mundo estava na mesma, era uma corrida em fila indiana, não mudaram quase as posições. Ninguém me ultrapassou, e eu só ultrapassei os insanes (que fazem sozinhos os 65km, então em geral o ritmo é menor). Acabando essa belezura, tinha uma areia fofa que eu já estava amando, e então iniciava o 5. Na praia também pensei que ia tirar o atraso na estrada que viria (uma areia batida), mas aquela praia me cansou, demorei para encaixar o ritmo, e meu sonho de fazer em 1h05 me abandonou sem dó. 
Depois tinha a duna, pequena, e que normalmente eu acharia divertida, mas no final já não é tão interessante, e o riozinho...sim, um riozinho para molhar os pés, como diz a descrição do percurso. Na verdade, por causa da chuva, a água vinha até o joelho, então correr não era opção. Geladaaaaaa a água. Ai, que legal, refresca...ha ha ha. Saindo da água, os pés, já no fim, pesavam toneladas!. Mas realmente era o fim, e terminei em 1h13 alto. Não fiquei nada feliz, fui para o carro pedindo desculpas e realmente chateada. Mas depois, conversando com outras pessoas, lembrei o básico de prova de aventura: o teu pace é bom ou ruim considerando o dos outros no mesmo trecho, e não a sua expectativa e a realidade. 
Comparar os 12km (deu menos) do MD com meu treino de 12km na orla de BC, que fiz em 1h01min, é injusto e uma burrice. Eu esperava ter ido melhor, verdade, e acho que uns 3 minutos a menos poderia ter feito, mas não muito melhor do que isso, e isso não renderia um trofeu. Não este ano, com aquela praia. E comparando com os outros, percebo que cochilei mesmo no 4, devia ter forçado mais, fiquei com medo de quebrar e não aproveitei o que tinha de espaço para soltar. Os meninos foram  muito bem, fiquei realmente honrada em ter participado do grupo. 
Ficam, como sempre, as experiências e alegrias das companhias no carro, nos postos de troca enquanto a gente espera o companheiro, da largada e chegada, aquela ansiedade gostosa de prova assim, e todo mundo que conheci.  
Nosso quarteto fechou em 9 lugar, eu achei lindo demais, um feito incrível para mim, eram 26 quartetos mistos. Claro que já terminei pensando em estrategia para o próximo ano, acho que teria rendido melhor se não fosse dobrado o trecho, e sim algo como o 1 e o 5. Mas se fosse eles, procurava uma mais caruda e menos medrosa para ser a menina do grupo...
Essa foi a última prova de aventura do ano, agora só asfalto e areia. Esse tipo de prova, para eu curtir, tem que ser bem especial. Já sei que não adianta fazer MD Costão do Santinho, por exemplo, porque não curti, mas  da Praia do Rosa foi a melhor em muitos anos. Se eu fizer muitas dessas, me irrito. Agora bora treinar velocidade e força de novo, que os desafios do ano não acabaram. 
E dia 2 de novembro tem treino lindo Mulheres que Correm em Blumenau. As inscrições terminaram muito rápido! Estamos preparando uma manhã muito especial para todas. Ainda vou falar sobre isso aqui.
Chega que ficou imenso, bons treinos!!






domingo, 18 de setembro de 2016

TPP - tensão pré prova. Como lidar?

Você chega no local da prova, encontra conhecidos, e aquele negócio: e aí, nervoso? e a pessoa diz: não, estou tranqüilo, só vou fazer como treino hoje. Mentcheeeeeeraaaaaa!! Não adianta. Treino é treino, prova é prova. Tem um elemento químico que as diferencia totalmente: a adrenalina. Treino difícil gera ansiedade, sim, mas não adrenalina. Botou o número no peito, não é mais treino. Ir até o local da largada já vai dando o frio na barriga, facilmente transformável em barulhos seguidos de dor de barriga.Corredor tem dor de barriga, é fato. 
E não tem absolutamente nada a ver com o que se comeu no dia anterior, porque foi, provavelmente, o de sempre. 
E o nervosismo também não tem a ver com falta de treino. Às vezes, pelo contrário, o treino certinho é que dá a ansiedade de fazer uma boa prova, que corresponda a ele. 
O pré prova tem o descanso, a alimentação, a hidratação, a preparação mental. 
Como boa virginiana, tenho meus rituais pré prova que preciso seguir, mas que naturalmente são alterados de tempos em tempos. A alimentação é algo bem importante, e a hidratação também. Fica tudo armazenado na mente. Se eu não bebo bastante água na véspera de uma prova um pouco mais longa, já acordo me achando a desidratada, e tudo o que acontecer terá sido culpa da falta de água no dia anterior.
Quando eu ainda comia trigo, tinha a massa da noite anterior, que, sinceramente, nunca me pareceu tão maravilhosa assim, a não ser pela segurança de ser algo que eu já estava acostumada e a falta de ideia melhor. Fora que ninguém precisa de meio quilo de macarrão na véspera de correr 10km. Mas também tem o fato de poder se reunir com amigos para essa refeição pré prova, que é bem legal. 
Tem a bebida alcoólica. Há quem não beba nada nem na semana da prova. Isso não me pertence, porque faço muita prova, em média duas por mês. E não fico essas duas semanas sem minha tacinha de vinho. Já fiquei o mês anterior à prova sem beber vinho. Foi para a meia maratona de NY. Sinceramente, não percebi a diferença que esperava. Então eu bebo menos, especialmente em caso de prova mais longa, inclusive pelos treinos, mas uma tacinha de vinho na véspera já faz parte da minha vida. 
O café da manhã é realmente o dilema. Já testei muitos alimentos, nem todos bem sucedidos. A questão é que quando algo dá certo, a gente quer comer sempre aquilo. Portanto, tem que ser não algo fácil, mas viável. Digo isso porque é ruim você descobrir que o melhor café da manhã pré prova é composto de crepioca, se você faz várias provas em outros locais, onde não tem como garantir tal alimento. Fácil mesmo é comer pão, essa é a verdade. Ou como diz a Rita, "como duas bananas e posso correr uma maratona".  Mas eu não sou do fácil, não é mesmo?
Quando eu comia pão, logo descobri que os integrais para café pré prova não eram boa ideia. O melhor era o pão de milho, aquele seven boys. Com algo salgado por cima, nunca doce, para não roubar a energia antes da prova. Banana me dá um mal estar tremendo, só posso comer depois de correr, nunca antes.
Depois que deixei o pão, e realmente ele não me faz falta, fui fazendo testes. Os possíveis, ou seja, aqueles que depois eu possa manter.
Deixa esclarecer o seguinte: eu me habituei, já desde ano passado, a comer pouco antes de treinar, seja corrida, natação, musculação...me sentia super pesada, e meu corpo ficava ali se ocupando da digestão em vez de me dar energia. Isso porque eu não acordo às 5h30min para tomar café uma hora e meia antes de treinar. Passei a fazer algumas experiências, devidamente monitoradas pela nutricionista, e até 6km eu vou só com meu café com óleo de coco, e dá bem certo. Isso também para uma musculação tranquila e especialmente para a natação. Comer antes de nadar é a treva.
Mas para sair para 8km já é diferente. Sou lowcarb, então vou de ovos ou algo com oleaginosa, pão lowcarb... Paçoca é maravilhoso para mim. 
E para acima de 10km, ou treinos de tiros, vou de carbos do bem. Claro que tudo isso vale mais para treino, porque para prova, inclusive de 5km, como  vou precisar de energia para explosão, mesmo adaptada ao estilo lowcarb, o que me dá a velocidade necessária é um carbo bom. 
Engraçado que há alegria em comer no pré treino. Só que no dia da prova, comer dois pães de queijo já me embrulha o estômago. E tenho que comer 3 para não ter fome. Porque aí sim levanto bem mais cedo para comer e não passar mal.  
Ah, mas é a intolerância à lactose? Descobri que até 3 pães de queijo meu corpo não se importa nos km seguintes.E isso é ótimo, porque é fácil achar pão de queijo em qualquer cidade em que eu for correr no Brasil, em geral. Ainda assim, quando a largada é cedo, como aconteceu nas 10 milhas de São Paulo, para garantir eu levei para o hotel um pão de queijo grande na noite anterior. Pensa num troço ruim no dia seguinte? Nem consegui terminar. E tive fome durante a prova. Sim, fome. Devia ter levado uma paçoca. 
Também funciona meu salgado de maromba, com batata doce e frango, ou uma coxinha de batata doce com frango. Levei para Nova Veneza e me salvou. Corredor é marmiteiro, não adianta. Inclusive porque as provas são em horário incompatível com os cafés da manhã de hoteis, salvo os hoteis oficiais, que não existem para qualquer prova. 
Fora a parte da comida, tem a roupa. Eu preciso visualizar tudo o que vou usar na noite anterior. Preciso de uma superfície onde colocarei o que pretendo usar. Ou seja, pelo menos dois de cada item, para decidir quando acordar. Dois tops, dois shorts, o manguito, vai que está frio, a manga longa para sair de casa, a meia, a outra meia, a de compressão, e assim vai...tenho que olhar bem. Ainda assim já esqueci garrafinha de água dentro do congelador na hora de sair. 
Tem prova que o kit já tem o chip, então coloco à noite. Em outras, ainda tem que buscar o chip cedo.
A gente organiza para ir  com viseira, e acorda com chuva. Reprogramar é importante, prefiro boné quando chove. O básico do check list é o tenis certo, número e chip. O resto se ajeita. 
E o sono? Ah, o sono. A gente tem tanta preguiça de levantar de um sono gostoso em dia de treino. Mas no dia da prova nem dorme. Bom, eu durmo super mal, em geral. Mesmo que não seja uma prova alvo. Tenho um sonho recorrente: erro o caminho. Na real, isso já aconteceu. Duas vezes. Na primeira, eu vi a chegada, mirei e fui, mas tinha um contorninho para fazer. Nada grave, só perdi uns segundos finais. Fiquei com aquela cara de bicho furioso. Na segunda, fui induzida por outros corredores que faziam em dupla, e ninguém da organização orientava. Mas também não foi super grave. Conheço gente que em prova de aventura foi parar em locais bem diferentes do que era o previsto. Mas o sonho me persegue.
Em Floripa, é comum eu sonhar que escuto a buzina da largada e ainda estou na cama. Isso porque geralmente fico na casa da minha mãe, que é bem perto da maioria das largadas.
Faz falta dormir bem? Faz. Eu acordo várias vezes, olho no relógio, é bem ruim. Invejo quem não passa por isso.
Tem que acordar cedo o suficiente para ir ao banheiro e se garantir antes de sair. Mas se dormir muito tarde, eu não tenho vontade de numero 2, e tem que ter. É fundamental. Em algum momento vai dar a vontade, não adianta. E se for no local, só sobra o banheiro eca químico, no qual você não se senta. Agachamento isométrico. Sem mais...
Mas, na Volta à Ilha, geralmente durmo tarde porque tem muita coisa para preparar, acordo mega cedo, e tenho muita energia, porque a adrenalina, aquela que te deixa pilhada, está lá para cumprir esse papel também, de te mover para a frente, com disposição. E é impressionante como podemos superar isso tudo e pensar que no final tudo acaba bem, e tem alguma coisa muito legal te esperando. Junto com a endorfina.
E prova à tarde ou à noite? Muda o dia todo!! Essa me dá tilt total, porque tem almoço, dependendo da prova (como Beto Carrero), um lanche antes. Nessas, na verdade, eu passo o dia tensa, mas o restante da preparação é o mesmo, e o que penso é que tudo  beleza, porque tem o vinho (ou a cerveja para quem curte) depois da prova noturna, que geralmente é em sábado, e aí o finde está só começando! 
Quem mais fica com tpp? me conta os sintomas!













quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Viajar para correr e correr na nova casa

Antes, quando eu dizia que ia correr em casa, era em Floripa. Mesmo quando eu morava em Blumenau. Vejam, a cidade me recebeu muito bem, fui muito feliz e fiz amigos incríveis, na corrida e fora dela, durante o tempo em que morei em Blumenau. Mas era difícil considerar minha casa. Coisas de peixeira, sabe? O mar. Sem o mar eu fico perdida. Adorei morar em Brasília. Moraria novamente, cidade incrível, feita para virginianas, com suas quadras, números e lógica perfeita. Clima bom para a pele e para o cabelo. Tinha o lago Paranoá...mas não era o mar. Difícil considerar home um lugar sem o mar. 
Agora eu tenho o mar. Agora, correr em casa é correr em Balneário Camboriú. Aqui é minha casa. Mas também vale correr na Praia Brava, que é geograficamente em Itajaí, mas para mim, continuação de casa, vizinhança. Afinal, meus treinos são subir o morro da rainha, e, descendo, já é praia brava. Ali é extensão, e tenho corrido muito lá.
Como sabem, adoro viajar para correr. Sempre que planejo uma viagem, acabo dando uma olhadinha nas provas da região. E, se não sei bem para onde viajar, escolho pela prova do final de semana. 
Comecei a correr quando morava em Brasília. Sem orientação, sem planilha, para desestressar dos estudos e do fato de estar quase sempre sozinha. É seco? é. É calor? é. Mas eu não conhecia outra realidade, então não achava nada demais. Era ótimo passar o ano bronzeada, para dizer a verdade. Mas naquela época não era como agora, não havia tantas provas de corrida, nem eram tão divulgadas, e nem eu tão interessada. Então eu corria nas quadras, no parque da cidade, na esteira se não sobrasse opção. 
Pois eis que me dei conta de que nunca fiz uma prova em Brasília. Ótimo, porque ir para Brasília é bem mais fácil do que para Berlim, onde também nunca corri. Adoro passear na cidade, e ainda tenho hospedagem com uma amiga sensacional que fiz por lá, a carioca menos carioca que conheço, Maria Rosa. 
Fomos para comemorar meu aniversário, no final de semana anterior a ele. Sim, viajar no aniversário e correr no aniversário são sempre meus objetivos,e  se puder juntá-los, como no caso, tenho a comemoração perfeita.
Mas eu estranhei o clima e o ar, não vou negar. Muito tempo se passou desde que voltei de lá, mais de dez anos, e fui fazer o Circuito das Estações. Ao contrário do sul, lá larga às 8h, tarde considerando que às 7 e meia já está acima de 25°.Ninguém parecia se importar, só eu. Bem feito, haole.
Quis fazer uma prova tradicional porque a organização, quando a gente está viajando, é importante. Kit corretamente entregue, na Centauro, sem tumultos. Linda bandana, camiseta de qualidade. Ah, nem tudo é perfeito. Encomendei, como sempre faço, a personalização da camiseta, e na hora me escrevem o nome com I. Ah, pessoas, só quem já passou sabe como é chato esse negócio de errarem o nome da gente. E, no caso da camiseta, a gente informa na inscrição, então claro que não escrevi meu nome errado, eles que mandaram o transfer errado. E aí eu reclamei, até porque ela não me mostrou antes do decalque, e a mocinha disse: puxa, que droga. E foi isso. Ja fui mais estressada...
Mas a largada organizadíssima, muito espaço (Brasília é assim, tem espaço), e tudo aconteceu dentro do horário. Poucas tendas, não sei se por normas ou por opção.
As pessoas pensam que Brasília é uma cidade plana. É um planalto, e boa parte dela fica no plano. Mas vai lá correr no Eixo Monumental, onde ficam os ministérios e termina na praça dos Três Poderes (ou começa), e aí conversaremos sobre planície e planalto. Larguei, e mantendo um pace excelente, comecei uma subida sem perceber. Só notei quando me faltou o ar e eu achei que era a altitude cobrando seu preço. Até era, mas quando olhei para trás, vi a inclinação. Não é um morro, mas é uma subida, não íngreme, mas constante. De mais de 2km. 
Eu, que fui para fazer um tempo legal e ser feliz, mudei a meta para terminar a prova. Sem dignidade, só terminar. Porque quando acabei de subir e vi a ambulância, tive pensamentos sombrios.
Depois eram mais de 2km de descidinha, fazia a volta e, então, claro, a subidinha de volta. Mas aí eu estava mais preparada, não gastei energia desnecessariamente na descida anterior.
Nunca tinha visto tanta gente caminhando numa prova. Pensei que, por serem de lá, todos estariam acostumados. Talvez estejam, mas ainda assim foi necessário reduzir beeeem o ritmo. Quando eu passava alguém, sabia que a pessoa não me pegaria, ninguém conseguia melhorar o pace. Sendo assim, quando era ultrapassada, sabia que não pegaria. Não tem sombra, minha gente, só sol no lombo. E o suor evapora rápido pela secura. Eu, que estou acostumada a tomar pouca água em prova atualmente, tive que rever os conceitos e aceitar sempre que tinha. Se não fosse o gel que levei para tomar no km 5, não sei se teria terminado o percurso. 
Na descida de 2km final é que realmente percebi que terminaria a prova sem morrer. Aquela subida inicial me assustou, e demorei, mas  encaixei melhor a corrida. Acho que se eu morasse lá ainda faria as quatro estações do circuito, dá para melhorar muito o desempenho conhecendo o local. Não foi uma prova de tempo, mas depois do susto inicial, tive alegria. Tinha um sol lindo, estava onde queria, como queria. Correr ao lado do memorial JK, um dos meus lugares favoritos, foi bem especial. Consegui, apesar de não estar confortável, ver a paisagem que eu queria, que eu sonhei em ver. E isso é o que vale. 
Marido foi junto, me filmou, estava comigo no final, aquele final que a gente fica meio perdida quando não conhece ninguém, e na volta ainda assisti à maratona olímpica. Eta alegria total!!

 Essa é para quem acha que é tudo planinho...



Na volta, semana após o aniversário, corrida em casa, Circuito Brisas. Podem zoar, lá fui eu fazer prova feminina de novo. Não curto muito. Eu ganhei a inscrição, cortesia da Caixa, e as meninas da Gamboa iam, além de ser, bem, em casa. 
Organização da Corre Brasil, mimos no kit, botei no instagram. Mas a qualidade das camisetas deixa muito a desejar. A regata é péssima, não dá para usar. Uma pena.
Eu adoro mochilinha, nas provas da Ativo, ou O2, sempre tem, a gente usa tanto depois...valorizo. No Brisas não tinha. Mas legal pegar o kit no Brava Sushi, com uns agrados para as meninas, não cheguei a usar, mas paquitagem às vezes é legal, Mulheres que Correm sabem disso, e valorizamos!! Quem não quer ser bem tratada?!
Uma coisa que gostei é que não tinha pacer namorado, amigo, treinador, dessa vez. Pelo menos não tão descaradamente, o que torna tudo mais honesto. Mulheres disputando com mulheres, sem homens velozes dando ritmo.
A largada era meio apertada, e mesmo estando acostumada a correr na região, o percurso tem muita lajota, e como é praia, muita areia por cima, para desenvolver a velocidade é ruim. Ali é território conhecido, o que me facilita a vida, mas também para quase todas as outras, muitas locais correndo. Duas voltas de 5km, não é o meu favorito, mas fazer um percurso de 10km com o mesmo nível dos 5km é realmente difícil, não tem tanto espaço, vide prova da Unimed que virou de aventura para os 10km. 
Fui para fazer um bom tempo, baixar dos 50' e desencantar de vez, e me esforcei. Fez calor, não estava facinho, mas era uma prova gostosa, com gente conhecida, boa energia, sabem?
Então, acho que eu faria em menos de 50 minutos. E fiz, em menos de 48. Mas não eram 10km. Não posso mentir e dizer que fiz os 10km em 47'52" líquidos, porque eu fiz esse tempo, mas corri 9km700, aproximadamente. Parece bobagem, mas 300 metros é margem de erro do ibope, Correndo com pace de 5' por km, daria um minuto e trinta a mais. Mas nunca saberei quanto daria, fico meio louca da vida. A parte boa é que rolou um trofeu de categoria mesmo assim, terceiro lugar, e, o mais importante, a categoria era de dez anos,e  não de cinco, e isso faz muita diferença, considerando que era de 35-44, e estou na segunda metade dessa conta. 
Para mim, uma grande diferença entre correr fora e em casa é o peso, a pressão. Em casa, eu me sinto mais pressionada, sim, fico beeeem mais nervosa e quero ter um desempenho melhor. Viajando, faz parte do passeio, tudo é lucro. 
Fiquei super feliz porque o Diogo estava no final da primeira volta de 5km, me botou a maior pilha, e depois quando estava chegando também, veio junto, foi gritando,e  eu estava, sinceramente, quebrada, me deu um super cansaço nos 2 últimos km, não sobrou nada. E ele nem me deu bola kkkkk. Fico mega feliz quando o treinador acompanha, está lá na chegada, valoriza o empenho e o trabalho conjunto. 
Foi uma manhã deliciosa com o pessoal, e isso compensa a tal pressão. Ter amigos para abraçar no final da prova é muito bom!
Vamos em frente, que tenho mais assuntos para compartilhar! beijos e bons treinos!








quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Todas somos Divas. Algumas de nós, Venezianas

#Leanintogether é uma campanha americana para mulheres ajudarem  outras mulheres, como verdadeiras mentoras. O vídeo é incrível, e mulheres de destaque, como Serena Williams, Kerry Washington (a poderosa da série Scandall), Emma Watson (a sempre Hermione), entre outras, falam da importância que outras mulheres tiveram em suas vidas e foram essenciais para o seu sucesso. O link é http://leanin.org/together/women e sempre me emociono, porque é sobre as mulheres serem generosas umas com as outras. 
Isso é um start para falarmos de parceria, amizade verdadeira, e não essa mania de dizerem que mulheres competem entre si e que não são amigas de verdade. São várias pequenas coisas que acabam queimando nosso filme. 
Por exemplo, o fato de eu me arrumar para um encontro com amigas não significa necessariamente que estou querendo ser melhor ou mais bonita, ou mais arrumada, e sim que quero ficar bonita para elas e com elas. As fotos vão ficar mais incríveis. Esse negócio de mulheres serem rivais sempre é uma ótima estratégia para os homens, isso sim. 
Na verdade, temos é um jeito diferente de nos relacionarmos. Os homens também brigam e divergem, e competem, sobre temas, aliás, estranhíssimos e sem sentido, como tamanho (...) e times de futebol. Ok, Quando discordam muito entre si, brigam fisicamente, e assim resolvem a questão. Super paleolítico. Mulheres evitam conflito direto, e isso pode gerar rancor e mágoa, mas passa. Tudo passa. Mesmo quando a gente fala mal da outra, nem sempre isso quer dizer desamor ou inimizade, é só como nos relacionamos umas com as outras e com nossos sentimentos. Let it go é meu lema, meu e do Frozen,  acho muito oportuno. Gosto de ver as coisas em perspectiva, e problemões e divergências super importantes de dez anos atrás podem não significar nada agora, então deixa para lá.  Foca no bom.  
E na corrida tem  bom. Mulheres podem se ajudar muuuito na corrida. Podem se puxar, estimular, empurrar, dar toques de roupa, cabelo, preparação, chamar de linda, de poderosa, divar de verdade. 
Quando a gente se sente diva correndo, não necessariamente isso se apresenta fisicamente. Corro com cara de sofrimento muitas vezes, e não costumo ir gatinha (acho lindo quem vai), corro meio molamba. Me sinto diva por dentro, enquanto corro, com aquele sentimento de "eu posso". Um dos meus mantras quando estou correndo e está difícil, é: "correr é o que eu faço. O que me alegra. Bora"
Prova de equipe feminina é o momento realmente de se sentir Diva absoluta. E acontece o seguinte: se minha amiga está correndo mega bem, melhor para mim, que estou na mesma equipe que ela. Quanto melhor cada uma estiver, melhor para o grupo. E ponto. 
Como assim competição? Sim, se estivermos em uma prova de corrida individual, estamos competindo, mas correndo, e não pessoalmente. Competir é estabelecer referências de melhoria. E é saudável, eu acho, querer treinar e ter o mesmo resultado, ou semelhante, da outra. 
Divas Venezianas foi uma prova de revezamento feminina, organizada pela Ecofloripa, em Nova Veneza. Gostei do nome. 
Devo confessar a vocês que nunca tinha pensado em correr em Nova Veneza. Conheço a cidade desde muito pequena, minha avó ia bastante para lá, visitávamos parentes do meu avô postiço. A cidade é pequena e acaba sendo longe daqui e de Blumenau, fica perto de Criciuma, mais para o interior. É uma graça, pequena,  arrumadinha e com boa comida, mas  beeeeem rural, bucólico, para correr. Não me recordo de ter visto outra prova de corrida por lá. Não é um lugar de super trilhas, nem com mar, nem com cachoeiras, ou seja, não tinha muita noção do que encontraria como percurso, só imaginei que não seria dentro do centrinho da cidade.
Mas prova da Ecofloripa é chance de vaga para Volta à Ilha. Sabe aquele sonho que você tem, bem sonhado? é a Volta à Ilha, sempre. Cada ano, é o sonho que se renova no meu mundo da corrida. Pelo visual, pela dificuldade, e, principalmente, por ser entre amigas e em Floripa. 
Sendo assim, depois de muita conversa, eu, Simone, Grazi e Rita acabamos decidindo montar uma equipe veterana. Sim, isso significa que todas no grupo devem ter 40 anos no ano da prova. E todas temos. Pareceu a melhor estratégia, porque não tinha divisão por número de integrantes, nem todas as sublimáticas estão treinando, aliás, nem todas têm tanta vontade da Volta à Ilha, então não era justo ficar tentando impor uma participação. E, tendo as quatro mais de 40 ou 40, melhor já se inscrever nas veteranas e reduzir a concorrência.
Fomos as quatro, no sábado, no carro alugado, para Criciuma, para dividir um quarto de hotel e muitas experiências. A união já começa nos preparativos, nós temos treinado, porque a intenção sempre foi ir realmente bem na prova. Tivemos reunião (com vinho), papos no whatts, encontro (com vinho), e fomos estabelecendo algumas diretrizes, e na verdade tudo é desculpa para um bom papo e muita risada (e vinho). 
E vivemos, no domingo, a experiência de receber aquilo para o que treinamos, para o que lutamos e para o que sacrificamos dinheiro e tempo precioso com a família. O resultado correspondeu exatamente aos treinos e à dedicação: vitória. 
Mas, mais do que os treinos, que não foram coletivos, nossa sintonia deu o tom da prova e do seu resultado. Cumplicidade define. 
Cada uma sabia o potencial e a força da outra, e esperava nada mais, nada menos, do que isso. E sempre tendo muito claro que, se não desse, cada uma estava dando o seu melhor. Fomos para isso. Dar o melhor para o grupo. E esperar que fosse o suficiente.
No sábado, resolvemos conhecer o percurso de carro porque era possível, menos a trilha. Conseguimos nos perder no interior de Nova Veneza, mas foi excelente (não essa parte, claro), porque tivemos noção ao menos do tipo de terreno em que correríamos: estrada, chão, pedrinhas, asfalto com subidas...De noite, de carro, pareciam intermináveis os trechos, com uma paisagem indefinida de campo. Ficamos com a sensação de que seria duro. A Grazi, profissional da corrida, fez uma prévia dos tempos por trecho e o tempo geral para conclusão da prova. E ficamos com isso em mente.
Acordamos antes das 5h, 12 graus, chuva fina, resto da que caiu durante a noite, e partiu Nova Veneza. Nossa largada era às 7h, e fomos as primeiras a chegar, junto até com a organização da prova. Comemos nossas coisinhas pelo caminho, de café da manhã, cada uma com suas manias  e o que dá energia. Provas da Ecofloripa são caras, porque a inscrição não é barata, o kit é uma camiseta para cada e uma mochila (de qualidade duvidosa) para a equipe toda, ou seja, para a coordenadora, e não tem nada de hidratação, isso é sempre com o grupo. Então a gente paga sem saber muito bem se deveria ser aquilo tudo. Mas são provas com temas bem definidos e de paisagens variadas, ou seja, desafios diferentes em cada uma delas. Tem Volta à Ilha, tem Volta à Ilha de São Francisco do Sul (linda), tem Desafrio em Urubici, tem Praias e Trilhas (duríssima), tem Maratona Express (meu maior pesadelo, maratona de revezamento de 1km).
No pórtico o clima era legal, de manhã cedo é todo mundo mais relax, e não tinha aquela multidão de Volta à Ilha nem Desafrio, mais gostoso de conversar com as outras. Mas nós, as loucas, de olho nas concorrentes. 
A largada atrasou cinco minutos, e lá foram elas, Grazi largando para a trilha. Houve algum  problema de marcação do percurso na trilha, todas se perderam e foram para o caminho errado menos uma corredora...estranho...quando retomaram o caminho, haviam se unido as demais, no fim chegaram meio emboladas todas juntas.
Dali em diante era revezamento mesmo, e de dia a paisagem era bem melhor. O percurso continuava duro, e o visual muito parecido dos trechos realmente dava uma cansada. Prova de cabeça, porque a gente corria, corria, e estava sempre no mesmo lugar porque não mudava a paisagem.  Tinha trecho de estrada de chão com pedrinhas. Odeio pedrinhas, muito...pelo menos choveu e não subia poeira. Quase todos os postos de troca eram em frente a Igrejas, isso era simpático.
Os trechos eram curtos, até porque a prova toda era de 49km. Isso foi ótimo, não precisava levar montes de hidratação, gel, cintos, esses penduricalhos todos. No meu caso, eu só tomava água antes de correr e entre os dois trechos comi um gel para segurar. Um carro para todas, tranquilo.
Os carros acompanhavam o percurso, e era muito legal dar força para as corredoras, e sentir o entusiasmo das concorrentes também, todas eram corredoras, afinal, e a gente se diverte.
Alias, ver a Rita no final do percurso quase dançando para a gente, feliz, dando aquela puxada final para a troca, era muito bom. Amiga, que energia!! Nunca seria a mesma coisa sem ela. Que, diga-se, correu muuuuito. 
Estivemos em primeiro lugar geral por três trechos, praticamente. E isso significou correr com o carro da polícia acompanhando, muito chique. Na verdade, dá um nervoso. Kkkkkk. Decidimos que a Simone correria o penúltimo trecho, talvez fosse eu, mas a Si está em um momento incrível na corrida, rendendo muito, bem melhor com ela naquele momento.
Fizemos nosso melhor, e cumprimos o tempo estimado pela Grazi, e isso nos rendeu o segundo lugar geral e o primeiro lugar de veteranas, e a vaga para a Volta à Ilha.
Nessa prova, embora estivéssemos um pouco tensas, pela responsabilidade que nos impusemos, ficamos muito bem nas transições, conversando muito, trocando ideias, o estresse passou e deu lugar à alegria e ao entusiasmo de quem percebe que vai dar certo. Nos emocionamos em alguns momentos, terminando trechos, e quando a Simone entregou para a Rita fazer o último trecho, sabíamos que já tinha dado, e foi muito emocionante. Eu e a Si queríamos muito conseguir a vaga juntas para correr juntas, isso ainda não tinha acontecido. Foi sensacional conquistar a vaga correndo, e não por sorteio (eu adoraria ganhar por sorteio, queria a vaga, mas correndo é diferente), e éramos nós, as com mais de 40 e muita energia para queimar ainda. 
Chegamos com aquela mesa de frutas ainda quase intocável, isso é diferente.
A premiação foi adiantada, não sabíamos, e chegamos bem no horário marcado anteriormente, ou seja, só faltava a gente receber os trofeus. A cidade nos recepcionou muito bem, todos eram gentis, e na parte habitada dos trechos fomos sempre recebidas com sorrisos (às vezes surpresos).
Vários duvidaram da nossa qualidade de veteranas, e isso não tem preço!
Nossa última volta à ilha foi graças à Giovana que, sozinha, ficou em primeiro lugar na sua categoria em Urubici. Agora podemos retribuir com essa vaga para todas as Sublimáticas. 
E voltamos de mais uma prova com uma parceria que não se mede. Minha admiração total a Simone, Rita e Grazi. Obrigada pelo privilégio de correr com vocês e contar com a sua amizade. 
E que venha nosso treino no sábado, estamos ansiosas e esperando muita gente!!






 "Together women can do more, go further, and change the world"

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Quando um treino é mais do que qualquer prova...Treinão em Comemoração aos 10 anos da Lei Maria da Penha

Bom, eu estou mega empolgada. Já sou normalmente com corrida e com temas que me tocam o coração, então juntando os dois...super.
Ninguém faz nada sozinho, mas pessoas incríveis costumam ter a ideia e dar os primeiros passos.
Sendo assim, em vez de tentar resumir, vou transcrever a vocês o texto da jornalista Yara Achôa primeiro. 

Lugar de mulher é na corrida!
Treinão em comemoração aos 10 anos da lei Maria da Penha

A cada ano, mais de um milhão de mulheres são vítimas de violência doméstica no País, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse tipo de violência, apesar de sistêmica, tem sido combatida com a defesa do direito das mulheres.

Em agosto, a lei nº 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, completa 10 anos. Ela é reconhecida pela ONU como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres. Sua criação foi um grande avanço. É preciso comemorar e continuar fazendo mais.

Para lembrar essa conquista e incentivar o empoderamento feminino por meio do esporte, o MOVIMENTO PELA MULHER e as DIVAS QUE CORREM se uniram na organização de um treinão de corrida em São Paulo - e simultaneamente em várias cidades do país -, que será realizado no dia 13 de agosto. Em todos os encontros o acesso será gratuito.

Em São Paulo (*), acontecerá um bate-papo comandado pela promotora Gabriela Manssur (Movimento pela Mulher) e pela jornalista Giselli Souza (Divas que Correm), seguido de um treino de corrida de 6K, para todos os níveis de condicionamento, a partir das 8 da manhã, na Cidade Universitária (USP).

A ação se repetirá, sob o comando de representantes dos dois projetos, nas seguintes cidades:

·         Americana – Bike Hotel Sports - Av. Cillos, 4532
·         Aracaju  – Orla de Atalaia
·         Balneário Camboriú  – Concentração e Largada na praça Almirante Tamandaré
·         Bauru  – Parque Vitória Regia - Av. Nações Unidas, próximo a USP
·         Brasília  –Parque Olhos d'Água, Asa Norte
·         Campinas – local a definir em breve
·         FlorianópolisParque de Coqueiros
·         Itapetininga  – Largada da OAB Itapetininga, próximo à prefeitura
·         Maringá  – A.T.I do Parque do Ingá
·         Porto Alegre – Calçadão da Barra, em frente ao Barra Shopping
·         Rio de Janeiro – Posto 5, em Copacabana
·         Sorocaba – Parque das Águas
·         Teresina  – Parque da Cidadania, próximo à estação ferroviária

(*) As inscrições para o treinão em São Paulo, limitadas a 200 participantes, esgotaram-se em um dia.
           
Quem é Maria da Penha: cearense de Fortaleza, a farmacêutica bioquímica Maria da Penha foi vítima de violência doméstica por mais de 20 anos. Em 1983, seu então marido tentou matá-la duas vezes. A primeira, com um tiro nas costas, que a deixou paraplégica. A segunda, eletrocutada. Após as tentativas de homicídio, ela tomou coragem e denunciou o companheiro. A condenação demorou, mas saiu. E sua luta deu origem, em 2006, à lei que protege a mulher da violência doméstica - justamente batizada com seu nome, Lei Maria da Penha.

Movimento Pela Mulher: idealizado pela promotora de justiça Gabriela Manssur, de São Paulo, o projeto tem como objetivo promover empoderamento, igualdade, justiça e qualidade de vida para todas as mulheres por meio da corrida. Como forma de estimular constantemente a prática esportiva e ampliar as discussões a respeito das conquistas femininas e pelo fim da violência doméstica, o MPM procura manter uma agenda de eventos com treinões ao longo do ano e uma corrida anual (já foram realizadas duas edições, em 2015 e 2016, com 2500 participantes cada). 

Divas que Correm: o blog foi criado pela jornalista Giselli Souza durante a preparação para sua primeira maratona, em 2013, com o objetivo de não só compartilhar experiências do esporte como também unir as mulheres em torno da corrida e incentivar quem ainda está no sofá. A projeto cresceu e transformou-se no primeiro clube de corrida feminino na web do Brasil.

Bom, e o que nós temos a ver com isso? Tudo! Tenho o pensamento que qualquer forma de violência é sempre problema de todo mundo, da sociedade. Também penso que cada um escolhe suas bandeiras para lutar. Uma das minhas é essa, e não estou sozinha. Inclusive, para esse evento, estou com mulheres e homens, porque discordo totalmente de quem diz que todo homem é um violentador em potencial. 

Em maio, já com essa ideia de empoderamento feminino e mudança de vida através da corrida, junto com as sublimáticas da volta e pelo blog, inventei e realizamos o Treino Coletivo Mulheres que Correm, que foi uma delícia! Dali o Mulheres que Correm Oficial passou a ter vida própria, e outras ações foram iniciadas, principalmente por mim e pela Simone Andriani (que diferente né?), para começar a tratar do assunto de combate à violência contra a mulher de uma forma relacionada ao que vivemos, o universo da corrida de rua para amadoras. 

Infelizmente, a violência contra a mulher e a corrida têm algo em comum: são democráticas, ou seja, não têm idade, classe social ou econômica, tipo físico...
Pensamos e então criamos a camiseta de corrida, linda, maravilhosa, que quem comprou vai receber dia 03 em Blumenau e BC (Floripa não esqueci, aguardem contato), e já é uma forma de todas mostrarem que estão juntas. Mulheres não têm mais nada para competir que não seja na pista, de tênis. Juntas somos melhores e mais fortes.

Depois disso, conversei com a Gabi Manssur, que é minha ídola absoluta não só nesse assunto, mas em tantos outros, e ela achou boa ideia eu ser a líder e trazer o treino para Balneário Camboriú. Eu não sou daqui, adotei a cidade no instante em que me mudei (como não amar?), e não conheço muita gente ainda, mas sei do seguinte: 1. quem corre treina no finde; 2. tem muita gente no combate à violência contra a mulher. Pensando nisso, tive certeza de que podia montar o treino aqui, mas não sozinha, evidentemente. 
Simone é a parceira em Blumenau, e claro que a Clínica Wellness foi, de novo, a primeira a apoiar a iniciativa, e em BC, como sempre, posso contar com o apoio, inclusive técnico, da Gamboa Sports pelos excelentes Diogo e Daia. 

É uma grande responsabilidade. Em São Paulo já é quase um clássico, em BC temos que caprichar (a pessoa é competitiva até nisso...socorro). Esperamos contar com corredoras e corredores de Itajaí, Camboriu, Brusque, Gaspar, Blumenau, Tijucas, Canelinha...toda a região está mais do que convidada a vir correr um treino muito especial, com um propósito, e com um astral único! Correr em BC já é o máximo, imaginem assim?!

A OAB de Balneário foi muito receptiva, e está nos ajudando muito. A Fundação Municipal de Esportes acredita e apoia a iniciativa, e está nos permitindo utilizar área pública. Isso permitirá a realização do treino da melhor forma que imaginamos. Teremos até a possibilidade de cadeirantes correrem!! 

Mas o mais importante é todo mundo confirmar e ir correr ou caminhar (sim, nós temos a opção), acreditando que está fazendo algo que realmente importa. Já ia correr no sábado dia 13? Então se junte a nós, vamos juntos, e mais uma vez criar uma energia incrível que repercutirá a nosso favor, tenho certeza, e chamaremos a atenção para um assunto tão importante.

Quem vem conosco?
 Saiba mais seguindo no instagram @mulheresquecorremoficial 


Todos estão convidados a participar do movimento, postando fotos com hashtags #nenhumamulhermereceviolencia #10anosdaLeiMariadaPenha em apoio a causa, além das hashtags dos projetos #movimentopelamulher #divasquecorrem #mulheresquecorremoficial #vidaeumacorrida #treinãobc #elesporelas


O básico é:





sábado, 23 de julho de 2016

Back to the game

Acho que já falei sobre como uma lesão me deixou medrosa. Nunca tinha me lesionado até 2014, e aquela fratura por estresse com tenossinovite no tornozelo me deixou mal. Recuperada totalmente, 2015 foi o ano do medo. Eu corria, mas sempre literalmente com um pé atrás, morrendo de medo de acelerar. Além disso, eu me sentia tão grata por ter voltado a correr, por poder correr, que toda corrida era especial simplesmente porque eu podia ir e completar, e tinha, de novo, medo de estragar. 
Mas eu não sou assim. Eu gosto de evoluir, de ser mais rápida, de melhorar meus tempos. Uma mala. E aqueles tempos que eu obtinha nas provas em 2012 e 2013, meus melhores anos até agora, começaram a ficar muito distantes da minha realidade. E eu não quis mais isso. Assisti (não ao vivo por enquanto, infelizmente) a palestra dos meninos da Wellness, Daniel, Maicon e Franklin, e definitivamente quero buscar a minha melhor versão. Descobri (ou decidi) que o meu melhor ainda está por vir, e preciso lutar para isso, porque é claro que perdi a evolução que estava em andamento. Mas nunca é tarde. E como comecei a correr mais velha, tenho certeza de que tenho o que queimar ainda. 
Para isso tem que treinar certo e treinar bastante (não em km, necessariamente, mas em frequencia). O corpo e a cabeça. Sou a melhor em me auto-sabotar, boicoto mesmo. Chego na prova e meus pensamentos me traem, me deixam insegura, não visualizo certo. E não adianta treinar sem preparar o cérebro,  algo que estou aprendendo ainda a fazer, tenho muito pela frente, mas já me sinto mais forte. 
É isso. Tem que se sentir forte para alcançar os objetivos.  E estabelecer objetivos possíveis, inclusive quanto ao treino. Se você não pode cumprir a planilha para fazer uma meia maratona, que tal mudar a meta para provas de 10km? Eu fui displicente com a musculação quando treinava para o Desafrio, mas simplesmente porque eu não tinha tempo para treinar para aquela prova e fazer musculação. Quando tinha tempo, priorizava sempre o treino de corrida. O resultado é que eu estava realmente frágil na prova e depois dela. 
A musculação, ou funcional, ou o que você decidir com o seu treinador, tem que ser cumprida também. As pernas e a musculatura exigida na corrida, como a região do core, têm que estar fortalecidas para poder correr. 
Planilha do treinador tem toda uma lógica, inverter os dias de treino, acelerar quando é para ser regenerativo, se exibir aumentando o pace ou a distância, são péssimas ideias. Sou uma cdf cumpridora de planilha. E olha que tem dias que eu acho que o Diogo é maluco em achar que consigo fazer o que está ali. Pois não é que eu consigo? Eu saio para fazer o treino completinho. E é o que faço, mesmo que no final eu ache que não consigo caminhar mais dez metros. Porque nessa hora é a cabeça que comanda. E é isso que eu percebi. Eu confio no Diogo e na planilha que ele me mandou. Então naturalmente eu conseguirei cumprir. Se no penúltimo tiro eu acho que não vou conseguir fazer o último, eu lembro que se ele disse que eu consigo, é porque é verdade, e meu corpo sempre pode mais um pouquinho quando a gente acha que já chegou no fim.
Fácil falando assim né? Não é, não. É duro. A gente tem dias ruins, difíceis no trabalho ou em casa, dias em que treinar é sorte no meio de todo o caos. Nesses dias, na verdade, é ainda mais importante treinar, para lembrar como aquilo melhora o dia da gente. A Paula Narvarez (do blog Corre Paula) diz que não acha que correr ajuda nos problemas, nem faz esquecer, porque eles continuarão ali. Para mim é diferente. Quando eu termino de correr, os problemas são vistos sob nova perspectiva, e geralmente não parecem tão grandes. Fora ideias geniais que tenho enquanto corro. 
Mas, voltando aos objetivos, para ser rápida, tem que sofrer. Ir para a prova querendo fazer um bom tempo é ir para sofrer a prova toda, e ter a glória no final. O que acontece muito comigo? Na hora eu tenho pre-gui-ça de sofrer. Que feio...
Na prova da Unimed eu já estava mais focada. E agora veio a meia maratona de aniversário de Balneário Camboriú. 
Não estava treinando especificamente para meia maratona, de modo que não tive muito tempo para me preparar. Mas eu e Diogo chegamos à conclusão de que era um bom momento para fazer, sem muito estresse. Só aumentamos um pouco a soma dos km semanais, e deu tempo de fazer um longo de 17km antes da prova. Mas como fiz super bem, fiquei animada. 
A prova foi em um final de semana que eu tinha vários eventos sociais e familiares, inclusive um casamento no sábado à noite. Mas na adversidade eu cresço.
O dia estava tão lindo neste Balneário Camboriú! Quando eu saí de casa o sol estava nascendo e ainda tinha lua, como não ser feliz e grata? Estava frio, não vou negar. Mas menos do que em Floripa. Ainda assim, corri de luvas até o km5. E de meia de compressão,  manguito de lã...passar frio não está com nada. 
Em geral, eu acho as provas da SB5 (o pessoal da GP Sports) bem organizadas. Desta vez estava um pouco confuso. Quem fez 5km se deu muito mal, porque não tinha marcação do retorno, e o povo continuou correndo, dia de prova é assim, a gente não se dá conta das coisas. Então não pode uma coisa dessas. 
Mas para quem foi correr a meia, estava tudo ok. Eu levei garrafinha com minha água para não depender da organização, e foi melhor assim. Os pontos de hidratação eram distantes um do outro, passavam-se muitos km sem nada. E como eu tinha bebido litros de água no sábado, como faço sempre em véspera de meia maratona, já sabia que o que eu tinha num dos mil bolsos do short seria suficiente. 
Uma das coisas mais legais em correr é você poder se conhecer. Seu corpo,seus limites, suas necessidades. Descobri que preciso de menos água numa prova do que eu achava. Eu ficava inchada de água, achando que tinha que tomar direto, sentia a água na barriga, era péssimo. Agora já sei que são pequenos goles, então prefiro nem usar os copos da organização. Ah, e também porque eu invariavelmente aspiro a água pelo nariz, e dá a maior confusão, lindo de se ver...
Outra coisa é saber se é ou não O dia. Aquele dia de fazer uma boa prova. Isso a gente descobre já no segundo quilômetro. Corre solto, as pernas vão...é um bom dia.
O percurso foi alterado. Fomos pela Atlantica até final da barra sul, inclusive correndo naquele molhe, uma coisa horrorosa correr nas madeirinhas, não tinha espaço para a turma da ida e da volta. Mas correr na orla é delicioso demais. A ida e a volta até a praça davam 10,5km, e o povo da dupla trocava ali, achei legal porque dava para a dupla se organizar bem, fazendo o primeiro trecho quem fosse mais rápido no plano, e o segundo quem fosse mais forte para subir. 
Depois fomos sentido Itajaí, rua Miguel Matte, que é subida constante, e Rodovia Osvaldo Reis, subidinha constante também, embora não íngreme. É daquelas que não termina. Fomos até a Praia Brava, e antes de subir a Rainha voltamos pelo mesmo caminho,  o que era bom porque tinha mais descida na volta. Nessas ruas não batia sol, vinha um ventinho gelado malvado.
Conversando com o Diogo, projetamos que eu poderia completar em 1h52 a 1h54, bem.Considerando a falta de treino específico, as subidinhas, achei que estava bom. Mas eu estava em um bom dia, e completei em 1h50'41". O mais importante é que eu fui fazer a prova para mim, eu queria me manter focada na prova e na corrida em si, sem pensar nos outros, só em fazer o que eu considerasse uma boa prova. Fazia muito tempo que eu não terminava tão feliz uma prova de corrida. Minha chegada foi de pura felicidade por completar do jeito que eu queria, controlando todo o percurso, com a mente focada nisso, e me sentindo de volta ao jogo, de volta aos meus objetivos.





Não foi um mega power tempo, não. Conheço tantas mulheres maravilhosas que fazem em 1h45, e até menos, mas agora esse era o tempo que eu queria fazer dentro do meu coração. E que eu precisava ter certeza de que era possível.  
O primeiro lugar na categoria foi um plus delicioso, não vou negar. Um trofeu de meia maratona sempre é importante. Embora não fossem muitos inscritos (em torno de 600, pelo que falaram), sempre tem gente boa e treinada, considero uma honra poder estar lá.
Terminada a prova, trofeu na mão e banho quente gostoso, vem aquela vontade louca de treinar para melhorar. Já não sou nenhuma mocinha, a recuperação é um pouco mais lenta, percebi nos treinos da semana. Mas terminei inteira!
Tenho várias provas nos próximos trinta dias, vai ser meio loucura. Divas Venezianas, Circuito Estações, Brisas...mas nenhuma delas será tão importante quanto um treino. Sim, treino. O Treinão Lugar de Mulher é na Corrida, dia 13 de agosto, em comemoração aos 10 anos da lei Maria da Penha, e para chamar a atenção sobre esse assunto sério demais que é a violência contra a mulher. Mulheres e Homens correndo por esse propósito. O próximo post será com tooooodas as informações e mais um pouco. Estamos preparando com muito carinho. 
Até lá!!