sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Existe o dia perfeito?

Saudades de escrever, estou com vários assuntos atrasados, tem prova feminina, tem cerene...Mas vou falar mesmo da Maratona de Santa Catarina hoje. Não, não fiz a maratona, e sinceramente, aquele trajeto não me apetece muito para 42km (vai perguntar se algum apetece? ainda estou pensando). Uma coisa é correr em casa, ou onde você costuma treinar sempre que pode, e adora, mas fazer o trecho para completar 42km...no, thanks.
Aliás, e isso é um parênteses, quando a gente treina bastante, começa a faltar percurso. Olha que, como boa virginiana, gosto de ter a rotina até na corrida, quase um toc, como sempre começar do mesmo lugar e ir na mesma direção. Mas se você tem que correr todos os dias, como nas últimas duas semanas (ai, Everton, all my love for you...#sqn), variar é questão de sobrevivência, porque a gente já sabe a quilometragem de cada caminho, de modo que o tempo não passa se você estiver sozinho, mesmo adorando correr. Na esteira, que já não é ótimo, pelo menos eu vejo TV. Ontem assisti Wolverine, e quando percebi estava aumentando a velocidade!
Pensando nisso, decidi voltar a ouvir música enquanto corro. Em qualquer corrida, quase em qualquer treino que seja na rua, quando estou sozinha. Já ouvi minhas passadas, pensei sobre minha corrida, tudo aquilo que defendi, já ouvi meu corpo, blablabla. Agora quero ouvir a Florence gritando Shake it Out para terminar 18km!
Retomando o assunto, fui fazer, naturalmente, os 10km na Maratona. Pontos positivos da prova em termos de organização: Latin Sports é profissional, de maneira que você realmente tem hidratação nos pontos prometidos, não acaba a agua, o isotônico no final é bom (não cito marca, mas não é genérico), e a largada é separada, eeeeee!!! Claro que quem vai correr mais de 42k tem que largar antes!! Acho ótimo. Então, 10km e 5km largavam uma hora depois do povo da maratona. O que significa que a gente foi, voltou, pegou medalha, hidratou, e o povo continuava correndo...hahaha.
Ponto negativo: para mim, só a marcação do percurso. Sumiu. Só tinha placa até metade, depois ficaram só as da maratona, que inclusive podiam confundir o pessoal por causa do trecho, que era o inicial. Nem todo mundo tem GPS, e nem sempre dá bem certinho, principalmente porque no túnel não tem sinal.
Enfim. Dia gostoso, e, acreditem, sem vento. Muito estranho. Floripa sem vento. Não tinha sol no início (nem no fim dos 10km), e a temperatura estava ideal, algo em torno de 18 graus.Super ultra mega power, como dizemos aqui em casa.
Eu estou vindo de uma seqüência de treinos intensos no conjunto, porque correr todos os dias tem seu preço. Tanto que terminei a prova e ainda tinha que correr 2km para completar o treino, já que não era prova-alvo. Inesperadamente, consegui correr todos os dias nas duas últimas semanas, e nesta que estamos, corri a quilometragem da planilha, certinha, estou orgulhosa. No início achava que seria impossível, mas descobri que chega um ponto em que as pernas vão, praticamente sozinhas, e a gente corre, corre, e quando percebe já foi tudo.E nem morreu.
Mas prova é prova, e lá a gente se dedica mais, vem a adrenalina. Pois bem, larguei mal. Sei lá o que deu, larguei bem na frente, não costurei ninguém, mas não quis largar forte, mudar um pouco a estratégia, e me perdi totalmente. Não recuperei mais. Ridículo. Gosto do percurso, acho correr no tunel super divertido, mas só no final eu estava confiante e aumentei a velocidade de verdade, mas não adiantava mais, e terminei em 50' e alguma coisa, porque na verdade deram 50'50 mas foram 10km 300m, ou seja, teria um pequeno desconto. Péssimo, fazer os 10km em menos de 50' é sempre minha meta. Só que, como disse o coach, estou migrando, em fase de transição, e as provas de 10km não são mais exatamente minha prioridade, ainda mais essa, no meio da fase de treinos puxados. Era pela alegria. 
Confesso que assim que terminei não tinha alegria nenhuma, ainda bem que meus amigos de corrida não estavam lá, porque eu estava com a cara do demonio que eles conhecem e que eu me esforcei muito para tirar.  
Fiquei pensando que realmente poderia ter ido melhor considerando meus treinos em geral, e que me faltou alguma coisa que não consegui identificar. No final, com o retorno correndo até a casa da minha mãe, foram 13,5km, e foi bom, sim. Como treino. Ainda fiquei em segundo lugar na categoria, não é para reclamar.
E depois eu fui vendo os relatos dos maratonistas. Gente muito boa quebrou. Pura e simplesmente. Quase ninguém que conheço fez seu melhor tempo, ou o tempo que gostaria de fazer, salvo quem estreou na distância, como a Fe Link, que fez uma bela prova e ainda terminou como começou: linda! Ou quem não treinou quase nada e ainda saiu e bebeu nos dias anteriores à prova, mas esse é caso a ser estudado pela ciência.
E ninguém soube explicar o que aconteceu, porque, de fato, o dia parecia perfeito para quebrar recordes, marcas, tempos, ser um sucesso e se superar.
O que me fez pensar que muitas pessoas são melhores e se superam na adversidade. Que é exatamente quando não criam expectativa. Na prova do Cerene, eram 12km com subidas, descidas, cascalho, estrada de chao soltando pedrinhas (odeeeeeio), um frio do cão e fiz um tempo melhor do que nessa prova que tinha condições ideais. Só que, realmente, eu não esperava naaada da prova. E sempre me cobro em provas de 10km, que eram minha especialidade. Difícil mudar, sempre me surpreendo fazendo cálculos para 10km mesmo quando o treino não tem nada a ver.
Na adversidade, a gente se esforça e também se contenta mais facilmente com o resultado. E pensa: "imagina se estivesse bom", ou seja, com as condições que consideramos melhores. Ano passado, na meia do Bela Vista, estava chovendo fininho e frio, uma coisa muito ruim, e fiz meu melhor tempo, sobrando.
Será que, no fundo, muitos de nós estamos mesmo é na turma do "quanto pior, melhor"?
Vamos em frente, torcendo para um treino com vitamina D no final de semana!!!