domingo, 25 de janeiro de 2015

Pois não é que gelo queima?

Então fui correr. Não, não é bem assim. Dr. Tiago me autorizou tentar trotar na areia fofa, descalça, para ver como me sentia, sem impacto. Mas com esforço.
Primeiro, porque para correr na areia fofa em Balneário Camboriú tem que ser cedo. Mais tarde não tem areia sem gente, e o que tiver, é fervente. Segundo, porque normalmente correr na areia fofa já exige mais preparo e esforço de quem treina, então depois de três meses sem correr,  ir direto para a dita cuja, não é moleza. E terceiro porque dá o medinho.Mas pelo menos estava me sentindo super na moda, porque as revistas todas mandam correr na areia, como se fosse a coisa mais baba do mundo.
Lá fui eu, primeiro dia. Com relógio, e não gps, porque o tempo era meu guia, mas não o pace. Aliás, o que é pace neste momento? A ideia era caminhar, trotar, caminhar, e fazer isso por uma meia hora.
Consegui correr direto por dez minutos. E me senti bem, quando a gente recomeça, incrivelmente e após rezar para os deuses da corrida (como li na Runners e super me identifiquei) está tudo lá, no campo da memória da alegria,  lembrando como é bom estar fazendo aquilo. Dá vontade realmente de sair correndo. Mas eu sabia que tinha que respeitar os limites da recuperação. No final, o que me faltou foi fôlego, pela perda de condicionamento, mas o tornozelo não doeu. Foram 30 minutos entre correr e caminhar.
Só que à noite, achei que talvez estivesse um pouquinho inchado. Tive a ideia brilhante de colocar bolsa de gelo. E peguei no sono, deitada sobre aquilo. Acordei com a panturrilha doendo e uma bolha imensa, no tornozelo. Não, não é força de expressão, e nem exageiro. Quem viu sabe. Uma bolha de queimadura punk, que me incomodava bastante, e basicamente estragou as possibilidades de treino nos dias seguintes, de qualquer coisa, porque tentei nadar e era impossível.
Enfim, para não estender a estória nojinho, passei uma baita pomada que ajudou bastante,  acabei tendo que furar a infeliz para sair o líquido, descobri o tal óleo de girassol milagroso para cicatrização, e agora a pele saiu e estou com uma mancha branca no tornozelo, bem na tatoo de borboleta. Uma lindeza. Mais um aprendizado. Chorei de raiva. De raiva da minha burrice. Então agora passo adiante o que aprendi: gelo queima realmente. De fazer bolha. Não durma com bolsa de gelo. Anotaram?
Ontem me senti pronta para tentar de novo. Durante a semana não fiz nada. Mentira. Fiz  uma sessão de musculação sozinha no dia seguinte à "visita" de ano-novo à Nádia, a nutricionista que te bate a real, e fui malhar naquele surto pós-avaliação física de verão, momento depressivo. Mas nos outros dias estava adaptando Arthur e eu à nova escolinha, trabalhando, arrumando a casa da mudança...
E lá fui eu, às sete e meia da manhã de sábado, sol já fortinho, e dessa vez com garmin. Caminhei primeiro e corri 2km direto! Feliz feliz feliz!! Caminhei mais uns dois minutos e corri mais 1km. Acho que daria para fazer um pouco mais, mas minhas pernas e minha consciência pesaram. Cansei, porque retornar é difícil em qualquer circunstância. Não nasci uma corredora pronta, como a Clenir, que pode parar dois meses e voltar de onde parou. Estou começando de novo, como quando engravidei e tive o Arthur. É lento. 
Além da alegria de correr, sabia que estava fazendo um treino que é difícil normalmente, e que fortalece tudo! Projeto #bundananuca, #souagachamento e Volta à Ilha em ação! Me senti bem na hora e depois. Hoje estava inteira, e planejando o próximo treino.
Esta semana volto às atividades (academia nova)  e espero poder estabelecer uma rotina de corrida, no ritmo que for compatível com meu estado.
Recomendo a  Revista Runners deste mês,  ótima para quem está voltando, e para quem precisa de incentivo. Várias reportagens bacanas, receitas que parecem ótimas e entrevistas motivadoras. O perfil da última página, do presidente da Gol, é muito parecido com o meu, e provavelmente com o de muita gente.
Mas adorei especialmente a história da Magdalena Boulet, uma ex atleta profissional que hoje trabalha na criação dos  sabores da GU Energy Labs, sabe, o gel de carbo? Ela é incrível e feliz fazendo o que gosta. E, assim, naturalmente o sabor do gel é o melhor, na minha opinião, e agora entendo como isso acontece. Bem melhor quando o consumidor também é o que cria...
Boa semana e bons treinos!!! 








domingo, 4 de janeiro de 2015

Voltei!! Diário da Lesionada...

Excesso de trabalho+falta de tempo+lesão no tornozelo = chá de sumiço e abandono do blog.
Depois da meia maratona do Rio, tive uma big crise de sinusite que me derrubou e tive que tomar muito remédio para participar da Volta à Ilha de São Francisco do Sul, uma prova linda, em equipe com as meninas do Clube Bela Vista, que valia um post, com certeza, mas na época não tive tempo realmente de escrever, estava trabalhando demais. 
A prova no Rio já tinha sido dura, e em São Chico estava um calorão inesperado, com três trechos para mim, sendo um na praia com a travessia do riozinho (fotos no face), um de asfalto sem sombra nem brisa, e um do mesmo jeito, mas em subida contínua. Para quem estava se recuperando, nada bom. Valeu pela turma, pela chegada, pela diversão no caminho. Prova aprovadíssima que recomendo. Pena que eu não estava 100%.
E eu quis fazer uma das provinhas mensais do Bela Vista, à noite, em uma quinta feira, porque nunca tinha ido, só 5km. E depois tinha corrida para as crianças, Arthur se empolgou. Fui e me arrependi muito. Não enxergo bem à noite, e naquela pista sem iluminação só piorei. Não conhecia a pista, é pesada, eu não rendia nadaaaaaaaaa. Terminei triste e com uma dorzinha de leve no tornozelo direito. 
Corri na rua depois disso, tudo certo, e um sábado de manhã fui fazer um treino básico de esteira porque chovia, e eis que no final meu tornozelo estava uma bola, e doía muito.
Apavorei. Sério. Básico: gelo, repouso, Advil. Depois acrescentei cataflan spray. 
A única vez que corri depois desse dia foi em outubro, dia 12, na cidade de Vina Del Mar, no Chile, 10km numa meia maratona, porque já estava inscrita há meses, era minha corrida de viagem de férias. Fui sofrendo, com medo, e enchi de spray antes, tomei advil, tudo o que podia fazer no momento. O lugar era lindo para correr, tudo à beira mar, temperatura perfeita, mas não aproveitei o que podia, porque era aquela tensão. Até parou de doer durante a prova, naturalmente, mas no dia seguinte e nos outros foi bem difícil.
De volta para casa, fiz o que a gente nunca quer fazer: ir ao médico. Porque a impressão que se tem é de que, enquanto você não for ao médico, na verdade não está lesionada, machucada, nem nada. É só uma dor, que vai passar, a qualquer momento. A ida ao médico arruína a esperança de que seja um engano e uma dor à toa. No caso de lesões, a ida ao médico é para encaminhar para fazer exames de imagem, no caso ressonância magnética, que resultou no que  o ortopedista que fui inicialmente, e o médico do esporte logo depois, suspeitavam (apenas com R$ 500,00 a mais): fratura por estresse com alguma tenossinovite.
Várias coisas são horríveis quando se está lesionada, e uma delas é tentar responder às perguntas das pessoas: "você torceu?"; "você caiu?"; "você correu estressada?" (adorei essa) "como isso foi acontecer?" (é a melhor). Fora os diagnósticos familiares: "foi de tanto correr", "também, fazendo isso tudo"... Minha mãe, que detesta que eu corra, parece bem felizinha, perguntando do meu pé para poder dizer: "é, correr não dá mesmo". A podóloga também me pareceu alegre...
A verdade é que é uma m. Simples assim. E no caso da fratura por  estresse, o pior é que não há muito a fazer. Usei a botinha por algumas semanas. Foi a treva. Glamour zero. Calorão. E era um tal de tirar para dirigir, tirar para fazer musculação...Depois o médico disse que não adiantava mais, ela não me ajudaria mais do que até então. E então, o que podemos fazer? Repouso. Oi? Eu? repouso?
Mas nem tudo estava perdido. Eu posso nadar, pedalar e fazer musculação, um luxo. Não posso é nada com impacto, porque a fratura por estresse é causada pelo impacto da corrida. Mas é uma dor não insuportável, mas incômoda, daquelas que não dá para esquecer. Salto também foi excluído (logo eu, ai que tristeza usar sapatilha e rasteira), mas mesmo de sapato baixo, qualquer caminhada fazia doer, mesmo no supermercado, na rua...
Tudo bem. Do limão à limonada. Pensei comigo: é a chance de aprimorar meu pedal e ser uma triatleta de verdade, das que sabe pedalar, e não das que anda de bike (é bem diferente). Tive uma oportunidade de vender minha bike, achei que era um sinal. Comprei bike nova, pedal legal, Zanichelli deixou a lindinha no ponto para sair por aí. Pedalar é legal, mas o empenho é grande, porque não pode chover, tem que ir até algum lugar seguro, tem que ter tempo (correr uma hora é bastante, pedalar uma hora não é nada). Considerando o volume de trabalho no final do ano e as mudanças que aconteceram, não consegui atingir meu objetivo. Na verdade, mal comecei a pedalar.
Nadei muito no final do ano,  a louca da piscina, e fiz bastante musculação. Mas como eu sempre disse, sou uma corredora que nada e agora pedala. Então, não é a mesma coisa. Correr é o melhor. Nadar para relaxar da corrida é bom demais. Nadar e nadar e nadar não é tão legal. 
Dr. Tiago passou uma suplementação punk de calcio, vitamina D, vitamina K e magnésio, para ajudar na recuperação. E final de ano a gente já dá aquela parada mesmo, bom para o tal do repouso. De resto, só gelo, mas três meses de gelo ninguém merece nem aguenta. Esse negócio de não ter o que fazer é muito ruim. Não é o caso de fisioterapia, de imobilizar, de nada. É esperar. E eu realmente sou uma pessoa que não sabe esperar sem fazer alguma coisa. Se me dissessem que xixi de camelo curava, eu saía por aí procurando.
De quebra, surgiu minha vaga em Balneário Camboriú para trabalhar! Meu sonho. Sempre quis, e a ideia de correr na orla é algo que me encanta. Só que não pude ainda. Dói às vezes, mesmo sem fazer praticamente nada, que é como estou desde meados de dezembro. Sinto uma melhora nos últimos dias, finalmente, e estou fortalecendo caminhando na praia com água no joelho, dá uma canseira e não dói, mas não me parece que já estou boa, ainda dá uma inchada em alguns dias,  não sinto a coisa bem consolidada, e o pior é o medo. Medo de doer, medo de travar, medo de me quebrar mais, medo de acabar me acostumando a não correr. Terei que voltar em terrenos sem impacto, areia, grama, isso já sei, e tudo certo. Mas saber quando é a hora certa é difícil.
Fico triste de acordar de manhã cedo com o Arthur em Floripa e saber que não vou dar aquela corridinha antes de irmos para a praia.
E fico pensando em tudo o que fiz para tentar descobrir  a causa. Já li muitas coisas sobre a lesão, e até agora acho que foi o "conjunto da obra": treinos excessivos para o Desafrio de Urubici (pior é nem gostar da prova...), a prova em si, com outras provas de média ou longa distância no período, querendo fazer tempos razoáveis. Afinal, de maio a setembro fiz Urubici e três meia-maratonas, o que para mim é bastante, além das outras provas menores. 
Tentei mudar meu perfil de corredora e  me dei mal. Achei que na minha idade ficaria menos competitiva nas provas de 10km (o que é verdade), minha paixão, e então seria melhor migrar para 21km, aos poucos, e conseguir tempos melhores. Só que gosto e me divirto mais em provas mais curtas, até 10 milhas acho bem delícia. Meia maratona é para passear, não para sofrer. Prova de aventura também, tem que ter a diversão como São Chico, e não o sofrimento de Urubici. A variação de terrenos para mim é ótima, mas não pode ser a trilha do inferno para ficar xingando. 
Gosto de correr, e a verdade é que quanto maior a distância e a dificuldade, mais se caminha e menos se corre com velocidade.
Adoro participar de provas, por mim uma a duas por mês seria o ideal, anima para treinar. Só que treinando para provas mais difíceis e meia maratona, não dá para fazer tanta prova. Acreditei que me acostumaria a menos provas, mas não curti.
Também acho que me empolguei com os tênis mais leves, com menor amortecimento, e eu não sou uma corredora leve (autocritica é um troço importante), comecei a pisar errado.
Parei de prestar atenção na técnica de corrida, e isso também foi um erro. Corro mais corretamente quando corro mais rápido, e provas mais longas e duras fazem a gente relaxar a postura e a técnica. 
E eu sempre me preocupei em fazer a musculação certinho porque acredito que temos que ter a musculatura forte para suportar a carga do impacto da corrida. E deu certo, até certo ponto. Além disso, não sou fininha, meu perfil é de força, o que também facilita para provas mais curtas. Mas no tornozelo não tem musculatura para proteger, é osso e pronto. 
Descobri uma série de coisas sobre a minha pessoa "enquanto" atleta amadora, e uma delas foi que o triathlon, provavelmente, será algo para lazer e sempre em curta distância. Complemento e cross training. Digo isso porque sem correr o resto não tem a mesma graça. Quem me dera gostar de zumba! Só me acho patética dançando aquilo. Também não sirvo para ioga, mas agora já estou pensando em roller. O negócio é me movimentar.
Enfim, tudo é aprendizado.
Eu comecei 2014 pensando em maneiras de continuar competitiva, mudar perfil, baixar tempo. E começo 2015 beeeem mais humilde: só quero voltar a correr. O mais rápido possível.
Desejo um ano cheio de saúde, vontade e disposição para fazer uma atividade física que faça você feliz.