quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Meia maratona do Rio: missão cumprida? Nãããão, sonho realizado!

Quase todo mundo que corre, depois que participa de algumas provinhas, começa a ter algum "sonho de consumo", uma prova especial  para fazer. Ou várias. Começa participando de uma prova de 5km local, e depois vai alçando vôos maiores, não necessariamente em distância, mas em importância de prova.
Quero dizer que nem todos que começam correndo 5k necessariamente sonharão com uma maratona, mas podem sonhar com um 5km em uma prova do Circuito das Estações  da O2, ou Track and Field, ou até fora do país.
E pode também querer aproveitar uma prova especial para aumentar a distância. Com a meia maratona de NY foi assim: eu voltei de um almoço com a Simone, falamos no assunto, entrei no site e me cadastrei para o sorteio de vagas, e nunca imaginei que fosse dar certo, era um super sonho. E assim fiz minha primeira meia maratona, em NY, no meio de 15 mil pessoas, em uma das provas mais bem organizadas (talvez a mais) que ja fiz.
Importante é saber separar o tipo de sonho: performance ou linda prova. Essa foi a minha lição da vez.
Escolhi a meia maratona do Rio para comemorar meu aniversário. Fiquei em dúvida entre essa e a Golden Four Asics de São Paulo, considerada a meia maratona mais rápida, ou seja, ideal para baixar tempo. Acho que se estabelecesse como prova alvo, o coach passaria um treino adequado, e eu teria me preparado para fazer um bom tempo.
Mas, sendo celebração, eu quis uma prova astral, com paisagem, e, sinceramente, o Rio é um dos melhores nesse quesito. Adoro o Rio, passei a maioria das minhas ferias de julho lá até a adolescência, e tenho tios e primos queridos por lá.
Assim,  me inscrevi  e não fiz exatamente uma preparação especial, fomos só mantendo os treinos, e considerando que teria uma prova longa no período.Faltou só dizer para o meu cérebro emocional que não tinha objetivo de tempo...
Só pude viajar no sábado, último dia de entrega de kits. Apesar dos apelos no site para a retirada antecipada, o povo adora fazer as coisas em cima da hora, de maneira que a fila na frente da loja da Centauro era imensa, mas, surpreendentemente, não era lenta. Bem organizada, mas ao estilo carioca: mais informal, com muita gente falando alto e ao mesmo tempo. 
Primeiro você pegava o numero, e de posse do número ia pegar os demais itens. O kit: além da camiseta (não linda, mas simpática, e de tecido bem razoável, a grande maioria usou na prova), os tais brindes de patrocinadores: gel de carbo (da marca que não gosto), barrinha de cereal de marca nova nesse mercado (mas conhecida no de chocolate), torrone de amendoim da mesma marca, um sachê de capuccino e um pacote de 250gr de café. Sim, café. 
Vinha o famoso cupom de 10% de desconto na loja, e, espertamente, a retirada do kit era feita de modo que voce subitamente estava dentro da loja. Tentação, porque a loja é enorme, muitos itens. 
Agradecimentos especiais ao Tio Dante, meu padrinho, que nos levou até a Centauro, e ao meu primo Ricardo e sua esposa Ana Paula, que, com os filhos,  ficaram com o Arthur durante a tarde para que eu o poupasse dessa chatice.
No domingo, a largada estava marcada para as 9h. E isso lá é horário de largada de meia maratona, no Rio? Não, não é. Mas é o horário da Rede Globo, a senhora do universo que, patrocinadora da prova, ia transmiti-la ao vivo no programa de esportes dominical, que começa às....9 horas, ou perto disso, tcharam!! Primeiro largavam cadeirantes, elite, e tal, e os mortais amadores às 9h.
Eu fiz como fiz em NY: cheguei às 8h15min, fiz o xixi básico no banheiro químico antes que ficasse só biológico, e fui para o meu curral, que não era bem um curral, era um local com bandeira indicativa do pace. Fiquei entre o 5'30" e 5', bem mocinha, esperando a largada. Em pé. Sozinha.
Tudo bem, fez um dia sensacional de sol, e a Praia de São Conrado, local de largada, estava linda de viver. Liguei o ipod, que estava com uma seleção preparada para o evento, e fiquei curtindo mesmo, acho que devo ter dançado.
Mas o sol ja prometia...calor.
E  eis que, faltando uns minutinhos para o horário, começou a passar ao meu lado um povo que não tinha muita cara de ligeiro, sabe? sem preconceito, não era bem a questão de tipo físico, era mais o estilo: em bando, fantasiados, cantores, alegrinhos, placas, faixas, um pessoal mais festivo do que corredor. Demorei para me dar conta: ia passar na TV a corrida, especialmente a largada, e o povo adora uns segundos de fama, impressionante! Tinha de um tudo, claro: herois em geral (batman, homem aranha, super homem), homem (um senhor, na verdade) vestido de mulher feia, anjo, planta (sim, planta, com folhas), pato donald, e uma infinidade de origens: placas diversas de locais de todo o Brasil, todo mundo querendo mostrar sua plaquinha na rede Globo de televisão, cujos horários de novelas já mandam no futebol, então o que é uma corridinha?
Só que eram quase 18 mil pessoas inscritas!! A maior prova de que participei, superando NY e Buenos Aires. E eu achando que em Buenos Aires era meio bagunçado...sabe de nada, inocente!
Porque tinha pipoca, um bocado de pipoca, ocupando espaço valioso na estrada.
Então tocou a musica de abertura do programa esportivo, com o que entendi que tinha sido dada a largada. A largada me emociona, em geral, e fiquei lacrimejando, mas passou rápido, porque estava tudo meio confuso. Levei mais de 15 minutos até o pórtico de largada efetivo com tapete de chip, o que é normal, mas era bem ali a câmera da TV, então correr que é bom...nada. 
Difícil demais correr! Como muita gente não respeita o pace indicativo, claro que quem largou antes de mim não corria mais rápido do que eu, necessariamente, e muitos nem sabiam que isso era uma indicação, eu imagino. Muitos paredões, ou seja, amigos correndo juntinhos, devagarzinho, um ao lado do outro...uns 5 em um espaço de 5. Ruim. 
Os dois primeiros km eram a subida da Niemeyer. Lindo demais o visual de lá, eta marzão, mas subida constante, de maneira que no primeiro km ja tinha gente que decidiu caminhar, e ultrapassar naquela multidão era muito difícil. Pior para mim, que queria ultrapassar, porque eu estava bem, queria correr! Não gosto de me enrolar na subida, gosto de ir de uma vez.
Mas depois, analisando melhor, percebi que consumi muuuita energia fazendo isso, de correr, parar, ultrapassar, parar, trotar, correr, desviar...mais do que o recomendável. Talvez fosse melhor ter largado mais atrás, beeem lá atrás, e esperar alargar a estrada, ou beeem mais na frente, para tentar me manter à frente. Ou talvez só ter trotado e pronto, ficava nos 6' por km, mas ia mais constante, e teria me frustrado menos.
A descida vai direto para a Favela do Vidigal, e foi o momento mais emocionante da prova. Muita gente na beirada da estrada, e outros nas janelas e do lado de fora de suas casas, aplaudindo e incentivando, estendendo a mão para bater, levantando a galera, legal demais!!
Dali em diante, quase tudo pela orla, Leblon, Ipanema, Copacabana, então tunel, depois Botafogo e Flamengo. Lindo demais. Só abria mesmo para ter espaço para todo mundo quando chegava no Leblon, onde ficou mais fácil de correr e já tinha ficado bastante gente para trás e la na frente.
No túnel, todo mundo começou a bater palma ritmado, bem legal tambem.
Hidratação fartíssima em toda a prova, com pontos  de agua e pontos de isotônico, que vinha em saquinhos para rasgar com os dentes e tomar. Água em copo, e muita falta de educação.
Uma amiga querida, a Sissa, sempre me fala das provas no exterior, como são mais organizadas, e a gente não imagina tanta diferença. Mas em provas grandes essa diferença aparece. Havia muitas latas de lixo, e elas são alaranjadas, impossível não ver. Mas as pessoas não só jogavam os copos no chão, como não era próximo à calçada, era no meio da rua mesmo, enquanto corria, copos vazios e outros nem tanto, ficando um mar de copos espalhados a cada 5km, e por pelo menos uns 400m, os seguintes passando por cima, pelo lado, chutando, e jogando os seus, uma vergonha!
O amadorismo está em pequenas coisas: tumulto para pegar agua no primeiro tanque, como se não houvesse mais uns 5 adiante, causando mais confusão. Os saquinhos vazios de isotônico também iam para o chão, e com tudo úmido, fácil era escorregar. Mais um ponto para ter que reduzir a velocidade.
Fiquei envergonhada porque a sujeira que nós, corredores, fizemos (não, eu não joguei no chão, sou estressada com isso, mas estava no meio de todo mundo), não combina com nosso estilo de vida e discurso de sustentabilidade.
Largando as 9h20min, mais ou menos, às 10h30min eu estava cansada e com calor, muito calor. Parei para tossir (a sinusite já tinha atacado sexta feira e tive febre e tosse à noite no sábado), faltou fôlego, e caminhei a partir do km15 diversas vezes, sentia que meu gás havia acabado. Cansei, e minhas pernas chegaram a amolecer. Um cara veio ao meu lado e disse que ia me dar ritmo, foi ótimo, fomos uns bons 3km juntos, devagar, mas sem caminhar. Tomei o gel direitinho, isotonico, joguei água, mas quebrei, fazer o que? (de novo). Quando percebi que não ia fazer em menos de duas horas a prova, desabei em desânimo, só pensava em terminar mesmo, até a paisagem ficou mais sem graça porque eu fiquei frustrada. No último km dei uma apurada para terminar, estava no meu limite,  me arrastando. Meu problema é que me sinto melhor correndo rápido, funciono melhor, mas estava tão acabada que tinha medo de não terminar, aquele negócio. Vivendo e aprendendo.
A chegada é sempre ótima, mesmo não tendo sido um bom desempenho. Fora que corri 21,450m, o que credito não apenas à diferença de medição, mas ao meu zigue-zague mesmo, puro desperdício.
Realizei o sonho da prova no lugar lindo, com astral show, como eu queria. Esqueci de adequar meu lado competidora a esse sonho, o que quase o estragou. Na hora que terminei, fiquei aliviada pelo fim, e só depois feliz por ter corrido, quando parei de achar que devia ter tido um bom desempenho. Para isso tenho muitas provas que não têm nada do que experimentei no Rio. 
Aquele povo todo chegando, correndo em diversos ritmos, a democracia que é a corrida de rua, com magros, gordos, altos, baixos, jovens, menos jovens, todo mundo com o mesmo jeito, muita alegria...bom demais.
E olha, não estava bom para mim, nem para muitas outras. Quando fiz a volta para terminar, no km 18, achava que estava chegando atrás do universo todo (sim, sou assim), mas ai vi quanta gente ainda faltava, que não tinha feito o retorno ainda.
Tanto assim que fiquei em 709 entre todas as quase 4 mil mulheres, o que considero muito bom. E 129 na minha categoria.Mas, sinceramente, nesse caso isso não tem a menor importância. O que eu me lembro é do calor, de não ter corrido como gostaria, mas especialmente das pessoas incentivando, da corrida solta vendo o mar, do cheiro de mar que eu adoro mais do que tudo, da agradável sensação de estar no lugar certo, na hora certa,  fazendo o que gosto, e sabendo que meus amores me esperavam ao final. Isso é um baita aniversário. beijo e até o próximo desafio!!



sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Existe o dia perfeito?

Saudades de escrever, estou com vários assuntos atrasados, tem prova feminina, tem cerene...Mas vou falar mesmo da Maratona de Santa Catarina hoje. Não, não fiz a maratona, e sinceramente, aquele trajeto não me apetece muito para 42km (vai perguntar se algum apetece? ainda estou pensando). Uma coisa é correr em casa, ou onde você costuma treinar sempre que pode, e adora, mas fazer o trecho para completar 42km...no, thanks.
Aliás, e isso é um parênteses, quando a gente treina bastante, começa a faltar percurso. Olha que, como boa virginiana, gosto de ter a rotina até na corrida, quase um toc, como sempre começar do mesmo lugar e ir na mesma direção. Mas se você tem que correr todos os dias, como nas últimas duas semanas (ai, Everton, all my love for you...#sqn), variar é questão de sobrevivência, porque a gente já sabe a quilometragem de cada caminho, de modo que o tempo não passa se você estiver sozinho, mesmo adorando correr. Na esteira, que já não é ótimo, pelo menos eu vejo TV. Ontem assisti Wolverine, e quando percebi estava aumentando a velocidade!
Pensando nisso, decidi voltar a ouvir música enquanto corro. Em qualquer corrida, quase em qualquer treino que seja na rua, quando estou sozinha. Já ouvi minhas passadas, pensei sobre minha corrida, tudo aquilo que defendi, já ouvi meu corpo, blablabla. Agora quero ouvir a Florence gritando Shake it Out para terminar 18km!
Retomando o assunto, fui fazer, naturalmente, os 10km na Maratona. Pontos positivos da prova em termos de organização: Latin Sports é profissional, de maneira que você realmente tem hidratação nos pontos prometidos, não acaba a agua, o isotônico no final é bom (não cito marca, mas não é genérico), e a largada é separada, eeeeee!!! Claro que quem vai correr mais de 42k tem que largar antes!! Acho ótimo. Então, 10km e 5km largavam uma hora depois do povo da maratona. O que significa que a gente foi, voltou, pegou medalha, hidratou, e o povo continuava correndo...hahaha.
Ponto negativo: para mim, só a marcação do percurso. Sumiu. Só tinha placa até metade, depois ficaram só as da maratona, que inclusive podiam confundir o pessoal por causa do trecho, que era o inicial. Nem todo mundo tem GPS, e nem sempre dá bem certinho, principalmente porque no túnel não tem sinal.
Enfim. Dia gostoso, e, acreditem, sem vento. Muito estranho. Floripa sem vento. Não tinha sol no início (nem no fim dos 10km), e a temperatura estava ideal, algo em torno de 18 graus.Super ultra mega power, como dizemos aqui em casa.
Eu estou vindo de uma seqüência de treinos intensos no conjunto, porque correr todos os dias tem seu preço. Tanto que terminei a prova e ainda tinha que correr 2km para completar o treino, já que não era prova-alvo. Inesperadamente, consegui correr todos os dias nas duas últimas semanas, e nesta que estamos, corri a quilometragem da planilha, certinha, estou orgulhosa. No início achava que seria impossível, mas descobri que chega um ponto em que as pernas vão, praticamente sozinhas, e a gente corre, corre, e quando percebe já foi tudo.E nem morreu.
Mas prova é prova, e lá a gente se dedica mais, vem a adrenalina. Pois bem, larguei mal. Sei lá o que deu, larguei bem na frente, não costurei ninguém, mas não quis largar forte, mudar um pouco a estratégia, e me perdi totalmente. Não recuperei mais. Ridículo. Gosto do percurso, acho correr no tunel super divertido, mas só no final eu estava confiante e aumentei a velocidade de verdade, mas não adiantava mais, e terminei em 50' e alguma coisa, porque na verdade deram 50'50 mas foram 10km 300m, ou seja, teria um pequeno desconto. Péssimo, fazer os 10km em menos de 50' é sempre minha meta. Só que, como disse o coach, estou migrando, em fase de transição, e as provas de 10km não são mais exatamente minha prioridade, ainda mais essa, no meio da fase de treinos puxados. Era pela alegria. 
Confesso que assim que terminei não tinha alegria nenhuma, ainda bem que meus amigos de corrida não estavam lá, porque eu estava com a cara do demonio que eles conhecem e que eu me esforcei muito para tirar.  
Fiquei pensando que realmente poderia ter ido melhor considerando meus treinos em geral, e que me faltou alguma coisa que não consegui identificar. No final, com o retorno correndo até a casa da minha mãe, foram 13,5km, e foi bom, sim. Como treino. Ainda fiquei em segundo lugar na categoria, não é para reclamar.
E depois eu fui vendo os relatos dos maratonistas. Gente muito boa quebrou. Pura e simplesmente. Quase ninguém que conheço fez seu melhor tempo, ou o tempo que gostaria de fazer, salvo quem estreou na distância, como a Fe Link, que fez uma bela prova e ainda terminou como começou: linda! Ou quem não treinou quase nada e ainda saiu e bebeu nos dias anteriores à prova, mas esse é caso a ser estudado pela ciência.
E ninguém soube explicar o que aconteceu, porque, de fato, o dia parecia perfeito para quebrar recordes, marcas, tempos, ser um sucesso e se superar.
O que me fez pensar que muitas pessoas são melhores e se superam na adversidade. Que é exatamente quando não criam expectativa. Na prova do Cerene, eram 12km com subidas, descidas, cascalho, estrada de chao soltando pedrinhas (odeeeeeio), um frio do cão e fiz um tempo melhor do que nessa prova que tinha condições ideais. Só que, realmente, eu não esperava naaada da prova. E sempre me cobro em provas de 10km, que eram minha especialidade. Difícil mudar, sempre me surpreendo fazendo cálculos para 10km mesmo quando o treino não tem nada a ver.
Na adversidade, a gente se esforça e também se contenta mais facilmente com o resultado. E pensa: "imagina se estivesse bom", ou seja, com as condições que consideramos melhores. Ano passado, na meia do Bela Vista, estava chovendo fininho e frio, uma coisa muito ruim, e fiz meu melhor tempo, sobrando.
Será que, no fundo, muitos de nós estamos mesmo é na turma do "quanto pior, melhor"?
Vamos em frente, torcendo para um treino com vitamina D no final de semana!!!










sábado, 26 de julho de 2014

Sandálias da Humildade e Desafios

Decidi que gosto de fazer meia maratona. O treino é bom, os longos são num limite razoável de duração, e no dia da prova é possível encaixar respiração, postura, braços, ritmo...isso quando dá tudo certo e você treinou adequadamente. Diferentemente de provas de 10km, que dá para fazer quase toda semana, se quiser, meias exigem um certo descanso entre uma e outra. Pelo menos para mim.
Tive uma semana particularmente difícil e dura no trabalho. Naturalmente, isso foi na semana de plantão da escolinha, quando não tem jantar para as crianças e tem que buscar Arthur mais cedo. Mesmo que não fosse mais cedo obrigatoriamente eu iria, porque a fome da criança transforma aquele fofinho em um monstro aterrorizante do mau humor.Treinos reduzidos a quase zero. Semana off, chamemos assim.
Para completar, sexta e sábado eu tinha uma turma para dar aula na pós graduação em Floripa. Aceita há vários meses, nem pensando que poderia ter prova de corrida no dia seguinte. Aula significa ficar em pé, sexta a noite e sábado até às 16h...no salto. Só melhora. A parte boa é que a turma era excelente, foi uma delícia dar aula para eles.
Isso tudo para dizer que às vezes temos que adaptar os planos ao que é possivel. Inicialmente eu queria baixar meu tempo do ano passado nessa prova, que por acaso foi o melhor da minha vida. Depois, manter ja era uma boa. No sábado à tarde, depois da aula e de almoçar camarão tomando vinho branco, conseguir voltar para casa ainda no sábado,  acordar e sair para correr parecia uma ótima ideia. E isso não é só uma explicação para o resultado final, é a vida como ela é.
Domingo fez um baita frio. Eu me sentia tão cansada...mas o negócio é não pensar. Levanta, toma café, roupa, tênis, apetrechos, gel, vamos. #correquepassa. Nunca me arrependo de ir, só de não ir.
Acho a prova do Bela Vista muito bem organizada, com hidratação e a premiação por categorias que eu valorizo. E começa no horário. Mas ainda não entendo por que o pessoal dos 21km larga com o pessoal dos 6km, que querem voar e qualquer 10 segundos é tempo precioso. 
Também não me conformo em não ter tempo líquido, com o tapete com chip só na chegada, obrigando, também pelo fato acima, quem quer fazer tempo se atropelar na largada, para não perder tempo precioso.
O percurso não é plaaaaaano como propagado. Pelo menos para mim, subir um viaduto, descer, e voltar por ele, não é uma reta. Apesar disso, é bom. Também serve para vermos como o asfalto da estrada está ruim.
Eu não queria ser puxada pela Clenir para não ter responsabilidade. Mas quando chegou a hora da largada, eu já tinha tentado pensar em estratégias para a prova, e nenhuma parecia boa na circunstância, então eu resolvi arriscar: ir com a Clenir e a Paulinha (que foi para baixar o tempo dela) no ritmo forte enquanto desse. E ver o quanto dava. 
E assim fomos. Ate que as pernas responderam melhor do que eu esperava, consegui manter sem tanto esforço os primeiros 7km, fazendo pace de 5', as vezes até menos. A segunda parte já não foi tão tranquila, mas mantive 5'05, 5', que era, na verdade, o que eu pretendia no início dos planos. Na verdade, o ideal era ter largado mais tranquila, como me sinto mais segura, para 5'15, e depois acelerar. Mas sinceramente, do modo como me sentia, tinha a impressão de que não ia sobrar para acelerar no final. Assim, já estando meio perdida mesmo, escolhi a estratégia de ir para a morte. No km 14 o sonho começou a desmoronar e do km16 em diante, quebrei total. Dei uma caminhadinha para hidratar e tudo, mas só uma vez, e depois decidi que ia correndo, sem pensar, só correndo. Mas as pernas pesaram, até dor nos gluteos eu tive (sem musculação na semana anterior, nada funcionava), e tive que reduzir, cheguei a fazer 5'36 um km, bem triste. Mas nada que eu não imaginasse que pudesse acontecer. Na hora eu pensava em como seria legal se a prova fosse de dez milhas...hahaha.
E o vento na volta? aquele que não vem no verão...gelaaaaaadooooo, minhas mãos ficaram duras, terminei a prova com frio!
Claro que não baixei meu tempo, muito menos mantive. Fiz em 1h51', ou seja, regressão, porque passei de 1h50', algo que não queria que acontecesse. Ninguém mandou, né? Ainda assim, melhor ir do que se arrepender de não ter ido.
Cheguei super cansada, sofrida mesmo, o penúltimo km não terminava nunca para chegar o último...
Não gosto de me sentir assim. Gosto de ter dado o meu melhor sem que isso signifique sofrer tanto. Para mim, dar o melhor é fazer o melhor possivel do dia que se apresenta, com a diversão. E o dia não era bom para mim. Mas não era bom pelo conjunto da obra dos dias anteriores, e pelo não cumprimento da planilha. Isso, para mim, não é suficiente. Não quero mais fazer isso, de ir sem ter feito a preparação que faz eu sentir que posso dar o meu melhor do dia.
No final das contas, meu desempenho não foi dos piores, claro que não, e na verdade acho que fui muito bem para as circunstâncias, e saber que posso fazer melhor do que isso com treino, já da um bom incentivo. Também não é o caso de dizer que sou top porque em dia que estou mal me supero e sou incrível...porque isso não é verdade.
Para quem é competitiva, é duro ser ultrapassada por meninas que sempre chegam atrás de mim. Maaaaas, o negócio é ter a maturidade e serenidade de perceber que aquele era o dia delas, e não o meu. E isso eu consegui. Fiquei mais frustrada pelo meu estado no final da prova do que pelo resultado. 
Ainda consegui o 5o lugar da categoria, está excelente, considerando o tempo da Giani (incríveis 1h38'), e ela ficou em segundo. Esse tempo não é para mim, nem com muito treino. E fiquei em segundo lugar entre as sócias do clube, muito legal isso.
A Paula fez um baita tempo, manteve o ritmo e foi ótima, a Simone também, baixou o tempo dela, me ultrapassou facilmente, muitos parabéns. Achei que em geral foi uma prova boa para todos. E, se não fossem a Clenir e a Paulinha, depois o Sukita junto, eu nem teria feito esse tempo, porque ia fazer os primeiros km na maior preguiça, e não no pique. Muita gente conhecida, muitos incentivos, Simone Ponte Ferraz arrumando minha postura, gente torcendo...isso é o que não tem preço, a diversão da vida. Gente correndo pela primeira vez, experimentando, se arriscando.
Aprender e evoluir. Sempre.
Beijos, bom final de semana!

 








quinta-feira, 19 de junho de 2014

Desafrio: missão cumprida. Ai como dói...

Os últimos trezentos metros do Desafrio em Urubici são os maiores do mundo. Parecia que eu nunca ia chegar. Ainda bem que o Ruy foi me esperar logo, porque eu estava realmente exausta, então precisava de alguém puxando.
Então, vamos por partes. É uma prova incrível? Sim. Diferente de todas as outras, inclusive as de aventura? Sim. Chegou a Amanda e perguntou: e aí, amiga, gostou?  ai, não muito...(momento das vaias...). Como não, né? Todo mundo adora! 
Eu treinei bastante, mas nada nos prepara para o que está lá esperando.
Choveu a semana toda. Na sexta feira fui de manhã de carona, para me ambientar, e lá fiz um trote de vinte minutos com a Giovana. Senti a respiração diferente, a altitude pega.
Choveu a noite de sexta para sábado. Não, não choveu. Caiu o mundo, com muitos raios e trovões . Acordei às 3h da manhã por causa do barulho. Só pensava que ia estar tudo uma beleza no dia seguinte. Lembrei da minha mãe, que sempre que chove em véspera ou dia de prova, ela me diz que vão cancelar, como se as pessoas só corressem no sol.
O astral da prova realmente é um diferencial, porque é bastante gente, mas não demais, e muitos já se conhecem de outras provas de aventura ou do ano anterior, vão grupos grandes de algumas cidades, então aquele momento pré largada é muito gostoso. Como choveu, não estava muito frio, estava bom para correr. 
O Ruy largou, e eu fui tomar café na pousada, para depois subir para esperá-lo. Só podíamos ir de carro até um ponto do caminho, e depois os corredores iam de ônibus para o topo do Morro da Igreja, acompanhando os corredores que já estavam no asfalto. Deu certo, mas dava um medo..parecia que o ônibus não ia vingar. Passamos vários corredores da Adventure, e o Ruy já estava bem adiantado.
Depois de pensar bastante, resolvi ir com meu tenis Vomero, e não trocar pelo de trilha no caminho. Queria conforto e um tênis que eu já confio, e cheguei à conclusão de que com tanta chuva não ia ter trava de tênis de trilha que impedisse de escorregar. Fui de calça comprida (de leve compressão) mais pela lama que eu sabia que teria do que pelo frio. Top, regata, manguito e uma de manga comprida por cima. Touca na cabeça (frio na orelha). Cinto de hidratação com garrafinhas, gel de carbo, sal. E uma paçoquinha para antes de começar a correr. Sim, doutora bugiganga total. 
Quando cheguei no topo do morro, estava bem fechado, não dava para ver nada de paisagem, neblina total. Fui ao banheiro, e enquanto eu estava lá finalizando o último xixi pré-prova (no frio dá mais vontade) comecei a escutar chamarem o meu nome. Lei de Murphy total, saí que nem a louca do banheiro, o Ruy esperando cheio de cãibras, coitado, tiramos o chip dele, coloquei no meu tornozelo, e só deu tempo de botar as garrafinhas no cinto e sair correndo, literalmente. Sorte que já subi pronta, com o porta número, cabelo preso, tudo certo. Alongar? o que é isso?
E a gente larga descendo. Delícia total. Para isso eu tinha treinado, e me concentrava em não ir rápido demais, porque na hora não dói, mas quebra muito, e ali era só o começo.
Mas como é bom...nossa, a sensação é incrível naquele morro tão alto, e a gente se largando na descida. Isso dura pouco, muito pouco, porque embora a gente diga que vai fazer a descida da prova, o próprio morro, na parte de asfalto, tem muitos aclives também, alguns mais íngremes, e outros só chatos, porque constantes. Tentei manter um pace razoável, e nas descidas ser feliz. Passei um bocado de gente nesses primeiros 9km, aproximadamente. 
Mas aí acabou...e começou a trilha. Só de olhar o início, dava um desespero. Era muita lama. Como nunca vi, nem no k42. Não tinha desvio, não tinha lado bom, e em alguns pontos, nem menos pior. Era tudo ruim, e com cheirinho da natureza, sabe? aquela natureza de vacas, porcos...quanta bosta misturada com a lama.
Travei total nos primeiros 3km. Ficava tentando desviar, não saía do lugar, medo de escorregar e me esborrachar na lama, um horror. Nisso começaram a me passar. Um povo que no asfalto tinha ficado lááááá atrás me pegou rapidinho. Já comecei a pensar: ai, por que, né? por que eu insisto em fazer isso, se acaba sempre assim, eu reclamando de um terreno que já sabia como seria, e mantendo o mesmo padrão. De corrida e de reclamação.
Vão passando os pelotões, e eu ficando, passam pessoas sozinhas, e eu ficando. Ruim demais.Esse tipo de pensamento é péssimo para o momento, tendo que lembrar que embora seja competitiva, nessas provas eu não tenho chance, não vou para isso, o objetivo era conhecer e me divertir, e eu não estava encontrando isso dentro de mim.
Eis que veio um pelotão com uma menina na frente, e ela não desviava das imensas poças de lama (vide fotos no face), ela mergulhava os tênis caros bem no meio delas, com vontade, e isso a fazia ser muuuuuito mais rápida, porque ela conseguia correr, embora fosse difícil.
Isso me deu um estalo: faltavam ainda uns 5km de trilhas, ia ser tudo desse jeito lama/bosta/lama, se eu continuasse naquele ritmo não ia chegar nunca, e ia ficar ainda mais infeliz. Chega de frescura, vambora. Apertei bem os cadarços do tênis para não perder nas poças, e enfiei o pé na lama, literalmente. Na verdade, foi uma libertação. Nem sempre o resultado era ótimo, porque tinha lugares com buracos fundos, e tirar o pé de dentro ficava cada vez mais difícil com o tênis molhado pesando. Mas pelo menos eu saía do lugar, e comecei a achar mais divertido, porque uma vez sujando, dali em diante tanto faz o tamanho da sujeita, de maneira que eu conseguia correr bem mais do que antes (o que não significava grandes corridas, bem entendido, era mais um trote de passadas curtas e rápidas). 
Claro que existem trechos de descida na trilha que correr era impossível, mesmo para os tops. 
O negócio é que, como já tinham me dito, a descida é solitária. Na subida há muita gente junta, depois dispersa. Então a gente fica vários quilômetros sem ver ninguém, ou vendo uma, duas pessoas. E como está difícil, não dá para conversar muito.
A vista lá de cima é muito bonita, tem a cascata, o verde, os paredões de pedra, mas não dava para parar para olhar porque ia para o chão se perdesse a concentração. Acabei aproveitando muito pouco, e como o mundo inteiro está cansado de saber, corro o dificil apenas pelo visual.
Sinceramente, com todo o respeito à vegetação local, às maravilhas da natureza de lá...eu gosto mesmo é de ver praia, areia, mar. Isso é da pessoa, não adianta. Na Volta a Ilha já passei até mais sofrimento do que na trilha do Desafrio, mas eu sabia que o mar me esperava, a areia, e isso me alimenta de energia. Lá, eu não encontrava energia que me desse o retorno que eu precisava. Para sofrer, eu preciso da compensação.
E a trilha não tinha fimmmmmm!!!! Pior é que eu ficava triste porque pensava que todo mundo estava gostando menos eu, ou seja, a errada obviamente sou eu.
No meio da trilha, passei por umas crianças que me pediram comida. Hã???? Como assim? pedir comida para quem está correndo? O que será que elas pensam? que a gente leva misto quente, batata? Ta, tem gente que leva paçoca, bisnaguinha, mas é sempre contadinho (e geralmente amassadinho também) para o corredor. 
Já no final da trilha, há comunidades que a gente vê que são de pessoas bem simples, e não tem nada em volta, bem isolado.
Terminando a trilha (e eu sonhando com o momento), começa a estrada de chão, que a Clenir tinha me dito que era ótima para correr, porque plana. Sim, mas choveu. Então até essa estrada estava escorregadia e com barro. E eu cheguei nela querendo fazer pace de 5'10, 5'15 no máximo, mas ja estava muito cansada. A trilha me sugou muita energia e muita perna, já não estava com a folga que eu pretendia, o negócio era sobreviver para terminar. Tentar deixar as pernas irem sem pensar, mas elas não iam muito, sabe? 
Para terem ideia do tipo de lugar que  a gente se mete, no final da trilha eu encontrei uma vaca, no meio do caminho, mesmo. Eu e o fotógrafo rimos muito, e eu desviei dela, porque naturalmente eu era a invasora. Essa é a parte divertida do negócio, o inusitado. 
Quanto à estratégia, eu dividi a prova conforme o número de gel de carboidrato a tomar: 7km, 14km, 21km, e aí era só terminar. Para mim, funciona bem, porque não penso em 25km, penso nos  7 que preciso correr. Tomei o gel ainda no asfalto, peguei água na entrada da trilha, depois tomei gel na trilha mesmo, com a minha água, e na estrada final tomei mais um, com água do posto de hidratação, o último. Não são muitos, mas isso a gente ja espera da Ecofloripa, e já tem mais do que na Volta à Ilha (que só tem um hahahaha).
Houve um momento em que eu bati no muro. A sede era maior, as pernas não estavam mais querendo correr. Olhei no garmin e estava lá: 21km. Meu muro. Como se esse fosse o limite. Nessa hora, o cérebro entra no comando: "já fiz treino de 24km, já fiz teino de 22km, eu corro mais de 21km direto". Fui.
Chegando na igreja da cidade, o Ruy me esperava para terminarmos juntos. O Arthur e os filhos do Ruy, o Otávio e a Martina, nos acompanharam na chegada, e é nesses metros finais que eu penso que tudo valeu a pena, que eu venci e superei esse desafio. Com sol, tudo seria diferente, tenho certeza. Aquela nhaca toda me desanimou, então fui na raça. Pensava no quanto eu gosto de correr, de asfalto, e aquilo não era correr. Alias, no final, eu sentia que estava me arrastando.
Prova ótima para ter no currículo. Alto nível de dificuldade, que triplicou com a chuva anterior, quilometragem alta para meus padrões (vejam, não sou maratonista, então passou de 21km para mim é muito, sempre muito), corrida de aventura, no frio, paisagem diferente, astral excelente. Mas, está feito. Conheci. Beleza. Next. Claro que olhando as fotos, não parece isso, né? Eu tenho esse negócio de rir na adversidade, acho que mais de nervosa do que de alegria, tirando as fotos do asfalto e da chegada. 
Na verdade, penso o seguinte: eu escolhi vir, ninguém me obrigou. Treinei para isso e vim. Então vamos lá!
Meus aplausos para todos os que foram e completaram com seus parceiros, como a Clenir (sem ela não teria treinado aos sábados) e a Grazi, Giani e Carlos, e todas as outras duplas, e especial parabéns e louvores para os meus malucos favoritos que fizeram os 52km todinhos, e como não vou falar todos (já que vou esquecer de alguém) , falo da Giovana, que não só terminou a prova, mas terminou sorrindo e dançando, feliz demais, curtindo a prova e a sua superação, sua missão cumprida. De quebra (mas sei que ela não foi para isso), primeiro lugar na categoria. Minha ídola Gio!
O passeio até Urubici vale muito a pena. Ainda bem que ficamos, porque domingo de manhã o tempo melhorou e conseguimos uma bela visão de cima do Morro da Igreja, a pedra furada, fomos na cascata Veu de noiva, udo muito bonito realmente. Comemos maravilhosamente bem, recomendamos muito o Atrio Bistrô, da Juliana, e suas deliciosas trutas, e o A Taberna Bistro com seu entrevero limpinho.Gostamos também do Parador Santo Antonio, que tinha a melhor carne. 
Agora, pensa na dor no dia seguinte. Em tudo. Só não doiam as pontas dos dedos das mãos. Descer degraus era a morte. As panturrilhas hoje estão voltando ao normal, travadas a semana toda. É um baita esforço, a recuperação é lenta porque tem a descida e as trilhas, isso exige muito. Mas essa parte não me incomoda, está no pacote e passa. Fiquei muito feliz em ter feito esse passeio com minha familia e meu irmão com a Ale, foi uma delícia, e com eles todos comigo é sempre mais legal correr.
Meu obrigada de sempre ao coach Everton e suas ótimas planilhas, sempre acreditando que eu conseguiria. Treinar com a Clenir e a Giovana também foi muito importante para eu acreditar que era possivel.Quando a Clenir passou correndo por mim, e eu a vi descendo, achei tão linda a passada, a liberdade, a intimidade com a corrida..orgulho de ser amiga dessas meninas, viu?
Agora acabou a moleza, treinar para a meia de Gaspar, do Bela Vista!!  beijos, bom feriado. Vou trabalhar.






quarta-feira, 11 de junho de 2014

EXTRA, EXTRA!!! DOAÇÕES PARA URUBICI!!

Sábado é o grande dia do Desafrio. Considero que meu treinamento foi o melhor possível, dentro das minhas condições de tempo, temperatura, pressão, família e trabalho. Treinei duro, levei a sério todos os treinos. Não consegui cumprir 100% da planilha, porque é difícil mesmo, mas no mínimo 80% eu fiz bem bonito, e sempre considerando minhas limitações.
Agora é esperar a festa. Sim, porque a prova é para ser a coroação de tudo, então let's have some fun!
Recebi um email da organização da prova informando que a região de Urubici é carente em recursos, e com aquele frio todo, eles levam beeem a sério a campanha do agasalho. Pediram para que os atletas contribuíssem, e o mais legal: tênis são bem vindos.
Pretendo fazer este ano ainda mais uma campanha de doação de tênis usados, mas, até lá, quem já tiver o seu em casa, sabe que não vai mais usar, e quiser colaborar, vou achar o máximo. A gente ajudou muitos atletas de Blumenau no ano passado, acho que podemos ampliar nossa área. Posso levar os ditos cujos para Urubici.
Quem tiver interesse, pode responder aqui no blog mesmo, fazendo um comentário, e combinamos a entrega. 
Mas é tudo para ontem, vou para Urubici na sexta-feira.
Conto com a torcida de todo mundo e a solidariedade de sempre, como vi no ano passado.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Blumenau 10k: ah, velocidade!

Esse negócio de treinar para o Desafrio é diferente do que estava acostumada. Longos de verdade, e com subidas, descidas,  sempre procurando um lugar ruim para treinar, porque quanto pior, melhor. Tem sido incrível treinar sempre em boa companhia (ainda mais com gente que é bem mais top), e, sinceramente, pra fazer 24km, 18km, se não fosse com as meninas (Clenir, Giovana, Grazi, Simone no domingo debaixo de chuva)...não ia dar, porque a gente vai ficando cansada e começa a pensar nisso: em estar cansada, e isso não leva ninguém para frente. Quando voce combina de ir com alguém, já cria o compromisso, nem pensa muito, e durante o treino tem bastante distração, além de uma ir empurrando a outra (às vezes, quase literalmente).
Então não estou treinando velocidade, porque tiros de 2km, 3km, não são beeem tiros, não é verdade?
E eis que chega o Blumenau 10k. Quarta edição, participo desde a primeira, conheço o percurso e gosto muito, porque vai todo mundo e tem premiação por categoria.
A prova é organizada, agora com patrocínio da Caixa (obrigada, inclusive, por acreditar em mim como correntista atleta) , tem hidratação suficiente, segurança, transito parado (com direito a motorista mal humorado reclamando, coitado, sabe de nada, inocente), e a gente se sente em cidades grandes que incentivam a corrida de rua, porque tem gente só assistindo na Rua Quinze, gente esperando para assistir a chegada, muito legal. 
E tendo percursos de 5km e 10km (que não corresponde a duas voltas do 5km), fica bem democrática a prova. A camiseta é bonita, mas o tecido eu não gostei, de novo. 
Blumenau tem muitos corredores fortes, impressionante. Mais de 1000 inscritos, com gente vindo de várias cidades próximas.
Eu larguei para me divertir, mas como saí muito atrás, dei uma apurada para não ficar nervosa no meio da multidão, e desci com vontade porque estou treinando descida. A ideia era passear, já tinha feito 18km na sexta feira. 
O tempo estava ótimo, choveu no sábado e domingo abriu um sol gostoso e temperatura amena, 17 graus, perfeito para correr.
No km 6 eu vi que estava bem, e com uma certa saudade de apertar o passo, resolvi tentar fazer um tempo que não fosse vergonhoso (tinha pensado em só não deixar passar de 50', mas depois que a gente vê o povo todo correndo...), e me joguei.
Fui alcançando e passando quem eu conseguia, e estava bom...
Resultado: mesmíssimo tempo do ano passado, 48'12", com a diferença de que não estava treinando velocidade. Nada excepcional, mas ótimo para as circunstâncias. Não sofri, cheguei sobrando, porque  aquela famosa subidinha no final da prova, uns 400m da rua Sete de Setembro, desta vez não me incomodou em nada, nem senti como subida, graças aos treinos fortes. 
Missão altamente bem sucedida, e segundo lugar na categoria, trofeu lindão com o Arthur feliz da vida.
Agora é finalizar o polimento para o Desafrio e aguentar o rojão.
Ontem corri no dia mais frio até agora, e meu problema é ajustar a respiração, o ar gelado me perturba, tem que acostumar. Mas vão ser 25 km para isso hahahaha.
Dieta em adaptação também, e confesso que não vejo a hora de fazer a prova de uma vez e estabelecer as novas metas, ainda curto correr 10km e forçar a velocidade um pouco, ser competitiva pelo menos na categoria. 
Faltam dez dias, e vai ser linnnndoooo!!! Vamos treinar e aproveitar o metabolismo acelerado no frio!!!






quinta-feira, 15 de maio de 2014

Novos desafios, novos treinos. E treino é tudo!

Ai, que saudades de escrever, mas está difícil arrumar tempo. Muitas coisas atrasadas, mas agora já era. Enfim. Estava lendo na Runners que a gente deve mudar as metas de tempos em tempos, e também ter metas realistas (Reportagem As Leis Sagradas da Corrida). Estou fazendo isso este ano. 
Comecei a correr não tão jovem, então, mesmo adorando provas mais rápidas, já tenho que ter em mente que minhas chances de melhorar o tempo nas provas de 10km devem reduzir a cada ano. Ainda não perdi as esperanças de, ao menos,  manter meus tempos em bons patamares por mais uns aninhos, mas tenho que ter novas perspectivas, para não me decepcionar. 
Para as oportunidades em que ainda pretendo ser competitiva, um passo importante é, definitivamente, dar mais atenção às provas que têm premiação por categoria. Participar de provas grandes, como as da O2, para eu continuar lembrando o quão atleta amadora eu sou, no meio das milhares de people, também pretendo manter no meu calendário. E o triathlon...adoro, mas sem pressa, por enquanto.
Algo diferente, e nunca antes feito nem imaginado por mim, é o Desafrio, em Urubici, prova da Ecofloripa, a mesma da Volta à Ilha, 52km, podendo ser em dupla, naturalmente, com um corredor subindo o Morro da Igreja (sim, aquele, o mais alto de Santa Catarina), mas claro que não pelo asfalto, e outro corredor descendo por outro lugar (mas a descida não é só descambar morro abaixo, tem muitos desníveis). 
Não sou chegada no frio, mas todo mundo que faz a prova gosta tanto, que este ano me deu vontade de desafiar meus medos: frio+descida+trilha+longa distância, todos ao mesmo tempo.Tenho bem claro na minha mente que é uma experiência, e, portanto, o negócio é ir para terminar, e não pensar em performance (verdade, juro, até porque não tenho chance kkk). Também por esse motivo, não quis nem pensar em fazer dupla feminina com alguma das meninas que sempre vai, tipo Clenir, Gazi, porque elas conhecem bem o negócio, e vão focadas no desempenho, porque podem.
Além disso, já fiz dupla mista antes, e acho muito legal. Primeiro combinei com o Mateus, ele aceitou e depois me rejeitou...brincadeira, ele tem um compromisso na data. Eu já achei que era um sinal divino de que eu não devia fazer mesmo, e que devia pensar em outra coisa,  meu outro "prometido" para uma prova em dupla, o Sukita, é  para o Beto Carrero. Aí me deu um estalo: o Ruy!! Ele adora correr e adora desafios. E, assim como o Mateus, é um dos caras mais legais que conheço. E de quebra, uma super qualidade: é casado com a Katia, querida nutricionista e amiga. Convidei, e ele aceitou, eba!
Só que o treino para o Desafrio é beeeem diferente do que eu vinha fazendo. Estava mantendo um treino que me permitisse fazer, de tempos em tempos, um triathlon, short ou olímpico, digamos assim, com corrida três vezes por semana, longos de até 12km, 14km, musculação, natação duas vezes por semana e pedal duas vezes por semana, pelo menos. Mantendo uma corrida forte o suficiente para provas de 10km, podendo ir razoavelmente bem em 21km planos.
E tudo mudou: corrida forte, sempre, em todos os quatro treinos da semana (sim, quatro). Musculação para ter joelhos fortes para descida,  e treinos de descida, e não de subida. Hã? É, para descer tem que subir, então o negócio é subir trotando e descer soltando tudo. Isso é um desafio para mim. Sempre fui melhor na subida, porque sou medrosa para descer, e isso tinha que mudar para eu fazer a prova. Não que minha escolha pela descida do Desafrio tenha sido baseada nisso. Na verdade, todos me disseram que a subida tem muito mais trilhas e dificuldades, com poucas chances de correr, e na descida são mais trechos que permitem acelerar, além dos declives em si. E sem correr não sou feliz.
Então imaginem a pessoa descendo a rua ao lado do shopping, o mais rápido que conseguia, não uma, mas oito, dez, doze vezes...doida. Legal né?
Treino de tiros? Sim, claro. De 1km, e agora de 2km, e dizem que vai ter de 3km. Tortura. Necessária. E terminar é show!
E os longos...realmente longos, pelo menos para mim. 21km na semana passada, 24km no último sábado. Meu treino de maior distância, e com subidas e descidas (uma beeem forte) , ou seja, 24km de treino duro. Super bem acompanhada. Se não fossem as meninas, impossível animar para ir até o final. Grazi, Grazi, Oliveira, Giani, Giovana, Camila, Clenir. Todas elas correm muito, e quase todas já fizeram Urubici. Ou seja, parceria perfeita, e eu na cola (ou tentando). 
Tenho aprendido muito nesses treinos. Por exemplo, no treino de 21km, que fiz com a Simone sister em Floripa, tomei um gel só, só whey pós treino e demorei para comer, e acho que comi pouco. Senti que faltou gás, e a recuperação foi demorada. Na segunda feira não consegui fazer meu regenerativo (que era de 10km, no meu novo mundo). No sábado passado, foram dois geis de carboidrato, água, blox, gatorade, e um super pós treino com whey, banana, água de coco, colágeno e muita glutamina e bcca. Totalmente diferente, no domingo estava novinha, até queria correr. Massssss, o descanso é parte do treino.
E como não se pode ter tudo, o treino é mais duro para mim, então na natação continuo ok, tento fazer 2100m em cada uma das duas aulas semanais, mas a bike...ai que saudade. No pouco tempo que sobra (porque claro que o trabalho não reduz, só aumenta, tenho que dar conta, e quero ficar com meus amores), costumo estar cansada, e com receio de não dar conta do treino  de corrida do dia seguinte. Hoje, por exemplo, estou trocando meu treininho de bike no rolo pela escrita no blog...aiaiai.
Então, FOCO!
Cada um com o seu, o importante é ter a meta, e mesmo que às vezes fique difícil, tem que pensar que é tudo parte do processo para a festa, que é a prova. Depois dos 24km de sábado, que eu adorei, fiquei com a agradável sensação de que eu posso realmente fazer a descida do Desafrio, posso dar conta. Graças a treino. Bem feito e com determinação. Vamos ver o que o próximo final de semana me traz...beijos


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Mais panqueca!!

Acho que na vida da família que gosta de fazer comida, mas ninguém é chef, e tem criança, sempre existem os curingas, para não dizer manias...
Aqui em casa é panqueca e omelete. Na dúvida, fazemos omelete. Com um pouquinho mais de tempo, e quando eu estou no comando, a chance de sair panqueca é grande. Para não ficar tudo igual, vou alterando as massas e os recheios.
Como não queria gluten nem muito carbo para o jantar de hoje, mas queria fazer algo que todos pudessem comer (o que significa tirar o whey da receita), fui adaptando.
Não é bem uma receita precisa porque fui fazendo e resolvendo...E a quantidade foi muita, para alimentar a família.
Há algum tempo descobri a farinha de grão de bico. Adoro grão de bico, homus, e tudo o mais, então achei que era o canal.
Grão de bico é tudo de bom. Alto teor de fibras boas, baixíssimo indice glicêmico, indicado para diabéticos porque não permite a rápida subida dos níveis de açúcar no sangue, é fonte de proteínas quando combinado com bons carboidratos, fonte de magnésio, e ainda precursor do triptofano, a fonte de alegria e bem estar.
Só não sabia onde usar. A Nádia deu algumas ideias, a Lidiane Barbosa outras, e assim fui inventando moda, e colocando em tudo quanto é massa que eu faço.
Vamos à aventura de hoje.

Ingredientes:
4 ovos (ta, podem ser mais claras, mas aqui em casa não funciona bem assim)
3 colheres de sopa de farelo de aveia
2 colheres de sopa de farinha de grão de bico
2 colheres sopa de leite
1 colher de chá de sal temperado com ervas (ou sal comum)
(achei que ficou muito líquida e coloquei uma colher de sopa de farinha de soja para encorpar, mas acho que se acrescentar mais uma colher de alguma das outras farinhas vai dar o mesmo resultado, só aproveitei para incrementar proteína).

Bater no mixer ou liquidificador.

Aquecer a panquequeira (que já falei que é uma ótima aquisição), e untar um pouquinho. Eu não uso óleo de coco para isso (dá gosto), prefiro aquecer a frigideira e depois só borrifar um azeite.
Colocar uma concha pequena de massa, girando para distribuir, em fogo médio para baixo. Fica bem líquida a massa, essa é assim mesmo, pode confiar que dá certo, só demora um pouquinho mais para cozinhar. 
Vai começar a soltar massa nas bordas. Se não rolar, uma passadinha da espátula ajuda.
Quando soltar a massa toda, virar, e já pode colocar recheio. Aqui foi cottage sem lactose (em algumas requeijão light mesmo), blanquet de peru e queijo minas lac free. Depois, orégano (aqui em casa tudo que é salgado leva orégano ou manjericão), e já da para dobrar a panqueca. Ela fica fina, tome cuidado, mas bem flexivel.
Depois de tirar do fogo, coloquei azeite com ervas (feito em casa, fica ótimo) por cima.
Fiquei pensando que deve ficar ótimo com frango refogado com alho poró, e um molho pesto por cima, ou frango com curry e uma cenoura ralada...
E a massa ficou leve, macia e molhadinha. Nem sempre as coisas dão tão certo, ta? fiquei mega feliz!! acho que se não colocar sal, e sim canela em pó, dá para fazer com banana e mel por cima...hummmm. 

Bom apetite!! 

domingo, 20 de abril de 2014

Correr vendo o mar...

Como é bom! Sou daquelas que precisa de um visual, ainda mais em prova longa. Sim, para mim, meia maratona é prova longa.
E a meia maratona de Balneário Camboriú não decepciona. Boa organização, largada rigorosamente pontual, e muita hidratação pelo percurso.
A camiseta estava linda este ano de novo, kit fofo, e essa moda agora da Gomes da Costa patrocinar os eventos é ótima para quem come atum praticamente todos os dias, ou seja, eu. Vem latinha com algum tipo no kit, e ainda tem a tal pescaria, com chance de ganhar mais alguma coisa. 
A previsão era de chuva, mas eu já não acredito mais. O tempo foi abrindo, e na largada  tinha um sol bem gostoso. Na verdade, com chuva a prova rende mais, mas realmente não é a mesma coisa.
Eu já tinha feito a prova duas vezes, sempre em dupla, e nas duas ocasiões fiquei com vontade de ter corrido tudo. Este ano achei que estava pronta para encarar o morro da rainha duas vezes, na ida e na volta. 
O percurso é muito legal, vai pela beiramar até o morro da rainha, sobe, desce, praia Brava, dá uma voltinha lá para dentro e retorna. A volta é interessante porque aparentemente você corre no plano direto, mas tem uns aclives meio sem fim.
Fiz uma boa largada, me concentrei para não ficar tentada a acelerar, e deu certo, consegui manter uma regularidade de ritmo, que era minha intenção.
Até o 6km, nem senti a prova, e só queria saber de olhar o mar. Fui para treinar, queria testar minha corrida no morro, mesmo que fosse uma extensão pequena, e clima de prova é bem mais legal para fazer 21km, não é?
Depois do km17 eu passei a sentir um cansaço. Não faltou perna, nem fôlego, foi mais o conjunto da obra mesmo. O Everton disse que é a fase de transição. Meus treinos longos são de até 15km, então dali em diante eu ainda me sinto forçando. Treino é tudo mesmo, porque ate o 15km eu estava ótima. Dali até o 17km era tipo fim da pilha. Do 17km em diante, é só para terminar. A sorte que encontrei uma menina para me dar ritmo, estava na minha frente e ela era bem constante, corria bem, grudei, coitada.
Cheguei sorrindo, o que não é comum, mas eu realmente estava muito feliz de ter terminado essa meia maratona com morro, sol e calor, que fiz para treinar, em 1h51'50". Só alegria!!
A dispersão eu não achei boa, porque tinha que sair logo da area,  eu preciso continuar correndo e andando, com aquele meu jeito furioso, e não tinha espaço!!
Mas tinha bastante fruta e isotônico, tudo muito bem organizado. é uma prova super família, e eu tive a minha comigo, foi ótimo.
Aliás, ótimo mesmo foi a super Rita com sua espumante com taças e tudo, essa nossa amiga é chique demais no pós prova!!!
Eu não entendo é a demora para a premiação. Mesmo tendo premiação por categoria (ótimo, é o que anima realmente, fico super feliz, parabéns), sendo tudo eletrônico pelo chip, não acho que precise levar taaaaanto tempo, nem todo mundo pode esperar, tanto que na hora falta um monte de gente para pegar o trofeu. 
Fiquei em segundo lugar na categoria, show de bola!! Claro que estou longe de ser a Clenir, que chega com sobra em uma prova de 21km. Foi bom perceber que me falta volume para as distâncias maiores que pretendo percorrer este ano, bora treinar.
E as panturrilhas sentiram na segunda feira as duas subidas. Lembrei da Rita e botei um saltinho nos pés, nossa, que diferença, para de doer, dica boa!
O negócio é que gosto de fazer prova, não adianta. Quando vejo os meninos treinando para o Iron, penso em quantas provas eles não podem fazer porque o foco é outro, e é tudo muito intenso. Acho que eles não se importam, senão não entrariam nessa. Mas eu sentiria falta. 
Mesmo com metas, eu gosto de fazer as provinhas intermediárias, clima de prova de corrida é bom demais.  Percebo que prova muito longa não é muito meu perfil também por isso. A não ser que esteja com muito tempo livre e muito em forma, normalmente a pessoa não faz 8 maratonas por ano. Mas pode fazer 10 provas de 10km, se quiser, e acho que 4 a 5 meia maratonas também é possível, se bem espaçadas.
Viciada é assim: medalha, medalha, medalha...
Espero que todos tenham tido um excelente Domingo de Páscoa, lembrando que é tempo de renascimento, então repense, mude o que quiser e puder, faça algo que faça diferença para você e para os outros. E corra!




quarta-feira, 9 de abril de 2014

Que treino faz você feliz?

Como eu postei no facebook  no domingo, enquanto eu fazia meu treino de corrida em Floripa, em um lindo dia de sol  (que privilégio, eu sei), comecei a lembrar das pessoas que conheço que estavam praticando algum esporte naquele momento, em treino ou em prova. E percebi que era muita gente!
Tinha triathlon (olimpico e long distance) em Caiobá, com alguns triatletas de Blu, inclusive a Camila fazendo sua (premiada) estreia oficial em uma prova de distância olímpica (1500 natação, 40km de pedal e 10km corrida); tinha triathlon em BH, o que descobri vendo o Robson la, papando um terceiro lugar na categoria; Mountain Do Fim do Mundo, no Ushuaia (sim, eu conheço gente que estava lá); uma colega juíza querida estava fazendo o 70.3 (meio iron) de Brasília; Manezinho e Sérgio correndo em Joinville no 10k...isso em provas!
Em Blumenau tinha uma turma subindo o Spitzkopft, um  parque ecológico lindo, com acesso por uma baita morreba, excelente treino forte; outra turma saiu do parque Ramiro para fazer cada um sua distância; o povo do triathlon que ficou tinha treino de bike em Pomerode ou por aí. 
Para completar, na própria beiramar norte encontrei vários conhecidos e amigos, e tinha gente com os filhos, andando de bike, de roller, correndo ao lado do filho de bike, muito show.
Fiquei pensando em como toda aquela gente se movimentando faz a energia boa circular. E também que cada um tem seus treinos favoritos, digamos assim. 
Eu, que tinha passado o sábado com meu gordinho na Vila Germânica, pintando casquinhas de ovos, o rosto dele, e fazendo a maior bagunça junto com os amigos da escola e as Bambinetes, fiquei off, e domingo era meu longuinho de 14km, solto. Ai, solto, que delícia. Significa que não tem compromisso com  o pace, mas com meu conforto. 
Era para ser um repeteco do treino do domingo anterior. Mas que diferença!
No domingo passado, eu estava em Blumenau, saí para correr mais de dez e meia da manhã, e não tinha sol, mas estava calor. Um calor úmido, como só Blumenau faz por você. E eu confesso que saí de casa animadinha, porque estava seca para correr. Queimei a largada, corri dois km e ja estava cheia de sede, e não encaixava a respiração. Tomei água e isotônico, e continuei, mas me sentia fazendo tiros de 2km, porque só vencia essa distância e já tinha que dar uma reduzida. O tempo final foi ótimo, porque mesmo reduzindo eu ainda mantinha uma média boa, mas eu sofri. Sofri e me enchi de líquido, ainda me sentia pesada, porque na verdade não era sede nem desidratação, era algo diferente, coisas do calor úmido. Só ficou bom no km 8, dali em diante curti. E choveu do km 9 ao 11, deu um super alivio no corpo. Terminei meus 14km, zerei o relógio e subi minha rua correndo, com vontade, só para dar uma última forçada. Foi legal, mas não me fez tão feliz, porque me senti travada. 
Naquele dia, meio que amaldiçoei o treino longo. E ainda fiquei pensando que ia ser uma tristeza quando chegar nos 16km, 18km, 24km...aiai. E desejei fazer tiros, e treinos progressivos de menor distância.
Então veio a planilha, com tiros de 2km. Hã? Por que alguém faria uma coisa dessas? Credo, eta coisa triste. Quando a gente já acha que não da mais, faltam, tipo, 800metros. Foi durissimo.
Tem gente que prefere os tiros, tem quem prefira os longos, e tem gente que não gosta de nenhum tipo, faz porque está na planilha, e no final vale a pena. 
Sempre pergunto para quem diz que começou a correr e não gostou: depois que acabou o treino, ou a prova, você se sentiu feliz? Se a resposta é negativa, ou seja, se nem durante, nem depois, aquilo te alegrou, sinceramente,  melhor procurar outro exercício.
Mas eis que chega o domingo, com novos 14km. Quanta diferença!
Claro que provavelmente eu estava em um dia melhor, o clima era melhor, a paisagem mais bonita, e tudo isso ajuda. Mas tenho certeza de que os tiros da semana ajudaram na resistência do domingo.  Também saí  dez e pouco da manhã. E me senti muito melhor durante a corrida. Saí menos afobada, e mesmo sem ter conseguido acelerar muito no final, mantive regularidade ao longo dos 15km (estava bom, eu fiz mais um). Resultado? No máximo 1 minuto a mais em relação à semana anterior (considerando que corri um km a mais, não da para comparar exatamente),  com uma sensação bem melhor. E o pensamento  de que, na verdade, estou gostando cada vez mais de correr distâncias um pouco maiores, porque só melhora a cada km (como diz o Everton, estou em fase de transição na minha corrida).
Quando terminei, voltando para a casa da minha mãe, senti aquela endorfina entrando, sabem como é?Tomou conta de mim enquanto eu ouvia Speed Of Sound do Coldplay, e eu me senti quase flutuar. 
E naqueles minutos finais eu tive, mais uma vez,  a certeza do quanto correr me faz feliz. beijos



sábado, 5 de abril de 2014

Comidinhas: "Pãomelete"

Acho que originariamente a receita é do blog da Mimis, mas eu peguei na revista contrarelógio. Várias pessoas já tinham mencionado.

Eu chamo assim porque não é beeeem um pão, falta uma certa textura, que só seria obtida com algum espessante ou uma farinha que desse liga, e a ideia é não ter nada disso. Mas fica uma delícia e é tão prático!

Vamos lá:
1 ovo (ou duas claras)
1 colher sopa farelo de aveia (ou farinha de quinoa, e na próxima vou tentar com farinha de grão de bico)
1 colher de sopa de iogurte desnatado (ou água, mas acho que não fica a mesma coisa)
1 colher café de fermento em pó
ervas - usei o sal light com ervas orgânicas que tenho, pouquinho, e mais um pouco de orégano

Misture os ingredientes com um garfo e coloque em uma pequena travessa, fica parecendo um mingau grosso.
Microondas na potência máxima por 2min20seg, mas depende do micro, claro. Não sou muito fã de microondas, mas esta receita é assim mesmo, e é para ser o mais fácil possível.
Depois de pronto, corte ao meio (na própria travessa), e leve cada metade para dourar na frigideira ou no forno elétrico, que então já deve estar aquecido, é só para dar uma corzinha e ficar um pouco crocante.
Fica fininho, e fiz sanduíche com peito de peru e cottage e um fio generoso de azeite bom.
É uma delícia e dá uma boa sustentada.
Pode colocar frango, queijos, o que quiser para rechear. Se estiver usando forno, pode colocar de volta já recheado para completar.
Nham nham!!!
Foto na página no face!

Bom sábado!!

quinta-feira, 27 de março de 2014

Delicias - Bolo de maçã

Hoje tem receita!!
O bolinho de maçã é leve e uma delícia. Perfeito com café, e eu já comi até no pós-treino, sem culpa...
A receita original é da minha amiga bambinete Tutti, a dela é com trigo.
Como sempre digo, com criança não tem adoçante, então é para os dias em que o açucar está liberado...

Bolo de maçã
Pre aqueça o forno a 180°

ingred
2 maçãs em pedaços (a pectina está na casa, então se tiver orgânicas, ótimo, senão, lava bem para poder aproveitar)
1 1/2 xic de açucar demerara
3 ovos
1 xic de óleo (algum óleo do bem, mas que não dê gosto. Pode ser até azeite)

2 xic de farinha (usei 1xc. de fsg da Amina, pode usar qualquer mistura sem gluten, menos a da marca "sem gluten" - hã? - sim, porque é pura farinha de arroz, não dá liga; a outra xic usei de farinha de amendoa, a minha favorita)
1cc de fermento
mais uma maçã picadinha, agora sem casca mesmo
canela a gosto

Bata as maçãs, acuçar, ovos e leite no liquidificador, até ver que as maçãs trituraram bem.
Passa para uma tigela e vai misturando as farinhas aos poucos, mexendo com fuet. Depois acrescenta o fermento e a canela, e por último, a maçã picada.

Pode fazer o bolo inteiro, numa super forma, ou em forminhas. Aqui em casa sempre são forminhas, criança curte mais e é bem mais prático para transportar. Deram 13 bolinhos.
Forno por uns 40 minutos, depende muito do forno, então depois de uma meia hora é bom dar uma olhada e furar com palito. Antes dos 30' não se abre o forno.
Ele fica lindo, como vocês viram.

O Arthur queria confeitar alguns, então deixei colocar uma colher pequena de Nutella e espalhar os confeitinhos coloridos.
Eu acho que nem precisa de cobertura.

Amanhã tem salgado!!!

domingo, 23 de março de 2014

Quando 7km não são só 7km...

Primeiro deixa dizer que não, não fui correr a meia maratona de Florianópolis hoje. Eu estava inscrita, o plano era ir, mas não rolou, acabamos tendo festa de aniversário ontem, imperdível, eu voltando de viagem a trabalho, estaria exausta e faria uma prova péssima. Estava inscrita para os 21km, então sem condições. Nessa prova eu só corri a distância de 10km. E na época premiava até o 5º lugar geral, e cheguei em 6º (o que eles só perceberam depois, me anunciando como quinta colocada). Fiquei super arrasada naquela ocasião, porque tinha feito meu melhor, e não quis mais fazer a distância nessa prova. Não sou dessas de voltar para mostrar para mim mesma que eu posso, me supero, etc e tal, agora eles vão ver. Não, não vão mais me ver. Só para outro desafio. 
Portanto, vou falar do primeiro trofeu do ano.EEEEEEE!!!!
Me inscrevi para a prova de 7km do chamado Circuito do Vale Europeu sem grandes expectativas, porque a  distância era, em tese, curta para o treino que eu deveria fazer. Fizemos até uma adaptação na planilha, porque sábado, dia da prova, era dia de bike e não de correr.
Enfim, me inscrevi sem me lembrar que era no final de semana do Festival da Cerveja, ainda achando bem legal que a prova era às 17h. E uma vez inscrita...
Recebi visitas para o Festival, e o pessoal aqui de casa não foi muito solidário à minha corrida, oferecendo cerveja no almoço e devo dizer que rolou uma certa pressão para que eu não fosse correr, todos me achando meio louca. Nada que eu não esteja acostumada.
O negócio é que eu me conheço. Dificilmente me arrependo de ter ido a alguma prova, mesmo que não tenha ido bem, salvo naquelas em que eu estava doente e nem conseguia correr direito (e já foram algumas assim). Mas me arrependo sempre que me inscrevo e por alguma razão não posso ir, e não quis arriscar. Hoje, por exemplo, vendo as fotos do pessoal em Floripa, todos postando suas medalhas e seus tempos, céu azul, fiquei bem desconfortável, mesmo sabendo que foi por uma causa nobre e tendo me divertido demais ontem.
Pois bem. O lugar de largada e chegada era a Choperia Das Bier, em Gaspar, um lugar lindo, com uma área verde agradavel, lago, e o bar em si é uma graça, gosto muito, e achei a ideia ótima, porque o marido foi bem mais feliz me acompanhar sabendo que poderia tomar um chope enquanto eu corria.
Não foram muitos os inscritos, aquela história de primeira edição de uma prova, num sábado à tarde, festival da cerveja, Gaspar...muitas novidades, o pessoal gosta de ver o que vai dar na prova e na próxima muito mais gente aparece. 
O kit era bem simpático, camiseta linda de poliamida, toalha (de verdade, branquinha), e outros pequenos mimos que sempre agradam.
Encontrei conhecidos, até um colega juiz de Jaraguá, o Zardo, com a filha linda dele, os dois correm,  e a querida Lediane, esposa, staff, torcida, mãe...tudo de bom. 
Mas estava calor. Muuuuito calor. 
Chegamos lá e não tinha nem uma brisa. Eu queria aquecer, porque 7km não dá para aquecer durante a prova, mas estava tão quente que corri cinco minutos, se tanto, e na largada já estava muito suada, assim como todo mundo.
O site da prova dizia que o percurso era misto, asfalto e estrada de terra, plano. Só que não. 
O primeiro km era no asfalto,  e então entrava na estrada, que estava bem seca, e era boa para correr, só cascalho, chão batido sem muitos buracos. 
Mas eis que surge a primeira subida. Naquele momento eu achei que era a única, e fiquei feliz, porque preciso treinar morro. Era um aclive, por assim dizer, mas era chatinho de subir, ou seja, bom.
O povo tomou um susto, muita gente ja caminhou. 
Mais adiante, mais um morrinho, e depois mais um. Três morrebinhas, corri em todas, tendo descidas bem interessantes para treinar, aproveitei para me soltar um pouco, eu sou tensa em descidas, e como fui fazer a prova como treino, não estava muito preocupada com o resultado, só queria que fosse bom para mim.
Só que realmente o calor atrapalhou, houve momentos em que achei que ia passar mal. Não aconteceu, graças à hidratação da prova. Eu não levei nada, 7km, confiei. Foram dois postos de água, o que até seria desnecessário em uma prova dessa distância no plano, asfalto e fresquinho. Mas naquele calorão, foi beeem importante.
Uma hora eu olhei para o garmin certa de que estava correndo para 4'35, 4'30, e estava para 5'20", tamanho o esforço!
Ja depois das subidas, eu decidi caminhar para tomar agua, e passou uma corredora da sulfabril e disse: "Não caminha, continua correndo". Isso sempre funciona comigo: pessoas estranhas que botando para correr. E lá fui eu, inclusive ultrapassando a moça.
Foi legal, porque de repente eu percebi que, ao contrário do inicio da prova (quando parecia que todo mundo estava me ultrapassando), não tinha taaaanta gente na minha frente.
No final, subidinha de 50m para a chegada, já achando que ia morrer a essas alturas. E aí descobri que cheguei em 4º lugar geral!
Fiquei muito feliz, mesmo ao me dar conta de que a premiação geral era até o terceiro lugar, não o quinto (de novo, essa é minha sina, impressionante). Mas tudo bem, isso garante o primeiro lugar na categoria, e havia premiação por categoria, palmas para a organização, valorizando todos os tipos de corredores!!
Não pudemos ficar para a premiação porque a chuva veio vindo implacavel, e ainda tenho que buscar meu trofeu, mas foi um belo início de temporada. 
O melhor foi perceber que, embora tenham sido 7km, valeu por mais, por conta das adversidades da prova, e era o que eu queria. Por isso eu falo para nunca subestimar uma prova curta. Nela, você automaticamente imprime maior velocidade (sabe que vai acabar logo), e manter o ritmo em terrenos diferentes exige mais treino.
Vamos aos próximos desafios. Está difícil cumprir a planilha, estou trabalhando muito, então me preocupo em fazer bem feito cada treino para valer a pena.
Com final de semana agitado, o que me resta é agora partir para um pedal básico. Na sala de estar, enquanto Arthur e papai estão tirando um soninho.
Bom final de domingo, não assistam ao programa dominical que deprime, e ótima semana. Bons treinos!!! 

sexta-feira, 14 de março de 2014

Quanto vale uma planilha de treino?

Participando do curso de culinária funcional da  Lidiane Barbosa, fiquei viajando numas analogias.
Imagine uma pessoa que sempre comeu o que quis. E imagine que não são coisas que uma nutricionista e o um médico recomendariam: fritura demais, sal demais, doce demais...enfim, demais.Um dia essa pessoa faz exames, os resultados não são bons, fora a parte da vaidade, porque a essas alturas o espelho não deve estar lá muito amigo. E vem o estalo: é o fim.
Então, em vez de procurar um profissional (às vezes até por vergonha), mas sem saber como iniciar, a pessoa compra uma revista, daquelas femininas cujos nomes vou evitar, e resolve seguir a dieta do chá, ou a dieta da sopa, ou qualquer uma dessas que vai enxugar e secar em menos de um mês, e tudo vai ser lindo.
E quem consumia umas 3500 calorias (de gordices) por dia entra numa dieta de fome, de algo como 1500 calorias (às vezes ate menos), e, graças ao efeito diurético, perda de água, termogenico, e tudo o mais, emagrece.
E acha que dieta é isso: morrer de fome e comer lavagem. Restrição total. Não poder comer o que gosta. "Maldita dieta, quando eu acabar..."claro, porque não vê a hora de voltar a comer. E essa pessoa não entende como tem gente que faz dieta para sempre, porque é uma tortura.
Durante quanto tempo a pessoa vai suportar a tal dieta? duas semanas, com sorte? E quando terminar, com alguns quilinhos a menos, imagina a larica da pessoa!! A fome, o desespero de comer tudo?!
A chance do peso voltar e ainda aumentar é imensa.
Dieta, regime, é péssimo, bom é reeducação alimentar, saber o que é bom para você, o que te faz bem. Ninguém vive de sopa ou frango grelhado com alface para sempre, e nem precisa!Procura a nutricionista, ela vai mostrar o caminho. Não que vá ser fácil, mas não precisa ser horrível.
Pois eu acho que com o exercício físico acontece de forma muito semelhante.
Você sempre foi sedentário, e um dia percebe que não dá mais. E resolve sair correndo. Literalmente.
Duas opções  comuns: 1. compra a revista, que tem lá: do zero aos 21km em 3 meses, ou nem compra e  acorda de manhã e resolver ir correr, porque todo mundo está correndo mesmo. O quanto aguentar. Com o tênis que tiver.  OU: 2. Vai na academia, fala com o instrutor para ter a noção básica, começa caminhando, depois começa a trotar, alternando com a corrida, e descobre que consegue correr 2km, depois 3km. E assim segue.Quando adquire mais confiança, aumenta a velocidade ou a distância. Ou os dois. Sem critério, conforme o humor,  a disposição, ou se tem um amigo que vai correr também.
Ótimo começar. Mas assim como na nutrição, a mudança tem que ser para sempre. É para virar estilo de vida, hábito. Por isso tem que ser feita de forma planejada e por partes, como Jack fazia.
E se for tudo muito difícil, como quando se pula etapas, vai dando uma desanimada. Só de pensar o quanto voce vai ficar cansado depois, dá uma preguiça de começar...ou dói muito, porque o esforço é sempre muito grande, podendo até fazer uma lesão, e aí realmente fica difícil continuar.
Aí que entra o profissional capacitado. O professor, personal, instrutor, aquele com formação em educação física. Vai ouvir você, suas expectativas, seu horário disponível, seus objetivos, fazer uma avaliação física, ver o seu peso (porque faz diferença), e te apresentar uma planilha.
Sempre digo que o corredor deve participar de provas de corrida de rua. Um dos motivos é você ter um objetivo, e a planilha vai ser elaborada para que você o alcance da melhor maneira possível. Isso significa uma evolução, a cada semana, mesmo que às vezes a gente não entenda muito bem como  acontece.Mas até quem tem como objetivo emagrecer e nada mais tem que mudar o estímulo na corrida para continuar a fazer efeito.
Eu adoro o momento em que chega a planilha. Claro que sou meio doida, e preciso muito de rotina, saber o que vou fazer. Alem disso, como já conheço um pouco o meu ritmo, com a planilha posso saber de quanto tempo precisarei para cada treino.Ainda assim, me surpreendo com freqüência.
Gosto de seguir a planilha. Dá segurança. E planilha é igual a dieta: tem que seguir para ter resultado. Vai ter escapada? claro que vai, nem sempre da para fazer 100%, e assim como na dieta tem o dia do lixo, a planilha tem o dia em que dá tudo errado, além do day off. Na corrida, descanso faz parte da planilha de treino, e isso a gente aprende com planilha.
O que não pode é não conseguir cumprir um dia de planilha e achar que a semana está perdida, nada disso. Aquele dia morreu, segue em frente. Sem essa de perdido por um, perdido por mil.
Conheço gente que desistiu de correr porque não sabia o que fazer a cada semana, então corria três vezes por semana, 5km por vez, em 30 minutos. Aí me diz: "não consigo melhorar meu tempo".
Claro. Não espere resultados diferentes fazendo tudo igual. A planilha faz voce mudar o estímulo, porque os treinos são variados. Vai ter treino de velocidade (famosos tiros), tem o longão, tem o progressivo, morro, tudo visando a melhoria do seu condicionamento, e não há tanta monotonia. Mas o mais incrível é você  perceber melhorando o desempenho ao seguir.
Quem está começando, vai certamente se sentir estimulado e mais seguro.Por isso parece que este post é para iniciantes. Mas não é. É justamente para quem já está mais avançado, e confiante da sua capacidade como corredor.
A tentação é muuuito grande. Já me conheço, sei o meu ritmo, conheço (em tese) meus limites, então posso estabelecer meus treinos de corrida. Será mesmo? Não deve ser à toa que existe um curso de ensino superior de educação física, né? eles devem saber mais do que nós...
Sem planilha, você pode se manter empacado em um ritmo ou em uma distância, ou pode lesionar.
No verão, quando você está semi-off, sem objetivos, tudo certo, corridinhas em dias alternados e variando o terreno, sem problemas, desde que não force os limites.
Mas vejo gente com certa experiência fazendo longão de 35km faltando 5 dias para uma maratona. Nããããooooo!!! Fase de polimento não é assim.
E como eu sei?  porque sou metida. Não, sou curiosa. Quando o treinador manda a planilha, gosto de entender o sistema, inclusive a medio prazo, e ele me explica. Depois que ele me explica ainda vou ler para entender melhor. E todos dizem que o longão não pode ser tão próximo da prova, voce não pode estar com fadiga muscular.
Quem lesiona, ao voltar da lesão, precisa mais ainda de uma orientação, para não colocar a recuperação a perder. A gente acha que só uma corridinha do nosso jeito não vai fazer mal, mas não é assim que funciona. Corre um dia não doeu, depois vai de novo, aí já dá para encarar um longo, um morrinho, e aí um dia volta para casa triste e mancando, e mais dez, quinze, trinta dias sem treinar.
Às vezes a planilha te deixa mais solitário, é verdade. Atualmente, não faço nenhum treino em grupo, porque não tem nada compatível, meio triste. Mas não posso simplesmente sair para correr 18km de morro em um domingo que seria off, só para ficar com a galera. Porque isso depois vai me custar caro na semana seguinte de treino. Fora que o Everton vai brigar, vai ter razão, uma tristeza. Posso só esperar o pessoal com a cerveja...
E quando a gente cumpre a planilha, manda o relatório bonitinho..ai que alegria! Sensação dupla de dever cumprido: na hora de correr, e na hora de relatar.
Tudo isso para dizer o seguinte: procure alguém qualificado para montar sua planilha. Não é gasto, é investimento no seu futuro como corredor e atleta em geral. Eu tenho muito claro para mim que quero correr em Boston, conseguindo vaga pelo índice, na categoria 70 anos. Isso requer planejamento...o quero dizer é que pretendo correr sempre, não só até ficar velhinha, mas inclusive quando eu estiver velhinha. Então tenho que seguir um método, para continuar me fazendo feliz. Porque no final, tudo se resume a isso: a corrida como fator de felicidade na minha vida.
E a sua?


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Parcerias

Ai, sumi, eu sei. Muito, muito trabalho. O tempo ficou escasso, virou luxo cumprir a planilha.Escrever acaba ficando para depois (tipo meia noite). Mas assunto temos.
Duas semanas depois, quero falar da prova da Ponta do Papagaio. Formamos um trio eclético: eu, Simone e Taty, proprietária do Salão Taty's Estetic Hair, minha cabelereira, amiga, uma das primeiras pessoas que conheci em Blumenau, porque nadávamos juntas. Ela agora está nas provas multisports de aventura total, mas como já tinhamos feito a Ponta do Papagaio em 2012, a primeira edição, em dupla (sim, aquela em que fomos a única dupla feminina da prova), quando soube que teria que ser um trio feminino, logo pensei nela e a Si concordou. Engraçado porque cada uma de nós corre ou já correu em outras equipes, reforçando que a corrida une.
Tudo muito bom porque a Simone gosta da trilha (já fiz, é linda e punk), eu e a Taty gostamos da praia. 
Infelizmente, a organização da Acorsj ainda é meio amadora. As informações demoram a aparecer no site, erros de português, ninguém sabe de nada, a inscrição é bem cara, e o kit é bem meia boca. Este ano tinha até pacote de lenço umedecido, o que é simpatico mas pouco relacionado ao negócio. Significava, no entanto, que havia patrocinador. Aliás, muitos, o que deveria ter barateado a inscrição.Mas não foi o que aconteceu. O que eles têm que gosto é premiação por categoria.
A entrega do kit foi apenas durante algumas horas do sábado anterior à prova.
O negócio é que a Praia da Pinheira, a Praia do Sonho e a Praia da Guarda são muito lindas. E, como a maioria das provas de praia, o astral é totalmente diferente das provas de asfalto, as pessoas que participam vão com outro espírito, não sei explicar bem, mas a gente chega lá e dá uma alegria. A ideia de correr tendo aquele visual de fundo motiva demais.
A estrutura estava ok, banheiros químicos, e diferentemente da primeira edição, hidratação farta ao longo de todo o percurso, e muitas frutas ao final. Já o isotônico terminou antes do trio concluir...
Ah, uma coisa que curti foi a turma de salva vidas recolhendo os copos de água vazios já ao longo da praia. Curti a iniciativa, bem entendido.
Sorte que a onda de mega calor já tinha acabado, e até choveu nos dias que antecederam a prova. Bom para correr na praia, na trilha nem tanto. Durante o primeiro trecho, o sol apareceu bem timidamente, e quando eu larguei até estava pingando um pouquinho. Mas é claaaaaro que abriu um baita sol no lombo. Não, não passei filtro solar, porque estava nubladaço, nem mormaço tinha antes. E lá veio aquele sol, aquele que precede a chuva. que não veio mais, a Taty também correu no maior calorão, porque a essas alturas ja passava das dez da manhã (horário real, não pelo horário de verão). 
Fomos com espírito for fun. Mesmo. De verdade, podem acreditar. Quando convidei a Taty, inclusive, já sabia que seria assim, porque ela é beeeeemmm mais relax do que eu e a Simone ( e do que a Clenir, e a Giovana, e a Giani...). Ela vai pela diversão e pelo treino. Foi a minha primeira prova do ano, e eu sinceramente não queria ir com obrigação alguma. E, sendo dessa maneira, tudo bem claro para as três, deu muito certo fazer prova em equipe, sem estresse nem cobranças. Chegamos bem, ninguem se matou, todas se divertiram, e de quebra, logo que chegamos, a equipe do Paulo Zulu tambem chegou,  acabamos conversando com ele na hidratação pós-prova e a Taty, que é caruda, pediu para ele tirar foto conosco, ao que ele prontamente atendeu porque é muito simpático.
Enfim, sucesso total!!!
Péssimo mesmo foi o momento de divulgação do resultado. Eles se enrolaram, e mais de uma hora e meia depois de concluirmos (e nós levamos quase três horas para concluir), ainda estavam lá montando o resultado dos que correram sozinhos os 30km, e quando a gente perguntava qual o problema, eles diziam que o sistema não reconheceu a mudança do horário (terminou o de verão naquela noite), então os tempos finais ficaram errados. Era só fazer a adequação em uma hora, não?
Na verdade era só ir embora, mas uma amiga (esperançosa) achava que tínhamos pego pódio, e aí a gente acabou ficando para tirar a dúvida. Não rolou, descobri depois de muito conversar sorridente com o senhorzinho da organização. 
Agora começa  o calendário de provas. E tem muita coisa legal por aí...ai tentação. Este ano, com o volume de trabalho, tenho que reservar mais do final de semana para family, ou seja, tenho que escolher muito bem.
Na Revista  O2 de fevereiro estão aqueles circuitos badalados: corridas da O2,  Circuito das Estações (que agora é Mizuno), provas noturnas, Série Delta, Golden Four, Mountain Do, fora as corridas regionais, tudo com datas, lembrando que este ano, por conta da copa do mundo e das eleições, as datas sofreram alterações, e teremos muitas provas no primeiro semestre, mas quase nada em julho.
É o momento de ler as metas e adequa-las às provas. Ainda não estou pronta para compartilhar com vocês minhas provas do ano porque acho que vou ter que mudar de ideia acerca de algumas. Devo fazer, como próxima, a do dia 15 de março, Corrida do Vale Europeu, 7km em estrada de chão, saindo de Gaspar, de uma cervejaria, a Das Bier. Mas nem me inscrevi, porque depende de alguns fatores.
Sugiro, além do www.corridassc.com.br, que tem link ao lado, dar uma olhadinha no www.sportsrun.com.br, e no facebook tem página da O2 com todas as provas deles, ótimo para planejar. E quem está podendo, vai no www.correrpelomundo.com.br ser feliz.
Ah, os organizadores da Meia Maratona de Balneario Camboriu  (Corre Brasil) também são da meia maratona de Pomerode e circuito Brisas, e montaram um combo  (A O2 também) para inscrição em todas as provas, com kit diferenciado, area de massagem, etc. A moda é fazer agradinhos ao corredor. Acho ótimo.
O calendário da Track and Field este ano está mais enxuto, não tem previsão para Balneário Camboriú, por exemplo. Não foi bom no ano passado, mas eu preferia que eles melhorassem a prova em vez de desistir dela.
Novos desafios, ou aprimoramento dos antigos, exige planejamento e cumprimento de planilha. Estou sofrendo porque a minha tem as três modalidades, mais musculação...tudo bem, hoje, por exemplo, depois de jantar com o Arthur, assistir Nemo (de novo) e coloca-lo para dormir, fui pedalar no rolo, no meio da sala, ar ligado, assistindo The Good Wife. Perfeito? Não. Treino cumprido? Simmmm!!! 
Então vamos seguindo. E você, já conseguiu organizar a rotina de treinos do ano?
Bom carnaval pra todo mundo!!!








segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O dia em que usei amarelo

Quem me conhece um pouco sabe que não uso amarelo. Fico estranha, na verdade amarela mesmo, acho que por causa do meu cabelo, sei lá. Não curto. Então, a expressão "amarelar", para mim, ainda carrega uma conotação ligada à cor propriamente dita. 
Pois no sábado aconteceu. Amarelei. Fiquei em dúvida sobre escrever sobre meu fiasco ou não, mas cheguei à conclusão de que devo compartilhar também as experiências mal sucedidas (ou, no caso, não sucedidas), porque senão parece a vida do facebook de beleza, sucesso, alegria permanentes, e isso, nós sabemos, não existe.
E foi assim: mais uma vez, me inscrevi em uma travessia, agora em Meia Praia, ao lado de Itapema, achando que ia ser uma boa. Paguei, confirmei, e montei o esquema familiar, conseguindo uma carona para ir. até lá.  
Fui até lá, peguei o kit (e a camiseta, regata, é fofa), me arrumei, andei até o ponto da largada...e fugi. Não larguei. 
Voltei andando, e depois correndo (não pela fuga, mas para agilizar, juro), para o local da chegada, peguei minhas coisas, botei o biquini, assisti à chegada dos primeiros colocados, e fui embora. Assim mesmo. Sério? Sério. Como?
Eu confesso que sempre tenho um pé atrás com os horários das largadas das travessias, acho muito tarde. A partir das nove da manhã o mar já começa a movimentar mais, largar nove e meia para que? Fora que já tem mais gente na praia, e, consequentemente, no mar.
Quando cheguei, olhei o mar e achei ele meio crespinho. Não curto. Gosto de estilo lagoa mesmo, confesso. Meu histórico de praia: fui criada no mar calmo, calmíssimo, da praia da Daniela. Não fui acostumada a furar ondas para chegar no fundo, pegar jacaré para voltar para a areia, e minha mãe entrava em pânico quando eu queria entrar no mar de Ipanema, por exemplo, de maneira que eu basicamente me molhava na beirada e voltava para minha canga. Praia Mole? linda de olhar. Joaquina? gelada demais, e eu só entrava quando estava com marolinhas. Basicamente uma cagona.
E a natação nisso tudo? Aprendi a nadar na piscina, igual a todo mundo, e não fui estimulada a nadar no mar como esporte. A ideia era não me afogar no mar, e realmente isso dificilmente aconteceria, especialmente no curto período de tempo que eu passava em mares mais agitados. Meus treinos de natação eram na piscina, e participar de competição não era exatamente estimulado pela família. No mar, eu nadava quando caía do caiaque, quando virávamos um bote emprestado, eu e meus primos, quando precisava ir rapidamente para o fundo encontrar alguém, e só. Nunca surfei, e minha relação com o mar sempre foi de muito respeito.
Voltando ao amarelo, eu olhei aquele mar e comecei a ficar tensa. Vi várias bandeiras vermelhas ao longo da orla, e a organização da travessia informando que a largada seria 1500 metros à frente, quase em Itapema, e o trajeto, uma linha reta no fundo. "Hum, eles também acham que a rebentação não está boa, e que tem correnteza, senão seria um triângulo", pensei eu.
Para completar, perto do momento da largada o organizador, com seu megafone, começou a dar instruções de como entrar na agua, qual lado, por qual lado sair, os cuidados a tomar, e eu pensando:"o que mesmo estou fazendo aqui?". Cheguei a ficar enjoada do estômago, do medo que me deu. Mais do que o medo de não conseguir nem chegar no fundo e na primeira boia para começar a nadar de verdade, o medo de depois ficar travada pensando na chegada. E o medo de voltar de caiaque? já tive sonhos horríveis com isso.
Mas não é só. A natação sempre foi meu lazer, meu relaxamento, minha leveza. Sempre busquei ter uma técnica razoável, uma velocidade decente, mas nada de preocupação com técnicas de performance.
E me vi, ali com aqueles nadadores excelentes que participam de travessias, e me peguei não querendo fazer feio...tsc tsc para mim. 
Meu pensamento é achar que vou ser a ultima!  E daí se eu for? Eles são todos melhores do que eu, realmente. Mas se a ideia é treinar no mar, me divertir, e me acostumar com a muvuca de natação para me preparar para provas de triathlon, qual o problema em ser lenta e não fazer um bom tempo final? 
Não tem nenhum problema. E é isso que fico repetindo para mim mesma, sem nenhum sucesso até agora. 
Na hora mesmo só pensava que não e para mim, que meu negócio é me manter na minha zona de conforto, que é a corrida, mesmo quando não é boa.
Descobri, nessa minha, digamos, desistência, que preciso treinar várias coisas, mas, especialmente, minha mente. Fui traída por ela.  Eu obviamente consigo nadar 1500 metros, considerando que nas aulas faço 1800, no minimo. Treinei o mês de janeiro todo, ainda que na Daniela, quase todos os dias, indo muuuito para o fundo, e inclusive em dias de correnteza mais forte, justamente para ficar mais segura. Mas a ideia da competição, e de me sair muito mal, me abalou, o que, juntando com o medo da rebentação e do mar em si, acabaram com qualquer chance de nadar naquele dia lindo de sol.
Em resumo, eu não soube brincar também na natação, e isso me entristeceu. Fiquei pensando que treino por treino posso fazer na Daniela mesmo, sem gastar dinheiro com inscrição. E que para melhorar técnica só na aula mesmo.
E é o que farei. Não sei ainda para que, se pretendo ser mais competitiva também na natação (ai, que chata, né?), ou se apenas quero ter certeza de que farei sempre o meu  melhor nessas travessias. E, finalmente, se eu voltar a me inscrever, não tenho nenhuma razão para fazê-lo em provas de mar mais agitado, já que em provas de triathlon o mar geralmente é calmo, até porque a largada é super cedo. 
Meu objetivo é perder a aflição de nadar no meio de um monte de gente me empurrando, jogando água, e não me cansar demais nas largadas, pulando ondas e correndo como foca atrapalhada até começar a nadar. Geralmente eu já começo a nadar sem fôlego, e pelo nervosismo de ser uma prova, começo mal, e só vou relaxar depois de uns 500m, quando a respiração encaixa, e os movimentos também. 
Claro que fiquei frustrada com o que aconteceu, e me senti meio idiota pagando a inscrição, fora o mico.
Como tudo, é um aprendizado. Vou ver o que consigo extrair disso e como posso melhorar. Mas até lá, o negócio é melhorar a técnica e manter a competitividade na corrida, nem que para isso eu não me inscreva em travessias...ate aprender. E enquanto isso, treinar o resto. Boa semana de treinos!!