sexta-feira, 29 de julho de 2016

Quando um treino é mais do que qualquer prova...Treinão em Comemoração aos 10 anos da Lei Maria da Penha

Bom, eu estou mega empolgada. Já sou normalmente com corrida e com temas que me tocam o coração, então juntando os dois...super.
Ninguém faz nada sozinho, mas pessoas incríveis costumam ter a ideia e dar os primeiros passos.
Sendo assim, em vez de tentar resumir, vou transcrever a vocês o texto da jornalista Yara Achôa primeiro. 

Lugar de mulher é na corrida!
Treinão em comemoração aos 10 anos da lei Maria da Penha

A cada ano, mais de um milhão de mulheres são vítimas de violência doméstica no País, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse tipo de violência, apesar de sistêmica, tem sido combatida com a defesa do direito das mulheres.

Em agosto, a lei nº 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, completa 10 anos. Ela é reconhecida pela ONU como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres. Sua criação foi um grande avanço. É preciso comemorar e continuar fazendo mais.

Para lembrar essa conquista e incentivar o empoderamento feminino por meio do esporte, o MOVIMENTO PELA MULHER e as DIVAS QUE CORREM se uniram na organização de um treinão de corrida em São Paulo - e simultaneamente em várias cidades do país -, que será realizado no dia 13 de agosto. Em todos os encontros o acesso será gratuito.

Em São Paulo (*), acontecerá um bate-papo comandado pela promotora Gabriela Manssur (Movimento pela Mulher) e pela jornalista Giselli Souza (Divas que Correm), seguido de um treino de corrida de 6K, para todos os níveis de condicionamento, a partir das 8 da manhã, na Cidade Universitária (USP).

A ação se repetirá, sob o comando de representantes dos dois projetos, nas seguintes cidades:

·         Americana – Bike Hotel Sports - Av. Cillos, 4532
·         Aracaju  – Orla de Atalaia
·         Balneário Camboriú  – Concentração e Largada na praça Almirante Tamandaré
·         Bauru  – Parque Vitória Regia - Av. Nações Unidas, próximo a USP
·         Brasília  –Parque Olhos d'Água, Asa Norte
·         Campinas – local a definir em breve
·         FlorianópolisParque de Coqueiros
·         Itapetininga  – Largada da OAB Itapetininga, próximo à prefeitura
·         Maringá  – A.T.I do Parque do Ingá
·         Porto Alegre – Calçadão da Barra, em frente ao Barra Shopping
·         Rio de Janeiro – Posto 5, em Copacabana
·         Sorocaba – Parque das Águas
·         Teresina  – Parque da Cidadania, próximo à estação ferroviária

(*) As inscrições para o treinão em São Paulo, limitadas a 200 participantes, esgotaram-se em um dia.
           
Quem é Maria da Penha: cearense de Fortaleza, a farmacêutica bioquímica Maria da Penha foi vítima de violência doméstica por mais de 20 anos. Em 1983, seu então marido tentou matá-la duas vezes. A primeira, com um tiro nas costas, que a deixou paraplégica. A segunda, eletrocutada. Após as tentativas de homicídio, ela tomou coragem e denunciou o companheiro. A condenação demorou, mas saiu. E sua luta deu origem, em 2006, à lei que protege a mulher da violência doméstica - justamente batizada com seu nome, Lei Maria da Penha.

Movimento Pela Mulher: idealizado pela promotora de justiça Gabriela Manssur, de São Paulo, o projeto tem como objetivo promover empoderamento, igualdade, justiça e qualidade de vida para todas as mulheres por meio da corrida. Como forma de estimular constantemente a prática esportiva e ampliar as discussões a respeito das conquistas femininas e pelo fim da violência doméstica, o MPM procura manter uma agenda de eventos com treinões ao longo do ano e uma corrida anual (já foram realizadas duas edições, em 2015 e 2016, com 2500 participantes cada). 

Divas que Correm: o blog foi criado pela jornalista Giselli Souza durante a preparação para sua primeira maratona, em 2013, com o objetivo de não só compartilhar experiências do esporte como também unir as mulheres em torno da corrida e incentivar quem ainda está no sofá. A projeto cresceu e transformou-se no primeiro clube de corrida feminino na web do Brasil.

Bom, e o que nós temos a ver com isso? Tudo! Tenho o pensamento que qualquer forma de violência é sempre problema de todo mundo, da sociedade. Também penso que cada um escolhe suas bandeiras para lutar. Uma das minhas é essa, e não estou sozinha. Inclusive, para esse evento, estou com mulheres e homens, porque discordo totalmente de quem diz que todo homem é um violentador em potencial. 

Em maio, já com essa ideia de empoderamento feminino e mudança de vida através da corrida, junto com as sublimáticas da volta e pelo blog, inventei e realizamos o Treino Coletivo Mulheres que Correm, que foi uma delícia! Dali o Mulheres que Correm Oficial passou a ter vida própria, e outras ações foram iniciadas, principalmente por mim e pela Simone Andriani (que diferente né?), para começar a tratar do assunto de combate à violência contra a mulher de uma forma relacionada ao que vivemos, o universo da corrida de rua para amadoras. 

Infelizmente, a violência contra a mulher e a corrida têm algo em comum: são democráticas, ou seja, não têm idade, classe social ou econômica, tipo físico...
Pensamos e então criamos a camiseta de corrida, linda, maravilhosa, que quem comprou vai receber dia 03 em Blumenau e BC (Floripa não esqueci, aguardem contato), e já é uma forma de todas mostrarem que estão juntas. Mulheres não têm mais nada para competir que não seja na pista, de tênis. Juntas somos melhores e mais fortes.

Depois disso, conversei com a Gabi Manssur, que é minha ídola absoluta não só nesse assunto, mas em tantos outros, e ela achou boa ideia eu ser a líder e trazer o treino para Balneário Camboriú. Eu não sou daqui, adotei a cidade no instante em que me mudei (como não amar?), e não conheço muita gente ainda, mas sei do seguinte: 1. quem corre treina no finde; 2. tem muita gente no combate à violência contra a mulher. Pensando nisso, tive certeza de que podia montar o treino aqui, mas não sozinha, evidentemente. 
Simone é a parceira em Blumenau, e claro que a Clínica Wellness foi, de novo, a primeira a apoiar a iniciativa, e em BC, como sempre, posso contar com o apoio, inclusive técnico, da Gamboa Sports pelos excelentes Diogo e Daia. 

É uma grande responsabilidade. Em São Paulo já é quase um clássico, em BC temos que caprichar (a pessoa é competitiva até nisso...socorro). Esperamos contar com corredoras e corredores de Itajaí, Camboriu, Brusque, Gaspar, Blumenau, Tijucas, Canelinha...toda a região está mais do que convidada a vir correr um treino muito especial, com um propósito, e com um astral único! Correr em BC já é o máximo, imaginem assim?!

A OAB de Balneário foi muito receptiva, e está nos ajudando muito. A Fundação Municipal de Esportes acredita e apoia a iniciativa, e está nos permitindo utilizar área pública. Isso permitirá a realização do treino da melhor forma que imaginamos. Teremos até a possibilidade de cadeirantes correrem!! 

Mas o mais importante é todo mundo confirmar e ir correr ou caminhar (sim, nós temos a opção), acreditando que está fazendo algo que realmente importa. Já ia correr no sábado dia 13? Então se junte a nós, vamos juntos, e mais uma vez criar uma energia incrível que repercutirá a nosso favor, tenho certeza, e chamaremos a atenção para um assunto tão importante.

Quem vem conosco?
 Saiba mais seguindo no instagram @mulheresquecorremoficial 


Todos estão convidados a participar do movimento, postando fotos com hashtags #nenhumamulhermereceviolencia #10anosdaLeiMariadaPenha em apoio a causa, além das hashtags dos projetos #movimentopelamulher #divasquecorrem #mulheresquecorremoficial #vidaeumacorrida #treinãobc #elesporelas


O básico é:





sábado, 23 de julho de 2016

Back to the game

Acho que já falei sobre como uma lesão me deixou medrosa. Nunca tinha me lesionado até 2014, e aquela fratura por estresse com tenossinovite no tornozelo me deixou mal. Recuperada totalmente, 2015 foi o ano do medo. Eu corria, mas sempre literalmente com um pé atrás, morrendo de medo de acelerar. Além disso, eu me sentia tão grata por ter voltado a correr, por poder correr, que toda corrida era especial simplesmente porque eu podia ir e completar, e tinha, de novo, medo de estragar. 
Mas eu não sou assim. Eu gosto de evoluir, de ser mais rápida, de melhorar meus tempos. Uma mala. E aqueles tempos que eu obtinha nas provas em 2012 e 2013, meus melhores anos até agora, começaram a ficar muito distantes da minha realidade. E eu não quis mais isso. Assisti (não ao vivo por enquanto, infelizmente) a palestra dos meninos da Wellness, Daniel, Maicon e Franklin, e definitivamente quero buscar a minha melhor versão. Descobri (ou decidi) que o meu melhor ainda está por vir, e preciso lutar para isso, porque é claro que perdi a evolução que estava em andamento. Mas nunca é tarde. E como comecei a correr mais velha, tenho certeza de que tenho o que queimar ainda. 
Para isso tem que treinar certo e treinar bastante (não em km, necessariamente, mas em frequencia). O corpo e a cabeça. Sou a melhor em me auto-sabotar, boicoto mesmo. Chego na prova e meus pensamentos me traem, me deixam insegura, não visualizo certo. E não adianta treinar sem preparar o cérebro,  algo que estou aprendendo ainda a fazer, tenho muito pela frente, mas já me sinto mais forte. 
É isso. Tem que se sentir forte para alcançar os objetivos.  E estabelecer objetivos possíveis, inclusive quanto ao treino. Se você não pode cumprir a planilha para fazer uma meia maratona, que tal mudar a meta para provas de 10km? Eu fui displicente com a musculação quando treinava para o Desafrio, mas simplesmente porque eu não tinha tempo para treinar para aquela prova e fazer musculação. Quando tinha tempo, priorizava sempre o treino de corrida. O resultado é que eu estava realmente frágil na prova e depois dela. 
A musculação, ou funcional, ou o que você decidir com o seu treinador, tem que ser cumprida também. As pernas e a musculatura exigida na corrida, como a região do core, têm que estar fortalecidas para poder correr. 
Planilha do treinador tem toda uma lógica, inverter os dias de treino, acelerar quando é para ser regenerativo, se exibir aumentando o pace ou a distância, são péssimas ideias. Sou uma cdf cumpridora de planilha. E olha que tem dias que eu acho que o Diogo é maluco em achar que consigo fazer o que está ali. Pois não é que eu consigo? Eu saio para fazer o treino completinho. E é o que faço, mesmo que no final eu ache que não consigo caminhar mais dez metros. Porque nessa hora é a cabeça que comanda. E é isso que eu percebi. Eu confio no Diogo e na planilha que ele me mandou. Então naturalmente eu conseguirei cumprir. Se no penúltimo tiro eu acho que não vou conseguir fazer o último, eu lembro que se ele disse que eu consigo, é porque é verdade, e meu corpo sempre pode mais um pouquinho quando a gente acha que já chegou no fim.
Fácil falando assim né? Não é, não. É duro. A gente tem dias ruins, difíceis no trabalho ou em casa, dias em que treinar é sorte no meio de todo o caos. Nesses dias, na verdade, é ainda mais importante treinar, para lembrar como aquilo melhora o dia da gente. A Paula Narvarez (do blog Corre Paula) diz que não acha que correr ajuda nos problemas, nem faz esquecer, porque eles continuarão ali. Para mim é diferente. Quando eu termino de correr, os problemas são vistos sob nova perspectiva, e geralmente não parecem tão grandes. Fora ideias geniais que tenho enquanto corro. 
Mas, voltando aos objetivos, para ser rápida, tem que sofrer. Ir para a prova querendo fazer um bom tempo é ir para sofrer a prova toda, e ter a glória no final. O que acontece muito comigo? Na hora eu tenho pre-gui-ça de sofrer. Que feio...
Na prova da Unimed eu já estava mais focada. E agora veio a meia maratona de aniversário de Balneário Camboriú. 
Não estava treinando especificamente para meia maratona, de modo que não tive muito tempo para me preparar. Mas eu e Diogo chegamos à conclusão de que era um bom momento para fazer, sem muito estresse. Só aumentamos um pouco a soma dos km semanais, e deu tempo de fazer um longo de 17km antes da prova. Mas como fiz super bem, fiquei animada. 
A prova foi em um final de semana que eu tinha vários eventos sociais e familiares, inclusive um casamento no sábado à noite. Mas na adversidade eu cresço.
O dia estava tão lindo neste Balneário Camboriú! Quando eu saí de casa o sol estava nascendo e ainda tinha lua, como não ser feliz e grata? Estava frio, não vou negar. Mas menos do que em Floripa. Ainda assim, corri de luvas até o km5. E de meia de compressão,  manguito de lã...passar frio não está com nada. 
Em geral, eu acho as provas da SB5 (o pessoal da GP Sports) bem organizadas. Desta vez estava um pouco confuso. Quem fez 5km se deu muito mal, porque não tinha marcação do retorno, e o povo continuou correndo, dia de prova é assim, a gente não se dá conta das coisas. Então não pode uma coisa dessas. 
Mas para quem foi correr a meia, estava tudo ok. Eu levei garrafinha com minha água para não depender da organização, e foi melhor assim. Os pontos de hidratação eram distantes um do outro, passavam-se muitos km sem nada. E como eu tinha bebido litros de água no sábado, como faço sempre em véspera de meia maratona, já sabia que o que eu tinha num dos mil bolsos do short seria suficiente. 
Uma das coisas mais legais em correr é você poder se conhecer. Seu corpo,seus limites, suas necessidades. Descobri que preciso de menos água numa prova do que eu achava. Eu ficava inchada de água, achando que tinha que tomar direto, sentia a água na barriga, era péssimo. Agora já sei que são pequenos goles, então prefiro nem usar os copos da organização. Ah, e também porque eu invariavelmente aspiro a água pelo nariz, e dá a maior confusão, lindo de se ver...
Outra coisa é saber se é ou não O dia. Aquele dia de fazer uma boa prova. Isso a gente descobre já no segundo quilômetro. Corre solto, as pernas vão...é um bom dia.
O percurso foi alterado. Fomos pela Atlantica até final da barra sul, inclusive correndo naquele molhe, uma coisa horrorosa correr nas madeirinhas, não tinha espaço para a turma da ida e da volta. Mas correr na orla é delicioso demais. A ida e a volta até a praça davam 10,5km, e o povo da dupla trocava ali, achei legal porque dava para a dupla se organizar bem, fazendo o primeiro trecho quem fosse mais rápido no plano, e o segundo quem fosse mais forte para subir. 
Depois fomos sentido Itajaí, rua Miguel Matte, que é subida constante, e Rodovia Osvaldo Reis, subidinha constante também, embora não íngreme. É daquelas que não termina. Fomos até a Praia Brava, e antes de subir a Rainha voltamos pelo mesmo caminho,  o que era bom porque tinha mais descida na volta. Nessas ruas não batia sol, vinha um ventinho gelado malvado.
Conversando com o Diogo, projetamos que eu poderia completar em 1h52 a 1h54, bem.Considerando a falta de treino específico, as subidinhas, achei que estava bom. Mas eu estava em um bom dia, e completei em 1h50'41". O mais importante é que eu fui fazer a prova para mim, eu queria me manter focada na prova e na corrida em si, sem pensar nos outros, só em fazer o que eu considerasse uma boa prova. Fazia muito tempo que eu não terminava tão feliz uma prova de corrida. Minha chegada foi de pura felicidade por completar do jeito que eu queria, controlando todo o percurso, com a mente focada nisso, e me sentindo de volta ao jogo, de volta aos meus objetivos.





Não foi um mega power tempo, não. Conheço tantas mulheres maravilhosas que fazem em 1h45, e até menos, mas agora esse era o tempo que eu queria fazer dentro do meu coração. E que eu precisava ter certeza de que era possível.  
O primeiro lugar na categoria foi um plus delicioso, não vou negar. Um trofeu de meia maratona sempre é importante. Embora não fossem muitos inscritos (em torno de 600, pelo que falaram), sempre tem gente boa e treinada, considero uma honra poder estar lá.
Terminada a prova, trofeu na mão e banho quente gostoso, vem aquela vontade louca de treinar para melhorar. Já não sou nenhuma mocinha, a recuperação é um pouco mais lenta, percebi nos treinos da semana. Mas terminei inteira!
Tenho várias provas nos próximos trinta dias, vai ser meio loucura. Divas Venezianas, Circuito Estações, Brisas...mas nenhuma delas será tão importante quanto um treino. Sim, treino. O Treinão Lugar de Mulher é na Corrida, dia 13 de agosto, em comemoração aos 10 anos da lei Maria da Penha, e para chamar a atenção sobre esse assunto sério demais que é a violência contra a mulher. Mulheres e Homens correndo por esse propósito. O próximo post será com tooooodas as informações e mais um pouco. Estamos preparando com muito carinho. 
Até lá!! 











quarta-feira, 6 de julho de 2016

Correr no frio e Prova da Unimed


Então, winter is here (Game of Thrones, hehe). Aliás, chegou no outono, daquele jeito friaca total. O problema é que ainda é julho, então teoricamente, vamos até setembro com isso. Que horror. Detesto frio. Mas ouço muita coisa sobre como o frio pode ser aliado de quem corre, para o desempenho. Afinal, os batimentos sobem menos, não tem queda de pressão e outros inconvenientes do verão. Você sua menos, perde menos água, economiza energia. Não me importo. Quero de volta os inconvenientes todos. Mas, até lá...vamos ao aprendizado, porque deixar de correr não é uma opção. 
Domingo foi dia de Corrida do Circuito da Unimed em Itajaí, na praia brava. Também teve circuito Sesi em Blumenau, provas honestas e bem organizadas. 
Fui na da Unimed, a inscrição é muito barata para quem tem o plano, e o kit é digno com sua boa camiseta e sacola com ziper.
Não deu sol...ohhhh. Mas não estava horrivelmente frio, só friozinho. Úmido. 
Largada pontual, um pouco confusa pelo afunilamento na saída, bons pontos de hidratação, ótima sinalização sobre o percurso. Massss (sempre, né), o nível dos percursos de 5km e 10km era muito diferente. A prova de 5km era razoavelmente tranquila, pela região da praia brava, mas os 10km...prova de aventura, mas sem um aviso prévio a quem não está acostumado. Quando me passaram o percurso já percebi que não seria uma prova para fazer um bom tempo, como planejei antes. Afinal, se tem estrada da rainha, caminho de madeira, areia da praia dos amores, escada e subida do Morro do Careca, não é uma prova plana nem moleza. Não recomendaria para quem está estreando na distância.
Por outro lado, prova linda. Visual estimulante, cheguei a correr de costas quando estava chegando no topo do morro do careca para ver a vista. Só faltaram fotógrafos subirem também para registrar, uma pena. O que acho mais legal nessas provas é que quando você acha que cansou de um tipo de piso, tem outro. 
Na real, eu não gosto de correr em lajotas e paralelepípedos, não me parece seguro. Assim, eu estava querendo mesmo chegar na rainha, minha conhecida, subindo direção Balneário Camboriú, uma subida menos íngreme, mas maior e constante. Aquela subida não me vence, corro todo o percurso, ainda mais porque tinha uma corredora que eu queria alcançar e que também só corria. Quando você acha que não aguenta mais, acabou. 
Na descida a tentação de soltar tudo é grande, mas descida é perigosa e pode gastar energia, ainda tinha bastante chão. Final da descida, entrava direto naquele deck de madeira para correr até a praia dos amores. Não é um lugar fácil de imprimir velocidade, mas também não é desconfortável. Em parte, bom para dar uma descansada. A praia dos amores estava em um bom dia, a areia não estava tão fofa, e é ali que eu consigo fazer a diferença, alcancei quem eu queria e mais uma que nem achei que conseguiria. 
Mas aí  veio a escada. Degraus.  Subi até com certo pique, mas então chegou o morro propriamente dito. Foi ali que caminhei, junto com todo mundo, o que é sempre um consolo. Descida deliciosa, firme, porque também a estas alturas já se está no 7km, falta pouco. Praia Brava pela orla (treino habitual para mim), depois por dentro para a chegada, a intenção ali era manter ritmo, foi o que fiz.  
Estava num bom dia, bem focada, e com o sangue nos olhos, fiz a melhor prova possível. 54' não é um ótimo tempo, mas é um bom tempo para o tipo de prova, fiquei feliz, 11 lugar geral e 2 da categoria, sem chance de alcançar a primeira, que chegou com mais de dois minutos de diferença (prefiro assim, não me angustio). Não tive força para sorrir para fotos, estava sofrendo um pouquinho.
Parabéns mesmo é para a Simone, primeiro pódio geral, 4º lugar com um tempaço em uma prova cheia de gente forte, fiquei super super orgulhosa. Ela merece!!
Foi mais uma prova em dia de frio. Parabéns à organização que agilizou a premiação, sem esperar todos chegarem. Sei que parece meio antipático, mas nas provas grandes é sempre assim, não dá para esperar todo mundo para iniciar a premiação, e no frio...pior ainda!
Fazendo mais esta prova no frio, fiquei pensando...
E quero compartilhar com vocês o que aprendi correndo no frio, sem qualquer base teórica séria. Fiz algumas pesquisas, é verdade, e gosto de perguntar para as pessoas, para ver o quão maluca estou.
1. Você não precisa passar frio: este é o ano de investir em roupichas de frio para correr. Tem um certo charme. Meu marido já viu gente correndo de meia calça. Não dá. Errrrrrou.  Várias marcas têm camisetas de mangas longas confortáveis e térmicas. Existem os manguitos, que eu adoro, e acho bem práticos, mas não são tão fáceis de encontrar para comprar, e você tem que experimentar, por causa do tipo de braço, comprimento...Têm a vantagem de caber em qualquer bolso, ou você só enrola no pulso se der calor. 
Eu não gosto de correr de calça comprida, mas dependendo da situação ela é necessária. Quando corri em NY eu não sabia nada, quando corri em Atlantic City já estava mais esperta e fui de calça, eram só 11km, não queria passar frio. Há recomendações para que você inicie a corrida com frio mesmo, e depois vai passar. Sei não...Eu fico muito tensa no frio, musculatura retesa mesmo, e se demora a passar já vai me dando um ruim. E se usar calça, é calça de corrida, não qualquer legging que usa para fazer musculação. Já que vai investir, compra uma de compressão de uma vez, para ter para sempre. Se correr no exterior, aproveite para comprar nas expo, sempre tem marcas boas. Em Amsterdã comprei da Saucony, muito boas, e beeem quentes. 
2. Voce precisa de menos agua, mas ainda precisa de água: a gente de repente não sente tanta sede, né? Mas se duas horas depois do treino você ainda não fez xixi, estava desidratado (essa sou eu). No inverno, não vale o negócio de beber água só quando der sede. Nem que seja um tanto antes de sair e outro na volta, sem hidratação durante treinos curtos. Isso, aliás, é realmente algo confortável, sentir menos sede. Só no inverno mesmo. Resultado: menos garrafinha para carregar.
3. Prepare-se para tirar roupa: a gente vai testando e vendo o que dá certo. Se você decidiu ir correr de calça, se ficar com calor, sorry, é o que tem. Por isso tem que se conhecer, saber como é. Eu sei que dependendo do dia, só vou deixar de sentir frio depois de 3km. Se o treino for de 6km, calça está ótimo. Mas se for correr 12km, vai rolar um desconforto. A verdade é que quando a gente está com frio, apura para correr e acabar logo para esquentar, mas quando fica com calor e não tem como tirar roupa, pode até passar mal. Calcule qual é o seu caso. Se achar que vai passar calor, não use calça.
Eu não uso manga comprida por baixo da manga curta, justamente porque é muito comum ficar com calor, e aí para tirar a que está embaixo é muita função. Se você usa corta vento justinha, que é para ficar por baixo, vá na certeza de que ficará confortável até o final. Senão, melhor sair meio estranho com manga comprida por cima, mas poder tirar. Por outro lado...
4. Não use no treino só o que é para tirar: essa é uma dica importante, tenho feito umas observações na rua. As pessoas colocam uma camiseta e um casaco de zíper e capuz por cima, de moletom, prque, afinal de contas "vai esquentar durante o treino". Isso traz dois problemas: 1. você tem que amarrar aquele treco na cintura e correr com um peso morto pendurado em você; ou 2.  você faz o treino todo com aquela beleza de moletom, de modo algum feito para isso, porque continua com frio ou porque não quer carregar a tralha. Mas é comum que se queira tirar a manga comprida, então é bom que seja algo prático para amarrar na cintura, ou o manguito. Quando corri em NY, o papo era para usar um casaco velho para doar durante a prova. Ok. Tenho ele até hoje, não esquentou e o pessoal do central park ficou na mão. Isso porque...
5. Às vezes, o frio não passa durante a corrida. Fica frio do começo ao fim. Só que treino é treino, prova é prova. Eu tenho que estar com tudo do meu jeito em dia de prova, sem nada me incomodando ou me distraindo do foco. Então, se você só usar moletom e outras roupas do tipo em treinos, sem maiores preocupações, como vai saber como vai ser na prova? Na prova não vai de moletom, certo? Imagina o Foco Radical te vendo!! Vai de camiseta? no frio? sem ter se acostumado? Pode ser, os de elite vão, fico impressionada, mas não é para todo mundo. Tem a adrenalina também. A dica é treinar também com o que vai usar na prova. Sim, isso vai custar mais dinheiro, mas correr no frio exige investimento, senão você não vai correr no inverno porque ficará doente. Eu corri a meia de Floripa com camiseta (não gosto, gosto de regata, mas meus ombros ossudos sentiram frio), manguito de lã e camiseta de manga comprida por cima. Não cheguei a ter calor nos 10km, estava frio demais, e não tirei nenhuma das peças. E se fosse um casaco horrível que me prendesse os movimentos? Tem que usar o que planeja  para o dia da prova pelo menos em algum treino da semana, de preferência o longo. 
6. Acostume-se a correr feia/o: no verão, a gente se esforça para estar bem porque pode ser que tire a camiseta, então até o top combina...isso vale para as meninas. No inverno isso não vai acontecer. E a gente não tem tanta manga longa quanto regata. Tudo isso para dizer que combinar não é sempre uma opção. A única calça pode não combinar com a manga longa limpa da vez, e é isso aí. A touca em vez da viseira, a calça em vez da sainha...isso faz parte. Lembre-se das razões pelas quais você corre, e uma delas é ficar bonita não durante, mas depois da corrida, certo?
7. Cobrir o ouvido é questão de saúde: eu sinto muito frio no ouvido. Muito. Não posso correr só de bonezinho no inverno. Preciso de algo que aqueça. Tenho faixa protetora de feltro, que ganhei no Desafrio, uma que comprei numa feira, e duas de tecido gostoso que comprei de um site que amo de itens de corrida, dos EUA e que pedi para meu irmão trazer. Fica lindo? não fica, não. Vejam minhas fotos na corrida da Unimed. Mas protegem o ouvido, e isso é minha prioridade. Tenho também a touca com buraco para o rabo de cavalo, que amo. Em dias de chuva, cubro tudo. Os homens tem que usar touca, ficar doente correndo não está com nada. 
8. Luvas, extremidades em geral: além dos ouvidos, pés e pontas dos dedos costumam gelar. Os meus, com certeza. Tenho Síndrome de Raynaud, das extremidades frias. Meus dedos dos pés e das mãos chegam a ficar dormentes de frio, e isso é da minha natureza. Então, quando está frio mesmo, corro de luvas até esquentar. Isso porque esquento o corpo quase todo, e por último as mãos e os pés, e por isso continuo com frio. Meus dedos dos pés ficam duros, é bem ruim. Já usei duas meias para correr em frio congelante, e foi bom. Mas esquentar extremidades ajuda a aquecer, certamente. 
9. Meias de compressão: placebo? Vez ou outra aparece alguém falando sobre a questão das meias de compressão. Não vou falar tecnicamente, não sou habilitada. Vou falar por mim: funcionam comigo. Quando uso, tenho uma recuperação melhor, e durante a corrida, mais conforto especialmente nas panturrilhas, que ficam mais travadas em provas mais duras. Com frio, uso as meias mesmo, prefiro. Quando esquenta, uso pernito/polaina, para não trancar o tornozelo durante a corrida, mas gosto mais das meias. Tem gente que não nota diferença, mas eu tenho batata da perna grossa, e em provas com morro e areia, sinto diferença. Só tem um jeito de saber, que é usar. Existem marcas diversas, modelos muitos, tem que experimentar. Minhas favoritas são da CEP, e não uso em prova curta.
10. Pós prova: depois que o suor esfria, dá muito mais frio do que antes de correr. Vá preparado para as provas, levando uma manga comprida extra, de preferencia uma camiseta também, para substituir a suada. Se você pega pódio, vai ficar mais tempo no frio, tem que ter roupa extra. Por fim...
11. A gente não congela. Tem dias que eu acho que vou congelar quando saio para correr, queria usar meia no rosto igual assaltante de desenho animado, e tento escolher o horário mais quentinho possível nas minhas opções. E quanto antes eu for, melhor, porque depois que começo, a alegria vem. Às vezes em 1km, às vezes só no 5km. Ou não. Pode vir só no final. Mas sabe o que eu penso? que em alguns países o inverno dura 8 meses, e eles correm, porque não podem esperar o frio ir embora. Se eles correm, eu corro. Que a adversidade seja minha aliada. Ah, e quando tudo parece péssimo, e ainda chove, sempre tem a esteira.
Beijos, bons treinos!!
p.s. Vem aí uma oportunidade de fazer a diferença e mostrar empoderamento pela corrida...13 de agosto, save the date!

Nesta foto do calçamento da rua, está meu melhor sorriso...