quinta-feira, 29 de março de 2012

O medo de vencer

Está na revista TheFinisher de março/abril: "Mais do que qualquer coisa, o medo limita a performance. Voce deve conhecer seus medos, e, depois, livrar-se deles." Mark Allen, americano, hexacampeão mundial de Ironman.
Adorei, porque sempre fui medrosa. Sempre tive medo de checar meus limites, então nem pensar em  chegar o mais perto possível deles.
Mas o corredor precisa se conhecer para melhorar a performance a cada prova, para aprimorar os treinos.
Eu nunca me dei bem com os monitores cardíacos. Meus batimentos sobem rápido, então algumas vezes eu nem estava me sentindo perdendo o folego, mas olhava o "Polar" e reduzia, porque achava que ia morrer.
Além disso, se alguém corresse perto de mim, por alguma razão o meu monitor preferia o coração do meu vizinho, e aí eu me atrapalhava toda. Sim, tentei aqueles que só captam da minha fita, mas ele ia lá em cima nos batimentos e depois simplesmente não funcionava, e eu tentando arrumar aquela fita no peito, suando, ajeitando, xingando, e correndo, nossa, aquilo me atrapalhava demais.
Depois de jogar duas fitas fora durante as provas (falando muitos palavrões durante o processo que culminava com isso), achei que era melhor desistir, porque aquele equipamento não me ajudava a sentir meus limites.
E desde então corro melhor.
Prefiro sentir minha respiração, e, justamente por não ter monitoração, passei a ter que prestar mais atenção no encaixe da respiração, no conforto da corrida, no suor, nos batimentos, enfim, em mim. No meu corpo durante o treino, para preparar o meu corpo para a prova. E só com treino se conhece o corpo.
Para me concentrar melhor, passei muito tempo sem ouvir música durante a corrida, me desviava a atenção. Agora me sinto mais estimulada a ouvir música e permitir que ela me ajude na performance também. Algumas músicas dão vontade de sair correndo mesmo, então melhor aproveitar.
Fiz o teste do consumo de oxigênio, do limiar do lactato, e na ocasião minha velocidade de prova foi de 13km/h. Isso significa que até tal velocidade, ainda não atingi o limiar anaeróbio, e estou queimando o glicogênio nos conformes. Não vou explicar agora o que é o tal lactato, mas me ajudou muito mais a descobrir até onde posso chegar.
Mas daqui a algum tempo já tenho que fazer de novo, posso ter subido meu limite pelos treinos (pelo menos é o que eu espero).
E ainda assim, geralmente não faço as provas correndo direto a 13km/h! O pior é que acho que viciei no gps, e fico de olho na velocidade, isso também não pode mais me limitar. Se estou fazendo a 4'35/km, por exemplo, já fico achando que posso pifar, que não vou conseguir todo o percurso, e reduzo.
Numa prova noturna no Costão do Santinho, eu não enxergava o que marcava o garmin. Então me perdi um pouco no pace. Pois é, fiquei em quinto lugar, é a foto de abertura do blog, super orgulhosa de mim mesma. E só no instinto e no que já conheço sobre mim.
Mas, quanto mais eu treino, mais confiante fico, e com o treinador e os amigos dizendo que eu consigo, estou ficando mais corajosa, e já fui desafiada a dar o máximo ("sangue nos olhos", como a gente diz) na próxima prova de 10k. E, sendo desafiada...dentro do meu limite, acho que estou pronta para  voar mais.

terça-feira, 27 de março de 2012

Ah, correr em "casa"...

Floripa é linda. Todo mundo já sabe, e nem vou ficar falando, porque propaganda da minha terrinha não falta, e lá também há muitos problemas. Mas, para confirmar minha teoria de que é bom conhecer uma cidade correndo, literalmente, recomendo a quem já corre, e também para quem está começando agora, e mais ainda para quem quer começar e não sabe por onde...corra em Floripa! De preferência, na beira-mar norte. Só tem que dar sorte e não estar caindo aquele ventão nordeste que dá até dor de ouvido em quem se arrisca.
É lindo. É plano. E correr vendo o mar, sentindo o cheiro do mar (do mar, veja bem, não de maresia), não tem preço, na minha opinião.
E foi assim que me senti, mais uma vez, correndo em Floripa na meia maratona internacional no último domingo, dia 25. Fui correr 10km, minha distância favorita, cujo percurso era todo à beira-mar, saindo do monumento à polícia militar em direção ao túnel, retornando, e lá perto do hotel Majestic fazia mais um retorno rumo ao portal de chegada. Ops, não era todo plano, tinha os elevados para subir. De carro nem parece que é subida...
A inscrição para a prova foi simples, mas para pegar o kit...cheguei no sábado pelas onze horas da manhã, e havia uma fila inacreditável, que não parecia se mover. A explicação provável é que tinha sido feriado municipal na sexta feira, com entrega dos kits na quinta-feira (para os locais, portanto) e no sábado, para todos os outros quase 4.000 inscritos.
Como estava com meu filho de dois anos (o lindão da foto), aguardar na fila estava fora de cogitação, de modo que fui embora e voltei às 19h30min, quando estava bem tranquilo.
Em compensação, acabaram os...alfinetes de prender o número na camiseta!!! Não, não pode não ter alfinetes suficientes. A conta é simples: 4 alfinetes por número, 4.000 inscritos, pronto.
Assim, saí de lá achando que minha melhor aquisição do ano foi meu porta-número, que a super iron amiga Danielle trouxe do Canadá para mim. Vou dedicar um  post aos "apetrechos", mas por ora digo que para correr só de top (não é meu caso, eu só fico nervosa com o número na barriga), compre um porta número.
Além disso, aquela novela das camisetas continua...tinha baby look - oba - mas só de um tamanho, um interessantíssimo GG!!! Mas ficou boa, e descobri que uma das razões da demora era o povo querendo olhar os tamanhos, colocando na frente do corpicho, pensando no assunto, provando...
E o domingo...Que dia perfeito para voar baixo...sem sol, sem chuva, um nubladinho gostoso, incrivelmente sem vento (fico repetindo esse negócio de vento, mas quem conhece Floripa sabe porque falo assim). Calor na medida certa.
E gente. Então tinha gente para essa corrida. Astral de corrida é bom demais, todo mundo na mesma sintonia, alternando entre feliz, nervoso, ansioso, concentrado, mais feliz, mais ansioso perto da largada...Corredores solitários, equipes de corredores, famílias de corredores, corredores casais (vi um casal correndo de mãos dadas...não achei lindo, só me deu aflição, mas se eles estavam felizes...).
A largada era de todas as distâncias ao mesmo tempo. Já disse antes e repito que não acho a melhor estratégia. Quem vai para fazer 5km já sai voando, um ritmo totalmente diferente de quem vai fazer 21km. Além disso, não havia baias, ou currais, como nas provas grandes. Acho que com 4000 inscritos dava para considerar a prova pelo menos como média, e dividir um pouco pelo pace.
Desta vez, pedi para um amigo magrinho que corre muito (valeu, Léo), abrir para mim, no ritmo que pedi. Largada com muita gente é sempre meio confusa, e a gente perde uns bons dois minutos. Para quem vai correr 5km ou 10km, qualquer minuto é muito tempo. A largada atrasou, o que é ruim principalmente para quem toma os suplementos na hora certinha, e para quem estava se aquecendo antes, como eu, que não queria esfriar.
Fui para tentar baixar meu tempo e o dia parecia perfeito para isso.
Saí forte, do jeito que queria, e virei os 5km em 23 minutos, ótimo. Mas entre o quinto e o sétimo quilômetro achei que devia reduzir o ritmo para não quebrar, e foi bobagem minha, eu estava bem para manter o ritmo.
No final voltei a puxar forte, mas não o suficiente para baixar dos meus 47 minutos, ainda mais porque o percurso tinha 10.230, e não 10, pelo menos no meu garmin e de todo mundo para quem perguntei. E eu sou toda cartesiana com essas coisas, fico tensa.
Quando estava quase chegando, um corredor daqueles de elite, que deve ter feito 5km e já estava indo embora, berrou para mim quando passei: "aumenta a passada, p...". E eu sempre obedeço aos estranhos que gritam comigo, realmente aumentei. Se tivesse feito isso 500m antes não teria perdido a quinta colocação por 40 segundos como perdi...
Eu sei, que reclamona!! Sexto lugar foi muito, muito bom, ainda mais entre mais de 200 meninas fazendo os 10km, excelente. Mas não me venci, não cumpri minha meta pessoal.
Muitos cumpriram, minha amiga Michele finalmente terminou os 21km em menos de duas horas, como eu sempre disse que ela faria, e as outras meninas do meu grupo estiveram ótimas (quase todas nos 21km).
Mas então é assim, o desafio continua.
Dica: no último quilômetro da prova, é sempre importante ter algo em que pensar: alguém que esteja te esperando, alguma coisa que tenha motivado, alguém que voce queira alcançar (mesmo que não consiga), alguém que voce não quer que te alcance, alguma dificuldade pela qual passou e que te dá forças para correr, alguém que confie tanto em você que dá vontade de correr mais rápido, ou até uma música que te movimente pelas recordações que traz.
Essa prova eu terminei sorrindo, coisa rara. Normalmente termino com cara de sofrida. Mas eu ouvi o sujeito da organização dizer "voce é a sexta colocada", meu marido me chamou para tirar a foto, e eu vi que, na verdade, tinha sido muito bom.
E me diverti à beça. Quem venha a próxima!





quarta-feira, 21 de março de 2012

Próximas provas

Minha meta, desde o ano passado, é fazer uma prova de corrida por mês. Mas, estão aparecendo provas tão boas, que em março, por exemplo, vou acabar fazendo três!!! Em dezembro, em compensação, não costuma ter muita coisa. Os amigos queridos (e os que adoram pegar no pé também) costumam perguntar quais são as próximas, para acompanhar (ou chamar de louca). Pois bem.   
Estou inscrita para fazer 10km na meia maratona internacional de Florianópolis (http://www.meiamaratonafloripa.com.br/), dia 25, próximo domingo. Desta vez vou olhar o percurso, embora seja mais familiar (o outro também era, né?). Mas é no asfalto.
Não confundir com a meia de floripa, que será dia 17 de junho (http://www.meiadefloripa.com.br/). Essa eu fiz ano passado, largava da beiramar continental, no Estreito, cheguei junto com o sol nascendo, corri nas pontes, e foi uma das provas mais lindas que já fiz, embora não tenha sido meu melhor tempo. Falarei dela oportunamente.
Também vou correr em Curitiba a prova da Adidas do circuito 4 estações (http://www.circuitodasestacoes.com.br/) . Esta, naturalmente, é do outono. É a primeira vez que vou participar de alguma prova do Circuito das estações Adidas, que é sempre muito elogiado, pela organização e pelo kit (claro). As medalhas vão se acoplando de maneira que, se voce fizer uma corrida de cada estação, forma uma mandala, sempre temática. Este ano é o cubismo, e o outono é inspirado em Picasso. Chique demais!!
Não tem mais vagas para esta prova, e é sempre assim, ao que eu saiba, porque eles controlam o numero de inscritos rigorosamente para não ter gente demais. E é prova que tem Adidas + revista O2, então a expectativa é grande, porque normalmente são otimas.
Diferente do habitual, vou fazer só 5km, para fazer uma prova de velocidade sem me cansar muito, porque realmente o calendário está animado, e duas semanas depois já tem outra, com a Páscoa no meio.
Dia 14 de abril tenho minha prova favorita, pela qual estou esperando desde que fiz a do ano passado: Volta à Ilha, que merecerá um post mais do que especial. Por enquanto, vou contar apenas que é uma prova de revezamento, ou seja, em equipe, que literalmente dá a volta à ilha de Florianopolis, pelas praias, trilhas... São 140 quilômetros, passando por lugares incríveis. (http://www.ecofloripa.com.br/) . Mais perto conto mais, inclusive minha experiência no ano passado.
Dia 29 de abril tem Track and Field Series em Floripa (http://www.trackandfield.com.br/run/), estarei lá para fazer meus 10km. também é um circuito bem tradicional, várias cidades do país sediam, e em Floripa tem duas vezes no ano, ótimo. Trecho plano, asfalto, ótima prova para baixar tempo e, para quem não corre muito ou ainda não corre nada, para iniciar, porque também tem 5km. Conheço gente que se inscreve só pelo kit, que é sensacional, eles se superam a cada ano. Ano passado até meu filhinho ganhou camiseta da corrida!
Mas é uma prova com muitos competidores, e se eu consigo baixar meu tempo, naturalmente os outros também, é uma prova rápida. Quem quiser se inscrever também tem que se apressar.
Então, de agora até final de abril é isso.
Em maio tem meia maratona em Balneário Camboriú, mais perto conversamos sobre ela.
Muitas pessoas me perguntam como sei das provas. Como tenho grupo de corrida, com um cara show de bola que faz inscrição para os integrantes, pega kit,  etc (super Rodrigo) , ele está sempre antenado no que virá e coloca no mural da academia, fala comigo diretamente...
Mas existem muitas maneiras. Para quem quer abrir os horizontes, http://www.correrpelomundo.com.br/, com as provas do mundo todo, MESMO!! O site é ótimo, pode procurar por locais, data, distância, muito bom. E dá vontade de sair correndo por aí...Mas claro que não tem as provas menores de cada estado.
O site http://www.corramais.com.br/ tem um bom calendário também, e voce pode se cadastrar para receber por email as novidades. No http://www.webrun.com.br/ também há muitas provas.
E para quem prefere mídia escrita, as revistas O2, Runners e Contra relógio sempre têm o calendário das provas, mas elas não têm tudo, porque são patrocinadas, então ha provas que são solenemente ignoradas, embora conhecidíssimas...
Quem quiser aventura de verdade, deve dar uma olhada no http://www.montaindo.com.br/. É outra vida, são corridas de aventura, com provas individuais e de revezamento, por lugares diferentes, como o Deserto do Atacama (ano que vem eu vou!). O bom é que tem trecho até para o mais iniciante dentro do revezamento.
Quem quiser sugerir alguma prova, descobrir alguma fora do circuito, quiser sugestões conforme seus treinos atuais, estou por aqui!

terça-feira, 20 de março de 2012

Trail Running 2012


Já participei de várias provas de corrida que quero compartilhar, mas vou iniciar pela mais recente, e aos poucos vou colocando as antigas mais marcantes.

O desafio de sábado, dia 17 de março, era uma prova chamada Trail Running, competição paralela ao evento Multisport Brasil 2012, com triathlon (ainda não cheguei lá, e esse era com canoagem!!), em Florianópolis. Havia dois percursos, de 9km e 5km. Eu escolhi fazer 9km, porque gosto de velocidade, mas 5km em geral acho pouco, passa rápido demais...

Só que a prova, como o nome já indica, era de trail, ou seja, não era asfalto, plano, vida boa. Era praia, trilha, rua, e mais trilha e praia.

No site, o trajeto vinha descrito assim: "percurso do Trail Running se inicia em Jurere Internacional (na Arena Multisport), e segue para a praia do Forte até a praia da Daniela (trecho urbano), retornando pela trilha da cruz até a arena novamente".

Eu, para variar, não tinha entendido bem, e me inscrevi achando que era diferente. Durante o verão, eu costumo correr na praia da Daniela, em Floripa, e vou pelo asfalto até Jurerê, corro pelas ruas de lá, e volto, então achei que o percurso tinha tudo a ver comigo, só que com uma trilha básica. Haha, doce ilusão...

Mas antes da prova em si, quero comentar sobre a inscrição. O site era bem explicativo, mas na hora de pagar a inscrição era meio amador. Tinha que fazer a transferência (que era para uma pessoa física, medo!!), e mandar o comprovante por email. E não aparecia em lugar nenhum que estava tudo confirmado, algo como "ok, aguarde confirmação do pagamento", ou semelhante, como temos nas provas mais tradicionais. Então, mandei o comprovante e pedi para acusarem o recebimento, e aí deu tudo certo, recebi até um "bom treino", bastante simpático. Depois tinha uma lista de inscritos e meu nome estava lá, no site.

O local de entrega do kit era na largada, nas areias de Jurerê, em um dia delicioso de sol, mas sem um calor insuportável. A largada era às 16h30min, diferente do normal, que é de manhã cedo. Acho bom, o corpo reage diferente, são outras sensações. E terminar a prova no final do dia é interessante também.

Meninas gostam de kit, não adianta negar. Eu adoro. Esse era bem sem graça, só a camiseta, que, como de costume, ficou grande, porque os tamanhos são feitos evidentemente pensando no público masculino, então mesmo o P parece ser para um homem baixo e gordinho, sorry. Minha dica para mulheres é: quando tiver baby look, escolha!

De todo jeito, eu não gosto de correr com a camiseta da prova, coisa minha, seja porque tenho uma equipe para defender, seja porque fica todo mundo parecido, e principalmente porque não consigo correr de camiseta de manga curta, só regata. Acho mais legal usar a camiseta depois e me lembrar que estava lá.

Tinha chip, o que é importantíssimo nas provas para quem quer realmente saber seu tempo ao final. Com o chip, o tempo computado é o tempo líquido, ou seja, do tapete de largada, embaixo do portal, até o tapete de chegada, excluindo o tempo até chegar até o portal, que pode ser de cinco, dez, até quinze minutos, se tiver muita gente.

A largada foi das duas distâncias juntas, o que não gosto muito, porque quem vai correr menos tem que largar mais forte, precisa de mais espaço, e tem gente que só quer aparecer nas fotos da largada, nem sabe seu tempo (pace) por quilômetro, ou algo que justifique largar com a elite. Mas foi uma largada tranquila, e na praia tem espaço para todo mundo.

Enfim, o percurso era tenebroso, pelo menos para mim. Recem comecei a correr em trilhas, não sou a mais, digamos, coordenada em pedras, chão batido, e meu negócio é sair correndo, e isso não é possível em trilha com morro, que era o caso.

Mas como era minha terceira vez, já subi melhor, mais rapidamente, e nem achei tão difícil. A descida é difícil, meio travada, medo de ir rolando...Mas depois, não era bem o que eu esperava. Saímos de Jurere pela praia, que é areia batida, ótima, e seguimos rumo à praia do forte, que tem calçamento, apesar de ser uma subida. Depois a trilha já é bem utilizada, então tem espaço, chão que até permite correr. Descia na praia da Daniela, corria na praia (estava perfeito para correr, e eu estava totalmente em casa), pude caprichar no ritmo, depois entrava e passava pela rua principal da praia, e voltava pela tal trilha da cruz. Cruz foi o que parecia que eu estava carregando lá...estreita, pedaços com mata quase fechada, subida que não tinha fim, um trecho  com arame farpado ao lado, fiquei até triste, e pensando "como fui me meter nessa". Eu faço essas provas pensando na paisagem, no visual, e esta estava tão difícil que nem coragem de olhar para o mar eu tinha, porque tinha medo de me perder, o que aconteceu com um amigo meu, que deu uma erradinha no caminho e perdeu tempo.
Pior: eu tinha convencido uma amiga a fazer os 9km, e ela nunca tinha corrido em trilha, fiquei com muito medo que ela não desse conta, e pensava: ela vai me matar.

Na descida, quando chegou no trecho já pavimentado, até perdi o medo e fui com vontade, terminando o último quilômetro na praia.

Defeito sério da organização: NÃO TINHA HIDRATAÇÃO NA TRILHA. Tinha água nos 2,5km, mais ou menos, e depois, só na descida da segunda trilha, ou seja, faltando menos de 1/3 da prova! Isso é inadmissível, ainda mais porque a informação era de que haveria hidratação, tanto que não levei garrafinha comigo (porque é chatíssimo levar), mas agora não acredito mais nesse tipo de informação, melhor carregar a minha e garantir. Nunca tinha sentido a boca tão seca, e todos que passavam reclamavam. Eu pagaria com prazer um valor maior de inscrição para ter garantida a hidratação, inclusive no final, porque também acabou tudo na tenda, água, frutas, tudo. Fiquei pensando em quem chegou muito depois de mim...

Quando estava chegando, me dei conta de que não tinha passado por mulheres desde a primeira trilha, na primeira terça parte da prova. E só me lembrava de uma menina correndo na minha frente, que depois não vi mais. Perguntei para alguns fiscais se tinha passado muita mulher antes, eles diziam que não, mas não dá para ter certeza...

E quando cheguei, estava beeem cansada e meio frustrada por não poder correr como queria, pela dificuldade da trilha. Imagina, fiz o percurso de 9km em 59 minutos!! No asfalto, em treino tranquilo, faço em 45!
Mas terminei, e aquele mar lindo de Jurerê no final já me deixou mais animadinha.

A boa notícia: fiquei em segundo lugar no geral feminino!!! Alegria total!!

Mas era uma felicidade misturada com um sentimento de estranhamento, porque não é a primeira vez que vou bem em uma prova difícil, será que é esse meu perfil?

Troféu, camiseta (boa, aliás) e uma pochete porta tudo (ótima) foram meus prêmios, o que já consolou pelo kit mixuruca...

Eu corro para ser feliz, como já disse. E teve uma hora na prova que não estava me divertindo, e pensei que não era meu lugar. Mas continuei dando o melhor de mim, já que estava ali. E em todas as oportundidades de correr forte, eu corri, e a recompensa veio de forma surpreendente! Nem sempre é assim, sabe? às vezes dá tudo errado do começo ao fim, faz parte...

Ah, a minha amiga? Superou todas as expectativas, chegou ótima, correndo, uns quinze minutos depois de mim, e está mais feliz do que eu por ter conseguido superar o desafio!














quarta-feira, 14 de março de 2012

Apresentação


A verdade é que na vida estamos sempre correndo: para chegar no trabalho, para levar os filhos para a escola, para ir para a aula, para pegar um vôo, para uma reunião cedo...Estamos sempre correndo contra o tempo.
Então, por que não usar isso a seu favor? Correr para vencer o tempo. Esse é o desafio. E não existem adversários à altura, é você contra você.
A corrida é democrática, todos podem correr: homens, mulheres, jovens, menos jovens, pessoas na terceira idade (que nos fazem comer poeira), empresários, servidores públicos, médicos, juízes. Você pode correr em qualquer lugar, porque o equipamento é o mais simples e cabe em qualquer mala: tênis (não precisa ser o mais caro, acredite), meias,  um short, um top, camiseta, filtro solar. É uma ótima maneira de se conhecer uma cidade.
Pode-se correr sob (quase) qualquer condição climática, e em qualquer horário, para os mais treinados.
Corro sozinha, é bom para pensar na vida, arrumar as ideias, organizar os planos, ou esvaziar a mente, quase uma meditação. Corro em grupo de corrida, fazendo amigos que surpreendem de tanta solidariedade. Corro com amigos queridos que nem sabiam que sabiam correr.
Faço treinos e participo de provas. As mais diversas, e vou escolhendo meus objetivos ao longo do tempo.
Corro para ser feliz. Quando eu corro, me sinto capaz de superar qualquer desafio em todas as outras áreas da minha vida. Correr me dá alegria. Quando não dá, não me serviu, não corro para sofrer.
Pode sentir dor, todos já leram sobre isso. Mas o sofrimento...não precisamos dele.
E criei este blog, com o apoio do meu marido, espectador incansável das minhas corridas mundo afora,  para comentar um pouco sobre o que vejo e aprendo nos treinos e nas provas, dividir minha experiência, ainda curta, mas que segue firme.

E o que aprendi primeiro, e quero dividir é: treine sob orientação adequada. Quer sair correndo? procure um bom treinador, que crie planilhas individualizadas a partir de uma avaliação cuidadosa,  e que se preocupe com seu desempenho e com voce. Corro hoje para correr sempre, lesão não tem a menor graça. Descubra seu potencial e seus limites com um treino bem elaborado.
E vamos conversando.