quarta-feira, 27 de junho de 2012

Toda distância merece respeito

É assim: aquele casal de namorados está junto há algum tempo, e as pessoas começam a perguntar: quando sai esse casamento? ou pelo menos quando vão noivar? e eles casam, e em dois meses as pessoas começam a perguntar: quando vem o bebê? nasce o primeiro filho, e a criança nem desmamou e o povo: e o irmãozinho, quando vem?
Voce conhece essa história?
Pois é, é assim que eu me sinto quando me perguntam quando vou correr uma  maratona, ou mesmo outra meia maratona. Que pressão pela distância! Então, imagina quem começou a correr agora, e está nos 5km, com muito orgulho?!
O sujeito finalmente começa a correr, está feliz porque corre meia hora direto, sem caminhar, e já tem gente querendo que corra maratona, trilhas, etc. Faz duas provas de 5km e na seguinte tem alguém para perguntar: Agora chega, né, vamos para os 10?
É possível que o corredor de 5km hoje queira ser um maratonista amanhã. Mas pode ser que não, pode ser que queira correr pequenas distâncias sempre. E isso não o desqualifica como corredor.
Claro que estou falando um pouco em causa própria. Eu adoro correr provas de 10km, mas tem gente que não se conforma com isso! Gosto de velocidade, de testar limite, de treinar para essa prova, com treinos fortes, tiros...
Já falei antes que é importante ter objetivo. O meu é baixar tempo em 10km ou distâncias semelhantes, e não correr grandes distâncias. Pelo menos não agora. Acho interessante correr uma meia maratona por ano, para treinar rodagem maior e garantir resistência. Mas escolho muuuito bem, e sem correr risco de ser chamada de metida, quero uma bela paisagem que me seduza durante aquelas quase duas horas que vou passar correndo.
Além disso, nem todo mundo tem tempo para fazer treinos longos mais de uma vez por semana, e nem por isso está treinando menos, só está treinando diferente. Quem pretende correr maratona precisa ter tempo disponível para treinar, além da disposição.
Admiro quem faz ultramaratona, mas não tem nada a ver comigo. E admiro muitíssimo o Samuel Ribeiro. Sabe quem é? o corredor que ganhou os 5km na meia de Floripa, fazendo o percurso em menos de 15 minutos. Sabe por que? Porque eu sinto na pele como é difícil baixar um minuto do tempo em uma prova de cinco e de dez quilômetros. E o treino dele deve ser muito puxado.
Diminuir em um, dois, até cinco minutos o tempo de uma meia maratona não é tão difícil quanto reduzir dois minutos uma prova de 10km depois que voce já está treinado. Claro, no início, faz em uma hora, e em menos de seis meses já faz em 50 minutos. E é aí que começa a ficar difícil...ser um corredor sub-50' nos 10km é um baita desafio.
Correr 5km, 10km, 21km, 42km, 52 km(em Urubici, no maior frio), aventura, tudo é válido, o que interessa é correr da maneira que mais te estimular, e especialmente, te fizer feliz!


terça-feira, 19 de junho de 2012

Meia maratona de Floripa

Domingo, dia 17, aconteceu a meia maratona de Floripa, prova diferente da meia maratona internacional de Florianópolis, em março deste ano.
Esta era organizada pela O2  e com a Asics patrocinando, o que garante qualidade dos kits. E realmente a organização pré-prova estava, para mim, impecável. A inscrição é simples de fazer, e para quem já fez outras provas e está cadastrado, mais fácil ainda, inclusive para fazer inscrição para outras pessoas, como fiz para uma amiga. E é enviado e-mail de confirmação depois do pagamento.
A entrega dos kits é ótima, porque são muitas pessoas para entregar o número de peito e chip (evitando a correria e as filas no dia da prova para retirada do chip),  todos sabem as informações necessárias, e encaminham para a retirada do kit, que, sim, vem com a camiseta no tamanho que voce escolheu. Quem é assinante da revista O2 tem direito à personalização free da camiseta, e o staff te avisa disso quando entrega o número de peito. A personalização foi rápida e eficiente. A camiseta, verde escura com preto, de manga comprida, é linda, assim como a sacolinha, de um tecido bem superior ao que normalmente se vê. Também se ganha um gel de carboidrato da Accel, que é dos melhores, na minha opinião, e a touca. Ai, a touca era feia. Parecia tão bonitinha na foto, mas o tecido era meio de touca de natação, impossível de usar, ainda mais as mulheres. Só meu filho de dois anos para ficar fofo usando aquilo, sem parecer de torcida organizada de alguns times.
A largada é por pelotões, conforme o ritmo/pace. E funcionou, pelo menos no meu caso. Existiam entradas específicas para cada pelotão, e eu vi uma moça da organização pedir para uma pessoa de outro pelotão se retirar e ir para a entrada correta, o que eu acho bem justo. A largada pelos pelotões auxilia muito, são menos esbarrões e voce desvia de menos gente, já que, em tese, larga com quem corre em velocidade próxima à sua. Claro que pode haver alguma injustiça, a pessoa que está correndo pela primeira vez uma prova organizada por essa empresa não tem tempo comprovado em outra corrida, e acaba incluído no pelotão branco, que é o último. Mas o que conta é o tempo líquido, de maneira que os rápidos acabarão conseguindo marcar um bom tempo para a próxima.
Era uma verdadeira multidão, acho que a maior prova que já vi em Florianópolis. Eram previstas 5.000 inscrições, e o jornal falou algo em torno de sete mil corredores, todos saindo da beiramar continental, no bairro Estreito, um lugar muito bonito, e com espaço para aquecimento antes da prova, diferente da prova da Adidas em Curitiba.
Mas apesar de todas as boas regras, a largada atrasou. Muito, quase quinze minutos, o que é inadmissível, por várias razões. Cito o aquecimento, que fica totalmente prejudicado, porque eu fui para o meu pelotão faltando uns cinco minutos para o horário previsto para a largada (isso porque estava tudo organizado, senão teria ido antes), e com aquele povo todo, o máximo que dá para fazer são uns pulinhos, mas pular quase vinte minutos... Além disso, há a suplementação, que tem horário para ser ingerida, o termogênico, e, no caso do pelotão quênia, lá na frente, certamente existem rituais rigorosos para seguir.
Para se ter uma ideia, o primeiro colocado nos 5km fez o percurso praticamente no tempo de atraso da largada (14'44" - sim, menos de quinze minutos...).
E o povo se irrita, é natural, ficava lá o sujeito falando no microfone que estavam medindo o percurso (não dava para ter medido antes?) e pedindo animação da galera...nossa, tomou cada vaia!
Eu fiz 10km, minha distância favorita, e o percurso é lindo, embora tenha sido alterado do ano passado para esta edição. Ano passado corri na duas pontes, uma na ida e outra na volta, em um dia de sol (e sem vento) magnífico, de emocionar. Este ano era ida e volta na Ponte Pedro Ivo Campos, mas sempre lindo, claro, e a previsão de chuva torrencial não se confirmou, cairam uns pinguinhos durante a prova e só. Temperatura ótima, mas quem correu de manga comprida deve ter sentido calor.
Percentualmente falando, provavelmente a meia maratona era predominantemente plana. Mas os dez quilômetros não eram. Não adianta, Florianópolis não é uma cidade plana, só se o percurso for inteiro na baira-mar norte, indo e voltando até completar a quilometragem.
Tinha a subida na ponte na ida, e na volta a subida do elevado novo e da ponte novamente, já nos 3km finais. Aquela ponte parece não ter fim quando se está correndo (rápido), e confesso que apreciei bem mais a paisagem na ida do que na volta. E embora não seja muito íngreme, é constante. Manter o pace naquela subida não era fácil. O final do percurso era descida e depois plano, muito bom.
Eu larguei com velocidade, queria ultrapassar para ter mais espaço, e consegui manter um bom ritmo, salvo na volta pela ponte, que dei uma caída. Não quebrei nem perdi o pace, mas depois não consegui dar aquela acelerada final, já não tinha mais de onde tirar forças, tanto que fui ultrapassada faltando quinhentos metros para a chegada, deu até uma tristeza...
Água, isotônico e frutas na chegada, em quantidade, e linda medalha.
Fiz em 47'27" (sim, de novo...), o que, nesse percurso, considerei um bom tempo, e não posso reclamar, fui a sétima mulher dentre mais de quatrocentas no 10k, e a segunda da categoria. Com exceção da sexta colocada (a que me ultrapassou), as cinco primeiras fizeram em menos de 43', ou seja, não é para o meu bico. A primeira colocada fez em 41'17".
Sou da  opinião de que, em provas grandes como essa (acho que já falei sobre isso em relação ao circuito Adidas), em que são tantos inscritos e não há prêmio em dinheiro, e considerando o valor nada módico das inscrições, poderia haver premiação com troféus pelo menos até o quinto lugar, como aconteceu na meia maratona internacional de Florianópolis. E uma premiação até terceiro lugar por categoria, só com troféus também, coisa simples, ou medalha especial, iria incentivar em muito os atletas amadores que são mais competitivos.
Foi uma boa prova, vi muitos conhecidos, gente estreando em competição, como a Cláudia, fazendo seus primeiros 5km, felicíssima com sua medalha. Isso vicia, amiga, e é bom demais! Vamos para as próximas!








quarta-feira, 6 de junho de 2012

Correr no inverno


Odeio inverno, odeio frio, odeio chuva de inverno (de verão só gosto da que dura meia horinha no final do dia), e acho que roupa de inverno, casacão, etc., só é charmosa nos primeiros três dias. Depois, já deprime.
Ótima maneira de começar o post, não? Isso é para ninguém ler e no final ficar dizendo:"ah, mas ela gosta de inverno, por isso acha bom correr".
Então não é por isso que acho bom. Mas sou meio Polyana mesmo, gosto de fazer do limão a limonada, e tudo isso. Assim, acho que também tem suas vantagens em correr no inverno.
O mais difícil, para mim, é a adaptação. Eu custo a acreditar que realmente esfriou e talvez eu precise de uma manga comprida e até de uma calça para correr. E não creio que, apesar de escuro, já é dia lá fora. Dá uma tristeza.
Duro levantar da cama. Na verdade, decidir levantar. Eu acho que no frio o melhor é treinar de manhã, para não correr o risco de desistir ao longo do dia, a não ser que não haja opção. E de qualquer jeito vou ter que levantar para cuidar do meu filho e trabalhar, só talvez tenha que ser um pouco antes do que precisaria. E muuuuuito antes do que gostaria.
Eu nunca me arrependi de ter levantado e ido correr, só de não ter ido. Porque depois que se começa, a sensação é a de sempre, ou seja, ótima. E suar no inverno é uma boa sensação também, porque é diferente. Fora que depois de correr tomar banho é excelente ideia; já quando se fica sentado no sofá...
Eu acho que o rendimento é melhor no frio, e isso me deixa até melancólica, porque adoro correr no verão, debaixo de sol. Mas eu pude perceber isso quando corri em NY a 2 graus - positivos. O cansaço demora mais para aparecer, a pressão não cai como no verão, voce não se sente desidratando tanto (o que não significa que não esteja perdendo água, mas a sensação é diferente).
Mas se você é daquelas pessoas que tem mais dificuldade em ser feliz no inverno (como eu), principalmente quando chove, faça adaptações no treino.
Correr na rua é muito bom, mas quando está frio e chovendo, a esteira é bem mais simpática. Lá dentro da academia está quentinho e confortável.
Eu aproveito para fazer treino de tiros de velocidade, ou um corretivo, tentando prestar atenção na passada, fixando a velocidade na esteira para poder concentrar na postura, no movimento dos braços, enfim, tudo aquilo que na rua é mais difícil de fazer. Ah, e se estiver passando Friends na tv, aqueles episódios que já vi umas dez vezes, num instantinho corri meia hora. E aí mais um episódio já faz uma hora...
Todos os treinos têm vantagens e desvantagens. Muito chato fazer um longão na esteira? Nâo faça, converse com o treinador para trocar o dia. Ou convide alguém que também acha isso para usar a esteira ao lado, e vão conversando, como se fosse na rua. Nâo é igual, mas ajuda a passar o tempo também.
Se quiser sofrer um pouco para se preparar para uma prova difícil, como o Desafrio de Urubici (em que tudo pode acontecer, como estar 2 graus abaixo de zero e chovendo), então vá para a rua, mas devidamente equipado: manga comprida ou manguito, calça, ou pelo menos uma meia de compressão, e, especialmente, faça um bom aquecimento, para não se machucar ou ficar doente. Não acho graça sofrer mais do que o necessário. E nem todos os treinos precisam ser assim, porque treino é treino, prova é prova. No dia da prova a adrenalina resolve vários problemas.
Compre um tênis novo, uma calça de compressão, algo que te dê vontade de correr, como brinquedo novo que a gente ganha e quer brincar logo.
Trace uma meta, escolhendo uma prova bem legal que exija treino, como uma meia maratona, uma prova noturna, baixar o tempo repetindo uma prova que fez no ano anterior, ganhar da sua amiga, tudo é válido para motivar.
E, por fim, no meu caso, uso o meu mantra: "o que eu sou no verão é resultado do que eu faço no inverno". E aí cada um decide como quer estar no verão...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Blumenau 10k - ano 2


Ano passado participei da primeira edição da Blumenau 10k, que teve também percurso de 5km. Primeiro ano a procura é sempre pequena, ainda não há muita divulgação, mas foi uma prova bem organizada, percurso interessante porque passa pelo centro de Blumenau, rua Quinze de Novembro, Beira-Rio, passa na frente da Vila Germânica, enfim, pontos turísticos e conhecidos. São diversos aclives, nada muito íngreme, mas o suficiente para exigir um pouco mais, e o clima é favorável, ano passado foi em agosto.
A largada é em frente ao Shopping localizado no centro da cidade, então tem lugar para estacionar (é aberto o estacionamento, e quem participa da prova não paga), facilidade para pegar o kit (na loja Centauro), banheiro dentro do shopping para usar.
Fui correr 10km, estava treinando, o dia estava perfeito, com sol e friozinho, e fiz um bom tempo, acabando em 2º lugar na minha categoria, em 12º no geral feminino.
Então, anunciada a segunda edição, achei uma boa ideia fazer, porque é o mesmo percurso, ou seja, ótima oportunidade para ver como evoluiu a performance.
O kit é meio pobre, mas ano passado a camiseta era mais bonita e de melhor qualidade, a deste ano ficou muito a desejar.
Inovaram quanto ao chip, foi também aquele descartável da meia maratona de Balneário Camboriú, mas desta vez vinha em um envelope com instruções de como colocar. Já me senti mais segura, e não ter que tirar no final da prova para receber a medalha é sempre interessante. Outra vantagem de receber logo é que não precisa chegar mais cedo para a prova, já levei o número comigo também.
Desta vez a prova foi em maio, depois de uma semana de calor, mas no domingo dia 27 estava gostoso, fresquinho de manhã, e o sol foi aparecendo. Sim, era o mesmo dia do ironman em Floripa (próximo post). Na minha modesta opinião, isso não fez muita diferença no número de participantes em Blumenau, porque o corredor que faz 10k e 5k é, em geral, beeeem diferente de quem faz triatlo a ponto de participar do ironman. Claro, sempre tem a plateia, mas eu também fui para Floripa assistir uma parte da prova depois de correr em Blu. Vantagens de uma prova que dura 17 horas (sim, sim.).
Tanto assim que logo percebi que havia muito mais gente para correr do que no ano passado.
A diferença foi no número de fotógrafos, porque quase todo mundo daqueles sites de fotos de provas estava em Floripa. Eu vi dois fotógrafos no percurso.
Eu larguei muito bem, favorecida pela descida da Rua Sete de Setembro, e soltei as pernas. Na rua Quinze achei que as pernas pesaram, tive que reduzir, mas pelo sexto quilômetro recuperei a vontade, tomei um pouquinho de isotonico, joguei uma agua nos pulsos, e já fui melhor.
No retorno perto da vila germânica uma pessoa da organização disse que eu estava em quinto lugar, pódio geral.
Eu estava bem, mas mantendo ritmo. A menina que vinha atrás de mim ouviu, e, pelo jeito, ela estava se guardando, porque me passou exatamente antes de iniciar a subida da Rua Sete, ou seja, os 2km finais, que são em aclive médio. E ali ela já estava na minha frente.
Nos últimos duzentos metros eu ainda forcei bastante, mas não consegui, e cheguei QUATRO segundos depois dela. Voce deve estar pensando: "então dava para pegar". É o que também acho, foi minha mente que não permitiu, e não minhas pernas.
Fiz praticamente o mesmo tempo do ano passado, alguns segundos a mais.
Isso me deixou um pouco desapontada, esperava ter evoluído mais. O meu tempo foi bom, 47'29", para um percurso que não era plano, desempenho muito melhor do que a Track and Field, que fiz em 48'08" num percurso plano.
E, ficando em sexto lugar (subi várias posições em relação ao ano passado), fiquei em primeiro lugar da categoria, ótimo. Pela primeira vez, eu e a minha amiga e irmã de alma Simone ficamos no mesmo pódio, ela em terceiro lugar, fiquei super orgulhosa.
E é uma delícia levar o troféu para casa, sempre é.
Vários companheiros de grupo de corrida melhoraram seus tempos (o André, nosso queniano loiro, voou).
É uma festa a premiação, justamente por ser na praça de alimentação do Shopping, muita gente conhecida, divertido demais.
Havia distribuição de água em vários pontos, mas só isso. No final um saquinho com frutas, mas faltou um isotônico para completar.
Quando fui ver os resultados, porém, no site chip timing, percebi que para a colocação/premiação consideraram os tempos brutos dos corredores. Isso significa que quem largou na frente teve muita vantagem, e provavelmente nem sabia disso. O normal é contar o tempo líquido, ou seja, de quando o corredor passou debaixo do portal de largada - pisando no tapete que lê o chip - até sua chegada, no mesmo local, o que significa que, às vezes, voce chega antes de outro corredor, mas na classificação ele fez um tempo inferior, porque largou mais atrás.
No meu caso, isso não fez diferença, porque larguei na frente e a diferença foi pequena, mas pelo que vi, teve gente que se prejudicou.
Espero pela terceira edição, cada vez melhor. E ano que vem meu tempo vai ser menor, podem anotar.