segunda-feira, 21 de maio de 2012

Treinos

Participar de provas é muito, muito bom. Mas é, na verdade, o bônus, ou o prêmio pelos treinos feitos.
Não tem muita graça participar de uma prova e não conseguir terminar, ou ficar com dores horríveis, por exemplo, porque faltou treino.
É pelo treino que você vai descobrindo a distância que gosta de correr, a velocidade, o piso, a altimetria...É ótimo quando voce se sai bem numa prova, do jeito que queria, e percebe que é porque treinou. Isso é o normal. E os próximos treinos serão melhores, porque voce está motivado. 
No treino voce adquire velocidade, força, resistência, e se diverte. Sim, porque para mim a ideia é sempre essa, mesmo que não dê certo todas as vezes. E ainda que não se divirta, no final do treino vem a maravilhosa endorfina.
Bom mesmo é ter alguém competente (como eu tenho) para montar uma planilha de treinos, que leva em consideração as características pessoais, o tipo de corpo, os objetivos do corredor, as provas que tem em vista...
Se não tiver quem prepare a planilha, as revistas especializadas trazem boas, e como têm que servir a todas as pessoas, não costumam ser muito pesadas, todo mundo dá conta. E são direcionadas ao objetivo do corredor. Para iniciantes, a Revista Sports Life de abril tem uma boa planilha, e a Revista O2 do mês de maio é dedicada a incentivar a prática da corrida.
Quem corre tem que ter objetivos. Senão o treino fica morto, vai perdendo a graça.
Só sair correndo não faz ninguém evoluir, não oferece desafios (ou oferece demais, quando a pessoa não conhece seus limites), e mesmo para quem corre só para emagrecer, depois de um tempo, nem isso mais vai acontecer, porque o corpo se acostuma aos estímulos sempre iguais e não reage mais.
Em geral, para quem corre ou pretende correr três vezes na semana, o primeiro treino vai ser de uma distância próxima à que você tenha como objetivo para prova, com velocidade idem, geralmente progressiva; o segundo, de tiros, ou seja, treino de velocidade, com várias séris de curta distância (no máximo 1km, em geral), alternando com intervalos (pequenos) de descanso, e uma distância final menor, e o terceiro, o chamado treino longo, ou seja, uma distância maior, para adquirir resistência.
Tem gente que tem objetivos mais ousados, como participar de provas de longa distância,  corrida de aventura (Montain Do, por exemplo), uma prova super diferente, como o Desafrio de Urubici, que são 52 quilômetros, sendo 26 subindo o Morro da Igreja (ponto mais alto de Santa Catarina), e 26 descendo. Para esses, o treino será diferenciado, e três vezes na semana pode ser pouco.
Isso significa, portanto, que não só é preciso adaptar o treino aos seus objetivos, como o inverso também. No meu caso, enquanto meu filho ainda for pequeno, não me atrevo a alçar vôos muito altos, como o triathlon (mesmo o short, que é o que eu gostaria), ou até mais de uma meia maratona por ano, porque isso implicaria em um treino que ocuparia mais tempo do que é possível na minha agenda atual.
E quando voce tem uma planilha e não consegue cumprir nunca, acaba desanimando, então ela tem que ser possível ao que voce pode fazer, e adequada aos objetivos.
Ah, está ruim? Escolhe gente muito legal para fazer o treino longo junto, como eu tento fazer. Sábado terminei achando meus 13km muito fáceis perto dos 21km da Giovana, que começou há pouco tempo e já corre muito, e dos 30km das super guerreiras Amanda e Grazi, que estão treinando para a maratona do Rio.
É, às vezes quando chega minha planilha dá um arrepio só de olhar. Então eu faço o seguinte: penso que quem elaborou a planilha me conhece, e leio o treino do dia, não os treinos do mês, porque se eles estão lá, é porque, na hora certa, vou ser capaz de fazer.
E vambora correr.





quinta-feira, 17 de maio de 2012

Vale a pena usar GPS para correr?

Como já disse, nunca me entendi com monitor cardíaco. O troço captava os batimentos dos vizinhos, não o meu! De repente surtava, apagava tudo, um horror. Fora a aflição daquilo me coçando por baixo do top.
Mas o pior era o medo que me dava, eu ficava toda preocupada com os batimentos, e nem prestava atenção no meu corpo, se aquele ritmo cardíaco, às vezes tão alto, correspondia ao meu cansaço, ao que eu sentia que podia fazer. E descobri que não, a não usar o frequencímetro, e sim seguir os sinais da respiração, as pernas e do coração, funciona bem melhor para mim. Mas porque aprendi a me conhecer e aos meus limites, e não só treinando, mas me submetendo a exames.
Já o gps revolucionou a minha corrida.
Sim, é possível correr sem GPS. Mas com ele é bem melhor.
O GPS te permite saber a distância percorrida, a velocidade (no meu caso, o pace, ou seja, quantos minutos para fazer um km) e, na maioria dos modelos, ainda há o frequencímetro, então acompanha também o ritmo cardíaco.
Quando fiz testes de vo2, lactato, etc. (coisas pra outra conversa), pude descobrir as velocidades que são mais adequadas para mim conforme meus objetivos, e sem o GPS eu só poderia correr na esteira para seguir uma planilha que respeitasse isso.
Existem vários modelos no mercado, mas na minha modesta (e nada profissional) opinião, os da Garmin ainda são os melhores, porque é marca especializada em GPS.
Os modelos são todos um tanto quanto parecidos hoje em dia, mas o preço é variado, e atualmente a moda é ser touch, ou seja, tudo na telinha (minúscula) do mostrador, com um toque de nada você aciona (ou desativa) tudo.
Confesso que ainda prefiro alguns botões para apertar e saber o que estou fazendo, mas isso é questão de gosto. Como eu não sou a mais coordenada, só de correr já acabo tocando em algum dos botões, e já muda tudo na tela, tenho que mexer para voltar à tela anterior...e isso atrasa a vida do corredor. Tem que ser tudo fácil, simples de ser acionado enquanto voce corre.
O meu modelo é o 410 forerunner, ótimo. Alguns comandos são touch, e outros têm botão. Fácil de manusear, vem com o guia rápido para quem quer só sair correndo. O 610 é mais moderno, todo touch. E o 910 é para triatletas, mais completo. E tem o 110, bem básico, para iniciantes, diz meu treinador que é muito bom.
E você pode aproveitar tudo o que o GPS oferece: passar os dados da corrida para  o computador (programa próprio), e acompanhar os treinos, que é o mais importante para buscar evolução.
Eu acho ótimo poder ver depois como foi meu primeiro quilômetro, o último, em qual eu fui mais fraca, em qual fui melhor... E tudo isso aparece, com altimetria, distância percorrida, etc. Ah, sim, as calorias gastas também aparecem...
Existe ainda um corredor virtual, que você pode programar para te acompanhar, de modo que você segue o ritmo dele, por exemplo.
Escolha um modelo à prova d'agua mesmo que não pretenda usar nadando, porque o suor encharca o aparelho, melhor garantir.
Durante os treinos, vá se acostumando a olhar para o GPS para acompanhar seu pace, mas não todo o tempo, o objetivo não é que você fique travado pelo equipamento.
Eu, por exemplo, já fui vítima de sabotagem... de mim mesma! Cismei com um pace, e cada vez que reduzia, ou seja, que eu corria mais rápido, em vez de tentar um pouquinho, ficava tensa e voltava para meu ritmo, e isso também não é bom. Tanto que alguns treinadores recomendam um treino por semana sem GPS nem monitor, uma corrida em livre, seguindo só os sinais do corpo, para no final ver quantos km deram, e aí calcular a velocidade.
No site http://www.garmin.com/, escolha Brazil e virá tudo em português, com descrião dos modelos.
Se puder viajar e comprar nos Estados Unidos, aproveite, a diferença de preço é muito grande.
Eu considero um excelente investimento.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Que tal correr uma meia maratona em dupla?

Depois de duas semanas de muito trabalho, volto a escrever, cheia de assunto.
Começo pela meia maratona de Balneário Camboriú que aconteceu dia 13, no domingo do Dia das Mães.
Quanto à escolha do dia, não achei ruim. Vi muitas famílias completas,  justamente porque, sendo dia das mães, todos quiseram ficar juntos. Mães corredoras estavam felizes em fazer o que gostam (era o meu caso), e papais cuidavam das crianças enquanto isso, baita presentão!
O que acho interessante nessa prova é a possibilidade de fazer em dupla, e então cada um corre 10,5km. Para quem ainda não tem coragem de se aventurar em uma meia maratona completa, mas quer sentir o clima, tanto da meia maratona quanto de correr em equipe de revezamento,  e já corre 10km,  é uma ótima opção.
O dia estava perfeito, sol brilhando e friozinho de manhã cedo.
É uma prova bem organizada, correr em Balneário Camboriú é ótimo, o percurso era quase todo de asfalto (o restante era um calçamento novo), bom para quem quer correr na praia sem precisar correr na areia.
O kit tem uma camiseta de ótima qualidade, e é isso.
A largada foi às 07h35min, bem razoável, e a justificativa do pequeno atraso foi a necessidade de conferir se os chips estavam ok. Aliás, esse foi o defeitinho da prova, o chip era uma tira de plástico para prender no tênis, ficava como uma argola meio pendurada no cadarço, com a sensação de que ia cair, me deu aflição.
No caso das duplas, os dois corredores da dupla tinham o chip, e não havia troca ou entrega de alguma coisa no momento da passagem de um para outro, o que, imagino, poderia ter causado alguma confusão.
A passagem de um corredor para outro era no topo do Morro da Rainha, o que significa que a subida do morro (a 18 graus, puxado, mas são 300m) é no final do percurso do primeiro corredor, que chegava beeeem cansado.
Eu formei dupla mista, com um colega do grupo de corrida, e era a segunda corredora, então larguei descendo o morro. Com aquele dia lindo, a adrenalina da espera (estava lá desde sete da manhã), vontade de correr vendo todo mundo passando...Fui com tudo, me achando o papaléguas. E assim fui nos quatro primeiros quilômetros, com um pace excelente, de média de 4'30'' o km.
O visual era deslumbrante, descia em direção à Praia Brava de Itajaí, e por ela continuava, é linda demais! O mar estava muuuito azul, acho que me perdi naquela beleza toda.
Faltando em torno de 2km para o final, também tinha a subida do morro, voltando para a praia de Balneário Camboriú, e o sol já mais forte. Era menos inclinada a subida (em torno de 13 graus), e um pouquinho mais extensa (uns 400m), e eu a essas alturas já tinha "quebrado", ou seja, tive que reduzir bem o ritmo a partir do sexto quilômetro, porque estava demais para mim depois de duas semanas treinando pouco.
E confesso que me senti me arrastando no último quilômetro, parecia que não ia terminar nunca, e eu não achava no ipod uma música que me empurrasse, não foi o melhor final de prova que já tive. 
Mas pela diversão valeu muitíssimo. O Felipe fez o trecho dele no tempo que se propôs (e continuou correndo depois), eu fiz em mais do que estou acostumada, mas feliz porque testei meus limites justamente em uma prova que fui para curtir, sem estresse. 
Frutas, muita água e isotônico (sem mesquinharia) no final, uma tenda coberta no meio da praia para o pessoal ter onde ficar, com cadeiras, muito bom.
Muita gente estava fazendo os 21km sozinho, que é o mais comum, mas muitas duplas fizeram, especialmente duplas mistas. 
Na hora de escolher a dupla, você deve ter claro qual é o objetivo da prova: competir ou se divertir. 
Se for competir, a escolha deve ser de alguém que tem o mesmo ritmo (se mulher) ou um mais forte do que você, especialmente se for um homem, e aí as afinidades pessoais nem contam muito, é mais uma parceria para buscar resultados, e um sabe que o outro está na expectativa. Isso, como eu já disse antes, dá uma motivação extra. Claro, se voce tiver alguém assim que ainda por cima é seu amigo/amiga, namorado/namorada, filho/filha, treinador (ainda faço uma prova em dupla com o meu), melhor ainda!
Se o objetivo for diversão, escolha pelo coração, pode ser alguém que está querendo iniciar os 10km e ainda não teve oportunidade, um amigo querido demais, mas que corre em ritmo de passeio...e vocês podem programar para passar juntos na linha de chegada, a foto fica linda! 
E voce ainda pode se surpreender, como aconteceu comigo ano passado,  quando corri em dupla com a linda e querida Michele no Parador 10 milhas. 
Eu tinha vindo de uma competição pesada, estava querendo me divertir vendo um lindo visual e com alguém com quem tivesse amizade, e ela estava tão preocupada em não me decepcionar, em não atrasar a dupla , que chegamos em segundo lugar nas duplas femininas!!
Corrida é isso...
Para quem quiser experimentar, a meia maratona de Curitiba também tem a opção de fazer em dupla, vai ser no dia 24 de junho (www.meiamaratonadecuritiba.com.br).