quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ainda bem que era à beira-mar...

Que tipo de pessoa acorda antes das seis da manhã em um domingo, olha para fora e vê que, além de ter chovido durante a noite, ainda está caindo uma garoa, e, ainda assim, levanta, se arruma e se "paramenta", e vai participar de uma prova de corrida?
Bando de malucos, segundo minha mãe. Bando de malucos felizes, que adoram correr, digo eu.
A meia maratona de Balneário Camboriú foi assim, chuvosa...
É uma prova bem gostosa de fazer, visual lindo, e permite correr sozinho os 21km, em dupla, ou 5km. E ainda tem maratoninha para as crianças, então é bem democrática. Tem premiação em dinheiro, atraindo gente muito boa.
Feita a inscrição, retirar o kit no parque Unipraias. Só no sábado, isso acho ruim, podia ter uma estrutura uns dois a tres dias antes da prova, facilita e fica menos tumultuado. Tinha uma feirinha pequena, preços nada atrativos.
Na hora de escolher a camiseta, eu não tive problemas, mas percebi que eles permitiram que as pessoas que foram retirar mais cedo o kit trocassem o tamanho da camiseta escolhido na inscrição. Resultado: não havia mais os tamanhos escolhidos pelas pessoas. Não pode, isso é bagunça. Na Track and Field, para trocar a camiseta, tem que esperar até o ultimo horário de retirada dos kits, e se sobrar do tamanho que voce quer, eles trocam.
Uma mulher ao meu lado ficou muuuuito tempo discutindo com a mocinha porque ela queria a camiseta feminina do tamanho que não tinha mais. Ela pediu desculpas, disse que a corredora tinha razão, mas ficou por isso mesmo. Não acho isso legal, a gente paga a inscrição, não é barata, faz parte do valor a camiseta que sirva, mas...lembrei de um artigo que li na Revista O2, que dizia que para algumas pessoas, correr virou só um detalhe, o kit alegria é que importa. Enfim..."cadum cadum"...mas isso não deve estragar a corrida. Até bem pouco tempo atrás, e ainda em muitas provas, nem tem camiseta feminina, de maneira que o tamanho médio  parece um vestido de saco, e o pequeno parece feito para um anão gordo. Ou seja, não é tudo perfeito, e a sacolinha era uma graça.
Ruim: o estacionamento do parque unipraias não estava aberto como disseram que estaria. Faz falta, a Barra Sul é longe da maioria dos hoteis, e muita gente foi direto de manhã de outras cidades.
Mudaram o percurso em relação ao ano passado, e achei que ficou melhor. Sai do parque unipraias e e vai direto ate a Praia Brava, e volta. Se for em dupla, o primeiro sobe o morro da rainha em direção à praia brava e desce para a praia entregando perto da Unimed, e o segundo volta, mas não exatamente pelo mesmo caminho (a volta tem menos vista para o mar). Sobe também o morro da rainha, neste caso menos íngreme e mais extenso.
Do morro ninguém escapa, mas isso todos já sabiam, e sem sol castigando, fica melhor.
Ponto positivo para a organização: hidratação com água, bem farta, mais ou menos a cada 3km, em copos, bastante gente entregando.
Quem fez a meia maratona, no entanto, reclamou que na metade do percurso (que para nós era a troca da dupla), não havia isotônico para todos, faltou agua, etc.
Aliás, ponto negativo da prova: a transição é uma bagunça. Para começar, algumas duplas receberam pulseira para troca na transição, outras não. De todo jeito, a pulseira era uma piada, aquelas que brilham no escuro e que entregam em festa de casamento, nem cabia no pulso dos homens grandinhos.
A troca este ano era em uma tenda (ano passado era no topo do morro, sem qualquer controle), mas o tapete do chip era uns 500m adiante, e depois havia o retorno efetivo, com alguns cones e nenhuma fiscalização!
No posto de troca ja podia pegar a medalha. Prático, sim, mas meio estranho.
Na chegada, muitas frutas e isotônico, muito bom, e até massagem.
Clenir e Grazi foram a dupla de prata, chegando atrás da Simone Barbosa e Adriane, que são profissionais, praticamente, então elas são muito top mesmo!
Eu fui para treinar, agora consigo fazer isso. Não tão feliz porque meu parceiro de dupla desistiu em cima da hora (né, Shark Wish?), tentei trocar para individual e não consegui, mas felizmente o super Edson me salvou, saindo de Blu e indo correr comigo naquela chuvinha...obrigada de novo, parceiro!
Tive muita dor nas canelas nos primeiros km, que atribuo à falta de aquecimento, e isso me deu uma travada. No morro melhorei, mudou a musculatura e consegui soltar para correr os ultimos km com uma velocidade mais respeitável, mas sem estressar e sem achar que tudo era ruim, só porque não tive um bom desempenho em tempo. Treino é treino.
Quero registrar um agradecimento à Caixa Econômica Federal, pela Daiana, nossa gerente querida, que apoia os clientes atletas, distribuindo inscrições cortesia sempre que possível, e mais uns mimos. Muito legal, valorizo.
Próximo domingo tem Blumenau 10k para nós, reles mortais, e tem Ironman Brasil para quem pode,  como o coach Everton, que eu tive o privilégio de ver chegar ano passado no final, show de bola, fiquei super emocionada. Estou na torcida por ele, Dani ultra woman, Yan, Astério, Daniel (estreantes), e tantos outros triatletas que estão se preparando para o desafio/aventura da vida deles. Vamos lá que está chegando!!!


sábado, 11 de maio de 2013

Mães que correm

Mães correm. Mesmo as que não treinam... E as que treinam ainda correm para conseguir treinar. Este é um post para mães. Sei que muitas pessoas passam por dificuldades imensas para conseguir tempo e disposição para treinar, trabalham muito, ainda estudam depois, não têm apoio, e rendo minhas homenagens a todos que conseguem apesar dos problemas. Mas hoje quero falar das mães.
Muitas mulheres que conheço começaram a correr justamente quando se tornaram mães, para perder os quilinhos que sobraram da gestação. Só que vão pegando gosto, e mesmo emagrecendo (ou não), várias não querem mais parar, seja pela estética, pelos amigos que fez, pelo momento de "solidão" (ah, adoro uma solidão).
Só que o treino de uma mãe, com todo o respeito aos homens e às mulheres sem filhos, é diferente. Você pode programar o seu treino para as oito da manhã, separar toda a roupa, ir dormir cedo e aí...o filho tosse a noite toda, tem pesadelo e te chama, ou precisa ir ao banheiro e chama, enfim, aquela noite bem dormida, de oito horas, que o treinador, o médico, a nutricionista adoram dizer que é essencial para o treino render, simplesmente não te pertence. Com sorte, ainda é possível pelo menos ir treinar, eba!!
Em outros dias, você nem consegue ir, o único horário que teria você tem que usar para levar a criança para o dentista, para vacina, para cortar o cabelo... paciência. Amanhã a gente tenta de novo. Não pode é desistir, nem abandonar a semana toda porque o primeiro dia não deu certo. E sem ficar pensando que o treino perdido vai comprometer toda a planilha. Bola para frente.
E a culpa, que toma conta quando a gente está prontinha para sair e a criaturinha te olha e diz: "você vai mesmo, mamãe?... queria tanto que você ficasse brincando comigo... estou com saudades...". Geralmente não chega a paralisar, mas dá aquela coçadinha... tem gente que cede.
Eu prefiro correr de manhã, porque depois do trabalho geralmente é meu tempo com meu filho. O Péricles corre no final do dia, depois do expediente, então dá tudo certo.
Eu acho importantíssimo a mãe ter uma parte da vida que é só dela. Pode ser ioga, pode ser uma aula de crochê, café com as amigas (regular, quero dizer). Fazer a unha, pintar cabelo, isso não conta, porque já virou obrigação se cuidar desse jeito. A minha parte é correr. É algo que faço por mim, é o meu tempo, e enquanto estou correndo geralmente os pensamentos são bem variados, mas fogem ao aspecto familiar, e isso é bom.
Correr me faz feliz, muito feliz. Pela endorfina, mas também por achar que me ajuda a ficar em forma (ou tentar), a ficar mais bonita, a me concentrar, e exatamente por ser um momento meu. E se eu estou mais feliz, acho que sou uma mãe melhor, porque não sinto faltar um pedaço de mim, do que eu sou.
Não quero esquecer quem eu sou, e não sou só mãe. Ser mãe é uma parte maravilhosa, sensacional, essencial, de quem eu sou. Mas não é o que me define. Sei que muitas mães se definem por ser mães, e respeito, mas sei também que eu não conseguiria ser assim. Gostei de voltar a trabalhar quando acabou a licença maternidade, por exemplo. Não, não fiquei arrasada e não fico até hoje em levar o Arthur para a escolinha, sei que está bem cuidado,  vai se divertir e aprender a ser um bom cidadão, acima de tudo.
Então procuro estabelecer a corrida como um compromisso, importante como trabalhar, cuidar do filho e ficar com o marido. Faz parte das minhas atribuições, e não posso deixar de correr para ir ao supermercado, por exemplo, isso não é prioridade. Internet está aí para isso.
O negócio é que mãe tem mais criatividade, a gente acaba tendo que fazer umas adaptações para dar certo, desde que estabeleça que é uma prioridade. Conheço mãe que corre às onze da noite, ao meio dia, durante a aula de judo dos filhos...
Mas, mesmo sendo uma parte minha, sempre tentei envolver meu filho nas provas de corrida. Faço isso com a minha enteada, Júlia, também. Acho que é uma maneira de eles não se sentirem excluídos, já que é um lazer a parte da prova. Treino é meu, é o que faz a diferença, e prova é o prêmio.
Nas provas da Track and Field isso é até estimulado. Eles oferecem espaço kids, e inclusive ficam com as crianças (com monitoras) durante as provas, facilitando a vida dos pais e mães. De quebra, as crianças ganham a camiseta da prova, igual da da mamãe. O Arthur tem várias, e tem também a camiseta do grupo de corrida, e adora, se sente suuuper incluído. No Mountain Do também tem um espaço com brinquedos, mas precisa de alguém para ficar com eles.
Quando vou arrumá-lo para alguma festa, em muitas ocasiões ele pede para colocar a camiseta da "currida", porque ele acha linda.
Como as corridas costumam ser cedo, é comum eu voltar e ele ainda estar de pijama recém-acordado.
Aliás, ele sempre acorda pelas 07h, menos quando eu tenho prova de corrida, que tenho que acordar cedão. Nesses dias ele acorda às oito e meia, nove horas, dando uma bela folga para o pai... invejinha.
Ao contrário do que possa parecer, no final de semana acho mais fácil sair para correr, porque tenho um super marido parceiro que fica com o Arthur para eu ir treinar, e porque eu sei que vou ter o resto do dia para ficar com ele. E quando corro mais no final do dia no domingo, podemos ir para o Parque Ramiro todos juntos, faço um treino menor (porque a vida é assim), para ainda aproveitar o parque com ele e fazer piquenique no final. O negócio é que ele adora um isotônico, já experimentou whey, gosta dos shakes com aveia, frutas... tenho que cuidar, senão ele quer tudo o que eu consumo para treinar.
Desde que ele é bem pequeno entrego as medalhas que ganho para ele, explicando como eu ganhei, que deu trabalho mas que foi bom, e que eu terminei a corrida.
Lembro quando cheguei em casa com a primeira medalha gigante do Beto Carrero, ele passou o dia inteiro com ela pendurada pesando no pescoço.
Hoje em dia ele não dá tanta importância, só quando é uma medalha diferente. O negócio dele agora são os "toféus". Ele pensa, inclusive, que é minha obrigação ganhar troféu em toda prova de corrida. Eu saio e digo sempre onde vou correr, como vai ser, e digo que vou trazer a medalha para ele. Agora ele fala: "e o 'toféu' também, né?". Nem sempre dá certo, mas realmente ele já me deu bastante sorte, o ano passado foi cheio de troféus.
Delícia mesmo é chegar no final da prova e ele estar lá me esperando, cheio de amor. Claro que ele quer um colo que não estou muito a fim de dar, mas ele mesmo agora dispensa quando vê como estou: "ui, mamãe, voce está suada". Beleza, ele troca facilmente pela banana, água, e o que mais a organização da prova oferecer.
No ano passado, o Péricles levou ele no final da Volta à Ilha. A Júlia ja tinha participado durante o dia, me esperou em alguns pontos. Ela, que também tem camiseta da equipe, entrou junto no tapete vermelho e ficou lá festando, tomando caldinho de feijão, dançou e tudo.
O Arthur se assustou com o barulho, chorou... Mas este ano tentamos de novo, o Péricles levou ele em alguns lugares também para me ver correr, e eles estavam lá me esperando no final, na chegada, e eu correndo o último trecho. Desta vez eu tinha conversado com ele antes, e foi incrível, ele foi querido demais.
Sempre que ele vai e ganho troféu, ele sobe ao pódio para receber comigo. No Bela Vista, ano passado, demorou, ele já estava cansado e ficou meio choroso, fez cara feia na foto.
Mas já se acostumou, agora eu entrego o troféu para ele, que levanta sorridente e posa para a fotografia, super entrosado com o esquema, e a plateia vai ao delírio.
E a parte de que era uma coisa só minha? Fica para o momento de correr, precisamente esse. O que está em torno já é um momento nosso, e sei que ele fica orgulhoso da mamãe ser corredora, conta para os amigos da escola. De quebra acho que estou dando um bom estímulo para ele praticar esporte com alegria.
Então, mamães que correm, continuem correndo, os filhos gostam de exibir suas mães atletas, valorizam a mãe ter um tempo só seu, e, com isso, valorizam ainda mais o tempo que estão juntos. Não se cobrem, mas tenham objetivos, e mostrem aos filhos como disciplina e corrida estão ligadas.
Amanhã temos um treino de Dia das Mães, e sei que tem gente que vai achar um absurdo ir treinar num dia desses. Já eu que sou mãe, quero ter um dia sensacional, como diz meu filho, e começar correndo é uma ótima maneira de comemorar e de me sentir especial.
E parabéns a todas as mães que conseguem correr. E aquelas que querem, venham, uma ajuda a outra, e dá certo!!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Viajar para correr é ótimo, mas correr em uma viagem também vale

Este post é atrasado, porque já voltei de viagem antes da volta à ilha, mas não consegui publicar antes e não queria deixar de contar sobre minha viagem. 
Fiz mais uma prova no exterior. Não, eu não corri em Boston. Não é para o meu bico (biquinho). Como não tenho como meta correr uma maratona pelos próximos varios anos, costumo dizer que pretendo ter índice para correr em Boston quando estiver na categoria dos 65 anos.
Mas descobrir que existe gente perversa o suficiente para planejar e efetivamente colocar uma bomba na chegada de uma prova de corrida, um ambiente de saúde, família e confraternização...que horror.
Não vou entrar na questão política da coisa, se é terrorismo, se as coisas não são como contaram, teorias de conspiração, etc. O fato é grave e ponto. 
Mas...Este não é um post de tristeza, e não porque o assunto não é importante, e sim  porque não é o meu objetivo no blog. A reflexão sobre o que ocorreu  é necessária, claro, mas o que mais me preocupa é que pessoas que não correm e não apoiam os corredores da sua família (hipoteticamente...) nem os seus amigos corredores, podem agora utilizar o argumento (realmente estranhíssimo)  de que pode  explodir uma bomba na chegada em uma corrida de rua de que se  vá participar.
Então eu pretendo tratar esse horrível episódio como um ato isolado em relação a corridas, que foi por acaso no final de uma das maiores provas de corrida de rua do mundo, e oficialmente a mais antiga, mas poderia ter sido no desfile da independência americana, no dia de Sao Patrício, no desfile do Festival das Cerejeiras em Washington, enfim, em qualquer outro evento festivo do qual estivessem participando apenas e tão somente pessoas inocentes, como tanto acontece no oriente médio todos os dias.
Dito isso, agradeço a preocupação de amigos que supervalorizam meu passe (achando que eu corro maratonas, uhu) e lamento muitíssimo o que houve.
A boa notícia (individual) é que consegui correr nas três cidades que visitei na minha viagem de férias: Washington, Atlantic City e New York. A má notícia é que corri uma vez só em cada uma delas, o maior percurso percorrido foi de 11km, e a isso se resumiu o meu "treino" por aproximadamente duas semanas. Ops, não se pode ter tudo. Ah, sim, e acabei doente.
Bom, eu não levei suplementação específica porque pretendia comprar tudo nos Estados Unidos. O plano era bom, mas tinha uma falha: eu só teria tempo para comprar os produtos em NY, a última cidade a visitar, ou seja, depois da prova em Atlantic City...bem esperta. Isso tudo para dizer que nas tres vezes em que corri, inclusive na prova em Atlantic City, eu não usei NENHUM suplemento. BCAA, whey, malto...nada. E comprovei que faz diferença, especialmente para a recuperação. Não que eu duvidasse, sempre acreditei na Nadia, no dr. Fabio,  e nem pretendia tirar isso à prova, só aconteceu.
Em Washington estava bem frio. Realmente frio. E com vento. Frio.
E eu não tinha quase nenhum tempo livre, porque o Congresso do qual participei era bem sério e super caxias, com atividades das 08h30min às 17h30min todos os dias. Então, na terça feira, depois do encerramento das atividades, pelas 18h, convidei a super parceira e colega Karin para a gente conhecer o memorial de Abraham Lincoln...correndo, literalmente. Lá já está vigorando o horário de verão (afinal de contas, estava quentinho, tipo, 3 graus - positivos!!!), o que era ótimo, escurecia bem mais tarde, então quando saímos tinha um sol bem gostoso para dar uma ajuda.
O Péricles, coitado, que podia ir ao memorial durante o dia, de taxi, no quentinho, foi recrutado para ir correndo também, para treinar para Atlantic City.
Eu sempre defendi que correr é uma ótima maneira de conhecer as cidades, tenho que por em prática! Foram aproximadamente 3km (começamos andando até o que eles chamam de Mall), absolutamente planos, mas no frio e vento gelado. Fui o mais quentinha que consegui, calça, meia, camiseta, blusa corta vento. Mas cada pedacinho do meu ser que ficou sem cobertura parecia que ia congelar e cair, o que inclui nariz, boca, dedos...ui. O incrível é a adaptação das pessoas, porque os "locais" estavam de short e camiseta. Vermelhos, quase roxos, mas não pareciam estar sofrendo mais do que eu.
O memorial é lindo, tiramos fotos, a vista de lá é sensacional, coloquei fotos no face, e quando começamos a esfriar, bora voltar. Correndo, dessa vez até o hotel, o que resultou em mais 4km, totalizando 7km. A volta foi menos sofrida, acho que já sabíamos o que esperar, e terminei muito, muito feliz. Os 4km passaram rápido, a verdade é que correr no frio cansa menos, pelo menos para mim, e a gente não fica suada e com cara de acabada. É mais digno. Quando cheguei no hotel, ainda fui na academia e fiz uma musculação básica, equipamentos ótimos. Estava me achando super atleta cdf. 
Em Atlantic City tinha feito muito frio a semana toda. Lá venta mais, porque é litoral, e a prova, April Fools, era toda à beira-mar. O cenário é o seguinte: imagina a beiramar norte em Floripa, em um dia de vento. Tá. Agora tenta imaginar que com esse vento a sensação térmica pode ser de menos 5 graus...congelou só de pensar? Eu parei de pensar.
O dia amanheceu perfeito: sol e nenhuma nuvem no céu. Frio. O hotel em que ficamos, assim como os demais da região, ao que eu saiba, estavam envolvidos com a corrida, com cartazes de "go runners", e cafe da manhã sendo servido mais cedo (achei super incrível, ate eu me dar conta de que é ridículo não ser assim por aqui). Só tinha corredor as seis e meia da manhã. Quando voltei para o hotel deposi da prova, cookies quentinhos nos aguardavam. Belo mimo.
A estrutura da prova era ótima, no estilo Track and Field e Blumenau 10k: pegava a camiseta e número (esse negócio de sacolinha, meia, kit alegria, é coisa nossa aqui, lá não tem nada disso) no lobby de um super resort que tem hotel, casino, restaurantes, etc. Quentinho e organizado, podia usar o banheiro do resort, tinha lanchonete, sofas, etc. Pode buscar o numero até no dia da prova, eles sabem que tem gente que viaja só para a prova, não dá para garantir que vai chegar um dia antes e ainda em horário razoável. Camiseta do meu tamanho lá, podendo ainda dar uma conferida se ia servir ou podia já trocar, tudo muito relax, e ainda assim profissional.
O chip, descartável,  vem preso ao número, e quando voce pega deve levar em uma pequena estação para testarem antes da prova. Muito bom.
Era uma prova pequena, até porque deixaram a meia maratona para o dia seguinte, e era bem tranquila, gente fantasiada, gente de tutu, chapeus estranhos, equipes, casais, todas as idades e tipos físicos...
Foi perfeito para nós porque não era uma viagem para correr, e sim uma corrida de aproveitamento de viagem, percebe a diferença?
Tinha guarda volumes também, fundamental em dias frios, porque todos vão de casacão até o local. 
Fomos para a friaca na hora da largada, hino nacional cantado ao vivo (eles adoram, se emocionam e tudo), e vambora! 7km para o Péricles e 11km para mim. Mar lindo, pessoal empolgado, todos os níveis de corredores.
Tive um problema nos primeiros quilômetros: a região dos meus tornozelos começou a doer e travar, eu não conseguia correr rápido, travava tudo, doendo demais. O Péricles me alcançou e conversamos sobre o que podia ser. Acabei decidindo tirar a meia de compressão, e tudo passou. Concluímos que eu já estava inchada da viagem, e a meia comprimiu demais, prejudicando a circulação do local. Resultado: a corrida começou mesmo no terceiro km, e perdi mais de dois minutos tirando as meias, fora a lerdeza dos km iniciais. Uma pena. Ainda bem que fui para ser feliz. E dali em diante eu fui, aproveitei muito, adorei, estava vestida de acordo com a temperatura, orelhas protegidas, tudo de bom.
No final, além da complementary (cortesia) cerveja, que deu uma super alegria, tinha isotônico (bom) à vontade, água, barra de proteína, gel de carbo, e...pretzel!! salgadinho, bem gostoso para o momento.
Considerando meus contratempos, no km 6 tracei como meta terminar em menos de uma hora, para ser realista com o que eu tinha. Deu certo, terminei em 59'45", sobrando no final, porque passei muuuita gente nos dois últimos km. E feliz.
Não vou dizer que fui a brasileira melhor colocada porque também teria que dizer que fui a última, já que só tinha eu...
Mas vou dizer uma coisa: adorei participar de uma prova menor, não famosa, não do tipo top ultra super master, que tem sorteio de vaga, dez mil pessoas, currais para largada, etc. Ok, elas são o máximo, e continuo querendo, até porque têm a feirinha...Mas participei de uma prova em Atlantic City, e isso em si foi muito legal! Não precisa ser uma das grandes provas do mundo, só sendo em outro país, gente diferente, paisagem diferente... Adorei fazer a meia de NY e a meia de Buenos Aires, mas são provas grandes de verdade, e sinceramente, péssimas para tempo e desempenho, porque é muita gente, e eu sou ralé, largo lá atrás. Em Atlantic City eu me senti muito bem, mais confortável. E isso foi algo que fiquei pensando já desde a entrega do número, e voltei a pensar quando soube do atentado em Boston. Prova grande, visibilidade grande.
Já escrevi muito, então só vou completar dizendo que em NY corri no Central Park (beeem clichê, adoro), na pista em volta do laguinho da Jackie O, em um dia de sol bem gostoso, já mais quente, usando a camiseta da prova de AC (clicheeeeee!).
Ah, sim, comprei tênis de corrida em NY, mas vou deixar para contar e dar dicas em outro post.
E domingo passado teve track and field, com novidades no kit, e camiseta na cor fúcsia (não rosa)! Depois também falo nela.
Boas corridas para todos!