sábado, 28 de maio de 2016

Treino Coletivo Mulheres que Correm - parte 1 - preparação

Na sexta-feira, dia 20 de maio, choveu. Como há muito não chovia em Balneário Camboriú. E o povo começou a perguntar no face e no whatts se ia ter treino no dia seguinte mesmo com chuva. Gente de pouca fé, eu sempre soube que não choveria. E Deus nos presenteou com um dia lindo de sol, e muita areia da praia para correr. 
Era uma prova de corrida? Não. Era "só" um treino. Um treino com energia de prova, organizado por mulheres e para mulheres celebrarem a corrida e o que a corrida faz pelas mulheres. Bom, correr é um exercício, certo? então a corrida traz os benefícios de um exercício físico para as mulheres. Aí é que está. Para a mulher, não é só isso. Pode começar sendo isso, mas cresce, e vira o melhor momento do dia, aquele só seu, aquele que você espera ansiosamente, porque vai estar com seus pensamentos, em conexão com seu corpo. E no final, tem a cara da loucura. A melhor de todas. 
Sozinha? Só se quiser. 
Opa, rebobina (sou velha). Do que estamos falando?
Quando eu vim morar em Balneário Camboriú, voltei a correr sozinha, como era no começo em Blumenau. Só que agora eu gosto de ter a opção de correr com parceria, especialmente nos longuinhos, e quem faz prova em equipe sabe como pode ser maravilhoso correr entre amigas. No começo não me importei, mas no dia da corrida da fantasia, em que eu estava ridicularmente de enfermeira, e não tinha ninguém conhecido para me zoar, eu confesso que me senti só...E comecei a pensar que seria muito bom organizar algo que permitisse que mulheres corredoras se conhecessem para depois ter a oportunidade de correr juntas. Claro, tenho o adicional de ter feito amigas preciosas na corrida. 
Só que eu tinha mais ideias a respeito da corrida e as mulheres. Já faz tempo que acho que corrida é forma de empoderamento feminino (tem gente que odeia essa expressão. Todos homens). Com esse espírito de que a corrida liberta a mulher, eu já vinha observando mulheres que mudaram suas vidas a partir da corrida. Superaram problemas, desenvolveram autoestima, e porque se viram e se sentiram mais bonitas, ficaram, de fato, mais bonitas. Há mulheres que, depois que descobriram que podiam correr 5km, perceberam que podiam fazer qualquer coisa que quisessem. Basta ter disciplina, determinação, foco, e treino. 
Com essa conclusão baseada em fatos reais, empirismo puro, eu quis mais. Quis que mulheres que nunca correram tivessem a oportunidade de descobrir que podem correr. Muitas nunca tentaram simplesmente pelo medo de não conseguir. E quanto a isso comecei a pensar que deveria ter algo a fazer. Já botei várias mulheres para correr, incentivando, desafiando, sempre dizendo para procurar orientação profissional, e tirando o medo da corrida. Mas sempre individualmente, quando tinha uma oportunidade. Sou aquela que nunca diz para quem está acima do peso para parar de comer. Gordinho adora comer, eu adoro comer, vou tirar a alegria da pessoa? Nunca. Sugiro outra alegria: vai correr. 
Ninguém começa correndo uma maratona. Aliás, ninguém começa nem correndo 5km. No início a gente sequer sabe o que são 5km. A gente sabe o que são dois minutos de sofrência. Até o dia que corre 5 minutos direto, e depois 10, e 20, e um dia corre meia hora e então descobre que meia hora podem ser 5km. Espetáculo. 
Além disso, tem gente que simplesmente sai correndo um belo dia. Além de perigoso, pelo risco de lesão e por não saber se tem algum problema de saúde, não traz muita evolução. Isso porque você faz sempre a mesma coisa, e, portanto, tem sempre o mesmo resultado. E essas mulheres saem para correr sozinhas, sem saber bem como fazer. E nem se imaginam em uma prova de corrida, acham que "não é para elas".
Juntando todos esses pensamentos, em um encontro com as sublimáticas da volta, expus meu delírio de ter mulheres celebrando a corrida, fossem experientes ou iniciantes, e sentindo o poder que dá dentro da gente depois que a gente corre, e, depois de um tempo, durante a corrida. E que tem gente que nem sonha como é fazer uma prova de corrida, essa coisa de pós treino, dispersão, todo mundo junto curtindo a endorfina final, se sentindo com missão cumprida.
E as sublimáticas, essas mulheres maravilhosas que a corrida me trouxe (só a Simone já era minha amiga antes), embarcaram comigo, e foram dando forma às minhas ideias soltas. Fomos pensando em algo que pudesse atrair interessadas em corrida, iniciantes que não tinham conseguido correr 5km ainda, outras que não passassem nunca dos 5km por receio, e assim vai.
Nasceu o Treino Coletivo Mulheres que Correm. Naquela noite todas opinaram, deram ideias, foram incríveis. Dali em diante foi dada a largada. Fomos criando etapas e desenvolvendo. Sem a genialidade criativa da Giovana, não teríamos nossa polva, símbolo máximo das mulheres, que fazem mil coisas ao mesmo tempo, Queríamos tudo: uma camiseta bacana, um kit verdadeiro, e coisas que ninguém nunca fez antes. Criamos um treino do jeito que gostaríamos que fosse para a gente ter vontade de ir. 
Quando a gente faz uma coisa de coração, e pensando que vai ser bom para outras pessoas, o universo conspira, podem acreditar. De repente, tudo começou a acontecer. Investi, é verdade, sem saber se as inscrições pagariam meus gastos iniciais. As camisetas tinham que ser encomendadas com quantidade certa, e pagamento de metade antecipado. Sempre soube que valeria a pena. 
Começamos a buscar apoiadores, gente que daria não dinheiro, mas algo seu, ou seu tempo. O Ricardo Bof, marido da Clenir, logo entrou conosco fornecendo Druss, energético diferente, com malte e sem açúcar. Assim também o pessoal da Frozenfit, os picolés deliciosos feitos basicamente com a fruta, comi o verão o inteiro. Ah, sim, sempre quis o apoio de gente que uma de nós conhecesse, não só a pessoa como os produtos. Aqui não tem jabá, tem confiança. Nossa ou de alguém que a gente confie.
Quando eu explicava o projeto, sei que falava com paixão, e isso ajuda. Mas teve gente para quem eu falei que comprou na hora a ideia e já me apresentou mais gente, e  saiu a fazer propaganda e espalhar. Mary Ellem, da Malebilet, que conheci numa noite de treino da Gamboa, logo pegou a ideia e me impulsionou permanentemente. Rosana também logo se animou. Mulheres que conheci rapidamente e que confiaram em mim. A Daia e o Diogo Gamboa acharam ótimo, me deram inclusive várias sugestões para próximos treinos, e se comprometeram comigo na parte técnica. Fora o espaço na praia.
As meninas em Blumenau foram fazendo a mesma coisa, e assim vieram os apoiadores todos, Wellness, sempre dando um passo à frente, A Ana Ruschel, profissional maravilhosa e irmã de coração, foi divulgar na imprensa e buscar mais apoiadores.
Vários ofereceram brindes para sortear, podem olhar abaixo. No final, sem qualquer pretensão pedi para a Gomes da Costa e eles super apoiaram, ganhamos muitas latas de salada de atum com batata doce para colocar no kit e na tenda. Os lenços umedecidos da feel clean foram uma baita surpresa, muita delicadeza na embalagem!
Fui apresentada à Ana Paula, da Quitanda Barra Norte, e conheci um novo significado de generosidade. Ela perguntou o que eu queria  precisava. E tudo o que eu queria ela fez melhor e mais bonito. E ela nem corre. Ainda. 
Inicialmente nós fomos atrás, mas nas últimas semanas que antecederam o evento, fomos nós as procuradas por empresas e pessoas que queriam participar. Isso foi maravilhoso!  
Até o fotógrafo Luciano desceu do céu quando era só o que faltava. O único homem no evento, coitado, sendo enlouquecido pelas #loucasporfotos.
Achamos legal criar uma distância para quem ia correr a primeira vez, 3km. Além disso, 5km e 8km. As avançadas podiam dobrar, ou continuar, como quisessem. Isso implicou ter que criar esses trajetos e depois demarcar, e alguém ficar lá para o retorno. 
Um diferencial que decidimos trazer foi a orientação profissional, ou seja, um acompanhamento por uma profissional para cada distância. Isso só em treino é possível. Falamos com a Daia, Grazi e Diandra, todas fortes e professoras.  
Chegou aquele momento em que o negócio era lançar e seja o Deus quiser. Abrimos as inscrições e as mulheres incríveis começaram a se inscrever, também estimuladas pelo lindo kit que estávamos preparando. A Solange Sol foi maravilhosa, trouxe meninas da Educative, mostrando o que realmente é o espírito da corrida. Meninas de Blumenau foram espalhando, no clube Bela Vista também, Anouke e Fran sempre fazendo a propaganda...entre tantas outras que silenciosamente foram apoiando.
O negócio é que essa não é minha profissão. Aliás, o treino nunca foi para me trazer dinheiro, obviamente. Então conciliar meu trabalho, minha família, meus treinos e a organização do Treino, principalmente depois da abertura das inscrições, não foi fácil. Todos os dias havia muitas coisas a fazer. Muitas. No final, quem mais se prejudicou foi meu treino kkkk. 
Algumas sublimáticas me ajudaram mais durante a fase de organização: Giovana e Simone. Sem a Gio, não sei se sairia o treino.  Ela também trabalha, e tem a Paola, com menos de um aninho. Sem a Si, não teríamos tantos apoiadores, que resultaram em sorteios de muitos brindes legais. Na fase de postagens no grupo do face, a Si também ajudou demais. Na organização final, e no dia, Amanda ativou o modo organização e coordenação e cuidou da entrega dos kits e controle das inscritas, e cada uma teve sua função, Muito obrigada Rita,Cris e Bruna por ficarem nos cones, A Karina só pode torcer de longe, pena, mas super entendo, a baby dela ainda é beeem baby e Curitiba é mais longe. Grazi, minha orientadora profissional das iniciantes, aquela que eu confio cegamente, e que ainda trouxe um tênis da 361 diretamente da Runningforlife para o sorteio final. 
Já escrevi tudo isso e não falei do treino em si. Então vão ser dois posts. Esse fica para dizer que ninguém faz nada sozinha. Que as mulheres podem se empoderar pela corrida. E que sou muito grata por ter amigas e mulheres que confiaram nessa ideia diferente de corrida e felicidade. E já fiquem sabendo, como disse a Gio, que quem não foi perdeu. 
Já conto tudo. 









quinta-feira, 5 de maio de 2016

Night cold run e participação especial de Julieta Pinheiro

Há um pouco mais de um mês eu me inscrevi na Itapema Night Run. Parecia uma ótima ideia, 8km (ou 4km) às 19h de um sábado. Estava calor na época, então a ideia de correr no final do dia pareceu realmente boa.
No domingo anterior tivemos a Meia de BC, com calor senegalês. Eis então que surge essa massa de ar polar, ou qualquer que seja o nome que os meteorologistas deram, mas que eu chamo de um frio da p. Já deu para notar que não gosto do frio. Para nada. Nem para dormir, meus pés são muito gelados, e se encostam no meu corpo já não durmo. Meu corpo fica duro. tensionado direto. Não gosto de correr no frio, sou do contra, tenho frio no rosto. Falei para minha mãe, quando corro no frio tenho a sensação de que se eu sorrir minha expressão nunca mais vai se alterar. Congelo. Tenho frio no ouvido, de modo que tenho que correr com algo cobrindo, ou seja, só fico mais linda. Ô. Mas correr no frio tem as vantagens do rendimento para a maioria das pessoas, ainda mais o frio brasileiro. Para o meu rendimento a diferença é que quero terminar logo, ter calor logo. Quando o suor esfria depois de um treino no frio...é de matar.
No sábado de manhã me deu aquele arrependimento básico de ter me inscrito. Só que a planilha já incluía a prova, ia me atrapalhar toda, e como sempre, acho que vou me arrepender se não for, fico pensando naquilo e ainda vou olhar os tempos. Péssimo. 
Fomos, todos de casa, que beleza. Kit pegava na hora. Eu até queria que o Arthur participasse da corrida kids, mas era cobrada, em valor expressivo. Acho o fim. A estrutura já está montada, cobrar das crianças que não chegam nem a tomar água, para dar uma medalhinha...mesquinharia, desculpa. 
Eu achei que a prova seria pequena, e foi. A organização diz que eram 400 inscritos, mas não sei se tinha todo esse povo. Frio. Ai que frio. 13 graus. E era na areia da praia, porque em Itapema é onde é possível correr. 
Mas eu fui pensando em uma prova tranquila em termos de atletas. Quando me inscrevi, pensei em estimular provas de corrida em Itapema, nunca tinha visto nenhuma lá, e imaginei que fosse correr o pessoal da região. Ledo engano! Conheci gente de Imbituba, Tubarão, Torres!! E o nível dos atletas estava altíssimo!!!! Incompatível com a organização da prova. Não tinha chip. A inscrição não foi barata, e não tinha chip. Prova sem tempo líquido é algo que não dá mais. Eu não fico lá na frente me espremendo para largar atropelando o mundo, e não sou elite o suficiente para ir para a linha de frente, acho feio me meter quando não vou manter depois. 
E é isso que tem que fazer nas provas sem chip. Perdi uns bons 30 segundos nessa largada confusa e afunilada, fazer o que? 
A moça que falava ao microfone chegou a dizer que não havia controle de retorno, ou seja, você podia fazer o retorno onde quisesse e voltar para a chegada sem ter completado o percurso. Era na base da confiança total. Isso se chama amadorismo. 
O percurso tinha aqueles riozinhos na praia, que no verão são tranquilos, mas molhar o pé no frio dá tristeza. Na ida eu dei a volta, perdi um tempão, então no retorno, que resolvi #socarabota (sublimáticas, para vocês), me joguei e pisei na água mesmo, e nunca mais me aqueci, só no carro com ar quente no pé. Mas valeu a pena, para a areia fiz um bom tempo, 42'12 brutos. Os últimos 3km fui super bem, apertei, e cheguei com sobra. 
E eis que descubro que as melhores realmente estavam na minha faixa etária. Com o tempo que fiz, na areia da praia, fiquei em 4º lugar da categoria. Felizmente premiava até o 5º. Algumas categorias nem tiveram 5 pessoas para premiar, mas a minha tinha bastante gente, e todas de alto nível. Foi muito bacana o desafio. Esperar a premiação foi a treva, um ventinho cortando e eu suada por baixo da camiseta. Aliás, a camiseta da prova era boa, e a gente ganhava uma sacolinha com frutas, água e um litrão de água de coco, mas quase que fico sem, porque era no meio da praça, sem qualquer alarde.
O prefeito da cidade estava lá, isso é importante para prestigiar o evento. Encontrei o Eduardo Hanada, do Loucos por Corridas, acho que estamos competindo para ver quem faz mais provas este semestre!
A experiência foi interessante, porque eu tinha feito provas noturnas no verão, e a unidade me atrapalhava bastante, então vi o outro lado. O ventinho do mar com o ar gelado não são fáceis, mas de fato fica menos sofrida a corrida em si. Depois do segundo km, quando comecei a sentir meus dedos dos pés. As fotos revelam uma prova com bipolaridade, eu feliz, eu triste, eu sofrendo...kkkk
Agora não tenho provas antes do treino coletivo, o que é bom para o treino render mais, a musculação também. Adoro fazer prova, mas muda o esquema todo da questão de macrociclo, mesociclo, e tal. Então agora é treinar. Sozinha e com as mulheres maravilhosas que estão se inscrevendo no Treino Coletivo.

Como eu tinha dito, vou divulgar as histórias de algumas corredoras, #mulheresquecorrem e que toparam dividir conosco sua experiência na corrida, o que as move. 
E começarei com a Julieta Pinheiro, uma juíza do trabalho como eu, que está no Rio Grande do Sul, é linda, inteligente, mulher, mãe, super multi power. Perfeita para falar da corrida, portanto. E ela é das minhas, se descobriu esperta para correr mais velha!
Vamos lá? aproveitem!!!

"Imagina uma corrida à meia-noite, iluminada por fogos de artifício e você renovando as energias e projetos para o novo ano: essa era a São Silvestre! 
Eu via as imagens na TV e ficava hipnotizada. Passados alguns anos, a prova mudou de horário, mas mesmo assim eu cresci dizendo que um dia eu correria a São Silvestre. Só que na época, o máximo que eu conseguia era me divertir em “pega-pega” e “polícia e ladrão”.
Na adolescência, eu mudei. Falava que correria a maratona de Nova York. Santa ingenuidade, na falta de comentário mais carinhoso. Não sabia sequer a distância da prova e estava longe de correr sequer 10km. Enquanto minhas amigas de handebol finalizavam os treinos de condicionamento físico, eu fazia exercícios de coordenação motora para ajustar braços e pernas que insistiam em tomar rumos diferentes.
Um belo dia, o projeto saiu do sofá. Não o da maratona, que ainda não iniciei e não sei se sairá da planilha em algum momento. Já era juíza. Frequentava academia, porém precisava de endorfina e alegria. Tive diagnóstico de endometriose severa, passei por cirurgias e um tratamento hormonal que me levou à uma endometriose transitória aos 30 anos.
Encerrada a medicação, aos poucos os hormônios foram voltando para o lugar, mas o melhor remédio para equilibrar o corpo e a mente era a corrida. No início, não procurei orientação especializada. comprei uma revista e saí seguindo a planilha, o que não recomendo. 
Fiz minha estreia e só parei durante a gravidez e a amamentação, e por conta de poucas lesões. No caminho, treinos, emoção em algumas largadas (lembrem, eu sou a menina que via e vê a São Silvestre), sorrisos esbaforidos em muitas chegadas, inclusive em uma delas de mãos dadas com o Daniel, meu marido e parceiro de corrida e correria. 
Também já fui vítima e agressora. A corrida pode ser perigosa às vezes. Numa maratona de revezamento, eu achava que estava sozinha num trecho que era de subida. Resolvi dar uma alongada nos meus braços de chipanzé e quase matei um desavisado que estava me ultrapassado. Eu sei: a culpa foi minha. Estava completamente errada. 
Em outra ocasião, caminhada na academia com olhos de presa no príncipe encantado, subi numa esteira que tinha sido deixada ligada e caí. Lá fiquei, de costas, feito uma tartaruga emborcada. 
E que corredora sou eu hoje, aos 40 anos?
A que tem técnico, recebe planilha individual semanalmente e não tem conseguido engrenar bem os treinos. A que se vira para conciliar trabalho, a rotina de amor das minhas meninas, o romance com o marido, a planilha e a alegria de viver, embora tenha semanas que tudo se confunda e nada saia conforme o planejado. A que ainda fantasia correr a São Silvestre e a maratona de Nova York, não 
necessariamente nessa ordem. A que correu duas meias-maratonas, incontáveis 10km e 5km. A que tem fé que correr não faz as bochechas caírem, nem outras partes do corpo mais abaixo, graças ao suor que escorre pelo rosto. A que adora quando alguém da família grita dentro do carro: “Lá vai a Ju no futuro!”. E eu olho e vejo uma mulher de shortinho, com 70 anos, no seu corpinho de 69 e meio, correndo na calçada. 
Bons joelhos e ao cálcio, meninas!!"

Ju, espero que realize teus sonhos!!!!