terça-feira, 29 de março de 2016

E tem dias em que o sorriso sai só no final...Corrida de Páscoa

Esqueçam o que escrevi no último post sobre correr com alegria. Brincadeira. Tive um dia ruim. Fazia tempo que não me sentia dessa forma. Decidi escrever o post antes de ter digerido bem a Corrida de Páscoa de Mariscal, para compartilhar adequadamente meus conturbados sentimentos.
Ué, mas não saiu trofeu? Sim, saiu. Segundo lugar na categoria. Categoria de 10 anos, e não de 5. Se for olhar, foi melhor do que em São José. A menina que ficou em primeiro é a que, no ano passado, estava no pódio geral. Então, concluímos eu e ela que, embora a prova tenha crescido pouco em número de participantes, o nível subiu, em geral.
Ok, a prova tem a proposta de ser simples, e for fun, uma confraternização no sábado de Aleluia, atrai os locais (tinha uma equipe grande de Bombinhas) e turistas que já conhecem a região (paranaenses na maioria). Não é para ser mega profissional. Espero que não, porque aí fracassou de forma retumbante.
A simplicidade permite que a gente pegue o número no dia da prova, assim como a camiseta (sem tamanho para escolher), o que facilita sendo de outro lugar, e no caso específico, a chuva do dia anterior. O número é retornável, o que eu considero louvável, e possível em provas menores mesmo. Minha amiga que gosta de guardar o número das provas como recordação vai discordar...kkkk. Mas sério, acho ecológico. Ainda mais porque era prova sem chip. Então, a medalha e o cômputo do tempo eram unicamente com a devolução do número de peito (ou barriga).
Amanheceu um dia espetacular, assim como em São José. Céu azul, e um sol delicioso. Masss, não era um solzinho de outono, ar fresquinho, não. Era sol de queimar o coco, de passar o dia na praia. Esse sol.
Largada marcada para às 9h, algo que funciona só quando já está mais fresquinho. Sim, em  muitos anos na Páscoa o clima está mais ameno, mas não quando a Páscoa é em março, como no caso.
Na largada não tem nem pórtico, é todo mundo junto esperando mais ou menos na mesma linha, e aí a gente sai correndo, se atropelando.
Atrasou a largada. Mais de vinte minutos. Não pode, sorry. Largada às 9h20min debaixo de solão?
Disseram no microfone que a largada dos 5km seria primeiro, e 3 minutos depois a dos 10km. Então, só o povo dos 5km foi para a largada. Opa, não, vamos lá, pessoal, na verdade vão largar todos juntos. Corre para a largada.
Não tendo chip, não tem tempo líquido, então a largada fica bem mais tumultuada. Embora parecesse pouca gente (não consigo descobrir quantos inscritos, o resultado não está em lugar algum), pelas ruas de Mariscal, até Canto Grande, ficou bem apertado.
Como choveu na sexta-feira Santa até parecer que o novo dilúvio chegaria, as ruas de calçamento e chão batido viraram ruas de lama e poças enormes. Depois da Ponta do Papagaio e o mangue, eu estou relaxada, já melequei o tênis de prova, então não tentei desviar, mas ainda assim, ficou bem tumultuado e o espaço reduz.
Nas ruas, não tinha sombra. Nada. Sabe quando você vai pertinho do muro para ver se faz uma sombrinha? era assim.
Eu larguei relativamente forte, estimulada pelo povo e porque queria sair daquela confusão. E de preferência chegar logo na praia, meu território. Mas todo mundo teve a mesma ideia, então ficou bem difícil de ultrapassar, porque mesmo os mais lentos largaram na frente e tentaram apurar o passo para não ser atropelados.
A parte na rua foi dura, vi que não estava bem. Embora tenha ultrapassado muita gente que largou na frente e quebrou antes, eu  percebi que manter o ritmo estava bem difícil, mas pensava que chegaria à praia e tudo mudaria.  
No km 5, entra na praia em Canto Grande, para correr a praia toda, ou seja, em tese mais 5km. Neste ponto havia um posto de hidratação com água. Peguei dois copos, um para beber e outro para jogar.
Nesta prova fiz uma coisa que não costumo fazer, e não farei novamente: confiei na hidratação da organização. 
Lendo novamente o regulamento, percebi que não há qualquer referência a postos de hidratação no percurso, então a culpa também foi minha. Mas a inscrição não foi gratuita, nem a preço simbólico. Na verdade, você espera que tenha água. E só tinha esse posto de hidratação.
Não é que acabou, não. A organização da prova não disponibilizou água em mais nenhum local do trajeto. Em um dia de sol, marcando 30°! Ainda que a previsão original fosse de temperatura amena, tem que adequar!
Pensando depois, eu concluo que no km5 eu já estava desidratada, o que é uma porcaria. Em provas de 10km, depois que me adaptei à vida paleo, eu tomo pequenos goles de água ao longo do percurso, no máximo duas vezes, porque em treinos de 10km eu muitas vezes nem tomo nada, se eu tiver tomado bastante água nas horas anteriores.  Mas naquele calor, transpirando desde às 8h, e sem querer tomar muita água antes da largada (o probleminha do xixi básico), acho que no km 4 já deveria ter tomado uns goles. Azar o meu.
Contudo, todavia, entretanto, percebi que não era a única a sofrer. E então sofri, meu povo. Na praia o vento estava contrário a mim, a favor apenas do meu cabelo. Um belo vento, aliás, mas isso faz parte de correr na praia. Só que ainda assim eu continuava achando calor, e comecei a ter aqueles calafrios que arrepiam os pelinhos do braço, sabem? a pressão começa a oscilar, e começa a faltar tudo, inclusive serenidade para conseguir captar exatamente o que se passa. Minha cabeça começou a jogar contra. 
Eu quebrei, é verdade, mas estava me sentindo mal também, então eram as pernas desobedientes, os glúteos doendo, os arrepios, e a sede, tudo junto. Ficava pensando que deveria ter levado minha garrafinha, ficou no carro propositadamente! 
Li o post da Fabiana Leal sobre o ultratrail rota das águas no face, e ela fala do treino da mente, algo que o Daniel Oliveira, da Wellness,  é expert com os alunos e consigo mesmo. E foi isso que me faltou, minha cabeça fraquejou, de maneira que meu corpo, que não estava dos melhores, empacou. Parabéns para quem já está evoluído como eles, eu chego lá.
Comecei a pensar que eu não terminaria. Que não queria fazer fiasco tão grande, que seria uma vergonha, e que pela primeira vez na vida eu ia desistir da prova antes de terminar, e não ter a medalha. Não vou mentir, acho que já pensei isso em umas duas outras provas, mas não levei adiante a ideia imbecil. Porque é imbecil mesmo, eu acho. A não ser que realmente você passe muito mal, fisicamente, torça o pé, ou seja, algo físico te impeça de continuar correndo, terminar a prova é o básico. Isso Everton sempre me falou também. Está ruim? vai para terminar.
Na hora eu não achei isso. Tive que caminhar umas três vezes, e no km7 eu pensava: não consigo correr mais 3km.
Só que não tinha muito para onde ir. Tinha que correr até o  final da praia, fazer um retorno e correr mais um pouco de volta, passar a ponte e chegar. E essa corrida de volta na praia era curta, de maneira que  não era muito esperto correr 8,5km e desistir. 
Então passei a fazer aquele exercício mental que funciona para mim: só mais um km. E de um em um, fui chegando. Também notei que quando eu corria, mesmo num pace medíocre, ultrapassava várias meninas, que me passavam de volta quando eu caminhava, porque elas continuavam correndo, embora mais devagar do que eu. Ou seja, eu só tinha que correr. E isso me mostrava que estava ruim para mais gente, que, diferentemente de mim, não estava desistindo. Ponto para elas. 
E pensei, sim, que o Arthur ia estar me esperando, como ele faz, e chegar comigo. Não tinha certeza, mas e se ele estivesse e eu não viesse para a chegada, e sim desistindo? Mãe tem um nome a zelar. Como explicar para ele que eu tinha decidido não terminar só porque percebi que não ia "ganhar"? Como depois dizer para ele que o importante é competir, participar, e terminar? É o que eu digo nas provas grandes, em que a colocação importa ainda menos: a gente corre porque é bom, porque faz a gente feliz, e participar da prova é uma celebração, e não uma obrigação de ganhar nada. Ser mãe tem dessas coisas, dar o exemplo,  para o bem e...para o bem. 
Quando fiz o retorno na praia e vi que faltava pouco mesmo, consegui dar uma apurada, e como no ano passado, não davam 10km, davam uns 9,5km, e na pontezinha já vi o Arthur, descalço, compenetrado como de costume, esperando para disparar, já que, diferente de mim, ele não tinha corrido mais de 9km. E ele veio, e aí tudo melhorou, chegamos juntos e até sorrindo. 
Eu tive que sentar depois. Nunca sento, estava bem ruinzinha. No final havia bastante água, melancia, banana e até isotônico. Mas isso não me faz perdoar não ter posto de hidratação na prova. Vi muita gente reclamando, inclusive do horário de largada.
Na chegada tinha pórtico, e eles anunciavam o tempo bruto, no meu deram 54' e alguma coisa, mas não consigo saber oficialmente, e confesso que não prestei atenção. A prova foi sábado, já deveriam ter publicado em algum lugar o resultado.
Ahhh, polêmica: o primeiro colocado dos 5km até o funil (vamos considerar funil uns  15 metros) foi ultrapassado nesse pequeno trajeto. E aí? vale? não tinha nada no regulamento, então valeu. O clima estava meio estranho no pódio, mas o que acabou em segundo lugar parecia bem contente, vi que a assessoria dele é que estava mais chateada. Eu tenho por hábito não ultrapassar no funil, e várias provas proíbem isso. 
Mas já fui ultrapassada, e já perdi pódio por não ter ultrapassado. Acho que é bem individual. Atualmente, depende da prova, de quem está do lado...aiaiaiai.
O aprendizado é, mais uma vez, não permitir que tua mente te traia, te pregue peças, te faça cair em armadilhas. Corredor tem dia bom e dia ruim, mas tem que saber conduzir a prova em um dia ruim, e ir ao seu limite naquela condição. No final das contas, acho que ainda consegui me superar, e se não tivesse concluído, ficaria furiosa comigo mesma por muito tempo. Fora de cogitação. Eu queria ir embora logo que acabou, mas Péricles disse que não tinham chegado tantas mulheres assim antes de mim. O que mostra que eu estava errada até na percepção da dificuldade e do tamanho do fiasco.
Trabalhar a cabeça serve tanto para prova quanto para começar a correr, participar da primeira prova, aumentar a distância, em treino ou em competição, ou seja, para qualquer novidade que você pretenda para seu corpo. Vamos pensar mais nisso.
Respondeu ao questionário do perfil da corredora? A chata aqui está esperando...eu ia encerrar no domingo de Páscoa, mas a Daia Gamboa começou a divulgar ontem, então vou deixar até amanhã, no máximo quinta. Estou muito ansiosa para compartilhar os resultados, li coisas incríveis, e já aprendi muito. 
O próximo passo? tcham tcham tcham tcham!!! 
Vamos marcar um encontro, que espero que seja grande, para celebrar a importância da corrida para nós, mulheres, e o aumento de mulheres no universo da corrida.
Antes dele ocorrer, espero poder compartilhar histórias de corredoras...Contarei logo, logo.
Boa semana, bons treinos!





1


quinta-feira, 17 de março de 2016

Meia maratona de São José, Frustração e Liberdade

A pessoa acorda no domingo às 5h50min, vai da Praia da Daniela até a beira-mar de São José para correr  10k. É amor pela corrida, não é? Sim, muito. Engraçado que nem chego a me questionar sobre ir ou não para uma prova. Desta vez era mais fácil porque amanheceu um dia lindo, um céu espetacularmente azul, dava vontade de correr mesmo. 
Tem gente que me diz que não sai de casa para correr pouco. Para esses, eu digo: 1. O que é pouco para você? para quem faz ultra maratona, 21km é regenerativo, para quem nunca fez mais de 8km em treino, 10km parece bastante. 2. Eu saio de casa nem que seja para correr vinte minutos. Sabe por que? Porque sempre acho que vale a pena. E sou mulher. E mãe. E tem vezes que a gente só tem esse tempo. Para completar, melhor vinte minutos correndo do que comendo, né não?
Correr é bom até por isso. Qualquer meia hora correndo vale. É o tempo para fazer entre 5km e 6km. As pessoas me perguntam se "compensa" correr meia hora, três vezes por semana. Claro que sim, se te faz feliz!
Quanto à prova, a Corre Brasil está de parabéns. Bela organização da meia maratona Caixa de São José. Daquelas provas em que tudo funciona direitinho, muita hidratação, pontualidade, entrega adequada dos kits, boa marcação do percurso. Meu senão é quanto à camiseta, bonita, mas de um tecido que deixa a desejar, qualidade duvidosa e  muito quente. 
Achei interessante o número ser autocolante. Claro que dessa vez eu estava com meu porta número, e aí não usava. O número colado na camiseta não incomodou nada. Mas te impede de tirar a camiseta durante a prova, porque não tem como colar em outro lugar. Para quem gosta de guardar o número como recordação, tem que fixar em algum lugar. O chip era dos descartáveis, sem o arame que acho um horror, e sim um adesivo, tudo muito moderno. 
Como sempre, acho que as largadas não deveriam ser juntas para todas as distâncias, porque os paces são muito diferentes. Com uma diferença de poucos minutos já seria mais confortável. Mas já escrevo meio como protesto sem repercussão.
Com percursos de 21km, 10km e 5km, havia muitos iniciantes, e o percurso favorecia. Só que enganava. Sabe quando parece plano de carro? Pois é, mas correndo era levemente inclinado. Para os 10km, duas voltas no circuito, com sol direto castigando. Quem fez 21k deve ter sofrido, porque lá não tem o ventinho de Floripa. Depois vou ler o relato do Hanada para ver o que ele achou. Simone Ponte Ferraz foi a primeira geral, muitos parabéns, ela merece, é dedicação e treinamento na veia. Paraíba também, aquele rapaz simples e que sempre tem um sorriso no rosto, um campeão. 
E eu? Fiz a prova num momento em que estou seguindo 100% a planilha, e praticamente 100% alimentação (no esquema 90/10). Nas férias treinei bastante, e sem estresse de trabalho. Nem vinho tomei durante a semana, e estou focada em baixar meus tempos recentes. 
Mas ainda não foi dessa vez. Fiquei pensando se foi o calor, e certamente também interferiu, porque os tempos em geral foram altos, com exceção da primeira colocada do 10k. Fui a 13ª mulher, 2ª da categoria (não tinha premiação), com 52 minutos. É muito para quem estava preparada, ou achava que estava.
Fiquei me perguntando o que se passa comigo. Pouco treino não é, não foi privação de sono, nem falta de glicogênio. Não quebrei. 
Durante a prova houve um momento em que eu não queria muito sofrimento. Só que velocidade é sofrimento. Não fui além do treino, como se deve ir na prova. Faltou o sangue nos olhos. E isso tenho que trabalhar internamente, me sentir mais estimulada para sair correndo no dia da prova. Como diz a Paula do Correpaula, botou o número no peito é para levar a sério. 
Hora de revisar minhas anotações mentais e programação de corrida. Modo prova não pareceu ter ligado.
E o negócio é que adoro fazer prova, acho a energia excelente, dá uma emoção diferente, é a certeza de que você vai correr mesmo que chova muito (o que não faria se fosse um treino normal), com mais um monte de gente com a mesma energia, superação coletiva. 
A hora da chegada foi uma alegria, porque no final eu dei uma acelerada, ultrapassei, e cheguei bem. 
Só que quando eu tenho esses pequenos surtos de decepção de queda de desempenho, depois eu me lembro que correr é meu lazer, minha alegria, meu hobby. Não é e nem deve ser motivo de estresse. Amadureci quanto a isso, e não termino mais a prova com cara de quem vai matar uma pessoa (alguns amigos já fugiram, coitados) porque queria mais. Não, não. 
Termino feliz, e durante a prova ainda lembro do que o pessoal da motivação de Amsterdam disse: não é a alegria que traz o sorriso. É o sorriso que, pela contração muscular, envia uma mensagem para o cérebro de que você só pode estar feliz, e então você se alegra. E, cá entre nós, a prova não fica mais fácil porque você está com cara feia. Então agora eu sorrio. Devo parecer meio tola, mas isso já acontece em outras situações, e prefiro ser uma tola sorridente.  
Continuo buscando? Com certeza. Mais do que nunca. Porque, de outro lado, eu dispendo um bocado de tempo (e e$$e tempo também) e energia nesse hobby que amo, não é para só brincar. A diferença é que valorizo o correr em si, e, no meio de tanta confusão em que vivemos, sinto-me muito grata por poder correr livremente, sendo mulher, com a roupa que eu quiser, a distância que escolher, a prova que eu pretender, em Balneário Camboriu, Floripa, Blumenau, São José, Rio, Curitiba, Nova Iorque, Amsterdã, Buenos Aires...o que pode ser mais libertador do que isso? Nem sempre foi assim. Leiam a Contrarrelógio deste mês e conheçam a história das primeiras corredoras, da primeira maratonista, que correu com as iniciais, sem indicar gênero, e foi perseguida pelo organizador, que tentou tirá-la à força da prova. 
Gratidão por ter a corrida na minha vida é o que tem para hoje. E é muito.   











domingo, 6 de março de 2016

Post Culinário: Brownie semi paleo funcional diferente da receita do André


O título é autoexplicativo. Mas complemento dizendo que eu adoro a receita de brownie do André Nutrichef, aprendi no curso dele, e, como tudo o que ele faz, fica maravilhoso e o melhor, possível de reproduzir.
Digo isso porque já fiz curso e já vi gente ótima passando a receita, e eu nunca mais consegui reproduzir da mesma forma ou com o mesmo sabor.
Então, em princípio, eu ia fazer a receita do Andre, achando que tinha tudo em casa. Como é funcional, leva biomassa de banana verde, e na hora de descongelar os cubos que eu tinha, deu alguma coisa errada, e, sem mais explicações, tive que pensar no plano b.
Lembrando de outras receitas que acho legais, e querendo fazer na linha paleo, saiu como explico abaixo. Ah, se você está pensando em fazer, compre as tâmaras hoje para deixar de molho!

Ingredientes:
4 ovos (orgânicos, preferencialmente)
2 colheres de óleo de coco
200gr de tâmaras
30gr de farinha de coco (muitas vezes substituo pelo coco ralado sem açucar, mas neste caso não recomendo, porque a ideia é ser só uma farinha, e não prevalecer o gosto do coco)
20gr de farinha de amendoas (ou outra oleaginosa)
nozes quebradas a gosto
1 colher de chá de extrato de baunilha (o extrato mesmo, não aquela essência horrorosa; eu vou pingando as gotinhas, não conto bem a medida)
aproximadamente 100gr de chocolate amargo (usei o 85%, adoramos, mas pode ser 70%, ou ao gosto da pessoa; aproximadamente é porque eu usei metade de uma barra aberta, e abri outra para completar, não sei se deu bem isso)

Modo

Deixe as tâmaras de molho por umas três horas; eu deixei a tarde toda, eram grandes.
Ligue o forno a 180°
Pique as nozes, ou triture, ou amasse, dependendo do tamanho que goste na massa;
Derreta o chocolate, em banho maria ou microondas (é um dos meus únicos usos para o aparelho); se usar microondas, coloque um minuto, olhe e mexa, e depois mais uns 40 segundos, olhando e mexendo para não passar do ponto e queimar (não que isso já tenha acontecido comigo...);
No liquidificador coloque os ovos (quebre cada um em uma xicara ou mini cumbuca, colocando no liquidificador um por um; caso um esteja estragado, não estraga a receita), as tâmaras hidratadas sem caroço, o óleo de coco e o extrato de baunilha e triture bem, não pode sobrar pedaço de tâmara;
coloque então o chocolate derretido, que não estará tão quente, e bata bem;
Despeje a mistura em uma tigela com as nozes e as farinhas.

(observação: voce pode separar as claras das gemas, e colocar no liquidificador só as gemas; neste caso, coloque o chocolate ainda bem quente derretido, para meio que cozinhar as gemas; bata as claras em neve e acrescente ao final de tudo; em vez de forno, coloque na geladeira e você terá mousse de chocolate)

Depois de misturar tudo, com uma colher de sorvete (aquela concha) vá colocando em forminhas para cup cakes, ou em uma forma retangular untada; eu prefiro as forminhas, por várias razões: 1. Assam mais rápido; 2. São mais práticas para o filho comer, pega um direto, e não faz lambança cortando, ou cavando, e esfarelando tudo pelo caminho; 3. Mantém a umidade do bolo; quando voce corta ou desenforma, a partir dali o bolo começa a ressecar; se fica na forminha isso não acontece.

Pronto. Forno 180° e fique de olho porque depende do forno. Eu calculei 25 minutos, mas em uns 22 já estavam no ponto, ou seja, não totalmente cozidos por dentro. Tem que estar com casquinha por cima, mas se voce furar, não é para sair seco como em um bolo, é para ficar úmido mesmo; acho que em 20 minutos já estaria bom também, mas depende do forno. Como não vai fermento e não crescem muito, pode abrir o forno para olhar depois de uns 15 minutos.

Eu não fiz cobertura, acho que para brownie não precisa. Mas se quiser, uma caldinha de chocolate amargo misturado com água mesmo é a sugestão do André.
Não esperei esfriar, porque amo quente, comi metade de um para ver se tinha prestado. Não, não comi com sorvete, mas cada um por si. Inclusive depois de correr os 12km de hoje em jejum, depois do suco verde comi um,  quentinho...
Poderia colocar umas gostas de chocolate na massa também para ter mais chocolate, mas ficou tão bom assim...ah, e não fica muito doce. As tâmaras adoçam incrivelmente, mas são bem gordinhas e tem uma quantidade de carbo elevada, toda a receita, só das tâmaras, tem 150gr de carbo e mais de 120gr de açucar, e em torno de 16gr de fibra. Em resumo, é um bolinho super natural e como eu digo, quase paleo, mas não é totalmente lowcarb.
Deram nove bolinhos. Então mais uma vantagem do bolinho: você come um, e reduz tudo isso.
Eu ainda acredito que dê para enquadrar em comida de verdade, porque você conhece tudo o que leva, sem nomes estranhos nem lecitinas.
Dá para fazer com adoçante? esta receita eu não sei, não tentei, e as tâmaras batidas contribuem para formar a textura, então acho que daria para trocar por mel, em uma quantidade menor.

Quem já sabe cozinhar deve achar que as explicações acima são para pessoas idiotas, mas eu comecei a cozinhar sendo muito idiota, quase debilóide, então sempre gosto de explicar beeeem direitinho porque era como eu gostava de aprender, e às vezes ainda é assim. Nos primeiros bolos, eu fazia toda a massa e depois tinha que esperar o forno esquentar, porque não tinha ligado antes, por exemplo.
De todo jeito, só faço comida fácil até hoje, e esse é um exemplo.
Espero que dê certo para todos. Me contem.
Beijos




sexta-feira, 4 de março de 2016

Treinos de verão, Parceria e a Ponta do Papagaio

Então, pessoal, passou o carnaval, daqui a pouco já é páscoa. O ano começou, não tem mais jeito. Isso significa que o modo "treino de férias" chegou ao fim para todo mundo. Eu nunca fui fã de ficar off no final do ano. Nem duas semaninhas? nem duas semaninhas. Posso fazer mais matado, não cumprir a planilha, mas atualmente não gosto nem de ficar sem planilha no período. Li as revistas todas, falando da importância de dar uma variada, de preparar para o período de base, e eu mesma já fiz isso. No final de 2013 estava, sinceramente, de saco cheio de correr, tinha tido um ótimo ano, mas puxado. E só queria saber de nadar e pedalar. 
Em 2014, com a lesão, eu não tive opção senão nadar e pedalar no período da comilança, digo, de férias. Na época não adorei, não. Quando voltei a correr, em janeiro, de leve e tal, foi sofrido demais.
Por isso em 2015 não parei. Desacelerei apenas, mas não parei nem uma semana. Inclusive, orgulhosamente, segui a planilha. Com exceção da velocidade prevista, que nem sempre deu certo. Eu não como muito no verão e nas férias em si, mas eu bebo vinho com muita alegria, e Magners, e talvez espumante...opa, fugi do assunto.
Enfim, foi ótimo porque não tive queda no meu condicionamento. Me mantive bem. Masssss, isso só aconteceu porque eu me inscrevi para a prova da Ponta do Papagaio. Adoro essa prova, já falei dela antes, e para este ano montamos um trio felicidade pura, composto por mim, Rita e Cris, parceiras tops, como só sublimáticas podem ser. 
Com a prova marcada para 21 de fevereiro, não dava para ficar parada em janeiro. Tanto que até fiz bem feitinha a prova da Fantasia de Balneário Camboriu, que foi dia 07 de fevereiro. Claro que era for fun total, a pessoa não põe uma pseudo fantasia de enfermeira para correr seriamente (eu não, pelo menos), mas não fiz de qualquer jeito, quis forçar um pouquinho na areia. 
E treinei em horários ruins, 10h da manhã, sabem? não adianta treinar às 7h se no dia da prova você vai correr às 9 e meia, como era meu caso. Conforto demais no treino pode trazer decepção na prova. 
Para levar ainda mais a sério o treino de verão é ótimo a prova ser em equipe. Não tínhamos qualquer pretensão de tempo ou premiação, vai um pessoal forte nessa prova, mas o objetivo é terminar com dignidade e não fazer a parceira passar vergonha. Já tem que treinar. 
Todos os anos que corri na Ponta do Papagaio fez sol. E não era qualquer sol, era de torrar o coco. Este ano choveu nos dias anteriores. Na noite anterior chovia cântaros, com trovoadas muitas, para preparar bem a trilha para o pessoal hahahaha.
Claro, estou rindo porque não fiz a trilha, o povo disse que estava punk mesmo.
O dia amanheceu bem feinho, chuviscando ainda, mas a maioria do pessoal curtiu, porque ficava menos calor, claro. Dentro de mim, eu sabia que na hora que eu fosse correr, não choveria. Faria sol, na verdade. 
A organização da prova melhorou bastante. Teve quem reclamasse,  mas eu achei que este ano foi tudo muito bem feito. Com exceção da largada, que foi bem bagunçada. Acontece que é uma prova de 30km que podem ser feitos individualmente, em dupla, trio e quinteto. Além disso, ainda há provas de participação com duas outras distâncias. Fica mais difícil organizar isso tudo. E em geral deu certo. Tinha muita gente este ano, o povo de Blumenau descobriu a prova e encontrei amigos show de lá. 
A Rita largou e fez a trilha,  depois a Cris na areia e eu fechei a prova. Mudaram o percurso, e, além de acrescentarem umas duninhas (duninhas mesmo, porque dunas de verdade são na Joaquina, Rosa...), tinha uma parte de mangue que, graças à chuva, chegava até metade da minha coxa (ou seja, devia ter corredor com água quase na cintura), e era bem eca. Quando desci a duna e vi, comecei a rir. Po, eu só queria correr na areia...mas essa parte não me incomoda, não chega a transformar o trecho em trail, o percurso não é nada técnico e corresponde a menos de 3km, do total de 12km do trecho.  Depois cheguei na praia e era só alegria. Até porque, como eu previa, abriu um solzinho gostoso. Confesso que não fui para morrer, botei um ritmo de conforto e fui embora.
Na metade do trecho alcancei o Edson, marido da Cris, e ele me acompanhou até o final. Que maravilha que foi! 
Corrida é esporte individual, mas solitário só se você quiser ou se escolher provas como meia de Amesterdã sozinha (sim, era eu, mas ainda assim não sentia solidão, sentia solitude). O Edson me manteve com astral de correr bem, não impôs ritmo mas não me deixou relaxar, e fomos nos divertindo. Tinha muita água no caminho, e depois do mangue, não tinha mais apego, nem procurava desviar. 
Falha  da prova: acabou a água no posto da areia. Não pode. Ainda faltavam uns 4km, eu acho, e não tinha mais água. Ainda tinha muita gente para passar por ali, e normalmente, quem demora mais na prova, é justamente quem precisa mais de hidratação. Ah, mas acabou, fazer o que? corre e compra mais, pega da chegada porque ali dá para comprar no mercado, dá um jeito. Plano B. 
No final, terminei meus 12km inteira, tão inteira que podia ter forçado um pouquinho mais...quando estávamos quase na chegada, Arthur veio correndo junto, Cris e Rita também. A Cris ficou para trás e chegou com o Edson, e a chegada com Arthur e Rita foi muito legal, marido filmando. Amizade que só se fortalece, porque o Arthur jura que é bem amigo da Rita. 
Prova de verão é isso: treino duro no sol, reclamação do calor, desidratação...e astral de praia, todo mundo de biquini depois que termina, cerveja para quem gosta, espumante para celebrar entre amigos, o que pode ser melhor do que isso?
Sou suspeita, não sofro tanto no calor, adoro verão, então acho que nas provas de verão todo mundo está mais bonito do que com calça térmica de compressão e manga comprida...não?
A prova me mostrou, mais uma vez, como é possível ter parceria num esporte individual como a corrida. Fora que a  gente fica feliz em compartilhar o momento com os outros corredores, com a família que vai prestigiar, é bom demais! Tinha muita gente buscando superação, enfrentando areia ou trilha pela primeira vez, outros querendo melhorar tempo, outros apoiando e puxando o amigo...supimpa!
Agora já estamos em março, mês do dia internacional da mulher. Vou preparar um post especial para isso, mas espero que não fique por aí. Estou com umas ideias maluquinhas para celebrar as alegrias de ser uma mulher corredora. Para isso, estou muito interessada em saber: o que a corrida fez por vocês, meninas? ela mudou a sua forma de ver o mundo ou algum aspecto da sua vida? Você mudou quando começou a correr? E vocês, meninos, viram suas namoradas, irmãs, amigas, esposas, mudarem quando começaram a correr? Vamos falar sobre mulher corredora, autoestima e mudança de vida!! E vamos vivenciar tudo isso!!
Bons treinos!