sábado, 1 de abril de 2017

Missão Botar para Correr: cumprida!

Essa é a minha. Mentcheeera. Também não é assim. É bem verdade que já botei muita gente para correr. A pessoa me pergunta se eu corro, se eu gosto, começa a se interessar, coitada...num instantinho já está quase comprando o tênis e iniciando os trotes. O mais legal não é isso. É ver essa pessoa se apaixonar pela corrida e correr mais do que eu. Melhor do que eu. Mais rápido do que eu. 
Acho que consigo ser bem persuasiva. Provavelmente isso se deve à paixão com a qual falo do assunto. Marta não corria até ano passado e em fevereiro fez sua primeira meia maratona em Verona, na Itália. Monica não corria há cinco anos, e agora faz ultratrail e ultramaratona. Angelica também. Fora as que eu nem conheço e botei para correr sem saber. 
Pois bem. Ano passado, depois do Treinão Lei Maria da Penha, a dra. Carla, da OAB de BC, me convidou para participar da Jornada da Mulher Advogada do Vale do Itajaí (agora não estou certa de que era assim o nome, mas era essa a ideia), como palestrante falando sobre algo relacionado ao direito e as mulheres. Só que ela convidou muitas outras juristas ótimas, e os temas foram sendo pegos kkkkk.
No final, eu já nem estava mais me sentindo capaz de falar algo que fizesse diferença. Eu não tenho conhecimento jurídico nem suporte de pesquisa para falar sobre violência contra a mulher (para isso há Gabi Manssur), assédio sexual, etc. E já havia quem falasse sobre discriminação de gênero, que é um assunto que me pulsa. 
Foi então que ela sugeriu que eu falasse sobre empoderamento feminino, corrida, algo assim. 
Comecei a pensar sobre isso, e montei uma fala na qual eu pudesse relatar o que vocês costumam ler aqui no blog, que são minhas aventuras e desventuras na corrida, especialmente o início e o que emociona, o que me inspirou, e com isso tentar inspirar outras mulheres a fazerem o mesmo, e especialmente perceberem que a corrida empodera a mulher de uma forma muito especial. 
Na verdade, a corrida é um símbolo. Você pode encontrar outra atividade que também te dê o mesmo sentimento de alegria na solitude. Mas a corrida  é mais barata e mais prática. E é o que funciona para mim e para muitas outras mulheres. 
Isso já foi depois do primeiro treino Mulheres que Correm, e antes do segundo, o que rolou em Blumenau. De todo modo, eu já tinha visto olhinhos brilhando depois da primeira corrida. 
Na ocasião, fiquei feliz com o resultado e a aceitação, mas não pensei mais nisso. Já falo sobre corrida aqui e em outros lugares, para várias pessoas, e especialmente com as mulheres que correm pelo nosso instagram, chamando atenção para a importância de fortalecermos nossa autoestima, sororidade e lutarmos pela dignidade no nosso dia a dia. E acredito que a corrida é um baita fator de elevação da autoestima. 
Também provavelmente porque acredito nisso com fervor, entre as advogadas que me assistiram em Itajaí estava a dra. Maria Terezinha, de Joinville, e ela me convidou (na verdade, intimou) para levar a palestra para Joinville no mês da mulher, este que hoje se finda (sim, gente, acabou março, é isso). Foi um susto. 
Eu não tinha nenhuma brecha na agenda. Estou sozinha na Unidade Judiciária desde final de fevereiro, tive minhas férias suspensas e retornei ao trabalho antecipadamente por conta de um problema de saúde do meu colega, que emendou com férias. 
Resumo da bagaça: eu já tinha assumido (há meses) minhas aulas na Amatra de Itajaí nas segundas feiras à noite (porque é um dia que não faço audiência, em geral), aula em Blumenau em final de semana,  aulas em Rio do Sul, também em final de semana, tudo nesta época, porque não estaria trabalhando sozinha, só que subitamente me vi trabalhando por dois e acumulando tudo isso com aquele aplicativo massa, sabem? V I D A. Sim, porque tem a família, o marido, a casa, e sim, a corrida, meu amor. Fora o próximo treino mulheres que correm, que rolará ainda no primeiro semestre...oba. 
Recuei das aulas de Rio do Sul, o local mais longe, porque não poderia viajar em sextas-feiras estando na titularidade da Vara do Trabalho. Não dei conta de fazer pautas duplas (significa fazer audiencias de manhã e à tarde) direto, porque aí não sobra tempo nem inteligência para fazer sentenças adequadamente, que afinal de contas são o resultado que as pessoas esperam, quando não há acordo.  Despacho entre as audiências, aproveitando que tenho dois monitores. Mais do que nunca, sou a rainha da marmita e tenho tudo a mão, facilitando a minha vida.  
Adiei para o final de março o início das aulas, que adoro, com essa turma incrível da Amatra de Itajaí, gente pensante e queridos. E tive que rebolar para manter os treinos, criando novas rotinas e horários para encaixar o pilates (essencial) e a musculação (idem) sem atrapalhar a vida familiar.  Ah, tinha mudado em janeiro de nutricionista e de dieta, de forma um tanto radical. Estou até hoje em adaptação. Tranquilo E favorável.
Estudamos até no carro, eu e Arthur, contando números das placas e transformando em letras do alfabeto e então palavras e sílabas. Falamos em inglês. Fazer jantar virou um artigo de super luxo. No máximo boloterapia com filho. Alguém se identifica? 
E sumi do blog. Não dava mais. Encontrar amigas? Deve ser legal. Não lembro...né Bea e Carol? Vida social...hum...lembro vagamente. Não estou me queixando, povo, de verdade. Adoro minha vida  e quase tudo nela é resultado das minhas escolhas. Mas gosto de ter o máximo de controle possível, e isso fugiu de mim com imprevistos e acúmulos. O que não significa que não tenha dias ruins, quando me sinto sufocada. E resolvi abrir assim para vocês porque sei que a maioria também tem a vida beeeem amalucada e se sente constantemente perdida com tudo fugindo do seu controle...e a gente fica buscando o tal pertencimento, né? O que é meu? Me dê de volta o que é meu, cadê minha vida e meu tempo? Somos todas muito parecidas, afinal. E cansei de achar que dou conta de tudo o tempo todo. Nem sempre isso funciona. 
E vem a dra. Maria Terezinha me dizer que não aceitaria um não como resposta. 
Fiz muitos cálculos e adequações, porque no meio disso papis recebeu título de cidadão honorário de Floripa, no meio da tarde de uma quinta feira, e eu naturalmente fui. Todos de casa fomos. 
E não é que deu certo? Conseguimos fechar dia 29, que já não tinha audiência marcada à tarde (um engano, provavelmente).
Confesso que achei que a doutora estava muito otimista. Não imaginei que o assunto pudesse despertar o interesse que ela estava imaginando. Mas como falar sobre isso é um prazer, também não pensei mais.
Não encontro palavras adequadas e suficientes para descrever a noite de quarta feira passada. A receptividade e a energia que encontrei na OAB de Joinville foram espetaculares. Mulheres fisicamente diferentes, com expressões diferentes no rosto, algumas curiosas, outras desconfiadas de início (sim, percebi), que, ao longo daquela hora em que falei (o que para mim não é suficiente, da próxima preciso de uma hora e meia, pelo menos),  foram se abrindo para mim, e fui sentindo um calorzinho gostoso, como quando a gente corre de manhã cedo no sol do inverno depois de arrepiar de frio quando sai de casa. 
Considerei mais do que cumprida a minha missão. Que não era (só) botar para correr. Era mostrar que nós, mulheres, somos capazes de qualquer coisa que realmente queiramos, especialmente depois de correr 5km. Que sentir a alegria individual de correr não é egoísmo, e sim um direito mais do que justo, e que traz a possibilidade de sermos melhores, inclusive para aqueles que amamos. Que na corrida a competição diz respeito à competência, e não a divergências por gênero. Que o resultado é proporcional à preparação e ao foco. Em tudo o que fizermos.
E que não precisamos que algo ruim ou muito diferente aconteça na nossa vida para a gente mudar aquilo que não gosta, que incomoda. 
Voltei de Joinville reenergizada, privilegiada por ter ganho tanto carinho.
E concluí que a contribuição que eu tinha para dar, individualmente, através deste blog, já dei. Já compartilhei muitas experiências que tive na corrida e até relacionadas à nutrição e, até por lógica, começarei a me repetir. Repito edições de provas, treinos, verões, invernos...não me parece que ainda haja muito a acrescentar, eis que continuo sendo uma corredora apaixonada e amadora. Como sempre. Eu mudo sempre, todos mudamos, e ao mesmo tempo somos os mesmos. Entendem?
Quando comecei a escrever aqui, uma das motivações foi poder falar para mais gente o que muitos me perguntavam individualmente: como foi a prova, como é correr 10km, que treinos eu faço, se corria todos os dias, como é viajar para correr, etc. Mas não tenho o tempo que gostaria para compartilhar mais, para explorar mais, e mesmo fazendo muuuuuita pesquisa de mercado lendo as revistas especializadas e outros blogs, não consigo mais me expressar como gostaria. 
A palestra direcionada me fez ver que posso contribuir, estimular, incentivar, compartilhar, com hora e lugar marcados, para quem quiser ouvir. E assim posso me organizar. 
Então o blog vai acabar? Não. Não consigo. Tenho apego. Mas vai mudar. Estou com algumas ideias, vou trazer mais colaboradores, participações, e tratar de temas específicos e compartilhar não mais as minhas percepções e experiências, mas a de quem entende realmente do que está falando, além dos leitores e leitoras que se habilitarem. Mais ou menos como uma revista eletrônica. Pretendo muito mais fazer perguntas e depois que me tragam  respostas. Eu estou muito a fim de aprender, minha curiosidade se aguça a cada dia. Espero que venham comigo. 
Vou dar um tempo para reorganizar aqui, e também porque estou bem louca com tudo que tenho para fazer, mas em breve voltarei, Muito obrigada pelo carinho nesses anos. E pensar que comecei a escrever quando Arthur era baby, e agora ele já escreve, lê, e corre. 
Até mais! 









quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Periodização da corrida - Guest Post by Grazi Evangelista

Olá
 Hoje quem vos escreve neste blog não é a Andrea. E sim, alguém tão apaixonada por corridas quanto ela: sou Graziela Evangelista, ou Grazi. Corro há cerca de 9 anos. Comecei para perder os 10kg que ganhei da minha última gravidez, e nunca mais parei. Hoje, participo muito pouco de provas, pois tenho como prioridade e como profissão/missão/inspiração de vida, através da Assessoria de Corrida Pace &Fun, de Blumenau, apresentar a corrida de rua às pessoas e observar, depois, orgulhosamente, a transformação na vida de cada uma delas. 
Sou amiga da Andrea há uns 5 anos. E sim, nos conhecemos através das corridas, antes de virarmos amigas, na época feliz dos meus 13 anos de Academia Master, Ela nadava, grávida, nos horários em que eu dava aula, e eu já conhecia ela de vista das provas. Um cumprimento seco, nada mais. Rs...Não nos bicávamos muito no início...rs...competitividade tola, eu que tenho fama de brava, sei lá. Depois, corremos inúmeras provas juntas, em equipe, ou solo querendo ultrapassar uma à outra...rs...Já passamos e conquistamos muita coisa neste mundo mágico da corrida. Hoje, mais maduras, mais light com tudo e todos na vida, estamos aqui: e eu escrevendo no blog dela. O que adorei e sou muito grata!
Bem, mas vim aqui falar também de corrida! (surpresa)...e mais um ano de corridas se inicia, não é?! E como é que se inicia um novo ano, um novo ciclo de treinamentos em corrida? Bem, a palavra chave é periodização. A ideia de que não se deve parar no fim do ano (ou reduzir) para não perder o que se ganhou em termos de condicionamento durante o ano ainda é muito praticada. Muitos emendam um ano no outro e seguem os treinamentos sem uma devida e necessária pausa ou redução de volume ou intensidade.
Chamamos este período de "pausa" de período transitório. Achamos que não, e entramos em desespero, mas uma semana de pausa ou adoção de atividades físicas mais recreativas não fará com que se perca condicionamento. A partir de duas semanas, muito discretamente, já se inicia este processo. Porém, nada de desespero! Em atletas com cerca de 6 meses de treinamento contínuo, o "tempo perdido" se recupera na mesma proporção de tempo parado! E claro, lembrando que cada indivíduo é único e possui suas particularidades. Passado o período transitório, a fase será do treinamento de base, feito com o intuito de preparar o atleta para um novo ano cheio de treinos e provas. 
Na fase do treinamento de base, que dura cerca de dois meses, há uma redução na intensidade do treinamento, e são frequentemente usados novos estímulos na corrida, como o trabalho de força e resistência muscular e cardiovascular, advindos de treinos em morros, rampas, escadarias, água da praia, areia...
Com um bom trabalho de base feito, podemos ir com mais confiança para o período competitivo! Quando, aí sim os treinos ganham intensidade (e, dependendo das provas algo, também volume), e exigem músculos fortes a fim de evitarmos as temidas lesões.
Claro que a periodização de um grupo de corrida pode não ocorrer simultaneamente. Afinal, cada atleta tem as suas provas alvo em determinado período do ano. Mas é muito importante conversar com o treinador para que sejam montadas as planilhas de treino respeitando as etapas de periodização, sua evolução e possíveis adaptações. Por isso, é fundamental ter contato, se não direto, constante com o seu treinador. Relatar como se sentiu com o ritmo estipulado naquele treino de ritmo; como foi o longo do fim de semana; se há dor durante o depois do treino; como vem sendo a recuperação pós treinamento...São detalhes que devem fazer parte da estratégia de periodização, em que uma conexão constante entre treinador e atleta é indispensável para o sucesso tão desejado neste mundo que amamos tanto que é o da corrida! Bora treinar!!







A Graziela Evangelista é formada em Educação Física e é uma das treinadoras na Pace &Fun. Já foi atleta de handebol, professora de natação, de bike...Corre como poucas pessoas que conheço, se entrega até o limite em uma prova. É uma baita parceira e sabe botar o povo para correr, com competência!
Acima, nós logo após a chegada da prova Divas Venezianas, que fizemos em quarteto e ficamos em primeiro lugar na categoria veteranas. 




terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Fiz uma corrida virtual!

Já ouviram falar de Virtual Runner? Então, eu vi uma vez algo sobre o assunto e fui dar uma procurada. No Brasil encontrei só uma, em favor da Casa Hope de São Paulo, mas as inscrições estavam esgotadas. Nos EUA  e na Europa tem bastante, é uma tendência. 
Já deve ter gente  achando que corrida virtual é ficar no sofá com uns óculos supermodernos no rosto, com um programa que faz um 4D tão legal que você não corre, só vê a paisagem correspondente, mas até fica suado no final. Nãnãnão.
A corrida é real, a prova é virtual. Isso significa que é flexível. Você corre quando quiser, onde quiser. Estranho? Fui conferir.
Tem um site com várias provas, o www.virtualrunneruk.com, todas com alguma parte da inscrição para uma  caridade, e em algumas provas você pode até escolher para quem quer doar. 
Nunca vai parecer uma prova de corrida de rua como as que estamos acostumados, porque você corre sozinho, a princípio, e marca seu tempo, submetendo à aprovação da organização. 
Então falta aquele ingrediente fundamental para ser uma prova: a adrenalina. E justamente por isso também é um ótimo exercício para você fazer. Porque é exatamente a situação de buscar sua melhor versão, seu melhor tempo, sem ninguém vendo. 
Será que realmente quando eu vou para uma prova aplico o famoso "eu contra eu mesmo"? A gente sempre diz que busca se superar, mas na prova a gente põe o numero do peito e bem que gosta de ultrapassar. Chega a fugir do combinado com o treinador porque dá a loucura da largada e se perde. Já me aconteceu de fazer um tempo maior do que eu pretendia e que até poderia fazer, mas fiquei feliz por ter chegado na frente de determinada pessoa da mesma categoria. Ai que feio...mas somos assim, competitivos por natureza, desde as cavernas, atrás da comida escassa (forcei a barra). Tive já várias motivações esquisitas. Teve uma época, antes de eu correr de saia, que eu queria ultrapassar todas as meninas que estivessem correndo de saia. Eram em menor número, é verdade. E passou.
Voltando à virtual, o que achei legal é que são várias opções. A gente é acostumada a ver prova de 5km, 10km, 21km, 42km, e vez ou outra 8km, 6km...na virtual você tem não só a distância como um prazo para completá-la. 
Vou explicar com o exemplo da corrida que eu escolhi. A Xtmas (Natal) 5k Challenge. Funcionava assim: eu deveria correr 5km a cada semana (direto) por 4 semanas, durante o mês de dezembro, até o Natal. Eu me inscrevi e ganhei até um bib number, se eu quisesse poderia sair bem faceira de número no peito.
Escolhi esse desafio porque combinava exatamente com meu treino regenerativo de segunda-feira, achei que serviria como estímulo para um treino bem feito.
Porque foi assim que eu encarei quando me inscrevi. Vou fazer um treino bem feitinho, sem parar, sem enrolação. Na primeira semana foi exatamente o que aconteceu. Marquei o tempo, fiz em 27'06.
Você pode comprovar o tempo de várias maneiras, com todos esses aplicativos que existem ou mesmo com foto do garmin e, no meu caso, do treino baixado no computador no programa da tomtom. Eles submetem à aprovação e no dia seguinte recebi o ok, aprovado meu tempo. 
Na semana seguinte eu não estava bem, e fiz só 4km na segunda feira, então não quis usar esse dia de treino. Outra vantagem do negócio. Acordou mal, o dia tá ruim para correr? então não precisa ser naquele dia, ué. Usa outro. A semana foi passando e eu não melhorei muito kkkkk. Então no domingo eu tinha que fazer 12km, e fiz o seguinte: marquei os primeiros 5km para ser a prova, zerei o tomtom e fiz o resto do treino. Como eu sabia que tinha mais 7km, também fiz em ritmo leve, e fechei em 27'12.
Na terceira semana  eu confesso que o bichinho da corrida entrou em mim. Fui olhar os resultados das semanas anteriores e eu estava super bem colocada!! Louca, né?! Eram pessoas do mundo todo participando, mais de 700 inscritos, e eu achei que podia caprichar mais. Mudei um pouco o foco, e vi que, se era para fazer prova, tinha que ter mais cara de prova. 
E foi ótimo. Peguei um dia de treino de 6km, e fiz o primeiro de aquecimento, e então recomecei e fiz em 26'05. Aí a gente pensa: para uma prova, não seria isso tudo,mas para treino é ótimo!! E eu não teria feito se não estivesse marcando para a virtual, tenho certeza. Na última semana eu consegui fechar em 26'20, e achei que a prova serviu para o propósito: estimular o treino, dar uma motivação diferente para ele. 
Depois que terminei as 4 semanas, submeti meus tempos, fiquei naquela espera das medalhas. Depois de umas duas semanas eu confesso que comecei a achar que não iam chegar. E eu paguei. Não foi caro, mas foi em libras. E o pagamento é unicamente para ter direito à medalha. Algumas provas têm a opção de ter medalha ou não. Eu quero todas as medalhas que puder ter!
Então chegaram...as 4. Que lindas, formando uma mandala natalina!! Achei bem caprichado. Claro, o mais legal era ganhar uma por semana completando o percurso, mas pensa no frete! 



É uma proposta interessante a das corridas virtuais. Bem democrática, e ótima para aquelas pessoas que ainda têm receio de participar de provas de rua reais, mas querem tentar se sentir em uma. Ou para quem faz provas de 5km, e ainda não tem certeza se vai conseguir correr direto uma de 10km. Faz a virtual para ter uma ideia de tempo, porque é bem menos cobrança. 
Como são muitos tipos de provas, vi que podem servir para vários propósitos para os diversos tipos de corredores. Existem provas para completar determinada distância em um espaço de tempo longo, como um mês, seis meses (maior a distância, claro). Isso é bom para quem tem dificuldade em manter os treinos visando volume. Tem que fazer aquela quilometragem até a data final, que pode chegar a mil milhas! E você aprende a se programar também. Me inscrevi em uma para correr 42km em um mês. Mas tem também para dez dias, e aí você vai fazendo conforme sua disponibilidade, mas tem o compromisso que não é só o da planilha.
Uma possibilidade que pensei que pode ser interessante é desafiar amigos de outras cidades, ou que não treinam com você habitualmente, e estão com os mesmos objetivos. Cada um corre quando e como puder, mas estão na mesma prova e podem comparar os tempos. 
Muitas são temáticas, e isso pode deixar mais interessante para os grupos. Estou de olho em umas de starwars...Dá até para montar uma turma e ir no mesmo dia, claro, e ser muito divertido. Tem algumas que oferecem camiseta para quem quiser pagar. 
Estou tendo várias ideias, acho que a corrida virtual pode ter tudo a ver com as mulheres que correm e seus objetivos. Empoderamento simultâneo por várias cidades, já pensaram? E ajudando pessoas? Uau.
Claro que participar exige algo bem importante: honestidade. Não vale parar o relógio para descansar e tomar água e depois continuar e postar o tempo como se fosse contínuo, porque em prova você não faz isso. Por isso não é igual aos treinos.  O que se espera é que você simule mesmo a prova, e seja honesto nos seus tempos. Pode chamar de treino especial.
Existem provas virtuais com premiação para os primeiros colocados. Nestas o critério de aferição de tempo é mais rigoroso, e eles olham os resultados em outras provas de mesma distância para ver se é crível seu tempo naquela. Mas sinceramente, mais do que nunca, a quem você estaria enganando, não é? Beira o ridículo mentir o tempo numa prova virtual. 
Confesso, foi bem diferente receber medalhas pelo correio. Mas estamos sempre experimentando, não é? Se te faz feliz na corrida, está valendo! 






quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Qual é a sua preguiça?

Preguiça, pelos dicionários, é: característica ou atitude que demonstra pouca disposição para o trabalho, ou aversão ao trabalho. Está também relacionada com negligência, indolência, mandriice, demora ou lentidão em praticar qualquer ação. Alguém se identifica? Ah, vai. Quem nunca?
Vamos pular a parte que diz respeito  ao trabalho, e vamos ao que nos interessa aqui. Demora ou lentidão para praticar uma ação...relacionada à corrida, naturalmente. 
Quando pensamos em preguiça nessa área, geralmente é para correr, certo? Então, quero mostrar que existem outras formas de preguiça, que podem nos prejudicar ainda mais.
A preguiça mais comum, acredito, é aquela de manhã, de acordar, levantar e ir correr. Mais do que preguiça, é falta de coragem mesmo. A gente vive é na inércia,e  a cama está sempre tão boa, e normalmente dormimos menos do que gostaríamos...é muito tentador ficar mais um pouquinho, né? Nããããããooooo!!
Eu, sinceramente, tenho poucas vezes este sentimento. Na verdade, tenho tanta certeza de que serei mais feliz depois de correr, que isso é mais motivador do que ficar na cama. Até porque, se não for correr, o certinho  é levantar do mesmo jeito e fazer outras coisas que são necessárias, como trabalhar, arrumar casa...nossa, correr é bem mais divertido. 
O negócio para espantar a preguiça da manhã é deixar tudo mais ou menos separado e organizado mentalmente para levantar e, sem pensar, fazer o que é necessário, no automático. E aí, quando perceber, está correndo, e ficando só mais feliz, e tornando o dia melhor. Dá para ver que eu gosto mesmo é de correr de manhã, não?
E a minha preguiça física é maior no final do dia, porque mistura com cansaço. Já trabalhei, tenho que cuidar da minha família, é o horário que posso ficar com Arthur, então me organizar para correr à noite é sempre mais difícil. E também tem que deixar tudo separado, arrumado, porque se sentar no sofá...já era. Isso é estatístico. Ainda mais se parecer que vai chover. Correr na chuva ok, sair para correr na chuva torrencial...sei não.
Nas férias é pior ainda. No verão eu bebo no almoço. Vinho rosé, espumante, Magners...alguma coisa vou beber. E não quero que isso vire um problema porque tenho que pagar o treino no final do dia. Prefiro ter a consciência tranquila de ter treinado e dali em diante não penso mais nisso. Claro que tem gente que prefere ou só pode correr no final do dia. O importante é não ter preguiça de arrumar as coisas e nem de correr. É que o meu lema é: não deixe para correr à noite se pode correr de manhã com certeza. Sabe? é a certeza...
Mas estou falando isso para chegar em outro ponto da preguiça: de pensar. De se organizar. Acho que essa é a pior, porque prejudica tudo. Se você prefere deixar para ver a planilha só na hora, pensar no horário que vai sair para correr no próprio dia, "ver como o dia se desenrola"...já era. 
Tem mais uma situação. Essa é pior, porque aparentemente a gente foi super disciplinado, e fez questão de manter o treino. Você sai na sexta-feira à noite, volta tarde e meio drinks, bota o despertador porque pensa, afinal de contas, que sábado é o dia do longo e ninguém mandou sair na sexta, ué. E ainda fica se achando o cdf da planilha. Mas será que vale a pena? Você efetivamente levanta, mas não acorda, se arruma, esquece coisas, como levar água ou dinheiro, porque está dormindo ainda, e faz um lixo de treino, suando álcool e se arrastando. Só fica feliz porque acabou, e às vezes nem consegue fazer tudo. E o resto do dia é estranho. 
Ah, entreguei o treino, o que importa é que está feito. Discordo. Se você pensar um pouco, vai concluir que é melhor descansar no sábado, ceder à inércia, e deixar o treino para domingo. Ou dessa vez ir à tardinha, ou à noite. O treino vai sair melhor e você não vai se sentir culpado por ter saído na sexta. Porque sair também é legal. Mas isso exige que você não tenha preguiça de pensar e de estabelecer o que é mais razoável e melhor para você, seu treino, e sua saúde. 
Claro, pode acontecer de você sair para correr no único horário que pode, tipo 11h num dia de verão, porque tem compromissos familiares ou de trabalho, ou mesmo porque dormiu mais, e o treino não sair bom. Me acontece direto. Odeio correr com sol a pino, mas se não tenho opção, prefiro pensar que fiz um treino de sofrimento, me preparando para o pior. Mas fiz isso como escolha consciente, e era o possível nas circunstâncias. Ou seja, planejamento para isso, levando mais água, um dinheiro de emergência, e, por que não, reduzindo um pouco a quilometragem, se for necessário.  
O mesmo acontece com as prioridades. Eu percebi que ano passado, de novo, eu tive preguiça de pensar nas minhas metas e nos meus objetivos de corrida. Por que? Não sei. Talvez porque eu adore fazer provas, só que fazer muitas provas tira a gente do rumo para atingir os resultados que pretende nas provas alvo. 
Claro que é bem mais fácil sair da preguiça quando tem prova. A gente levanta com mais vontade, sabe que vai ter gente, que a hidratação está garantida, usa o tênis favorito...prova é sempre mais tentador do que treino. Mas muita prova significa perda de treino, já que mesmo na prova que é para ser treino a pessoa fica louca e corre competindo. 
Para mim, isso também foi preguiça. Preguiça de ir treinar, de pensar no que era mais importante naquele momento, e escolher fazer prova. 
Se eu tenho prova de 10km no domingo, não tem longo de 14km no sábado, que era importante para a meia maratona dali a um mês, e os 14km eram em um ritmo totalmente diferente dos 10km da prova. Além disso, tendo prova domingo, e não treino, a musculação de sexta é leve e de membros superiores. E musculação é fundamental para o corredor se manter forte!
A preguiça de estabelecer metas também é ruim. Você fica naquela planilha sem rumo, se inscreve nas provas porque são legais, porque o pessoal vai, porque tem visual, sem pensar muito se você quer realmente correr aquela distância, naquele terreno, naquela época do ano. Fora que não evolui nada, me desculpe.
Concluindo: às vezes, não ir treinar não é sinal de preguiça, e sim de sabedoria e autoconhecimento. Preguiça pode ser sair de casa para correr só para cumprir uma tabela que você nem sabe a finalidade. E vez ou outra, deixar a preguiça física vencer, e ficar em casa, com a família, curtindo até mais tarde da manhã, e recalcular a rota do dia...também vale. Para os outros dias, tenha muita motivação de sair da cama para correr, ver o mar, se sentir em contato comigo mesma, meditar, ter novas ideias, clarear a mente...Vença a preguiça mental e corra!! 








terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Oba, São Silvestre! Eu fiz!

Pegadinha...hahahaha! Já perdi a conta de quantas pessoas me perguntam, todos os anos, no final de novembro, começo de dezembro, se vou correr a São Silvestre. Porque é óbvio que eu iria, afinal de contas, eu corro e, inclusive, para alguns, corro loucamente. Várias pessoas acham que correr de verdade é participar da São Silvestre. Entendo. É a prova de corrida de referência brasileira. Orgulho nacional ter uma prova de rua de expressão mundial como essa, em São Paulo, e em pleno dia 31 de dezembro!  A única pessoa que acha normal eu não correr a São Silvestre é minha mãe, porque ela pensa que é uma maratona (assim como milhares de pessoas), e incrivelmente ela sabe que eu não corro maratona, pelo menos por enquanto. Muitos não se conformam que não vou. O que realmente é de estranhar, porque a prova é de 15km, a distância que acho top. Mas vamos chegar lá. Tenho meus motivos, embora adore a prova pela sua existência.
Não pertencendo a uma família de atletas, minhas recordações da São Silvestre são aquelas pouco relacionadas à corrida em si. Eu passei muitos finais de ano na casa da minha avó em Criciuma, e lembro dos meus pais jogando canastra com minha avó e seu marido (meu avô emprestado, maravilhoso), até que chegasse a meia-noite, e a São Silvestre era a atração principal. Sou do tempo em que não havia quenianos nem etíopes como corredores master picas das galáxias. A gente torcia para a Rosa Mota, portuguesa (adorava torcer para os colonizadores). Era à noite, e era completamente distante da minha realidade de vida. Mas era o máximo, eu esperava ansiosamente. Além disso, havia também o fato de termos morado em São Paulo, de maneira que meus pais acompanhavam a prova para dar a localização e recordarmos das ruas em que se passava correndo, e isso era muito diferente de passar de carro, enfim. Isso realmente me deu aquele sentimento bom, de simpatia, pela prova, mesmo não entendendo nadaaaaa de corrida.  
Estava dando uma olhada na evolução da prova, e houve mudanças de distância e de percurso. Imaginem que a prova chegou a ser de 8.900, ou seja, menos de 9km! Isso faz ruir o papo de alguns de que só maratona vale como prova importante. Por outro lado, todo mundo adora falar sobre as subidas, para dar aquela valorizada na dificuldade...Adoro. 
Mas o que me chamou a atenção foi a participação feminina, que na década de 90 era na média de 800 mulheres, para mais de 8000 homens!! Em 2010. foram 21000 homens para 3000 mulheres, impressionante a diferença! Além da participação das mulheres realmente ter crescido na última década, acho que a falta de informações sobre a prova (distância, por exemplo), também pode afastar algumas. 
Na década de 80, a predominância era de sul americanos, com muitos equatorianos, sendo o Rolando Vera o destaque, ganhando de 1986 a 1989. Além deles, havia outros portugueses, como o Carlos Lopes, que ganhou várias vezes. Na década de 90 é que vieram os quenianos, e aí, o Paul Tergat dominou por muito tempo, era um nome que eu ouvia direto, eu achava ele tão magrinho... 
Em 1989 a corrida passou a ser à tarde. Na época isso foi legal para mim porque eu já queria aproveitar o Reveillon e não assistir corrida, e à tarde do dia 31 ninguém tem nada para fazer. Ou seja, eu continuava assistindo na TV.
Mas pensando agora, como corredora, que coisa horrorosa, correr às três da tarde do dia 31 de dezembro, que calooooorrrrrr!!!
Faz muito sentido os africanos passarem a ganhar tudo, né?
A partir de 2000 veio ele, nosso heroi Marilson, e o Franck Caldeira também ganhou!! Dessa época lembro pouco, até eu começar a correr realmente me afastei como plateia, mas Marilson salvou em 2010, e dali em diante, só africanos, sendo a prova de manhã, que acho mais digno.
Lembro que uma coisa que eu sempre pensei foi que realmente era um problema para mim passar o reveillon em São Paulo. Sorry, leitores, adoro a cidade, mas para a virada, quero litoral (ohhh, que diferente). Ta, Paris também serve kkkkk.  
Virando corredora, o que mudou? seria um sonho a São Silvestre?
Assistindo a prova, a largada, os vídeos que os conhecidos mandam, vendo as muitas muuuuitas fotos do pessoal, eu fico emocionada, sim. Acho lindo de se ver. 
Eu fiz um combinado com o marido. Quando fui sorteada para a meia de NY, ele topou ir se eu prometesse não inventar de ir na São Silvestre por 5 anos. Achei justo. Acabou o período sabático, eu poderia planejar. Mas tenho uns problemas operacionais, que acho que muitas mulheres também têm, e que reduz nossa participação (atualmente não mais divulgada no site oficial). A principal é familiar, é um esquema complexo conciliar a família (formada por muitos pequenos núcleos, tem pai de um lado, mãe de outro, sogra de outro, sogro de outro), para Natal e Ano Novo. Passar o ano novo em uma viagem incrível seria algo bem aceito na família. Só que ir para São Paulo para uma corrida (não importa qual seja), na minha família, não é considerado uma viagem incrível...Só mais uma das minhas esquisitices. Nada que eu não supere, mas então tem que ser algo que eu deseje. Deixar o filho ou levar o filho? Outra questão a resolver. Se levar, levar para a prova? são 15km, não vai demorar tanto também, mas é uma multidão. Se não levar, esquematizar com vovó...
Por uns dois anos, muita gente conhecida minha foi, e aí até pensei. Mas o Everton, meu então treinador e a pessoa que melhor me conhece como corredora, disse que eu não ia gostar. E quando vejo o mar de gente, aquele monte de pipoca, povo fantasiado, percebo que ele tem razão. Não dá para correr por boa parte da prova, é o que me disseram, e custo a crer que seja de outra forma. E eu definitivamente me irrito quando não posso correr, não importa o quão legal seja. Porque a verdade é que eu me prepararia para a prova, e 15km com subida no calor  requer a preparação, gosto de fazer com dignidade. Daí chegar lá e dar com o furdúncio, não sei se vou curtir...pelo menos ainda não. No futuro, eu mais relax, sem me importar em caminhar e atrasar o tempo final em 5 minutos...quem sabe?
Devo reconhecer que é mais uma das minhas chatices. Uma prova tão incrível, e eu não quero ir. Sorry. E correr a São Silvestre tem um aspecto motivacional ótimo: você se obriga a treinar no final do ano, não tem outra opção. Não dá para abandonar tudo e esperar o ano seguinte. 
Eu prefiro ter uma prova em fevereiro para fazer, que já me mantenha motivada, mas posso também dar uma relaxada entre Natal e Ano Novo, treinando mais de leve, compatibilizando com o teor sanguíneo do meu álcool. 
Respeito e admiro demais o pessoal que foi correr a São Silvestre. Quem quiser, me conta como foi a experiência. Acho que tenho medo de me frustrar, e isso me barra.
Agora o ano já virou, hora de pensar as provas para montar e planejar os treinos. De leve, como a semana merece. Planejar ainda não é realizar. Tenho umas ideias a esse respeito, depois conto.
Um lindo 2017 para todos, de força nas pernas e na cabeça!