quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Reinvenções do novo ano

Então pessoas, voltei!! A regularidade realmente está deixando a desejar, e nem é por falta de assunto, quem me conhece sabe que sempre tenho assunto, só falta tempo...mas então. O tempo. Que mudanças incríveis ele produz na vida da gente.
Não sei se já disse isso, mas eu, como virginiana que sou, sou apegada a rotinas e hábitos. Mas não acho isso bom, então luto. Bravamente. E promovo mudanças propositais, às vezes nem tão desejadas, mas que considero importantes, até que as deseje e eu as incorpore. Em outras vezes, as mudanças aparecem para mim, como boas ideias, intuitivamente. E sigo.
Há alguns meses, encontrei com uma amiga de colégio que encontro pouquíssimo hoje em dia, mas de quem gosto muito. Éramos também vizinhas e revezávamos carona de manhã. Ela era super ótima em todos os esportes: handebol, volei, basquete, corrida, tudo aquilo que se fazia na educação física do colégio e nas olimpíadas que ocorriam uma vez por ano. Aliás, várias amigas eram assim.  Pois nos encontramos e ela veio  me dizer como estava espantada de eu ter me tornado uma corredora tão empolgada. Claro que ela estava muito surpresa, porque por toda minha vida escolar eu odiei os esportes e a educação física! Sim, eu só gostava de fazer natação. O mais solitário dos esportes, no meu sentir, porque não dá para fazer amigos nadando. Ou nada, ou conversa. E eu não gostava de competir, só de ouvir o silencio das braçadas e pernadas. 
Eu tinha uma determinada média para tirar todos os bimestres (não a média do colégio, a média do meu pai, beeeem superior), e educação física me atrapalhava, porque não tirava mais do que 8.
Eu e minha amiga Bea fugíamos. Tínhamos cólica muitos dias do mês. Fazíamos tudo muito mal feito, e com isso ninguém, nunca, nos escolhia para time algum. Eramos o fim. Quando nada mais sobrava. Hahahaha. Tudo bem...a gente superou isso. Em compensação, conheço muita gente que fazia todos os esportes e agora está, no mínimo, muito acima do peso e sedentário, quase irreconhecível. Gastaram a energia toda, parece. 
Mas eu sempre gostei de fazer exercícios. Percebam, é diferente esporte de exercício. Eu dancei balé quando criança, nadava, e depois de adulta logo fui fazer aula de localizada, até descobrir a musculação. E adorei, como ainda adoro (deve soar estranho). Quando eu era advogada, professora, coordenadora do curso de direito da Unisul, e fazia mestrado, eu realmente não tinha muito tempo para exercícios físicos. Era tempo de plantar. Mas eu passei a encarar como um compromisso, e é o que eu digo para as pessoas fazerem, Quando a gente quer mesmo, ou ao menos percebe a importância, dá um jeito. Consegui um personal em uma sala no prédio do escritório. Eu descia, fazia a aula, tomava banho sem lavar o cabelo, porque na época eu não suava mesmo, e voltava a trabalhar, nos horários mais estranhos. Voltava fazendo cara de quem tinha vindo de uma reunião importantíssima. Porque era assim que eu encarava. 
E aqui estou eu. Uns tantos anos depois, apaixonada pela corrida, carregando quem me permitir (ou deixar um espacinho) para esse vício delicioso. Quando eu comecei a estudar para concurso, passei a correr efetivamente, era uma forma de relaxar. E desde que sou juíza, a corrida tira o peso dos meus ombros. 
E dentro da própria corrida, também são várias as fases, que fui tentando passar para quem tem tido paciência para ler o bloguinho...
A gente vai arrumando o tempo conforme as prioridades. Hoje sei que triathlon, por ora, não dá para mim. Eu queria querer, mas não dá. É muito investimento, de dinheiro e de tempo. Passar uma manhã de sábado pedalando atualmente não é possível para mim, é tempo meu e do meu filho. Tempo dele que não volta, o que eu perder agora, já era. 
Correr uma hora é uma coisa, volto ainda com ele dormindo, mas pedalar quatro horas...A natação virou meu lazer novamente, meu relaxamento, a musculação minha segurança e a corrida minha alegria, aquela parte de mim que é só minha, meu momento. Comecei o pilates, coitada da Marcela, a professora (que corre, muuuuuuito. Senão eu não estaria lá). Estou tentando  pilatear com alegria, e sempre me sinto melhor depois, Mas durante, nossa, que travação. 
Consigo me virar para compatibilizar isso com meu trabalho, que sustenta essa alegria toda, casa e família. Sem reclamar, porque reclamar é chato, principalmente quando não se tem motivo. Tem dias que a música do filme Missão Impossível fica na minha mente quando penso em tudo o que quero fazer, é engraçado. 
Depois da lesão, passei a ser mais grata por poder correr. Cada treino virou motivo de muita celebração. Agora já estou em outra fase, passou o tempo, e já quero voltar a ser a corredora que eu era. Tentei organizar melhor as provas, e saber diferenciar de fato as de competição e as de alegria.
Provas que criam laços de amizade verdadeira, como Volta à Ilha, valem por si e pelos preparativos, como para uma grande festa, e o resultado final não é realmente o que importa. Diferente de 10km em asfalto, e de 8km na areia incluindo dunas. Cada conquista tem seu sabor especial, e escolher o próximo desafio também. O sofrimento dos treinos e das provas faz parte, a preguiça de vez em quando também, mas não pode sofrer por algo que escolheu fazer. Por isso digo que o triathlon não me serve agora. 
Agora quero ir de bike para o trabalho com o Arthur na cadeirinha, vendo o mar, sentindo o vento. A bike, portanto, virou meio de transporte. E vez ou outra para soltar as pernas no rolo, com a speed, tadinha, meio abandonadinha.
Maratona? não, obrigada. Continuo sem vontade. Se um dia tiver, penso no assunto. Até lá, meia maratona é de bom tamanho, quando possível. Prova de 10km é tudo de bom. Dá para fazer duas por mes, se quiser e puder pagar, sem se acabar. E tem o clima de prova do mesmo jeito. 
Vejo meninas de vinte e poucos anos que estão treinando bastante, se empenhando, e elas terão o auge, provavelmente, com trinta, quando eu comecei a levar a sério a corrida. Assim sendo, comparar é uma grande roubada. Com 25, eu tinha outras prioridades, e não me arrependo. Se não tivesse feito o que fiz, provavelmente não estaria hoje morando em Balneário Camboriú e correndo no morro da rainha. Tempo de alguma colheita...Assim como vejo mulheres incríveis, como a Erika, juíza em São Paulo, a Josi, de Floripa, que conseguem se desdobrar ainda mais, e se destacam no triathlon, com filhos pequenos, minhas ídolas. Simone, minha sis, que se vira em vinte para dar conta de tudo, com sua super organização. Todas com mais de trinta (digamos assim), e que começaram no esporte (a sério) mais tarde do que o habitual. Acho que temos a disciplina, adquirida especialmente por quem tem pouco tempo, a nosso favor. E muita determinação.
Ah, e a Rita, que fez 50 anos? Amiga querida, passa por cima do tempo sem a menor cerimônia! Poderosa, e ensinando como ser fodástica sempre. Tenho muito a aprender com ela. 
Este ano, voltando à ativa, até agora corri mais na praia do que no asfalto, e fiz provas muito legais, mas dosei o suficiente para não me acabar. Ainda é agosto. Me sinto melhorando a cada uma delas, mais segura, e estou mudando o modelo alimentar também (assunto para outro dia, com tempo...). Péricles voltou a correr, muito bom, fico muito feliz quando ele corre (e gosta). 
Fazer aniversário não é algo que eu adore, tenho cisma, mas acho que me lembra que o tempo passa, que pessoas que amo já se foram, que não tenho tempo para todo mundo que gosto, para tudo o que quero fazer. Mas é bom para lembrar das prioridades. Daquilo que importa. Daqueles que importam, que precisam. Lembrar que a vida é boa.  E continuar a plantar. Outras mudas. Espero ter muito o que plantar ainda e poder colher. Ontem tanta gente tirou tempo para escrever uma mensagem para mim, mandar whatts, ligar...bom demais. A do meu pai e a do Péricles são top, eles são meus amores mesmo.
Viram quantas vezes a palavra tempo aparece nesse texto? Porque é determinante para nossas escolhas, e eu digo que é um artigo de luxo, um bem precioso. O maior luxo da nossa era é ter tempo. Não desperdicem! Beijos, e logo eu volto a falar das provas dos últimos meses!