terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Querido Papai Noel...

Será que me comportei bem este ano? Como corredora? Como atleta? Eu tinha metas, com certeza. Mas não adianta ter metas sem estabelecer o plano para alcançá-las; planejamento é tudo. E ainda podem acontecer problemas na execução do plano. 
Além disso, eu vivo recalculando a rota, porque aparecem imprevistos, relacionados ou não à corrida. Tem o período de excesso de trabalho, de filho precisando de mais atenção...e tem as novas rotas, que eu mesma crio.
Vejam, a gente inventou o Mulheres que Correm, treino  voltado para o empoderamento feminino, e por causa do treino (lindo) de maio em BC a Gabi Manssur, promotora de justiça, me convidou para ser a líder do treino de 10 anos da lei Maria da Penha, em agosto, que foi uma das experiências mais emocionantes da minha vida. Com os dois, vimos como seria legal fazer em Blumenau, e foi assim, em novembro. Mas eles exigiram de todas as organizadoras tempo, energia...e embora tenha, em geral, bastante da segunda, o primeiro é luxo, de modo que tenho que tirar de alguma outra atividade para poder cuidar disso. Não posso tirar do trabalho nem da família. Tirei da vida social (que já não é das mais movimentadas em geral), e acabou sobrando para a natação, e muitas vezes para a musculação. Tudo para que não sobrasse para a corrida. 
Será que adiantou? Foi uma boa troca? Quanto ao MQC (mulheres que correm), valeu muito a pena, não vejo a hora de levar o treino para outros lugares, fazer mais uma edição em BC e alguma coisa diferente em Blumenau, quero muito que o máximo de mulheres possam sentir o que a gente sente, mas sei que tenho que estabelecer um tempo limite de dedicação para não me perder nos meus projetos pessoais. É que  foi tão gratificante botar mais mulheres para correr, lembrar algumas que já corriam como é bom estar lá, trazer a felicidade para quem não conhecia...
Voltando ao meu comportamento do ano. Mais uma vez, eu me propus a fazer algumas provas e fiz muito mais. Tracei metas abertas, quanto a tempo e provas, e analisando agora as postagens (que não foram de todas as provas), evidentemente me passei. Mais uma vez.
Infelizmente, querido Papai Noel, parece que não me comportei tão bem assim. A meia maratona para a qual eu fui mais bem preparada, a de Florianópolis em novembro, terminei  um minuto a mais do que eu queria, e foi por falta de suplementação adequada durante a prova. Calculei errado o tempo do gel, e quebrei por três quilômetros, o suficiente para estragar o objetivo. 
Então, Noel. Não cumpri à risca os treinos de musculação, e acho que isso foi crucial para que a canelite me pegasse de jeito. Corredor é um bichinho ruim, quando tem pouco tempo, sempre quer usar para correr, e não para os outros treinos paralelos que fortalecem o corpo para a corrida. Tendo pouco tempo no horário da natação, adeus, natação. Com a musculação, além disso, tinha a questão de ter provas no final de semana. Já tinha que ser um treino beeem leve ou só de membros superiores (quando teve), porque não podia ficar cansada para a prova. 
Ah, sim, querido Santa (o Claus), novamente acabei fazendo provas buscando resultado mesmo quando eram só para treino. Olhava quem estava, já conheço algumas da categoria, tentava perceber como eu me sentia, e aí, já viu, né? Botou o número de peito a pessoa enlouquece, trofeu, trofeu, trofeu, medalha, medalha, medalha. 
Como grupo, tivemos a questão de buscar a vaga para o Volta à Ilha. Isso tira o foco do projeto pessoal de tempo em prova, e gera um novo tipo de ansiedade. Só que eu já sei que isso vai ter que acontecer, porque não temos vaga garantida, e esqueço de colocar no planejamento. 
Tinha uma meta principal individual, que era  baixar o tempo na prova de 10km novamente,mas só assim, e isso não deu certo. Devia ter estabelecido o quanto. Pelo menos como meta básica, e depois, se fosse o caso, adaptar. Já aprendi.
Eu não consegui ir treinar com a turma da Gamboa na praia, o horário é ingrato para mim. Basicamente cumpri planilha. Cumpri bonitinha, até a canelite pegar, porque sou cdf e me esforço mesmo. Mas  teve um preço, e como o meu treino é no melhor horário - aquele, o que dá, cada dia um diferente - nunca era quando todo mundo estava na praia treinando. Isso significou fazer pouco os exercícios educativos, ter pouca análise do Diogo da minha técnica (ou a falta dela)...e isso é mau...
Pensando no Natal e em mostrar a fofa que eu fui,  no final do ano busquei o resgate. Fui ao médico, Dr. Gustavo é show, passei a fazer liberação miofascial séria, e voltei para o Pilates. É aquela história: não arrumei tempo quando não estava lesionada, para prevenir, tive que arrumar depois da canelite já instalada. 
Faz muita diferença o pilates, e por mais que eu continue não curtindo (para ser querida), sei o efeito positivo que traz, e trato como remédio. A Marcela, fisioterapeuta corredora, entende do babado como poucos, e me passa os exercícios certos para o que eu preciso. Tem paciência mas não me dá moleza. 
A natação dançou mais uma vez, mas porque o pilates agora é melhor para mim. Aí é que está. As famosas prioridades. E descobri que o trabalho do ano passado do pilates, mais a musculação bem feita este ano com o Rodrigo, já me deixaram mais flexível e forte do que eu era, beeeem mais. Assim, já não detesto tanto os exercícios, talvez  porque consigo fazer hahahahahaha. 
Ok, estou sendo bem rigorosa comigo mesma. Devo reconhecer que  eu  não me passei nos treinos (se a planilha diz 12km, eu faço 12km, e não 16km...), nem matei treinos (5 tiros são 5, não 3), e sempre  tentei acertar obedecendo ao mestre. Aprendi muito este ano em relação a controlar o pace e manter regularidade nos km, consegui largar mais devagar e não quebrar nas provas importantes, fiquei bem feliz.
 Foi mais uma etapa no processo de autoconhecimento, e tenho que me esforçar para não me autoboicotar, o meu maior exercício tem que ser o mental, do quero, posso, consigo, sou phodastica (dureza).  E celebro cada conquista, como tem que ser, sendo mais generosa com meus resultados de treinos e de provas, conforme as circunstâncias. 
Então vamos combinar que eu fiquei na média, fui uma boa menina, e mereço uma canela nova e mais uma chance. Estou me dedicando a isso, e a ter  o corpo do jeito que eu gosto, que não combina necessariamente com o padrão esperado de uma corredora e de uma moça delicada, porque essa eu nunca serei. Sempre serei coxuda, gosto de ser forte, e é com esse material que tenho que trabalhar. Não tem tênis novo nem saia vivian bogus que compensem a saúde e o bem estar para correr e se olhar no espelho com satisfação. Certo? 
 Para mim, que não curto muito o Natal, espírito natalino é amor no coração em relação a todo o mundo, mesmo. E é isso que desejo, que cada um consiga sentir amor, e que ele se transforme em energia e se espalhe por aí. 
Um Feliz Natal para todo mundo.



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