segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Pais que correm


O pai da minha amiga Vanessa corre com ela por aí, em treinos e  até em provas, participou do Beto Carrero. E ele corre bem, corre há muito tempo, antes de gps existir, quando era só calçar o tênis (sem essa de pisada neutra, supinada, pronada) e correr. Eu acho o máximo ele correr com ela; aliás, acho o máximo pais que correm com os filhos.
Li uma reportagem sobre isso na contra relógio, o pai que já correu diversas maratonas, e incentivou os filhos, que agora correm junto, como é importante esse estímulo, e mais uma forma de aproximar pais e filhos, de maneira altamente saudável.
Fora que deve ter a preparação para a corrida, a combinação prévia, pode vir um lanche depois, as impressões do treino, comemoração por terminar bem uma prova, tudo isso é comunicação e aproximação entre eles.
Logo se percebe que não é o meu caso. Meu pai não corre. Até alguns anos atrás, nem caminhava. Depois que ficou doente por conta do cigarro (sim, ele fumava), passou a caminhar,e  andava de bicicleta quando morava em cidade litorânea. Mas até então, realmente eu tinha um pai fumante e sedentário. Hoje em dia ele é bem ativo, caminha sempre que pode, nunca bebeu, e não fuma mais. E é um gênio, devo dizer, acho que a pessoa mais inteligente que conheço.
Embora ele não seja fã de esportes, sempre gostou que eu fizesse, apoiava o balé, incentivava muito a natação, e não fez pouco caso quando comecei a correr. Acho que ele não entendeu bem de onde saiu essa vontade de correr, mas não se opôs, nem me achou maluca (se achou, disfarçou bem). Isso porque no colégio eu fugia da educação física, gostava mesmo era da minha natação, mas nunca fui boa em esportes coletivos, me achava magrela e desajeitada (talvez porque eu fosse), e meu pai me deixava bem à vontade quanto a esse tipo de coisa, diferente da parte do estudo, em que era rigorosíssimo.
Um dia ele veio na minha casa ver o Arthur, e, enquanto o pequeno dormia, ele quis ver minhas medalhas de provas de corrida. Peguei todas e expliquei cada prova, o trajeto, como funciona uma prova, como me preparo, a alimentação, os treinos, a turma, e percebi que dali em diante tudo mudou.
Meu pai ficou orgulhoso de mim como corredora!! Acho que isso aconteceu também porque ele entendeu como é, viu como me faz bem, e agora ele fala para todo mundo as provas de que eu participo, quantos quilômetros são, quando ganho troféu, que eu faço meia maratona, mas maratona não, e então não sou maratonista...é muito legal, sinto ele participando mais da minha vida.
E isso prova que mesmo não tendo gente na família que corria ou corre, de gerações anteriores, é possível tomar gosto pela corrida.
Quando vejo o Rodrigo, organizador do nosso grupo de corrida, levando o filho dele de pouco mais de tres anos nas provas, acho o máximo, eles cruzam juntos a linha de chegada, o pequeno devidamente uniformizado, é sintonia total. Vi muitos pais cruzando a linha de chegada do Iron Man com seus filhos no colo, como meu amigo Márcio. Mais legal do que isso será quando não chegarem no colo, e sim correndo junto com os pais.
Eu tento fazer isso com o Arthur, mas mãe que corre é diferente. Pai que corre é o máximo, mãe que corre...foi correr. E tem sempre alguém que inclina a cabeça de lado e faz aquele "ah...deixou o pequeno em casa"...
E tem o fato de ser a mamãezinha, por enquanto. O Arthur tem quase a idade do filho do Rodrigo, mas quando vai me esperar no final de uma prova, mesmo tendo gritado "mamãe" quando eu estava passando, é só eu aparecer na frente dele que ele quer...colo!!! E estou eu lá, esbaforida, suada, cansada. Nada disso importa para o detentor do amor incondicional, embora diga :"Voce está suada, tem que secar".
Quando tem prova, ele fica animado, quando ganho troféu ele vai receber comigo, faz questão, mesmo que lá no pódio fique com vergonha das fotos, mas fica desfilando depois. E agora sempre pergunta se tem troféu além da medalha, ele não entendeu bem ainda o negócio...
E tem a camiseta da "currida", como ele chama. Para ele, é roupa de festa, a que ele escolhe para usar quando digo que temos um aniversário. Nessa hora que vejo que ele considera algo importante.
Então, com a mamãe é a corrida, e com o papai serão outras atividades, é bom demais envolver a família na corrida!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Maratona Beto Carrero

Gosto de provas em equipe, como já falei antes. E a Volta à Ilha é uma prova especial, com trechos difíceis, um dia inteiro na função, correria até os postos de troca, etc.
Beto Carrero é uma maratona em equipe de revezamento, mas é totalmente diferente. É uma festa. E este ano, foi uma festa noturna. E que festa!
As pessoas foram chegando à tarde, para a largada marcada para as 18h30min. Nós fomos em mais de trinta pessoas, distribuídas em quartetos, octetos e duplas. Eu estava no quarteto feminino com a Clenir "Bolt", Giovana e Grazi "ultra". Todo mundo com a mesma energia boa.
Este ano a largada foi no kartódromo, o que achei bem interessante. O lugar é bonito e bem iluminado, com bastante espaço para as tendas das equipes e para a entrega de bastão.
Ai, o bastão...Já estava acostumada com a pulseira magnética, que a gente só transfere e fica no pulso. Ou o chip de colocar no tênis. Mas bastão de isopor com chip...para segurar na mão...por essa não esperava. Se eu soubesse, teria levado mais um porta-número, porque o tal bastão era um tubo com um buraco no meio, tanto que tinha uma fita pendurada. Era leve, mas voce tinha que correr com aquele treco na mão. Para quem fez cinco quilômetros não atrapalhou, mas para quem fez 21km direto, não deve ter sido fácil pegar água, abrir o copo, etc, tudo com o objeto na mão. Teve quem pendurasse no pescoço, amarrasse no corpo...A justificativa foi a precisão de rapidez do resultado, o organizador disse que ano passado teve muitos problemas com os chips. Então, se é para melhorar a qualidade do evento, ok.
O kit desta prova é um assunto à parte. A inscrição é cara, e ir buscar o kit é um empenho (obrigada, Rodrigo, nosso super tudo), mas vale a pena. Camiseta Adidas de verdade, este ano azul, liiiiinda (me favorece bem mais do que a cor marca-texto do ano passado), garrafinha gatorade, aquela que não dura muito, então é bom ter várias, toalhinha de rosto, e a mochila Gatorade, este ano mais bonita e prática do que ano passado também.
Independentemente de ser à noite a prova, é um encontro de corredores, porque vai gente de todo o estado, e de outros estados também. Voce encontra as equipes de sempre e pessoas que estão estreando em uma corrida (ótima ideia), com direito a torcida da equipe!! Isso já faz do evento uma festa.
Achei a ideia de ser noturna a prova original, mas vai precisar de algumas melhorias. Para o rendimento da corrida é bem melhor, porque o parque não está em funcionamento, então não tem aquela horda de famílias passando no meio do percurso, com cara de "o que se passa?". Por outro lado, não dá para levar a família, porque não tem o que fazer enquanto a gente corre. E, por estar fechado o parque, há poucos banheiros. Os químicos, além da sujeira que ficam depois de um tempo, são apertados para trocar de roupa, e só sobrou o banheiro da lanchonete do kartódromo.
Eu, particularmente, não gostei do percurso, achei muito cheio de curvas, e como não enxergo bem à noite (coisas de míope), corri tensa, tendo que olhar para o chão direto, e não era tudo bem sinalizado. A propaganda era de que o parque estaria bem iluminado, mas não foi o que achamos na equipe. Alguns trechos estavam bem escuros, e os corredores ainda tinham que se afunilar para conseguir vencer as curvas. Como o dia foi de sol, a noite estava linda, uma lua amarela enorme no céu, e temperatura perfeita para correr, fresquinho e o percurso todo seco.
Quanto ao desempenho...já dá para ver pela foto a nossa alegria, mas não foi tão simples assim, pelo menos não para mim.
Por conta de uns problemas que estou tendo em outra área da vida, meus treinos não têm rendido tanto, e tem sido mais difícil vencê-los. As provas, o encontro com os amigos, isso que me alegra. Nem por isso eu precisava ter feito tudo errado como fiz.
Depois de um treino de tiros incrível na quarta-feira, que me encheu de confiança, sexta-feira, dia anterior à prova, saí às onze e meia da manhã (erro número 1), no sol sem boné (nº2), para correr 14km (erro 3 que vale por uns dez), no anel viário, local que sempre corro, que é asfalto, passa um monte de caminhão, e não tem nem uma sombrinha (nº4). Tinha tudo para dar errado, e deu. Fui 4km e senti que tinha que começar a voltar para terminar na esteira, e no km 7 quebrei total, fiquei desidratada, tinha levado isotônico que ficou quente (erro 5), comecei a ficar com dor no quadril, um horror. O que me movia é que estava perto do local de trabalho de um parceiro de corrida de outra equipe e que é um amigo valioso, o Mateus, e consegui ir até lá para ele me dar água e uma sombra para eu me recuperar.
Fui trotando de volta para a academia, com dor e frustrada. Fim de treino.
Não satisfeita, fui dirigindo a Floripa e voltei à noite, numa cerração absurda. Mais tensão nos ombros. Acordei cedo no sábado (eu e o Arthur...), não dormi depois do almoço, e fui para Penha.
Nossa estratégia este ano era de nos alternarmos para correr os 10km, correndo 5km por vez, para tentar reduzir o tempo. Ano passado ficamos em quarto lugar nos quartetos femininos por um minuto, então fomos para tentar algo melhor.
Para quem larga, tem a tal volta de apresentação, 600m a mais, que servem para completar os 42km. E eu era a primeira da equipe, com torcida ali vibrando, aquela energia da largada que eu adoro, ainda mais numa prova assim, que tem os que largam e os outros membros da equipe na torcida, todo mundo gritando, um show!
Só que aí larguei muito forte, porque estava empolgada, fiz o primeiro km em 4'10", toda felizinha. E então todos os erros do dia anterior cobraram seu preço...Quando terminei esse primeiro trecho, estava bem mal, e demorei para me recuperar, o que não é comum para mim, e isso me assustou. Meu quadril doía, eu estava totalmente atordoada, o ar não voltava, muito ruim.
Fiz um bom tempo, a Grazi também, a Giovana também, e a Clenir fez um tempo excelente. Fiquei com medo de estragar o grupo, porque eu não conseguiria fazer em menos de 25' o trecho seguinte, e estava com medo de quebrar. Sempre vamos com espírito de diversão, claro, completar a prova, mas dessa vez, pela parcial dos primeiros trechos, percebemos que tínhamos chance de trofeu, então não dava para arriscar.
Super Grazi, pessoa que triplicou o trecho na Volta à Ilha, correu mais 5km e eu fiquei lá só na torcida...não vou esquecer, parceira...
E tudo valeu a pena, porque chegamos em segundo lugar entre os quartetos femininos, com 3h06min. O quarteto masculino que chegou em primeiro lugar completou a prova em 2h13min, sensacional!
Esse troféu vale muito, porque é resultado de parceria, companheirismo e amizade, além de treino e dedicação.
Este final de semana tem a maratona de Blumenau, super rápida, no domingo, dia dos pais, muitos amigos vão. Eu vou na rústica de 7km, depois eu conto.
E o Bolt? aiai...não canso de ver correndo...semana que vem falo das olimpíadas, porque enquanto estão acontecendo eu fico emocional e nada racional.