sexta-feira, 30 de outubro de 2015

I ran Amsterdam 2015

Legal né? Super falo holandês, vocês não? Essa era a frase nos itens comemorativos das provas de corrida de Amsterdam este ano. O tema era Calling the Super Heros! em inglês mesmo, uma graça. 
Tudo isso para contar que sim, fui correr em Amsterdam, como deu para perceber no facebook, instagram, e snapshat da Debs Aquino (eu não tenho, não vi, mas me disseram que apareci à beça).
Bom, vamos pelo começo. Primeiro, esclareço que os meus posts (acho que vou fazer dois) vão ser uma visão beeem pessoal (como sempre) da viagem e da prova, e do que envolveu tudo isso para mim, inclusive suplementação e alimentação. Para ter uma noção de Amsterdam como cidade, passeios, lugares, recomendo o Ducs (www.ducsamsterdam.net, ótimo blog sobre a cidade de alguém que foi morar lá) e o da Debs Aquino (www.blogdadebs.com.br), que foi com espírito mais turistico do que eu e já fez dois posts ótimos. Esse primeiro dos meus é mais focado na prova. 
Então. A ideia não foi minha, foi da Simone, que queria correr sua primeira maratona, o que inicialmente era segredo, e como pessoa esperta que é, queria fazer isso em outro país, numa prova legal, sem pressão, com alegria.
Me convidou, pensei um pouco, menos do que deveria, e topei, mas no meu caso, para correr a meia maratona. Não tinha pretensões de fazer uma meia este ano, porque recuperei da lesão, voltei a treinar com eficiência, mudei estilo  alimentar (porque paleo não é dieta), muitas adaptações. Mas o convite era muito bom, a gente adora viajar juntas, e viajar para correr com amiga é tudo de bom, recomendo muuuuitoooo. E meia maratona exige um treino que é fortinho, mas não horrível, é gostoso. 
Iniciei o ciclo de treinamento, já avisando para o Everton que não tinha muito tempo para longos, de modo que trabalhamos mais intensidade mesmo do que volume. Inicialmente eu disse para ele que ia fazer a meia de Floripa, para manter o sigilo da Si. 
No meio do treinamento, eu fiz o GP20 em Balneário Camboriú, uma prova de corrida só de trilha, areia, morro, toda punk, que era para ser em dupla (o convite foi esse, da querida Monica), mas em cima da hora acabei sozinha. A parte boa foi que fiz os 20km bem duros com tranquilidade que não esperava, e no dia seguinte estava zerada. Era o que eu precisava para ter confiança para os 21km.
Viajar para correr tem diferenças das viagens normais. Por isso é ótimo ir com alguém que também vai correr. Eu recomendo que a pessoa vá poucos dias antes da prova, só o suficiente para desinchar da viagem (se for como eu, que retém todo o líquido do universo quando está a bordo) e dar aquela reconhecida no local. E ter mais dias depois. Porque passear antes da prova é meio tenso. A gente tem medo de se cansar, de se machucar, de ficar doente, de virar o pé saindo do metrô (essa sou eu, pelo menos), de alguma coisa dar errado. Mantém a dieta, não bebe, faz questão de dormir o suficiente...tudo lindo, como tem que ser, mas que em viagens de lazer a gente não faz. Porque escancara.
Nós chegamos lá com chuva e frio e fomos embora com chuva e frio. No meio tivemos dias com menos chuva e menos frio, e um dia inteirinho sem chuva, que deu até um sol por dez minutos. Mas em geral, eu considero o clima de Amsterdam péssimo kkkk. 
A cidade é linda, organizada, arborizada, civilizada, democrática. Os meios de transporte público são excelentes e fáceis. Todo mundo fala inglês. Todo mundo mesmo. Ainda bem, porque só eles falam holandês. E não, não dá para entender. Nada. Nadica.
Eu pretendia, naturalmente, circular de bike, igual a todos que moram lá. Mas sério, com chuva e frio, eu não me animei, nem a Simone. E eles continuavam pedalando como se não fosse nada, com o guarda chuva numa mão, celular na outra, roupas leves, afinal era outono...
Mais uma vez, quando iniciaram minhas férias, eu fiquei doente. Fico doente pouquíssimas vezes por ano. E é sempre sinusite. E geralmente quando estou em férias, parece que o corpo se permite. Assim, eu já viajei um pouco mal, mas sob controle. 
Soubemos pelo blog que a Deborah Aquino ia para a mesma prova, e nós, que já a seguimos faz tempo, e somos tipo fãs, nos mexemos para conhecê-la. Falei com o querido do Teco Mendes (coach paleo top das galáxias) e ele me deu o contato, e ela foi super receptiva. Enfim, nos demos muito bem. Até porque impossível ser diferente.  Ela é tudo o que a gente imagina e muito mais, nos divertimos horrores, passamos vários dias juntas as três, foi ótimo, sempre rindo muito. Ela inspira quem está junto permanentemente. Bom demais. E é meio tola, tipo eu, que fala coisas sem sentido, ri sozinha. E adora pagar mico, aqueles que morro de vergonha. 
Eu e Simone ficamos em um hotel meio afastado (fomos pela Kamel, era um dos hotéis indicados), então todos os dias íamos de metrô para o centro da cidade, parando na Centraal Station (não escrevi errado, é assim). O hotel era muito bom, e a estação ao lado, então isso não foi um problema. 
Conforme planilha, tínhamos que fazer aquele trote básico de reconhecimento e para acordar o corpo, e fizemos em volta do hotel mesmo. Frio, com garoa. Nossa. Eu sempre tenho medo desses trotes, porque se dão errado, fico insegura para a prova. Mas concluí que parecia Floripa com chuva, e já corri em Floripa com chuva E vento. Pelo menos a paisagem era nova.
Decidir o que vestir nessas provas é uma tarefa árdua. Você tem que se conhecer para não errar. Já errei antes, mas aprendi muito desde a meia de NY, minha primeira (na qual eu corri de short, bem confiante, com 2° com ventinho de Manhatan, hahahaha).
Eu não gosto de correr de calça. Mesmo de compressão, como tenho as minha coxas com bastante tecido adiposo, acabo com calor. Mas já usei, em Atlantic City estava zero grau, não dava para pensar muito. Prefiro ir de bermuda de compressão quando está frio, e uma boa meia, também de compressão, ainda mais meia maratona, que não pode ter desconforto. Embora não costume estrear novidades em dia de prova, como já conhecia o produto, fui com a meia de compressão da CEP que tinha comprado na expo, lindaaaaa, e personalizada. Valeu a pena. Na parte de cima, queria uma proteção e usei uma bandana para proteger o pescoço por causa da sinusite, uma camiseta de manga quase curta embaixo, a regata das sublimáticas por cima (sim, sublimáticas em Amsterdam), e o manguito de lã. Ainda estava com frio, e compramos no dia anterior moletom baratinho para doação. Gorro de tecido que tem buraco para o rabo de cavalo, para proteger os ouvidos. 
Estou na fase que penduricalhos me perturbam, então decidi não ir com cinto de hidratação. No GP 20, fui com o cinto que carregava duas garrafinhas e comidinhas. Terminei com uma garrafinha num bolso da bermuda e o outro no top (meu novo lugar favorito), e o cinto vazio. Ridículo.
Assim, já escolhi a bermuda com bolsos fundos para caber garrafinha e comida, uma garrafinha já largou no top acoplada entre os seios, e o coolbelt na cintura, porque precisava levar o celular, algum dinheiro e o cartão do transporte. Ainda assim, um bocado de bugigangas. Claro, poderia ser menos se eu suplementasse como antes, já que tinha água e isotônico por todo o percurso, mas eu agora uso outras coisas (do próximo post).
Isso e muito produto para não assar, porque agora eu asso muito na corrida.
A Simone e a Debs largavam de manhã, horário da maratona, e eu no início da tarde. Minha intenção era ir ver a largada delas, dar apoio, mas achamos melhor eu ficar no hotel por causa da minha condição de saúde, para não abusar. Eu tomei um mega café da manhã, e pelas onze horas saí de metrô para a minha largada, que era em local diferente também.
Eu largava em uma rua próxima ao estádio olímpico, e elas largaram do próprio, o que deve ser mais emocionante. Eu cheguei cedo demais, estava preocupada, não tinha NINGUÉM no curral ainda, nem os voluntários.
Fiquei sentada na escada de um prédio, e estava chovendo fininho...não quis tomar muita água para não precisar ir logo ao banheiro, e fiquei ali literalmente pensando na vida. Revendo planejamento da prova, que tive que adequar ao meu estado de entupimento, surdez e tosse. Básico. Fui para Amesterdam para fazer em 1h50min bem, fui dormir antes da prova pensando em terminar, mas quando cheguei lá, vi que menos de 2 horas daria tranquilo.
Quando faltava meia hora, comi uma coisinha e abriu o curral, com os velhinhos lá, fofíssimos, e um banheiro esperto. Estava chovendo ainda, só aquela fininha de molhar bobo, mas daí a adrenalina já estava subindo.
Percebi o seguinte: não senti solidão. Estava sozinha, bem sozinha, e sentia solitude, mas não solidão. Me senti bem em estar ali sozinha. Como foi em NY. No Rio foi bem diferente, eu me senti solitária. Talvez porque a prova era imensa e no Brasil, e tinha muita turma, e cariocas são barulhentos, era tanta foto, tanto "uhuuu", sei lá, senti falta de ter amigos correndo comigo, como tinha na meia do Bela Vista ( vantagem real de correr essa prova, além de baixar o tempo), gente que falasse meu nome como nas provas de Floripa, que SEMPRE tem gente conhecida,  e me senti deslocada. Essa é a palavra. E acho que isso definiu toda a prova. 
Em Amsterdam isso não aconteceu. Me senti no lugar certo, na hora certa, para fazer o que adoro. Pensamentos bonssssss! Lembrava do pessoal do Mental Support Team, que é mais para a maratona que tem os "muros", mas vale para todo mundo (vide blog da Debs, ela explica bem sobre eles), porque eles ensinam uns mantras para a gente não sofrer quando está quase sofrendo numa prova mais longa. E para mim o mais marcante foi o de sorrir. Eu sorrio, mesmo sofrendo, porque sou tola. E  o nosso amigo do mental support disse que o sorriso manda para o cérebro a mensagem de que algo bom aconteceu, mesmo que não tenha acontecido. Mas aí ativa no cérebro uma certa alegria, que volta para o sorriso. Sou eu!! a Polyana em pessoa! 
Eu pensava o seguinte: não posso parar de correr, porque se eu parar, vou esfriar e começar a tossir, e aí já era. E assim eu fui, tentando manter o planejamento da prova, dividindo em três partes de 7km, mantendo pace. Primeiros 7km foram bem, a largada foi boa, os segundos é que eu dei uma reduzida, tinha muita afunilada, o percurso não era tão maravilhoso. Plano e até com declives, mas tinha umas divisões, uns funis, e às vezes até pouco espaço para correr. Nos postos de hidratação eles não conseguiram evitar a muvuca. De resto, a organização era ótima, todos felizes, dando informações antes, torcida na rua, Europa e EUA são assim, ninguém acha que prova de rua é atraso de vida para os cidadãos, e todo mundo torce. 
E justamente na segunda parte da prova o percurso era mais bucólico, casinhas, árvores, vaquinhas...não sou tão fã, como sabem. Ali dei uma brecada no desempenho até lembrar dos mantras, contar gente com short vermelho, e tal. 
Depois voltava para a cidade mesmo, o parque, as ruas, área central, e ali recuperei o pace. Tentei acompanhar o pacer do 1h50min, mas não deu, ele não esperou no posto de hidratação, sequer reduziu, eu não tinha gás para dar um tiro até ele. 
Quando faltava 1km, vi que ia terminar em menos de 2horas, que estava ótimo. Mas quando passei na placa de que faltavam 500m (e com isso a prova teve aproximadamente 21km e 350min), olhei no tomtom, e percebi que dava para terminar em menos de 1h55min. Quem corre sabe que isso não é bobagem. 
A psicopata entrou em ação. Sim, porque até então eu estava naquele momento pré-chegada, de começar a me emocionar, achar tudo lindo, olhar para o pessoal, e tal. Dali em diante, eu passei a correr como louca, sprint final no meio de muita gente, foco no estádio olímpico, onde era  a chegada, mas não logo na entrada, tinha que dar uma volta interminável, e eu num pace de morte para fechar, nem via nada (some people have real problems). Mas cheguei, com o honroso tempo de 1h54'29"!! Em resumo, só relaxei depois da chegada mesmo. Só que agora eu já sei que sou assim, não fiquei triste, não acho que perdi nada, prefiro assim. Depois tossi por dez minutos sem parar, uma coisa linda de se ver...Missão super cumprida.
A Simone foi um sucesso, tenho que dizer. Pessoa focada, disciplinada, e corredora phodastica. É uma maratonista sub 4h. Muito orgulho. A Debs também, louca que tinha feito a maratona de Chicago uma semana antes, mas elas estavam com muito volume de treinamento, tinha que dar certo mesmo. Acho o máximo ter amigas assim.
Uma coisa que achei linda eram maridos/namorados esperando as esposas/namoradas/namorados com flores na saída do estádio. Super orgulhosos, famílias inteiras esperando o corredor, uma cultura totalmente diferente da nossa. Minha mãe, mais uma vez, me chamou de louca porque eu fui correr em Amsterdam. E eu não dou bola, porque na verdade sei que ela realmente não compreende. Não faz parte dela. E de mais um monte de gente. 
Devo dizer que achei que lá o foco era realmente a maratona. Quem fez a meia não se sentia lá muito prestigiado, mas isso não me deu vontade de correr uma maratona ainda. Vi o treino da Si, acompanhei, e sei que não é que não esteja pronta, não tenho paciência. Quem sabe isso mude um dia?
Eu gostei da prova, padrão europeu top, mas está feita. Além de não gostar de repetir meia maratona, ainda mais no exterior, achei muito bucólica a paisagem para mim. Preciso de mais vida, como NY e Buenos Aires tinham. Está feita, fiquei feliz com o resultado, que foi além das expectativas adaptadas. 
Cumpriu seu papel, de me deixar feliz e me fazer querer melhorar, e fazer outra, ou seja, a gente volta pensando na próxima. Fiquei pensando em outros lugares com boas meias maratonas, e aceito sugestões (mais baratuxas para o momento). 
Ai, ficou grande o post. Beijos!!






quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Reinvenções do novo ano

Então pessoas, voltei!! A regularidade realmente está deixando a desejar, e nem é por falta de assunto, quem me conhece sabe que sempre tenho assunto, só falta tempo...mas então. O tempo. Que mudanças incríveis ele produz na vida da gente.
Não sei se já disse isso, mas eu, como virginiana que sou, sou apegada a rotinas e hábitos. Mas não acho isso bom, então luto. Bravamente. E promovo mudanças propositais, às vezes nem tão desejadas, mas que considero importantes, até que as deseje e eu as incorpore. Em outras vezes, as mudanças aparecem para mim, como boas ideias, intuitivamente. E sigo.
Há alguns meses, encontrei com uma amiga de colégio que encontro pouquíssimo hoje em dia, mas de quem gosto muito. Éramos também vizinhas e revezávamos carona de manhã. Ela era super ótima em todos os esportes: handebol, volei, basquete, corrida, tudo aquilo que se fazia na educação física do colégio e nas olimpíadas que ocorriam uma vez por ano. Aliás, várias amigas eram assim.  Pois nos encontramos e ela veio  me dizer como estava espantada de eu ter me tornado uma corredora tão empolgada. Claro que ela estava muito surpresa, porque por toda minha vida escolar eu odiei os esportes e a educação física! Sim, eu só gostava de fazer natação. O mais solitário dos esportes, no meu sentir, porque não dá para fazer amigos nadando. Ou nada, ou conversa. E eu não gostava de competir, só de ouvir o silencio das braçadas e pernadas. 
Eu tinha uma determinada média para tirar todos os bimestres (não a média do colégio, a média do meu pai, beeeem superior), e educação física me atrapalhava, porque não tirava mais do que 8.
Eu e minha amiga Bea fugíamos. Tínhamos cólica muitos dias do mês. Fazíamos tudo muito mal feito, e com isso ninguém, nunca, nos escolhia para time algum. Eramos o fim. Quando nada mais sobrava. Hahahaha. Tudo bem...a gente superou isso. Em compensação, conheço muita gente que fazia todos os esportes e agora está, no mínimo, muito acima do peso e sedentário, quase irreconhecível. Gastaram a energia toda, parece. 
Mas eu sempre gostei de fazer exercícios. Percebam, é diferente esporte de exercício. Eu dancei balé quando criança, nadava, e depois de adulta logo fui fazer aula de localizada, até descobrir a musculação. E adorei, como ainda adoro (deve soar estranho). Quando eu era advogada, professora, coordenadora do curso de direito da Unisul, e fazia mestrado, eu realmente não tinha muito tempo para exercícios físicos. Era tempo de plantar. Mas eu passei a encarar como um compromisso, e é o que eu digo para as pessoas fazerem, Quando a gente quer mesmo, ou ao menos percebe a importância, dá um jeito. Consegui um personal em uma sala no prédio do escritório. Eu descia, fazia a aula, tomava banho sem lavar o cabelo, porque na época eu não suava mesmo, e voltava a trabalhar, nos horários mais estranhos. Voltava fazendo cara de quem tinha vindo de uma reunião importantíssima. Porque era assim que eu encarava. 
E aqui estou eu. Uns tantos anos depois, apaixonada pela corrida, carregando quem me permitir (ou deixar um espacinho) para esse vício delicioso. Quando eu comecei a estudar para concurso, passei a correr efetivamente, era uma forma de relaxar. E desde que sou juíza, a corrida tira o peso dos meus ombros. 
E dentro da própria corrida, também são várias as fases, que fui tentando passar para quem tem tido paciência para ler o bloguinho...
A gente vai arrumando o tempo conforme as prioridades. Hoje sei que triathlon, por ora, não dá para mim. Eu queria querer, mas não dá. É muito investimento, de dinheiro e de tempo. Passar uma manhã de sábado pedalando atualmente não é possível para mim, é tempo meu e do meu filho. Tempo dele que não volta, o que eu perder agora, já era. 
Correr uma hora é uma coisa, volto ainda com ele dormindo, mas pedalar quatro horas...A natação virou meu lazer novamente, meu relaxamento, a musculação minha segurança e a corrida minha alegria, aquela parte de mim que é só minha, meu momento. Comecei o pilates, coitada da Marcela, a professora (que corre, muuuuuuito. Senão eu não estaria lá). Estou tentando  pilatear com alegria, e sempre me sinto melhor depois, Mas durante, nossa, que travação. 
Consigo me virar para compatibilizar isso com meu trabalho, que sustenta essa alegria toda, casa e família. Sem reclamar, porque reclamar é chato, principalmente quando não se tem motivo. Tem dias que a música do filme Missão Impossível fica na minha mente quando penso em tudo o que quero fazer, é engraçado. 
Depois da lesão, passei a ser mais grata por poder correr. Cada treino virou motivo de muita celebração. Agora já estou em outra fase, passou o tempo, e já quero voltar a ser a corredora que eu era. Tentei organizar melhor as provas, e saber diferenciar de fato as de competição e as de alegria.
Provas que criam laços de amizade verdadeira, como Volta à Ilha, valem por si e pelos preparativos, como para uma grande festa, e o resultado final não é realmente o que importa. Diferente de 10km em asfalto, e de 8km na areia incluindo dunas. Cada conquista tem seu sabor especial, e escolher o próximo desafio também. O sofrimento dos treinos e das provas faz parte, a preguiça de vez em quando também, mas não pode sofrer por algo que escolheu fazer. Por isso digo que o triathlon não me serve agora. 
Agora quero ir de bike para o trabalho com o Arthur na cadeirinha, vendo o mar, sentindo o vento. A bike, portanto, virou meio de transporte. E vez ou outra para soltar as pernas no rolo, com a speed, tadinha, meio abandonadinha.
Maratona? não, obrigada. Continuo sem vontade. Se um dia tiver, penso no assunto. Até lá, meia maratona é de bom tamanho, quando possível. Prova de 10km é tudo de bom. Dá para fazer duas por mes, se quiser e puder pagar, sem se acabar. E tem o clima de prova do mesmo jeito. 
Vejo meninas de vinte e poucos anos que estão treinando bastante, se empenhando, e elas terão o auge, provavelmente, com trinta, quando eu comecei a levar a sério a corrida. Assim sendo, comparar é uma grande roubada. Com 25, eu tinha outras prioridades, e não me arrependo. Se não tivesse feito o que fiz, provavelmente não estaria hoje morando em Balneário Camboriú e correndo no morro da rainha. Tempo de alguma colheita...Assim como vejo mulheres incríveis, como a Erika, juíza em São Paulo, a Josi, de Floripa, que conseguem se desdobrar ainda mais, e se destacam no triathlon, com filhos pequenos, minhas ídolas. Simone, minha sis, que se vira em vinte para dar conta de tudo, com sua super organização. Todas com mais de trinta (digamos assim), e que começaram no esporte (a sério) mais tarde do que o habitual. Acho que temos a disciplina, adquirida especialmente por quem tem pouco tempo, a nosso favor. E muita determinação.
Ah, e a Rita, que fez 50 anos? Amiga querida, passa por cima do tempo sem a menor cerimônia! Poderosa, e ensinando como ser fodástica sempre. Tenho muito a aprender com ela. 
Este ano, voltando à ativa, até agora corri mais na praia do que no asfalto, e fiz provas muito legais, mas dosei o suficiente para não me acabar. Ainda é agosto. Me sinto melhorando a cada uma delas, mais segura, e estou mudando o modelo alimentar também (assunto para outro dia, com tempo...). Péricles voltou a correr, muito bom, fico muito feliz quando ele corre (e gosta). 
Fazer aniversário não é algo que eu adore, tenho cisma, mas acho que me lembra que o tempo passa, que pessoas que amo já se foram, que não tenho tempo para todo mundo que gosto, para tudo o que quero fazer. Mas é bom para lembrar das prioridades. Daquilo que importa. Daqueles que importam, que precisam. Lembrar que a vida é boa.  E continuar a plantar. Outras mudas. Espero ter muito o que plantar ainda e poder colher. Ontem tanta gente tirou tempo para escrever uma mensagem para mim, mandar whatts, ligar...bom demais. A do meu pai e a do Péricles são top, eles são meus amores mesmo.
Viram quantas vezes a palavra tempo aparece nesse texto? Porque é determinante para nossas escolhas, e eu digo que é um artigo de luxo, um bem precioso. O maior luxo da nossa era é ter tempo. Não desperdicem! Beijos, e logo eu volto a falar das provas dos últimos meses!









sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sublimática Volta à Ilha

Já penso em escrever sobre nossa Volta  à Ilha desde muito antes da prova acontecer. Agora que já passou, tenho até dificuldade, porque me emociono quando lembro de vários eventos na nossa trajetória, e de tudo o que aprendemos.
Claro que muita gente teve dificuldades para a prova, cada equipe tem sua história, e aqui está a nossa. Sem mimimi, a vida como ela é.
Desde 2012 estamos alimentando nosso sonho de formar uma equipe feminina, de preferência de competição. Quase todo mundo que lê o blog deve saber, mas  importante lembrar que a Volta à Ilha  não é uma prova exatamente como as outras. Isso porque, de início, não basta se inscrever. Na verdade, você não pode se inscrever. É em equipe, necessariamente (no mínimo 2), para correr 140km em Floripa, contornando a ilha, ou seja, no melhor cenário possível. Isso atrai muuuuitos interessados, certo? Ah,  você deve conquistar a vaga da sua equipe. Como? Vencendo outras provas organizadas pela Ecofloripa. Ou mediante sorteio de vagas, o que não é tão emocionante (igualmente ótimo, por outro lado). Então, é mérito ou sorte. Simples assim.
Em 2012 corremos a maratona express, uma maratona em equipe, correndo cada uma séries de 1km em rodízio. Um horror, devo ter falado dela (não clique aqui, não é um link). Mas, ficamos em segundo lugar, e isso nos garantiu uma vaga, que conseguimos que fosse feminina, e com a formação que desejássemos, para 2013. Aconteceram imprevistos, lesões, baixas, e no final tínhamos uma corredora e menos, não tínhamos reserva (na ocasião não sabíamos que isso era possível  - amadorismo nosso, confiamos no coordenador da nossa equipe, que não ia correr conosco), e a Clenir - top master blaster corredora nata - teve que dobrar trechos, foi bem puxado. Eu fiquei doente na semana que antecedeu a prova e corri tossindo, com sinusite, ridículo. Enfim, as coisas não saíram, nem de longe, como planejamos. Faz parte, bola para frente.
Em 2014 não corremos a prova. Mas a vontade de correr Volta à Ilha nunca passa. E em 2014, eis que a Giovana, doidinha linda, correu sozinha o Desafrio em Urubici, 52km de loucura na subida do morro da igreja e descida, com trilhas. E ganhou na sua categoria, conquistando a vaga. Muita felicidade, mas a vaga era dela, para fazer como quisesse. Só que ela não é assim. Gio é generosa, amiga, parceira. E logo conversou com a equipe "original" para montarmos a nossa, que incluía a Simone (lesionada na outra prova) e mais a Giani, que correu a maratona express conosco. Parecia que ia dar tudo certo dessa vez, faríamos um planejamento que funcionaria. Amanda, Grazi, eu, Rita, Simone, Clenir, Lilian, Giani, Giovana.
Começamos a fazer reuniões da equipe, para conversar sobre a prova, e nos aproximarmos mais, nem todas eram amigas próximas, e sim mulheres com muita, muita vontade de correr com boas companheiras, que fossem competitivas na medida certa, ou seja, aquele tipo  que não estraga a amizade nem a diversão.  Rapidamente, a prova virou desculpa para a gente se encontrar e ser feliz.
E adoramos um improviso. Com emoção é melhor hahahaha.
Alguns meses depois de montar a equipe que parecia quase perfeita, novidade: Giovana engravidou. Nossa, quanta emoção, e em seguida: ops, e agora? Na reunião com o anúncio da gravidez (descoberta depois da Gio correr Mountain Do em dupla, e a meia maratona de Pomerode), já tínhamos que pensar em nomes. Era a Gio que decidia, mas mais uma vez ela ouviu o grupo, e chegamos à Karina. Eu a conhecia muito pouco, mas amiga da minha amiga, sabe como é, gente boa provavelmente. E como! Alto astral, pronta para tudo! Convite feito, convite não aceito de cara. Ai que medo, ela ficou pensando, pensando...mas somos irresistíveis, eu acho.
Algum tempo depois, outra baixa, Giani nos deixou por motivos particulares. Tudo bem, ainda dá tempo de pensar em alguém. Dessa vez eu e a Simone (mais ela) tínhamos o nome: Bruna Lenzi. Guerreira, top das galáxias que faz ultramaratona com menos de trinta anos de idade e cabelo de Pocahontas. Fez Corupá, 80km, por exemplo. E ela, junto com a Si e a Grazi, tinham corrido Volta à Ilha de São Francisco em trio, uma coisa linda. Concluímos que a Bruna tinha tudo a ver conosco, e tem mesmo!
Lesionei em outubro, fiquei sem correr até final de dezembro. Nada como ter um objetivo: precisava recuperar até volta à ilha.
Amanda não tinha  voltado aos treinos "sérios" ainda, já não tinha tanto tempo, mas foi vencendo, dia após dia, e com filha pequena, sabemos que não é fácil. Você tem que decidir correr quando poderia descansar, finalmente. E eu sempre soube que na hora certa, ela despertaria.
Mais encontros, vinho, comida de maromba, amigo secreto da onça no Natal, risadas, risadas, risadas. Gio planejando tudo, porque continuava coordenadora da equipe e seria a motorista. A essas alturas, a inscrição próxima, tínhamos que começar a fechar os trechos.
E algum tempo depois, nova baixa: Lilian saiu da equipe, não estava feliz treinando corrida. E foi muito bom que ela tenha percebido isso a tempo, porque volta à ilha sem alegria, não dá. É muito todo mundo junto ao mesmo tempo agora.
E Giovana fez o anuncio: não chamaríamos ninguém, éramos 8 e ela seria a corredora reserva. Grávida? sim, porque ela nunca parou de treinar, nem de correr, e estava ótima. Mais emoção, né? corredora grávida não é para todo mundo.
Melhorei da lesão, estabelecemos os trechos, em fevereiro Bruna fez Corupá e foi para o pódio, E então  Rita lesionou. Grazi caiu no chão e se ralou. Simone caiu no chão e se ralou. Karina viajou e ficou muitos dias fora, com pouco treino. Credoooooo!!!
O negócio é que fomos nos fortalecendo como grupo. Mais do que corredoras de equipe, fomos nos tornando cada vez mais amigas, e com apoio em todas as áreas da vida (porque mulher é assim, quando ama, participa de tudo - ou se mete), cada vez mais nos sentíamos prontas para correr, mesmo que isso não fosse exatamente verdade para todas do grupo.
A escolha do nome do grupo foi em uma brincadeira com hashtags, mas essa parte melhor não contar. O fato é que adoramos a palavra sublimáticas e seu som, e sublimáticas da volta pareceu perfeito. Sublimática não vem de sublime, não está nem de longe ligada a coisas espetaculares, o que deixa tudo mais interessante.
Com todas se apoiando nos treinos, mesmo pequenos, e  nos falando mil vezes por dia, quanto mais perto chegava a prova, apesar do nervosismo, vai dando aquele frio gostoso na barriga, e a vontade de correr aumenta.
Trechos fechados, bora organizar a logística, Amanda e Gio no comando, a gente só achando lindo, e cada uma com sua função. Minha mãe linda cedeu a casa de praia para as meninas, o que facilitou muito, e a essas alturas, era difícil mesmo ficarmos longe estando tão perto da prova, sempre havia algo a preparar e a dizer.
Sinceramente, não teve fácil, sabem? Foi suadinho, todas tiveram seus problemas e questionamentos durante o percurso de preparação desde junho do ano passado até abril, e acho que ser uma equipe, com compromisso de fazer cada uma o seu melhor, fez toda a diferença, pelo apoio incondicional recíproco. 
O que eu acho sensacional é a nossa normalidade...kkkk. Não, não somos exatamente convencionais, mas todas temos outras ocupações, e uma vida ocupada, mas damos um jeito. Ninguém vive disso, e na verdade é nosso trabalho que permite que a gente corra. Também não deixamos de beber nosso vinho sagrado quando nos encontramos, e temos uma vida beeeem normal, na qual damos um jeito de encaixar o treino. Treino bom é treino feito, certo? 
E chegamos ao dia. É a coroação de tudo. Jantar pré, café da manhã (by Simone), almoço da prova em marmitinhas (by me), lanchinhos (by Rita, Bru), bebidas (by Gio), e motoras top a postos: Walter, namorado da grávida, experiente na função, e também em ter ouvidos de mercador para tanta bobagem feminina no mesmo dia, sem reclamar, e Everton, coach, negão, marido da Amanda, experiente em Volta à Ilha, e bota experiente nisso. Sem eles, não teríamos como fazer nada dar certo.
O combinado foi cada uma correr seus trechos demarcados, para os quais temos pulseiras identificadoras, e a Gio, como corredora reserva, correr o último trecho e fechar a prova. Sempre que penso nisso meus olhos ficam úmidos, porque nada me preparou para isso, por mais que imaginasse. Já fechei a prova, é emocionante demais (está no post...). Claro, se ela não estivesse bem, não correria, e se ficasse mal durante, caminharia. Mas essa parte do plano original passou a ser a mais importante, na verdade.
Deu tudo certo durante a prova. As que estavam bem preparadas, corresponderam à boa preparação: Simone, Clenir, Bruna, Grazi,  em um nível elevadíssimo. Como meus trechos eram de praia, como combinamos, fiz o melhor possível e mantive um pace bom para areia, fiquei super feliz. Rita, com sua memória muscular admirável, correu como sempre e como nunca. Karina se superou, pace muito inferior ao que eu tenho certeza de que ela imaginaria conseguir.  E Amanda? ah, Amanda is back, com toda sua força e potência, mesmo com febre e dores pela sua condição de mãe em desmame. Gio acompanhando, levando suprimentos, esperando...
O dia estava lindo demais, um sol espetacular, paisagem de filme de Fellini em Floripa. O mar estava azul e lindo em todas as praias, não soprou vento forte de lugar algum, o que aumentou o calor, era dia de quase verão. Sofrido para correr, mas eu, por exemplo, já vinha treinando em horários ruins há tempos (não só pelo planejamento, mas em geral porque era o que tinha para o dia).
Simone fez a trilha do demonio da Praia Brava ao meio dia, um horror, fiquei super preocupada, mas ela foi ótima (foi sim, Si). Clenir desfilando, né? básico. Grazi com os bofes para fora. Básico também.  
Dia lindo de sol em Floripa, engarrafamento nos caminhos das praias, especialmente para a lagoa e região. Dureza chegar na Joaquina com o carro. Fiz um pace bem melhor do que esperava no trecho até Campeche, e quando cheguei, a Amanda não tinha conseguido chegar ainda.  Ela e metade do povo, mas isso para a organização, pouco importa. Ouvir aquele "equipe 96, no aguardo" é de chorar. De verdade. Quando ela chegou, 5 minutos depois, eu já estava pronta para sair correndo, mas o combinado era esperar sempre, então eu esperaria. Depois que ela largou, fui obrigada a entrar no mar. Gelado? não senti. Só o alívio da missão cumprida.
Bruna fez o morro do Sertão, tão temido, com um pé nas costas, sério. Ela é muito phods.
E então chegou a vez da Gio, que esperou o dia todo para correr. E lá foi ela, em ritmo de fuga, e não passeio. Simone acompanhou, até porque o trecho é bem deserto. Se bem que este ano, como tudo atrasou, o último posto de troca estava lotado quando estávamos lá esperando.
Eu, Rita e Karina, fomos para perto da ponte para correr junto dali em diante. A essas alturas, eu e a Rita já tínhamos bebido espumante, dormido, eu tomei um caldo de cana e estava pronta para começar tudo de novo (sqn).
Corremos as 5 da ponte até perto da chegada, Gio no ritmo, sem conversa, a gente querendo que ela exibisse a barriga, ela com vergonha, mas ainda assim todo mundo fica olhando, grávida é um ser de outro planeta kkkk. Tá, talvez correndo daquele jeito seja mesmo.
Quase na chegada, ouvi um "que bom estar aqui com voces", olhei para o lado e era a Clenir, Kena muito feliz, como fazia tempo que eu não via. E dali em diante fomos todas correndo, Grazi sem unha, nós numa alegria que não cabia no coração (e por isso estou chorando agora), até a chegada, com nossa musa conduzindo, e o negócio é que eu, que falo tanto, não encontro palavras suficientes para descrever o sentimento da chegada desta equipe que tive a honra de integrar. O que eu lembro é dos nossos olhares se cruzando, nós abraçando a Gio e a barriga de Paola, a maravilhosa sensação de ter feito o melhor com as melhores, aquele amor de irmãs que invade o corpo todo na hora em que realmente a gente percebe que acabou.
Agora somos sublimáticas, com uniforme e tudo, com staff (pobres meninos), com mascotes, com herdeiros, com algo que nos une e que é difícil de romper. Só tenho a agradecer, como fui fazendo ao longo de todos esses meses e enquanto corria em Floripa, me sentindo tão abençoada e privilegiada por estar nesse grupo de fodásticas, como disse Bruna. Juntas somos mais fortes. Amo vocês (e choro de novo hahaha).
















sexta-feira, 13 de março de 2015

Salgado de maromba - Receita!!!

Férias...época de estocar. Sim, é o que eu faço. Estocar comida. Normalmente não tenho tempo de deixar minhas coisinhas prontas para lanches e jantares, então aproveito as férias para preparar as bases, normalmente as proteínas das refeições e deixar tudo congelado. Nos dias de apuro, só aquecer e comer com salada, legumes, quinoa, massa...
Quibe, hamburguer (receitas da Nádia, originais e adaptadas), torta de carne, frango ensopado, molho de tomate (funcional do nutricionista André)...hoje foi dia de salgado da maromba, receita original da nutri Nádia, mas eu sempre acabo mexendo.
A que eu fiz hoje é com brócolis, mas a original é com batata doce. Como estou em fase de redução de carbo, uso brócolis, e também dá com couve flor. Salgado da maromba é ótimo para levar para o trabalho e só esquentar, para o lanche da tarde. Bem proteico, bem nutritivo, sem cara de frango-com-batata-doce de sempre.
É facil, como quase tudo o que eu faço.
Ingredientes:
- 100gr de frango cozido (hoje usei sobrecoxa porque tinha em casa, normalmente uso peito);
- 100gr de brocolis cozido (ou batata doce, ou couve flor) 
- azeite para juntar
- alguma farinha funcional como de linhaça ou chia, ou farelo de aveia se quiser deixar ainda mais nutritivo;
- temperos, especiarias, queijo cottage, o que tiver em casa.

No processador, coloque o frango e o brocolis (normalmente eu cozinho pouco o brocolis, coloco já na água fervente e tiro alguns minutos depois, para manter a crocância. Mas para fazer o salgado, melhor cozinhar um pouco mais se voce não tiver um bom processador). Coloque azeite a gosto, uma colher mais ou menos, é para juntar a massa. Azeite bom, por favor.  Sal, pimenta ou algum mix de temperos (usei o Mr Dash para hamburguer, estou meio viciada nele), e a farinha, pouquinho, para não ficar seco, tipo uma colher de sopa. Pode colocar açafrão, curry, páprica, vai do gosto do freguês, o negócio é dar gosto sem acrescentar calorias.
Dependendo do processador, vai rapidinho. O meu pequeno não cabe muita coisa (por isso são só 100gr de cada, mas pode fazer com mais), e demora um pouquinho. Dá para fazer no liquidificador? depende do aparelho. Já queimei um, então eu digo que não dá...rs
A batata doce demora mais para processar (foi com ela que queimei o liquidificador).
Depois que vira uma pasta  não muito mole, coloque até a metade de um pote que possa ir ao forno (uso forminhas coloridas da Oxford, lindas e duradouras - não uso made in China). Você pode fazer em potes maiores, se quiser usar como uma refeição para a família, mas fica super charmoso nos potinhos, e para mim é porção individual mesmo.
Eu gosto de rechear, e aí depende da criatividade, ou mais precisamente, do que tem em casa. Hoje fiz um com uma colher de cafe de molho pesto (um restinho que eu tinha) e um pedacinho de queijo pecorino, e os outros com cottage sem lactose e mostarda com curry. Pode colocar blanquet de peru, requeijão, tudo mais proteico, para não agregar carbo.
Preenche o resto da forminha com a massa, e por cima chia e orégano, e forno!
Não esqueça que tudo está cozido, na verdade é mais para gratinar, ou algo semelhante. A massa vai ficar mais firme e com crocância por cima, e quando você come, o recheio dentro é aquela surpresa agradável, adoro. Nunca marco os recheios, não quero saber antes de comer...
Fotos no insta, vejam que lindos!!




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

As pessoinhas...

Em desenho animado ou gibi, quando a pessoa tem que tomar uma decisão, aparece o diabinho em um ombro e o anjinho em outra, todo mundo já viu isso. Então. Acho que não é só um anjinho e um diabinho, acho que são várias pessoinhas que habitam nossa mente e aparecem vez ou outra para dar pitaco. 
Não, eu não ouço vozes. Nem vejo duendes. Não desse jeito de precisar de ajuda psiquiátrica. Mas às vezes é como se partes do meu corpo ou da minha mente virassem pessoinhas e falassem comigo. Ah, nunca aconteceu com mais ninguém? Duvido.
Sábado ou domingo, treino longo. A pessoa não acorda no horário programado, mas tem os zilhões de km para correr (a quantidade de zilhões é individual). E então vem o anjinho e diz: vai  lá e cumpre a missão, e no final toma um super whey com bcaa e glutamina. Mas o diabinho também aparece e diz: já está perdido, isso nem é mais hora, vai direto começar a tomar cerveja que é o que você realmente quer fazer. E como a vida não é preta ou branca, e sim cheia de nuances de cinza, eu tenho um anjinho meio maloqueiro, de tênis, que diz: vai lá e corre logo que a cerveja vai estar trincando quando terminar! Uhuuu!
Costumo chamar essas pessoinhas de grilos falantes, a voz da consciência.
Neste meu retorno gradual aos treinos de corrida, tenho esquecido de levar o ipod, então "ouço as vozes", é o que me sobra. E na verdade estou já achando que elas são a tal força da mente, que os atletas evoluídos tanto falam que é importante nas provas. Treinar a mente, e tal e coisa, correr com a alma quando faltarem as pernas...bom, acho que isso tudo tem muito a ver com você se conhecer, e saber reconhecer os sinais que seu corpo envia.
Nesses dias de celebrar o simples ato de correr sem dor, fiquei me lembrando extamente  do início das corridas na minha vida, e de como agora eu sei reconhecer os sinais o suficiente para continuar ou parar.
Basicamente é assim: logo que eu começo, nos primeiros 30 segundos, ou até uns 200m, dá aquela alegria de estar correndo, e vem a pessoinha magrinha de tênis dizer: viu? é isso que você sabe e gosta de fazer, soltando as pernas, o delícia que é, que bom que voltamos à ativa, vai correr 15km agora, a louca.
Só que em seguida começa a ser ruim. Muito ruim. os primeiros 10minutos, mais ou menos 2km, são os piores de todos para mim (e para várias pessoas que eu conheço). A pessoinha que aparece no ombro é gordinha, está comendo sorvete Haagen Daz de doce de leite e vendo The Good Wife. E essa pessoinha me mostra a ofegância, as pernas pesadas...e te diz: para que foi começar? tão bom que é botar o biquini e ficar deitada na cadeira lendo o livro! para logo enquanto é tempo, está sofrido demais, não faz sentido, vai brincar com o filho.
E é nessa hora que faz diferença você se conhecer como corredor. Quando comecei a correr, era muito difícil cruzar essa barreira. Só que eu sei que aquilo vai passar. Atualmente não é que fique perfeito, falta muito, mas eu sei que vou encaixar a respiração, ajustar a passada, relaxar, e vai ficar bom. Se você se deixar levar apenas pela sensação naqueles 2 primeiros km, vai desistir, porque dói tudo e falta ar. Não ouça a pessoinha que diz que você quebrou e o treino acabou. A não ser que você sinta algo realmente diferente, ou já esteja em um dia ruim. O corredor que se conhece também sabe distinguir uma coisa da outra.
E qual a estratégia? De uns tempos para cá, tendo ou não planilha, acho que a que funciona melhor para mim é a de não pensar no total que vou correr, e sim em mais um km para rodar. Porque aparece a pessoinha de tenis, agora menos faceirinha, já cansada,  mas esperançosa, que diz: mais um km, então, corre só mais um. E assim, vou de km em km, fazendo só mais o próximo, até o momento que posso parar, seja porque acabou o treino, seja porque conscientemente sei que cheguei ao limite, ou porque, na atual situação, ainda não conheça exatamente o limite. Mas eu fui e fiz. E quando acaba...ah, todo mundo sabe como é quando acaba. Aquele torpor alegre que toma conta do corpo. As pessoinhas estão todas reunidas, em volta de mim, comemorando, só discutindo sobre o que será a hidratação pós treino.
No final das contas, alguma iniciativa a gente tem que ter. No começo pode ser uma atitude consciente, e depois vai ficando no automático.
Dá preguiça de ir para a musculação algumas vezes, e o pior é não reconhecer a preguiça e arrumar desculpas, mas aí não penso muito, arrumo as coisas e vou, como se fosse um compromisso mesmo.
E depois que eu estou lá, a pessoinha marombada aparece no meu trapézio e diz: arrependimento só dá quando a gente não vem...
E o treino é assim. Levanta, põe o tenis, amarra o cabelo e sai correndo. Depois de ultrapassar a barreira, você vai lembrar do que estou dizendo.
Esse post é para todo mundo que está voltando, tendo parado por vários motivos, e para aqueles que sabem que têm que voltar (ou recomeçar, ou começar), e  estão ouvindo demais a pessoinha de chifrinhos...





domingo, 25 de janeiro de 2015

Pois não é que gelo queima?

Então fui correr. Não, não é bem assim. Dr. Tiago me autorizou tentar trotar na areia fofa, descalça, para ver como me sentia, sem impacto. Mas com esforço.
Primeiro, porque para correr na areia fofa em Balneário Camboriú tem que ser cedo. Mais tarde não tem areia sem gente, e o que tiver, é fervente. Segundo, porque normalmente correr na areia fofa já exige mais preparo e esforço de quem treina, então depois de três meses sem correr,  ir direto para a dita cuja, não é moleza. E terceiro porque dá o medinho.Mas pelo menos estava me sentindo super na moda, porque as revistas todas mandam correr na areia, como se fosse a coisa mais baba do mundo.
Lá fui eu, primeiro dia. Com relógio, e não gps, porque o tempo era meu guia, mas não o pace. Aliás, o que é pace neste momento? A ideia era caminhar, trotar, caminhar, e fazer isso por uma meia hora.
Consegui correr direto por dez minutos. E me senti bem, quando a gente recomeça, incrivelmente e após rezar para os deuses da corrida (como li na Runners e super me identifiquei) está tudo lá, no campo da memória da alegria,  lembrando como é bom estar fazendo aquilo. Dá vontade realmente de sair correndo. Mas eu sabia que tinha que respeitar os limites da recuperação. No final, o que me faltou foi fôlego, pela perda de condicionamento, mas o tornozelo não doeu. Foram 30 minutos entre correr e caminhar.
Só que à noite, achei que talvez estivesse um pouquinho inchado. Tive a ideia brilhante de colocar bolsa de gelo. E peguei no sono, deitada sobre aquilo. Acordei com a panturrilha doendo e uma bolha imensa, no tornozelo. Não, não é força de expressão, e nem exageiro. Quem viu sabe. Uma bolha de queimadura punk, que me incomodava bastante, e basicamente estragou as possibilidades de treino nos dias seguintes, de qualquer coisa, porque tentei nadar e era impossível.
Enfim, para não estender a estória nojinho, passei uma baita pomada que ajudou bastante,  acabei tendo que furar a infeliz para sair o líquido, descobri o tal óleo de girassol milagroso para cicatrização, e agora a pele saiu e estou com uma mancha branca no tornozelo, bem na tatoo de borboleta. Uma lindeza. Mais um aprendizado. Chorei de raiva. De raiva da minha burrice. Então agora passo adiante o que aprendi: gelo queima realmente. De fazer bolha. Não durma com bolsa de gelo. Anotaram?
Ontem me senti pronta para tentar de novo. Durante a semana não fiz nada. Mentira. Fiz  uma sessão de musculação sozinha no dia seguinte à "visita" de ano-novo à Nádia, a nutricionista que te bate a real, e fui malhar naquele surto pós-avaliação física de verão, momento depressivo. Mas nos outros dias estava adaptando Arthur e eu à nova escolinha, trabalhando, arrumando a casa da mudança...
E lá fui eu, às sete e meia da manhã de sábado, sol já fortinho, e dessa vez com garmin. Caminhei primeiro e corri 2km direto! Feliz feliz feliz!! Caminhei mais uns dois minutos e corri mais 1km. Acho que daria para fazer um pouco mais, mas minhas pernas e minha consciência pesaram. Cansei, porque retornar é difícil em qualquer circunstância. Não nasci uma corredora pronta, como a Clenir, que pode parar dois meses e voltar de onde parou. Estou começando de novo, como quando engravidei e tive o Arthur. É lento. 
Além da alegria de correr, sabia que estava fazendo um treino que é difícil normalmente, e que fortalece tudo! Projeto #bundananuca, #souagachamento e Volta à Ilha em ação! Me senti bem na hora e depois. Hoje estava inteira, e planejando o próximo treino.
Esta semana volto às atividades (academia nova)  e espero poder estabelecer uma rotina de corrida, no ritmo que for compatível com meu estado.
Recomendo a  Revista Runners deste mês,  ótima para quem está voltando, e para quem precisa de incentivo. Várias reportagens bacanas, receitas que parecem ótimas e entrevistas motivadoras. O perfil da última página, do presidente da Gol, é muito parecido com o meu, e provavelmente com o de muita gente.
Mas adorei especialmente a história da Magdalena Boulet, uma ex atleta profissional que hoje trabalha na criação dos  sabores da GU Energy Labs, sabe, o gel de carbo? Ela é incrível e feliz fazendo o que gosta. E, assim, naturalmente o sabor do gel é o melhor, na minha opinião, e agora entendo como isso acontece. Bem melhor quando o consumidor também é o que cria...
Boa semana e bons treinos!!! 








domingo, 4 de janeiro de 2015

Voltei!! Diário da Lesionada...

Excesso de trabalho+falta de tempo+lesão no tornozelo = chá de sumiço e abandono do blog.
Depois da meia maratona do Rio, tive uma big crise de sinusite que me derrubou e tive que tomar muito remédio para participar da Volta à Ilha de São Francisco do Sul, uma prova linda, em equipe com as meninas do Clube Bela Vista, que valia um post, com certeza, mas na época não tive tempo realmente de escrever, estava trabalhando demais. 
A prova no Rio já tinha sido dura, e em São Chico estava um calorão inesperado, com três trechos para mim, sendo um na praia com a travessia do riozinho (fotos no face), um de asfalto sem sombra nem brisa, e um do mesmo jeito, mas em subida contínua. Para quem estava se recuperando, nada bom. Valeu pela turma, pela chegada, pela diversão no caminho. Prova aprovadíssima que recomendo. Pena que eu não estava 100%.
E eu quis fazer uma das provinhas mensais do Bela Vista, à noite, em uma quinta feira, porque nunca tinha ido, só 5km. E depois tinha corrida para as crianças, Arthur se empolgou. Fui e me arrependi muito. Não enxergo bem à noite, e naquela pista sem iluminação só piorei. Não conhecia a pista, é pesada, eu não rendia nadaaaaaaaaa. Terminei triste e com uma dorzinha de leve no tornozelo direito. 
Corri na rua depois disso, tudo certo, e um sábado de manhã fui fazer um treino básico de esteira porque chovia, e eis que no final meu tornozelo estava uma bola, e doía muito.
Apavorei. Sério. Básico: gelo, repouso, Advil. Depois acrescentei cataflan spray. 
A única vez que corri depois desse dia foi em outubro, dia 12, na cidade de Vina Del Mar, no Chile, 10km numa meia maratona, porque já estava inscrita há meses, era minha corrida de viagem de férias. Fui sofrendo, com medo, e enchi de spray antes, tomei advil, tudo o que podia fazer no momento. O lugar era lindo para correr, tudo à beira mar, temperatura perfeita, mas não aproveitei o que podia, porque era aquela tensão. Até parou de doer durante a prova, naturalmente, mas no dia seguinte e nos outros foi bem difícil.
De volta para casa, fiz o que a gente nunca quer fazer: ir ao médico. Porque a impressão que se tem é de que, enquanto você não for ao médico, na verdade não está lesionada, machucada, nem nada. É só uma dor, que vai passar, a qualquer momento. A ida ao médico arruína a esperança de que seja um engano e uma dor à toa. No caso de lesões, a ida ao médico é para encaminhar para fazer exames de imagem, no caso ressonância magnética, que resultou no que  o ortopedista que fui inicialmente, e o médico do esporte logo depois, suspeitavam (apenas com R$ 500,00 a mais): fratura por estresse com alguma tenossinovite.
Várias coisas são horríveis quando se está lesionada, e uma delas é tentar responder às perguntas das pessoas: "você torceu?"; "você caiu?"; "você correu estressada?" (adorei essa) "como isso foi acontecer?" (é a melhor). Fora os diagnósticos familiares: "foi de tanto correr", "também, fazendo isso tudo"... Minha mãe, que detesta que eu corra, parece bem felizinha, perguntando do meu pé para poder dizer: "é, correr não dá mesmo". A podóloga também me pareceu alegre...
A verdade é que é uma m. Simples assim. E no caso da fratura por  estresse, o pior é que não há muito a fazer. Usei a botinha por algumas semanas. Foi a treva. Glamour zero. Calorão. E era um tal de tirar para dirigir, tirar para fazer musculação...Depois o médico disse que não adiantava mais, ela não me ajudaria mais do que até então. E então, o que podemos fazer? Repouso. Oi? Eu? repouso?
Mas nem tudo estava perdido. Eu posso nadar, pedalar e fazer musculação, um luxo. Não posso é nada com impacto, porque a fratura por estresse é causada pelo impacto da corrida. Mas é uma dor não insuportável, mas incômoda, daquelas que não dá para esquecer. Salto também foi excluído (logo eu, ai que tristeza usar sapatilha e rasteira), mas mesmo de sapato baixo, qualquer caminhada fazia doer, mesmo no supermercado, na rua...
Tudo bem. Do limão à limonada. Pensei comigo: é a chance de aprimorar meu pedal e ser uma triatleta de verdade, das que sabe pedalar, e não das que anda de bike (é bem diferente). Tive uma oportunidade de vender minha bike, achei que era um sinal. Comprei bike nova, pedal legal, Zanichelli deixou a lindinha no ponto para sair por aí. Pedalar é legal, mas o empenho é grande, porque não pode chover, tem que ir até algum lugar seguro, tem que ter tempo (correr uma hora é bastante, pedalar uma hora não é nada). Considerando o volume de trabalho no final do ano e as mudanças que aconteceram, não consegui atingir meu objetivo. Na verdade, mal comecei a pedalar.
Nadei muito no final do ano,  a louca da piscina, e fiz bastante musculação. Mas como eu sempre disse, sou uma corredora que nada e agora pedala. Então, não é a mesma coisa. Correr é o melhor. Nadar para relaxar da corrida é bom demais. Nadar e nadar e nadar não é tão legal. 
Dr. Tiago passou uma suplementação punk de calcio, vitamina D, vitamina K e magnésio, para ajudar na recuperação. E final de ano a gente já dá aquela parada mesmo, bom para o tal do repouso. De resto, só gelo, mas três meses de gelo ninguém merece nem aguenta. Esse negócio de não ter o que fazer é muito ruim. Não é o caso de fisioterapia, de imobilizar, de nada. É esperar. E eu realmente sou uma pessoa que não sabe esperar sem fazer alguma coisa. Se me dissessem que xixi de camelo curava, eu saía por aí procurando.
De quebra, surgiu minha vaga em Balneário Camboriú para trabalhar! Meu sonho. Sempre quis, e a ideia de correr na orla é algo que me encanta. Só que não pude ainda. Dói às vezes, mesmo sem fazer praticamente nada, que é como estou desde meados de dezembro. Sinto uma melhora nos últimos dias, finalmente, e estou fortalecendo caminhando na praia com água no joelho, dá uma canseira e não dói, mas não me parece que já estou boa, ainda dá uma inchada em alguns dias,  não sinto a coisa bem consolidada, e o pior é o medo. Medo de doer, medo de travar, medo de me quebrar mais, medo de acabar me acostumando a não correr. Terei que voltar em terrenos sem impacto, areia, grama, isso já sei, e tudo certo. Mas saber quando é a hora certa é difícil.
Fico triste de acordar de manhã cedo com o Arthur em Floripa e saber que não vou dar aquela corridinha antes de irmos para a praia.
E fico pensando em tudo o que fiz para tentar descobrir  a causa. Já li muitas coisas sobre a lesão, e até agora acho que foi o "conjunto da obra": treinos excessivos para o Desafrio de Urubici (pior é nem gostar da prova...), a prova em si, com outras provas de média ou longa distância no período, querendo fazer tempos razoáveis. Afinal, de maio a setembro fiz Urubici e três meia-maratonas, o que para mim é bastante, além das outras provas menores. 
Tentei mudar meu perfil de corredora e  me dei mal. Achei que na minha idade ficaria menos competitiva nas provas de 10km (o que é verdade), minha paixão, e então seria melhor migrar para 21km, aos poucos, e conseguir tempos melhores. Só que gosto e me divirto mais em provas mais curtas, até 10 milhas acho bem delícia. Meia maratona é para passear, não para sofrer. Prova de aventura também, tem que ter a diversão como São Chico, e não o sofrimento de Urubici. A variação de terrenos para mim é ótima, mas não pode ser a trilha do inferno para ficar xingando. 
Gosto de correr, e a verdade é que quanto maior a distância e a dificuldade, mais se caminha e menos se corre com velocidade.
Adoro participar de provas, por mim uma a duas por mês seria o ideal, anima para treinar. Só que treinando para provas mais difíceis e meia maratona, não dá para fazer tanta prova. Acreditei que me acostumaria a menos provas, mas não curti.
Também acho que me empolguei com os tênis mais leves, com menor amortecimento, e eu não sou uma corredora leve (autocritica é um troço importante), comecei a pisar errado.
Parei de prestar atenção na técnica de corrida, e isso também foi um erro. Corro mais corretamente quando corro mais rápido, e provas mais longas e duras fazem a gente relaxar a postura e a técnica. 
E eu sempre me preocupei em fazer a musculação certinho porque acredito que temos que ter a musculatura forte para suportar a carga do impacto da corrida. E deu certo, até certo ponto. Além disso, não sou fininha, meu perfil é de força, o que também facilita para provas mais curtas. Mas no tornozelo não tem musculatura para proteger, é osso e pronto. 
Descobri uma série de coisas sobre a minha pessoa "enquanto" atleta amadora, e uma delas foi que o triathlon, provavelmente, será algo para lazer e sempre em curta distância. Complemento e cross training. Digo isso porque sem correr o resto não tem a mesma graça. Quem me dera gostar de zumba! Só me acho patética dançando aquilo. Também não sirvo para ioga, mas agora já estou pensando em roller. O negócio é me movimentar.
Enfim, tudo é aprendizado.
Eu comecei 2014 pensando em maneiras de continuar competitiva, mudar perfil, baixar tempo. E começo 2015 beeeem mais humilde: só quero voltar a correr. O mais rápido possível.
Desejo um ano cheio de saúde, vontade e disposição para fazer uma atividade física que faça você feliz.