quarta-feira, 29 de junho de 2016

Projetos e Histórias de Vida que inspiram

Todo mundo tem problemas. Certo? Errado. Como eu já disse antes, muitos de nós temos mais incômodos do que problemas. E não dá para comparar. 
Por natureza, não sou reclamona. Tenho o hábito de ver algo de bom nas situações ruins, sou um tanto quanto Polyana (se você não sabe quem é, tem menos de trinta anos e precisa se informar kkkk). Mas, mais do que isso, sinceramente, tenho realmente muito a agradecer na vida. 
Tem gente, por outro lado, que de fato tem ou teve problemas. E cada um reage de forma diferente aos problemas que aparecem, e quem somos nós para julgar tais reações?
Só que algumas pessoas são inspiradoras na, digamos, administração do problema, e mais ainda no caminho para sua superação. 
Um evento pode mudar toda a sua vida, fazer você enxergar e fazer tudo de forma totalmente diferente. Inclusive, pode fazer você ter novas metas e projetos de vida.
Ou não. Com o passar do tempo, vamos percebendo nossas vocações para melhorar o mundo. Sim, todo mundo tem uma, é só deixar ela aparecer e seguir. A minha é combate à discriminação em geral e especialmente no trabalho, e à violência contra a mulher. Por isso estou, junto com as meninas, numa continuação do projeto Mulheres que Correm, voltado a isso. Falarei mais sobre ele na semana que vem, mas muitas das corredoras já estão por dentro e participando. Ação simples, nada espetacular, do jeito que acredito que pode ser: cada um, um pouquinho. 
Mas hoje o post é de uma mulher que corre que tem uma história muito especial. Não é uma história alegre, mas o modo que ela escolheu lidar com o evento que mudou sua vida é inspirador. E certamente tem final feliz. Se ainda não teve, não chegou ao fim. Tenho outras histórias para compartilhar com vocês, mas preciso que seja agora essa, pelo timing, afinal de contas, não é sempre que tenho como convidada especial do blog alguém que vai conduzir a tocha olimpica. 
Com vocês, Márcia Bina.

"Um novo começo

Meu nome é Márcia Bina, sou atleta amadora de corrida de rua e agora na luta para virar triatleta. No dia 30 de novembro de 2014, eu fui atropelada e muita coisa na minha vida mudou depois disso. Costumo dizer que eu sempre fui “atleta de alma”, quando criança eu gostava de disputar até par ou ímpar, já joguei tudo que vocês podem imaginar, fiz até faculdade de Educação Física.

Naquele dia, era um domingo, sete e pouco da manhã e estava indo fazer uma prova de corrida em Balneário Camboriú, SC. Antes da largada resolvi voltar até o local onde meu carro estava estacionado pra buscar uma camiseta que tinha vendido para um amigo (tenho uma loja virtual, inclusive, sobre a temática corrida -  www.lojacorreria.com.br). Quando estava a uns dois carros de distância do meu, e já vinha pelo costado dos carros, um motorista em alta velocidade, veio fazendo cavalo de pau, e sem qualquer tipo de tempo de reação, fui pega em cheio, prensada contra o carro que estava estacionado (esse carro, inclusive, deu perda total). O carro ainda bateu em outros dois e parou no meio da rua. No fim desta avenida já havia barreira de segurança, pois a prova passaria por ali. O motorista foi abordado imediatamente pelos agentes de trânsito, ele não sabia nem onde estava, qual era a hora, estava visivelmente embriagado (atestado no BO) e, inclusive, encontraram dois tipos de droga no automóvel dele.
Bom, quanto a mim? Eu lembro de absolutamente todos os momentos daquele dia, fiquei acordada o tempo todo. Lembro da sensação de ver o carro vindo, a impotência total e pensar naqueles segundos que tudo tinha acabado ali. Até hoje é uma sensação muito estranha, que não gosto de pensar. Lembro também de  estar deitada no chão, com todos os paramédicos a minha volta, sentir a tensão enquanto já estava com colar cervical e um deles me pediu pra mexer o dedo do pé. “E se não mexer?”, lembro muito de pensar isso. Fui para o hospital e tive fratura de quadril, três vértebras da coluna, fratura de perna, joelho, estiramento de ligamento de joelhos, milhões de hematomas e tudo mais que vocês podem imaginar. Eu estava inscrita para a São Silvestre em dezembro e começava os treinos para fazer a minha primeira maratona em 2015. Tudo abortado, esquecido, adiado. 
Andei de cadeira de rodas, fiquei mais de 70 dias imóvel numa cama, nem no banheiro podia ir sozinha, tive que reaprender a andar, porque é engraçado, quando você fica muito tempo inerte, mesmo que possa andar, você esquece como é, perde o equilíbrio. Mas, em momento algum pensei em não correr mais, correr é minha vida. Quando a fase de recuperação saiu do “apenas esperar” para a fisioterapia eu fazia o dobro do que as minhas fisios mandavam. Fazia desafios diários para mim mesma, tipo, se eu fiz 10 contrações de perna em 30 segundos ontem, hoje farei 15. Se subi até a fisio de muletas em 3 minutos e 15 ontem, hoje tenho que conseguir em 3 minutos e 14, e outras sandices mais.
Tive anjos nesse longo tratamento, meu médico maluco (um ortopedista que é triatleta e entendia toda aquela ânsia por voltar), duas fisioterapeutas e meu personal. 
A volta - Voltei a correr, de forma impressionante, ninguém acredita, no dia 14 de junho do ano seguinte, apenas 6 meses e meio depois de tudo isso. Foram apenas 5k, em longos minutos, mas eu consegui. (A foto ajoelhada no chão é desse dia, na meia maratona de Floripa. Foi uma catarse) Ainda sofro para poder correr, nada voltou a ser como era, mas a cada dia, o que digo é, alongarei mais, fortalecerei mais e, quem sabe, um dia eu consiga realizar aquele sonho: a maratona.
Mas, sabe, meninas, aprendi nesse meio tempo que nem tudo precisa ser exatamente como a gente sonhou. A gente pode buscar “novos caminhos”. Se dói e não posso correr longas distância, eu sou feliz por poder estar aqui e correr qualquer distância e, mais ainda, aprendi também que você pode adaptar seus sonhos. Hoje eu treino para fazer um sprint de triathlon. Mas meu maior desafio todos os dias é não esquecer. Não esquecer para buscar justiça, claro, porque afinal quem bebe, dirige e comete um crime, tem que pagar por isso, mas não esquecer que é preciso sorrir, mesmo que esteja difícil, e seguir em frente, porque viver é um privilégio.
Aí depois de tudo isso, um dia muito difícil de fisioterapia e angústias, eu recebi uma ligação. Do outro lado da linha alguém fala: a sra foi selecionada para ser condutora da tocha olímpica. E, de repente, todo aquele sofrimento, todos as dúvidas que sempre me afligiam, "porquê tudo aquilo", acabaram indo embora. Sei lá o porquê, nunca vou saber, mas uma coisa eu sei, se tudo aquilo aconteceu para que eu tivesse a alegria de poder carregar o maior símbolo do esporte, então valeu a pena. Por 200 metros, eu serei olímpica. Viver não é o máximo?"






sexta-feira, 17 de junho de 2016

Rápida como Berlim, Fria como NY, Bonita como Floripa, mas não plana...

Quando digo que sou de Florianopolis, uma amiga carioca (que acho que não lê o blog) diz: "pára com isso, amiga, que você é paulixxxxta". Então vamos esclarecer. Eu nasci em São Paulo, capital. Mas não sou parte da estatística que escolheu Florianópolis, etc. Meus pais são de Santa Catarina. Meu pai nasceu em Blumenau, mas é de Indaial (lá não tinha maternidade em funcionamento), e foi para Florianópolis antes dos 12 anos para estudar. Minha mãe é mané da ilha em grau máximo, sotaque, jeito, culinária. Mas meus pais são professores, e foram fazer mestrado em São Paulo. Nessa circunstância eu nasci. E com cinco meses retornamos, os três, a Floripa. Então, com todo o respeito aos conterrâneos em tese, não sou paulista. Sou florianopolitana de alma, me criei com tainha frita e pirão d'água, bolinho frito das sobras (arroz, espinafre, batata, abóbora, vagem...)...
Criada na ilha, ia pouco ao continente quando criança. Essa beiramar continental, para mim, ainda é uma super novidade, uma coisa incrível, porque sou do tempo que o balneário do Estreito não tinha quase nada. E lá é lindo demais. Inclusive, devo dizer que é um dos lugares com a vista mais incrível da ilha. 
Esta ideia de fazer uma prova que tenha a largada lá, com trajeto que inclui as duas pontes transitáveis, sinceramente, é genial. E o mais legal é que se você faz 10km já atravessa as pontes. A Pedro Ivo na ida, e Colombo Salles na volta, no mesmo sentido dos carros. Claro que na volta você vê melhor a  Hercílio Luz, e se sente em um cartão postal. 
Imagino que isso que deve atrair tanta, tanta gente para essa prova. Na minha opinião, a prova de asfalto mais bonita da região, talvez do Estado.
Bom, impressões gerais da prova: padrão O2, ou seja, inscrição tranquila, kit lindo e de qualidade, com a camiseta de manga comprida ótima, que, no meu caso, por ser do clube O2 (você também pode ser, é só assinar a revista), posso ter a camiseta personalizada. Os kits foram entregues no hotel Majestic, e embora tivesse muita gente, foi tudo rápido e eficiente, com várias pessoas para atender, todas felizes. 
Tinha a previsão do tempo para alegrar a gente...sqn. Semana de frio, muito muito frio em Santa Catarina, muitos memes e piadinhas sobre o assunto. E a previsão era de 5 graus no domingo em Floripa. Era o frio de correr no exterior, praticamente. Em NY corri com 2 graus, mas era NY, a gente viaja até lá, investe muito, nem cogita não correr. Mas sair do quentinho da cama na casa da mãe, e dormindo com meu filho gostosinho...é vontade de correr mesmo. O segredo, como sempre, é não pensar muito. No meu caso, tinha a missão de entregar o chip e numero para o Mario, da Gamboa, que eu peguei. Ótimo. 
Passei a semana pensando se ia correr de calça ou short. Odeio correr de calça, meus movimentos ficam péssimos, mas sendo só 10km, confesso que fiquei com medo de não esquentar. Mas em NY, quando eu era mega mega mega amadora, não tinha calça para correr e fui de short, com toda aquela gente nórdica, alta, atlética, acostumada com o frio, ao meu lado, com calças tecnológicas que eu nem sabia que existiam. E ainda assim eu fui, e deu certo. Depois que eu senti meus pés, o que levou uns 3 km pelo menos. 
O treinador Diogo disse para ir de short, porque eu estava acostumada e ia esquentar. Simone disse para ir de calça para não congelar. Mas ela tem perna fina, a minha tem capinha de proteção.
Levei tudo para Floripa para ter opções. Naturalmente. Oba, chance de usar manguito de lã!!
Hoje eu valorizo a tecnologia das roupas, são bem importantes e auxiliam a nossa vida, tornam tudo mais confortável. Tenho bastante coisa para correr no frio, para não ficar triste quando preciso fazer isso. Inclusive um gorro que amo, porque tem um buraco para o rabo de cavalo.
O Diogo falou para eu usar o frio a meu favor. Realmente, é mais fácil correr no frio, a gente quer se aquecer, não fica derretendo, não cai a pressão, até os batimentos demoram mais para subir, e é possível uma performance sem tanto sofrimento. Mas me doi o frio, tenho frio no rosto, no ouvido, na cabeça, meus pulmões ardem e demoro para ter o ar necessário. 
Mas na hora da prova, a gente tem que contar com treino e adrenalina.
Usei uma baita estratégia para não sentir frio ao acordar. Dormi mega empacotada, com moletom e três cobertores. Deu certo: acordei suando, nem pensei em usar calça. Mas a meia de compressão, sem dúvida. Aliás, não deixo dizerem que tem efeito placebo. Para mim, pelo menos, a meia funciona, especialmente para subidas e recuperação. Se uso, não sinto a panturrilha no dia seguinte. Fora que, no inverno, esquenta. 
Fui de ursinha: tinha o top, camiseta de manga curta, manguito de lã, camiseta de manga comprida. Fui com calça de moletom por cima e um casaco corta vento, e as luvas. E o café. 
O plano era bom: chegar cedo, aquecer bastante, para esquentar as extremidades, levar as coisas para o guarda volumes e me dirigir, calmamente, à largada, no pelotão quênia (uhuuuu).
Vamos à vida real. 
Estrutura da cidade. Mais um evento esportivo. Atrai turistas de classe média a média alta, corredores que ficam em hoteis e comem em restaurantes, muitos vêm com a família porque é Floripa, mas  chegar na prova é uma aventura. 
Como fica interditada a beiramar norte, tem que ir pelo centro para atravessar a ponte, com trajetos não tão conhecidos para quem é de fora, e mal sinalizados. Os semáforos funcionavam normalmente, embora praticamente 90% do movimento de carros, no domingo de manhã, fosse para a largada da prova. Havia desvios sem qualquer orientação, e o transporte público era o de sempre. O de domingo, com seus horários matinais. Saí da casa da minha mãe às 6h40min, e tinha fila na rua Bocaiúva até a ponte. Largada às 7h30min.
 Ai ai...estava sozinha, eu e meu café no copo térmico.  Chegando no estreito, aquela fila imensa porque o povo já estava estacionando. Longe, muito longe da largada, continuei. Mas demorou para ter vaga. O resumo da ópera é que às 7h20min eu já tinha passado do ponto que entraria para a beiramar, e não tinha achado vaga ainda para estacionar. Quando finalmente consegui, parecia uma louca para ir até a largada a tempo. 
Não deu tempo nem de pensar: tirei casaco, calça, peguei as coisas do Mário, minha micro garrafinha, celular, para me comunicar com ele  e chave do carro. 
Aquecimento: correr como louca para chegar a tempo. Alongamento? desconheço. Multidão, e fui para o pelotão, mandando mensagem para o Mário, que estava estranhamente (para mim) calmo, dizendo que tudo bem se não desse para entregar. Como assim, tudo bem? Nada bem, eu tinha que entregar, senão ia ter que dar minha medalha para ele no final. Nem pensar. 
Nunca vi o pelotão tão cheio, a fiscalização era só de um dos lados e tinha gente pulando a cerca do outro. E eis que vi o Mario, do outro lado, corri mais ainda, e consegui entregar. Frio? que frio? Só sentia o nervoso com o alívio de chegar. Quando eu o vi, o locutor anunciava que faltavam dois minutos para a largada. 
E aí quando a gente começa, é bom demais. Nem vou falar de mim agora, vou falar do que vi. Vi a democracia da corrida, que as provas da O2 sempre proporcionam. Tem jovem, velho, gordinho, magrelo, iniciante, veterano...é maravilhoso. Ultrapassei e fui ultrapassada. Era 12 de junho, então havia casais, váááários casais correndo juntos, juntando as mãos para fazer coração para os fotógrafos (eu não curto, mas aprendi a respeitar). Corredores buscando superação, outros querendo terminar, outros só para diversão...gente tirando foto da ponte Hercílio Luz, gente focada no trajeto. 
Não é plano. Se Chicago for assim, não é plana. Para quem faz os 21km, o percentual plano da prova é grande, realmente. Mas para quem faz os 10km, não é bem assim. Ponte não é plana!!!! E a gente sobe uma, desce, sobe o elevado, desce, sobe a outra ponte, desce. Com muitas curvas, que também mudam a corrida. Isso não desmerece a prova, mas não dá para chamar de plana. Plana é a que larga na beiramar norte. 
Essa é, então, a prova das fotos bonitas, porque com o visual do fundo, e o dia espetacular de sol que fez, não dava para ficar feio. Um céu azul que parece pintura, com o mar paradinho, nem acreditei que não tinha vento com aquele frio, mas não tinha. Em Floripa, que super!!
Hidratação mais do que suficiente em todos os pontos, só não curti o isotônico em pó entregue com uma garrafinha de água no final. Não usei. 
Fiz uma boa prova, ainda podia ter forçado mais, estou chegando no que quero,  aproveitei bem.
Depois que cheguei, fui para o espaço da O2, que fica em frente à chegada. Adoro ficar lá para esperar os primeiros colocados da meia. Adoro ver aquele pessoal de passadas incríveis chegando de 21km, apenas alguns minutos depois de eu chegar, correndo 11km a menos do que eles. 
Mas desta vez eu também fiquei observando a chegada dos 10km e de algumas pessoas ainda dos 5km. Muitas estavam tão felizes quanto os primeiros colocados da meia maratona, inclusive chegando com eles. Era evidente a sensação de vitória daqueles corredores. A alegria de completar, de chegar com amigos (muitos chegando com amigos), de chegar com seu amor, abraçados, em um momento que é só do corredor. 
É o que falo sobre corrida. Não é solidão, é solitude. Você correu, sozinho ou com alguém, mas o sentimento na chegada, aquela endorfina que dá, é tudo seu, é a sua libertação, sua vitória. Numa alegria que não cabe na gente. E só entende quem corre. 
Bom, eu tive que ir logo embora, não pude ir ver as Divas que Correm nem esperar a Carol (que fez um tempaço) para finalmente nos conhecermos, porque deixei todos os meus agasalhos no carro, e o suor esfriou, pior parte. Pulei a celebração, o que me faz muita falta, porque se a chegada é individual, a comemoração com amigas não tem preço, Rita que me ensinou. É o complemento perfeito. 
E aí lá fui eu. Para onde mesmo? Eu não tinha a menor ideia de onde tinha deixado o carro. Larguei e saí correndo, não olhei nome de rua, nada. A única coisa que deu tempo foi olhar para trás e procurar uma referência,e vi uma igreja. Então, na volta, lá fui eu, buscando a igreja. O mais legal foi encontrar dois rapazes na mesma situação, os perdidos. Levei um tempinho, mas achei. 
E cheguei na casa da minha mãe com uma bela medalha e mais uma história de corrida para contar. Uma das boas. Descobri depois que tinha bastante gente conhecida na prova, mas eu não vi ninguém nessa minha correria. 
Adoro provas, por isso recomendo que todo corredor faça, especialmente as bem organizadas para iniciar. Lá a gente renova a motivação, junta as energias boas dos outros corredores e devolve...isso deve fazer um bem danado para o universo!












terça-feira, 7 de junho de 2016

Treino Coletivo Mulheres que Correm - parte 2

É como organizar qualquer evento, seja um aniversário, um jantar...você quer que as pessoas venham né? Era o que eu queria, que as mulheres viessem, para viver um dia diferente, uma experiência nova. As veteranas, confraternizar com outras corredoras, e, sem espírito competitivo, compartilhar o momento. As iniciantes, ver como é delicioso correr com mais gente na mesma vibe, e saberem que uma prova pode ser bem divertida, além de desafiadora, e as que nunca tinham corrido...que soubessem como a alegria é simples. Acima de tudo, sempre quis que as mulheres viessem e corressem, simplesmente, e tivessem um momento depois para confraternizar sem pressa e sem vergonha de nada. 
E foi isso que vivemos. 
Durante a última semana eu fiquei bem maluca, pobres humanos ao meu redor. Todos os sorteios foram feitos, menos um biquini Apsara e um tenis 361°, que seriam sorteados no dia do treino, quando também entregaríamos todos os outros.
Na semana anterior choveu, como eu disse. E na sexta choveu muito. Uma chuva que não combina com BC. E o povo a me perguntar se teria treino. Outras me falavam que com chuva ia ser muito ruim. Bom, corredor aprende logo que não é de açucar. Quem não corre na chuva vai passar trabalho em várias cidades, como Blumenau, que chove muito. Bem verdade que quando é treino a gente vai para a esteira e resolve o assunto, e na prova vai debaixo de vendaval, tempestade, neve...Mas esse não era um treino qualquer. Que outro treino tem kit com tacinha de espumante? Sacolinha da mulher maravilha? lencinhos umedecidos? pós treino com frutas, oleaginosas, picolé frozenfit. energético, bolinhos do Mundo Selvagem Natural, atum Gomes da Costa? Era treino com astral de prova, a parte boa, a que não dá o medo do fiasco.
Mas eu sempre soube que não ia chover. Tinha tanta certeza que nem pensava no que fazer se chovesse. E, naturalmente, não choveu. Inclusive, ao longo da manhã, o sol foi só aparecendo mais, e tivemos muita areia para correr. (siga a gente no instagram para ver as fotos:  @mulheresquecorremoficial)
A ideia de correr na areia foi pela praticidade mesmo, e a desburocratização, afinal, a praia é pública. Sei que para algumas não era o ideal, mas na região também temos muitas provas de praia. O desafio é maior.
Na noite anterior Rita e Cris montaram os kits, fizemos os últimos ajustes, nos divertimos juntas, como sempre, e bora dormir porque antes das 6h eu e Simone iríamos para a praia.
O pessoal logo chegou com as tendas e fomos montando nossa estrutura pré treino, de entrega de kits e conferência de distância. 
As meninas foram chegando, e então eu visualizei. Estava acontecendo. Do jeito que imaginei? Não, muito melhor. Havia aquela mágica pré corrida no ar, a que nos faz ir em frente, aquela alegria de quem está lá para fazer algo bom para si, simplesmente porque pode e merece. Pensei em quantas outras mulheres, que eu não pude alcançar, e que também podem experimentar isso um dia, e nem sabem. Que podem ser sua nova versão, melhor e mais feliz, pela corrida. 
Fomos então conversar com todas, explicar novamente nossa ideia, cada orientadora falou um pouquinho, e passamos para a Marcela fazer o alongamento com as meninas. 
Alguns momentos foram muito especiais para mim no treino. O momento em que todas estão em circulo para alongar e aquecer é um deles, foi o momento de ver o conjunto. 
Rita, Cris e Bruna foram com cones marcar os percursos, e depois de um papo mais individualizado, cada orientadora/treinadora saiu com seu grupo, iniciando pelo grupo dos 8km com a Diandra, depois a Daia com as do 5km, e Grazi com as corajosas iniciantes de 3km. A Pri não era iniciante, mas estava retornando, veio de Floripa, fiquei tão feliz, porque nos conhecemos há tantos, tantos anos (fizemos catequese juntas!), e quem poderia imaginar um encontro para um treino, para que ela retome aquilo que lhe pertence, que é sua capacidade de ir longe e além?
A Monica, que eu sempre soube que viria, porque é uma pessoa que mudou sua vida com a corrida também, foi super parceira, e sorrindo sempre, como boa corredora. 
E assim tantas outras...conheci a Marcia Bina, que tem uma história que espero contar aqui no blog de (tentativa de)destruição e superação, e está voltando com força total!  A Silvana, que está se transformando na sua melhor versão de si mesma, impressionante sua força! Não posso falar de todas, até porque sei que cada uma tem sua história particular e especial com a corrida, mas algumas eu pude perceber mais facilmente a força da corrida nas suas mudanças. 
A corrida é democrática demais! Não tem idade, nem tipo físico, nem nível social. Por isso acho que pode ser tão boa para tanta gente.
As fotos abaixo são bem significativas para mim. 
Algum tempo depois da largada,  foram chegando as meninas, e aquele sorriso...ah, aquele eu conheço. O da loucura. Da loucura da corrida. As endorfinas tomando conta de cada uma, a falação típica da mulherada, que pós treino!!!
Bebidinhas, comidinhas, conversa alta, entrega dos brindes, sorteio, e fotos, fotos, fotos!!
Com certeza foi um dos dias mais legais da minha vida, e agora, já mais de duas semanas depois, escrevo ridicularmente emocionada com a confiança que essas mulheres depositaram na ideia do Mulheres que Correm. 
Tantas me perguntaram quando teremos outro, que realmente vamos pensar em como fazer mais, e melhor. 
Mulheres que Correm  não foi só um treino, agora é um conceito. Um projeto de vida, que vai envolver mais do que treinos coletivos específicos. Várias corredoras agora se conhecem e podem correr juntas, se encontrar em corridas, puxar umas às outras. Podem chamar outras mulheres. 
Podemos usar nossa corrida para influenciar e mostrar nossos pontos de vista. Podemos exigir respeito como corredoras de rua que querem correr sem medo de violência, e exigir respeito a todas as mulheres. Nada justifica a violência contra as mulheres, e mulheres que correm vão falar sobre isso em breve!



Muito obrigada a todas que compareceram, que confiaram, que correram. Muito obrigada às sublimáticas, especialmente Simone e Giovana, por tudo. Muito obrigada a quem apoiou e veio junto, acreditando. Espero que saibam que foi tudo feito e pensado para atrair a felicidade, porque é isso que vejo que a corrida pode ajudar. Corra, e clareie suas ideias. 
Quem vem comigo?