terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Fiz uma corrida virtual!

Já ouviram falar de Virtual Runner? Então, eu vi uma vez algo sobre o assunto e fui dar uma procurada. No Brasil encontrei só uma, em favor da Casa Hope de São Paulo, mas as inscrições estavam esgotadas. Nos EUA  e na Europa tem bastante, é uma tendência. 
Já deve ter gente  achando que corrida virtual é ficar no sofá com uns óculos supermodernos no rosto, com um programa que faz um 4D tão legal que você não corre, só vê a paisagem correspondente, mas até fica suado no final. Nãnãnão.
A corrida é real, a prova é virtual. Isso significa que é flexível. Você corre quando quiser, onde quiser. Estranho? Fui conferir.
Tem um site com várias provas, o www.virtualrunneruk.com, todas com alguma parte da inscrição para uma  caridade, e em algumas provas você pode até escolher para quem quer doar. 
Nunca vai parecer uma prova de corrida de rua como as que estamos acostumados, porque você corre sozinho, a princípio, e marca seu tempo, submetendo à aprovação da organização. 
Então falta aquele ingrediente fundamental para ser uma prova: a adrenalina. E justamente por isso também é um ótimo exercício para você fazer. Porque é exatamente a situação de buscar sua melhor versão, seu melhor tempo, sem ninguém vendo. 
Será que realmente quando eu vou para uma prova aplico o famoso "eu contra eu mesmo"? A gente sempre diz que busca se superar, mas na prova a gente põe o numero do peito e bem que gosta de ultrapassar. Chega a fugir do combinado com o treinador porque dá a loucura da largada e se perde. Já me aconteceu de fazer um tempo maior do que eu pretendia e que até poderia fazer, mas fiquei feliz por ter chegado na frente de determinada pessoa da mesma categoria. Ai que feio...mas somos assim, competitivos por natureza, desde as cavernas, atrás da comida escassa (forcei a barra). Tive já várias motivações esquisitas. Teve uma época, antes de eu correr de saia, que eu queria ultrapassar todas as meninas que estivessem correndo de saia. Eram em menor número, é verdade. E passou.
Voltando à virtual, o que achei legal é que são várias opções. A gente é acostumada a ver prova de 5km, 10km, 21km, 42km, e vez ou outra 8km, 6km...na virtual você tem não só a distância como um prazo para completá-la. 
Vou explicar com o exemplo da corrida que eu escolhi. A Xtmas (Natal) 5k Challenge. Funcionava assim: eu deveria correr 5km a cada semana (direto) por 4 semanas, durante o mês de dezembro, até o Natal. Eu me inscrevi e ganhei até um bib number, se eu quisesse poderia sair bem faceira de número no peito.
Escolhi esse desafio porque combinava exatamente com meu treino regenerativo de segunda-feira, achei que serviria como estímulo para um treino bem feito.
Porque foi assim que eu encarei quando me inscrevi. Vou fazer um treino bem feitinho, sem parar, sem enrolação. Na primeira semana foi exatamente o que aconteceu. Marquei o tempo, fiz em 27'06.
Você pode comprovar o tempo de várias maneiras, com todos esses aplicativos que existem ou mesmo com foto do garmin e, no meu caso, do treino baixado no computador no programa da tomtom. Eles submetem à aprovação e no dia seguinte recebi o ok, aprovado meu tempo. 
Na semana seguinte eu não estava bem, e fiz só 4km na segunda feira, então não quis usar esse dia de treino. Outra vantagem do negócio. Acordou mal, o dia tá ruim para correr? então não precisa ser naquele dia, ué. Usa outro. A semana foi passando e eu não melhorei muito kkkkk. Então no domingo eu tinha que fazer 12km, e fiz o seguinte: marquei os primeiros 5km para ser a prova, zerei o tomtom e fiz o resto do treino. Como eu sabia que tinha mais 7km, também fiz em ritmo leve, e fechei em 27'12.
Na terceira semana  eu confesso que o bichinho da corrida entrou em mim. Fui olhar os resultados das semanas anteriores e eu estava super bem colocada!! Louca, né?! Eram pessoas do mundo todo participando, mais de 700 inscritos, e eu achei que podia caprichar mais. Mudei um pouco o foco, e vi que, se era para fazer prova, tinha que ter mais cara de prova. 
E foi ótimo. Peguei um dia de treino de 6km, e fiz o primeiro de aquecimento, e então recomecei e fiz em 26'05. Aí a gente pensa: para uma prova, não seria isso tudo,mas para treino é ótimo!! E eu não teria feito se não estivesse marcando para a virtual, tenho certeza. Na última semana eu consegui fechar em 26'20, e achei que a prova serviu para o propósito: estimular o treino, dar uma motivação diferente para ele. 
Depois que terminei as 4 semanas, submeti meus tempos, fiquei naquela espera das medalhas. Depois de umas duas semanas eu confesso que comecei a achar que não iam chegar. E eu paguei. Não foi caro, mas foi em libras. E o pagamento é unicamente para ter direito à medalha. Algumas provas têm a opção de ter medalha ou não. Eu quero todas as medalhas que puder ter!
Então chegaram...as 4. Que lindas, formando uma mandala natalina!! Achei bem caprichado. Claro, o mais legal era ganhar uma por semana completando o percurso, mas pensa no frete! 



É uma proposta interessante a das corridas virtuais. Bem democrática, e ótima para aquelas pessoas que ainda têm receio de participar de provas de rua reais, mas querem tentar se sentir em uma. Ou para quem faz provas de 5km, e ainda não tem certeza se vai conseguir correr direto uma de 10km. Faz a virtual para ter uma ideia de tempo, porque é bem menos cobrança. 
Como são muitos tipos de provas, vi que podem servir para vários propósitos para os diversos tipos de corredores. Existem provas para completar determinada distância em um espaço de tempo longo, como um mês, seis meses (maior a distância, claro). Isso é bom para quem tem dificuldade em manter os treinos visando volume. Tem que fazer aquela quilometragem até a data final, que pode chegar a mil milhas! E você aprende a se programar também. Me inscrevi em uma para correr 42km em um mês. Mas tem também para dez dias, e aí você vai fazendo conforme sua disponibilidade, mas tem o compromisso que não é só o da planilha.
Uma possibilidade que pensei que pode ser interessante é desafiar amigos de outras cidades, ou que não treinam com você habitualmente, e estão com os mesmos objetivos. Cada um corre quando e como puder, mas estão na mesma prova e podem comparar os tempos. 
Muitas são temáticas, e isso pode deixar mais interessante para os grupos. Estou de olho em umas de starwars...Dá até para montar uma turma e ir no mesmo dia, claro, e ser muito divertido. Tem algumas que oferecem camiseta para quem quiser pagar. 
Estou tendo várias ideias, acho que a corrida virtual pode ter tudo a ver com as mulheres que correm e seus objetivos. Empoderamento simultâneo por várias cidades, já pensaram? E ajudando pessoas? Uau.
Claro que participar exige algo bem importante: honestidade. Não vale parar o relógio para descansar e tomar água e depois continuar e postar o tempo como se fosse contínuo, porque em prova você não faz isso. Por isso não é igual aos treinos.  O que se espera é que você simule mesmo a prova, e seja honesto nos seus tempos. Pode chamar de treino especial.
Existem provas virtuais com premiação para os primeiros colocados. Nestas o critério de aferição de tempo é mais rigoroso, e eles olham os resultados em outras provas de mesma distância para ver se é crível seu tempo naquela. Mas sinceramente, mais do que nunca, a quem você estaria enganando, não é? Beira o ridículo mentir o tempo numa prova virtual. 
Confesso, foi bem diferente receber medalhas pelo correio. Mas estamos sempre experimentando, não é? Se te faz feliz na corrida, está valendo! 






quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Qual é a sua preguiça?

Preguiça, pelos dicionários, é: característica ou atitude que demonstra pouca disposição para o trabalho, ou aversão ao trabalho. Está também relacionada com negligência, indolência, mandriice, demora ou lentidão em praticar qualquer ação. Alguém se identifica? Ah, vai. Quem nunca?
Vamos pular a parte que diz respeito  ao trabalho, e vamos ao que nos interessa aqui. Demora ou lentidão para praticar uma ação...relacionada à corrida, naturalmente. 
Quando pensamos em preguiça nessa área, geralmente é para correr, certo? Então, quero mostrar que existem outras formas de preguiça, que podem nos prejudicar ainda mais.
A preguiça mais comum, acredito, é aquela de manhã, de acordar, levantar e ir correr. Mais do que preguiça, é falta de coragem mesmo. A gente vive é na inércia,e  a cama está sempre tão boa, e normalmente dormimos menos do que gostaríamos...é muito tentador ficar mais um pouquinho, né? Nããããããooooo!!
Eu, sinceramente, tenho poucas vezes este sentimento. Na verdade, tenho tanta certeza de que serei mais feliz depois de correr, que isso é mais motivador do que ficar na cama. Até porque, se não for correr, o certinho  é levantar do mesmo jeito e fazer outras coisas que são necessárias, como trabalhar, arrumar casa...nossa, correr é bem mais divertido. 
O negócio para espantar a preguiça da manhã é deixar tudo mais ou menos separado e organizado mentalmente para levantar e, sem pensar, fazer o que é necessário, no automático. E aí, quando perceber, está correndo, e ficando só mais feliz, e tornando o dia melhor. Dá para ver que eu gosto mesmo é de correr de manhã, não?
E a minha preguiça física é maior no final do dia, porque mistura com cansaço. Já trabalhei, tenho que cuidar da minha família, é o horário que posso ficar com Arthur, então me organizar para correr à noite é sempre mais difícil. E também tem que deixar tudo separado, arrumado, porque se sentar no sofá...já era. Isso é estatístico. Ainda mais se parecer que vai chover. Correr na chuva ok, sair para correr na chuva torrencial...sei não.
Nas férias é pior ainda. No verão eu bebo no almoço. Vinho rosé, espumante, Magners...alguma coisa vou beber. E não quero que isso vire um problema porque tenho que pagar o treino no final do dia. Prefiro ter a consciência tranquila de ter treinado e dali em diante não penso mais nisso. Claro que tem gente que prefere ou só pode correr no final do dia. O importante é não ter preguiça de arrumar as coisas e nem de correr. É que o meu lema é: não deixe para correr à noite se pode correr de manhã com certeza. Sabe? é a certeza...
Mas estou falando isso para chegar em outro ponto da preguiça: de pensar. De se organizar. Acho que essa é a pior, porque prejudica tudo. Se você prefere deixar para ver a planilha só na hora, pensar no horário que vai sair para correr no próprio dia, "ver como o dia se desenrola"...já era. 
Tem mais uma situação. Essa é pior, porque aparentemente a gente foi super disciplinado, e fez questão de manter o treino. Você sai na sexta-feira à noite, volta tarde e meio drinks, bota o despertador porque pensa, afinal de contas, que sábado é o dia do longo e ninguém mandou sair na sexta, ué. E ainda fica se achando o cdf da planilha. Mas será que vale a pena? Você efetivamente levanta, mas não acorda, se arruma, esquece coisas, como levar água ou dinheiro, porque está dormindo ainda, e faz um lixo de treino, suando álcool e se arrastando. Só fica feliz porque acabou, e às vezes nem consegue fazer tudo. E o resto do dia é estranho. 
Ah, entreguei o treino, o que importa é que está feito. Discordo. Se você pensar um pouco, vai concluir que é melhor descansar no sábado, ceder à inércia, e deixar o treino para domingo. Ou dessa vez ir à tardinha, ou à noite. O treino vai sair melhor e você não vai se sentir culpado por ter saído na sexta. Porque sair também é legal. Mas isso exige que você não tenha preguiça de pensar e de estabelecer o que é mais razoável e melhor para você, seu treino, e sua saúde. 
Claro, pode acontecer de você sair para correr no único horário que pode, tipo 11h num dia de verão, porque tem compromissos familiares ou de trabalho, ou mesmo porque dormiu mais, e o treino não sair bom. Me acontece direto. Odeio correr com sol a pino, mas se não tenho opção, prefiro pensar que fiz um treino de sofrimento, me preparando para o pior. Mas fiz isso como escolha consciente, e era o possível nas circunstâncias. Ou seja, planejamento para isso, levando mais água, um dinheiro de emergência, e, por que não, reduzindo um pouco a quilometragem, se for necessário.  
O mesmo acontece com as prioridades. Eu percebi que ano passado, de novo, eu tive preguiça de pensar nas minhas metas e nos meus objetivos de corrida. Por que? Não sei. Talvez porque eu adore fazer provas, só que fazer muitas provas tira a gente do rumo para atingir os resultados que pretende nas provas alvo. 
Claro que é bem mais fácil sair da preguiça quando tem prova. A gente levanta com mais vontade, sabe que vai ter gente, que a hidratação está garantida, usa o tênis favorito...prova é sempre mais tentador do que treino. Mas muita prova significa perda de treino, já que mesmo na prova que é para ser treino a pessoa fica louca e corre competindo. 
Para mim, isso também foi preguiça. Preguiça de ir treinar, de pensar no que era mais importante naquele momento, e escolher fazer prova. 
Se eu tenho prova de 10km no domingo, não tem longo de 14km no sábado, que era importante para a meia maratona dali a um mês, e os 14km eram em um ritmo totalmente diferente dos 10km da prova. Além disso, tendo prova domingo, e não treino, a musculação de sexta é leve e de membros superiores. E musculação é fundamental para o corredor se manter forte!
A preguiça de estabelecer metas também é ruim. Você fica naquela planilha sem rumo, se inscreve nas provas porque são legais, porque o pessoal vai, porque tem visual, sem pensar muito se você quer realmente correr aquela distância, naquele terreno, naquela época do ano. Fora que não evolui nada, me desculpe.
Concluindo: às vezes, não ir treinar não é sinal de preguiça, e sim de sabedoria e autoconhecimento. Preguiça pode ser sair de casa para correr só para cumprir uma tabela que você nem sabe a finalidade. E vez ou outra, deixar a preguiça física vencer, e ficar em casa, com a família, curtindo até mais tarde da manhã, e recalcular a rota do dia...também vale. Para os outros dias, tenha muita motivação de sair da cama para correr, ver o mar, se sentir em contato comigo mesma, meditar, ter novas ideias, clarear a mente...Vença a preguiça mental e corra!! 








terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Oba, São Silvestre! Eu fiz!

Pegadinha...hahahaha! Já perdi a conta de quantas pessoas me perguntam, todos os anos, no final de novembro, começo de dezembro, se vou correr a São Silvestre. Porque é óbvio que eu iria, afinal de contas, eu corro e, inclusive, para alguns, corro loucamente. Várias pessoas acham que correr de verdade é participar da São Silvestre. Entendo. É a prova de corrida de referência brasileira. Orgulho nacional ter uma prova de rua de expressão mundial como essa, em São Paulo, e em pleno dia 31 de dezembro!  A única pessoa que acha normal eu não correr a São Silvestre é minha mãe, porque ela pensa que é uma maratona (assim como milhares de pessoas), e incrivelmente ela sabe que eu não corro maratona, pelo menos por enquanto. Muitos não se conformam que não vou. O que realmente é de estranhar, porque a prova é de 15km, a distância que acho top. Mas vamos chegar lá. Tenho meus motivos, embora adore a prova pela sua existência.
Não pertencendo a uma família de atletas, minhas recordações da São Silvestre são aquelas pouco relacionadas à corrida em si. Eu passei muitos finais de ano na casa da minha avó em Criciuma, e lembro dos meus pais jogando canastra com minha avó e seu marido (meu avô emprestado, maravilhoso), até que chegasse a meia-noite, e a São Silvestre era a atração principal. Sou do tempo em que não havia quenianos nem etíopes como corredores master picas das galáxias. A gente torcia para a Rosa Mota, portuguesa (adorava torcer para os colonizadores). Era à noite, e era completamente distante da minha realidade de vida. Mas era o máximo, eu esperava ansiosamente. Além disso, havia também o fato de termos morado em São Paulo, de maneira que meus pais acompanhavam a prova para dar a localização e recordarmos das ruas em que se passava correndo, e isso era muito diferente de passar de carro, enfim. Isso realmente me deu aquele sentimento bom, de simpatia, pela prova, mesmo não entendendo nadaaaaa de corrida.  
Estava dando uma olhada na evolução da prova, e houve mudanças de distância e de percurso. Imaginem que a prova chegou a ser de 8.900, ou seja, menos de 9km! Isso faz ruir o papo de alguns de que só maratona vale como prova importante. Por outro lado, todo mundo adora falar sobre as subidas, para dar aquela valorizada na dificuldade...Adoro. 
Mas o que me chamou a atenção foi a participação feminina, que na década de 90 era na média de 800 mulheres, para mais de 8000 homens!! Em 2010. foram 21000 homens para 3000 mulheres, impressionante a diferença! Além da participação das mulheres realmente ter crescido na última década, acho que a falta de informações sobre a prova (distância, por exemplo), também pode afastar algumas. 
Na década de 80, a predominância era de sul americanos, com muitos equatorianos, sendo o Rolando Vera o destaque, ganhando de 1986 a 1989. Além deles, havia outros portugueses, como o Carlos Lopes, que ganhou várias vezes. Na década de 90 é que vieram os quenianos, e aí, o Paul Tergat dominou por muito tempo, era um nome que eu ouvia direto, eu achava ele tão magrinho... 
Em 1989 a corrida passou a ser à tarde. Na época isso foi legal para mim porque eu já queria aproveitar o Reveillon e não assistir corrida, e à tarde do dia 31 ninguém tem nada para fazer. Ou seja, eu continuava assistindo na TV.
Mas pensando agora, como corredora, que coisa horrorosa, correr às três da tarde do dia 31 de dezembro, que calooooorrrrrr!!!
Faz muito sentido os africanos passarem a ganhar tudo, né?
A partir de 2000 veio ele, nosso heroi Marilson, e o Franck Caldeira também ganhou!! Dessa época lembro pouco, até eu começar a correr realmente me afastei como plateia, mas Marilson salvou em 2010, e dali em diante, só africanos, sendo a prova de manhã, que acho mais digno.
Lembro que uma coisa que eu sempre pensei foi que realmente era um problema para mim passar o reveillon em São Paulo. Sorry, leitores, adoro a cidade, mas para a virada, quero litoral (ohhh, que diferente). Ta, Paris também serve kkkkk.  
Virando corredora, o que mudou? seria um sonho a São Silvestre?
Assistindo a prova, a largada, os vídeos que os conhecidos mandam, vendo as muitas muuuuitas fotos do pessoal, eu fico emocionada, sim. Acho lindo de se ver. 
Eu fiz um combinado com o marido. Quando fui sorteada para a meia de NY, ele topou ir se eu prometesse não inventar de ir na São Silvestre por 5 anos. Achei justo. Acabou o período sabático, eu poderia planejar. Mas tenho uns problemas operacionais, que acho que muitas mulheres também têm, e que reduz nossa participação (atualmente não mais divulgada no site oficial). A principal é familiar, é um esquema complexo conciliar a família (formada por muitos pequenos núcleos, tem pai de um lado, mãe de outro, sogra de outro, sogro de outro), para Natal e Ano Novo. Passar o ano novo em uma viagem incrível seria algo bem aceito na família. Só que ir para São Paulo para uma corrida (não importa qual seja), na minha família, não é considerado uma viagem incrível...Só mais uma das minhas esquisitices. Nada que eu não supere, mas então tem que ser algo que eu deseje. Deixar o filho ou levar o filho? Outra questão a resolver. Se levar, levar para a prova? são 15km, não vai demorar tanto também, mas é uma multidão. Se não levar, esquematizar com vovó...
Por uns dois anos, muita gente conhecida minha foi, e aí até pensei. Mas o Everton, meu então treinador e a pessoa que melhor me conhece como corredora, disse que eu não ia gostar. E quando vejo o mar de gente, aquele monte de pipoca, povo fantasiado, percebo que ele tem razão. Não dá para correr por boa parte da prova, é o que me disseram, e custo a crer que seja de outra forma. E eu definitivamente me irrito quando não posso correr, não importa o quão legal seja. Porque a verdade é que eu me prepararia para a prova, e 15km com subida no calor  requer a preparação, gosto de fazer com dignidade. Daí chegar lá e dar com o furdúncio, não sei se vou curtir...pelo menos ainda não. No futuro, eu mais relax, sem me importar em caminhar e atrasar o tempo final em 5 minutos...quem sabe?
Devo reconhecer que é mais uma das minhas chatices. Uma prova tão incrível, e eu não quero ir. Sorry. E correr a São Silvestre tem um aspecto motivacional ótimo: você se obriga a treinar no final do ano, não tem outra opção. Não dá para abandonar tudo e esperar o ano seguinte. 
Eu prefiro ter uma prova em fevereiro para fazer, que já me mantenha motivada, mas posso também dar uma relaxada entre Natal e Ano Novo, treinando mais de leve, compatibilizando com o teor sanguíneo do meu álcool. 
Respeito e admiro demais o pessoal que foi correr a São Silvestre. Quem quiser, me conta como foi a experiência. Acho que tenho medo de me frustrar, e isso me barra.
Agora o ano já virou, hora de pensar as provas para montar e planejar os treinos. De leve, como a semana merece. Planejar ainda não é realizar. Tenho umas ideias a esse respeito, depois conto.
Um lindo 2017 para todos, de força nas pernas e na cabeça!