Oba, São Silvestre! Eu fiz!

Pegadinha...hahahaha! Já perdi a conta de quantas pessoas me perguntam, todos os anos, no final de novembro, começo de dezembro, se vou correr a São Silvestre. Porque é óbvio que eu iria, afinal de contas, eu corro e, inclusive, para alguns, corro loucamente. Várias pessoas acham que correr de verdade é participar da São Silvestre. Entendo. É a prova de corrida de referência brasileira. Orgulho nacional ter uma prova de rua de expressão mundial como essa, em São Paulo, e em pleno dia 31 de dezembro!  A única pessoa que acha normal eu não correr a São Silvestre é minha mãe, porque ela pensa que é uma maratona (assim como milhares de pessoas), e incrivelmente ela sabe que eu não corro maratona, pelo menos por enquanto. Muitos não se conformam que não vou. O que realmente é de estranhar, porque a prova é de 15km, a distância que acho top. Mas vamos chegar lá. Tenho meus motivos, embora adore a prova pela sua existência.
Não pertencendo a uma família de atletas, minhas recordações da São Silvestre são aquelas pouco relacionadas à corrida em si. Eu passei muitos finais de ano na casa da minha avó em Criciuma, e lembro dos meus pais jogando canastra com minha avó e seu marido (meu avô emprestado, maravilhoso), até que chegasse a meia-noite, e a São Silvestre era a atração principal. Sou do tempo em que não havia quenianos nem etíopes como corredores master picas das galáxias. A gente torcia para a Rosa Mota, portuguesa (adorava torcer para os colonizadores). Era à noite, e era completamente distante da minha realidade de vida. Mas era o máximo, eu esperava ansiosamente. Além disso, havia também o fato de termos morado em São Paulo, de maneira que meus pais acompanhavam a prova para dar a localização e recordarmos das ruas em que se passava correndo, e isso era muito diferente de passar de carro, enfim. Isso realmente me deu aquele sentimento bom, de simpatia, pela prova, mesmo não entendendo nadaaaaa de corrida.  
Estava dando uma olhada na evolução da prova, e houve mudanças de distância e de percurso. Imaginem que a prova chegou a ser de 8.900, ou seja, menos de 9km! Isso faz ruir o papo de alguns de que só maratona vale como prova importante. Por outro lado, todo mundo adora falar sobre as subidas, para dar aquela valorizada na dificuldade...Adoro. 
Mas o que me chamou a atenção foi a participação feminina, que na década de 90 era na média de 800 mulheres, para mais de 8000 homens!! Em 2010. foram 21000 homens para 3000 mulheres, impressionante a diferença! Além da participação das mulheres realmente ter crescido na última década, acho que a falta de informações sobre a prova (distância, por exemplo), também pode afastar algumas. 
Na década de 80, a predominância era de sul americanos, com muitos equatorianos, sendo o Rolando Vera o destaque, ganhando de 1986 a 1989. Além deles, havia outros portugueses, como o Carlos Lopes, que ganhou várias vezes. Na década de 90 é que vieram os quenianos, e aí, o Paul Tergat dominou por muito tempo, era um nome que eu ouvia direto, eu achava ele tão magrinho... 
Em 1989 a corrida passou a ser à tarde. Na época isso foi legal para mim porque eu já queria aproveitar o Reveillon e não assistir corrida, e à tarde do dia 31 ninguém tem nada para fazer. Ou seja, eu continuava assistindo na TV.
Mas pensando agora, como corredora, que coisa horrorosa, correr às três da tarde do dia 31 de dezembro, que calooooorrrrrr!!!
Faz muito sentido os africanos passarem a ganhar tudo, né?
A partir de 2000 veio ele, nosso heroi Marilson, e o Franck Caldeira também ganhou!! Dessa época lembro pouco, até eu começar a correr realmente me afastei como plateia, mas Marilson salvou em 2010, e dali em diante, só africanos, sendo a prova de manhã, que acho mais digno.
Lembro que uma coisa que eu sempre pensei foi que realmente era um problema para mim passar o reveillon em São Paulo. Sorry, leitores, adoro a cidade, mas para a virada, quero litoral (ohhh, que diferente). Ta, Paris também serve kkkkk.  
Virando corredora, o que mudou? seria um sonho a São Silvestre?
Assistindo a prova, a largada, os vídeos que os conhecidos mandam, vendo as muitas muuuuitas fotos do pessoal, eu fico emocionada, sim. Acho lindo de se ver. 
Eu fiz um combinado com o marido. Quando fui sorteada para a meia de NY, ele topou ir se eu prometesse não inventar de ir na São Silvestre por 5 anos. Achei justo. Acabou o período sabático, eu poderia planejar. Mas tenho uns problemas operacionais, que acho que muitas mulheres também têm, e que reduz nossa participação (atualmente não mais divulgada no site oficial). A principal é familiar, é um esquema complexo conciliar a família (formada por muitos pequenos núcleos, tem pai de um lado, mãe de outro, sogra de outro, sogro de outro), para Natal e Ano Novo. Passar o ano novo em uma viagem incrível seria algo bem aceito na família. Só que ir para São Paulo para uma corrida (não importa qual seja), na minha família, não é considerado uma viagem incrível...Só mais uma das minhas esquisitices. Nada que eu não supere, mas então tem que ser algo que eu deseje. Deixar o filho ou levar o filho? Outra questão a resolver. Se levar, levar para a prova? são 15km, não vai demorar tanto também, mas é uma multidão. Se não levar, esquematizar com vovó...
Por uns dois anos, muita gente conhecida minha foi, e aí até pensei. Mas o Everton, meu então treinador e a pessoa que melhor me conhece como corredora, disse que eu não ia gostar. E quando vejo o mar de gente, aquele monte de pipoca, povo fantasiado, percebo que ele tem razão. Não dá para correr por boa parte da prova, é o que me disseram, e custo a crer que seja de outra forma. E eu definitivamente me irrito quando não posso correr, não importa o quão legal seja. Porque a verdade é que eu me prepararia para a prova, e 15km com subida no calor  requer a preparação, gosto de fazer com dignidade. Daí chegar lá e dar com o furdúncio, não sei se vou curtir...pelo menos ainda não. No futuro, eu mais relax, sem me importar em caminhar e atrasar o tempo final em 5 minutos...quem sabe?
Devo reconhecer que é mais uma das minhas chatices. Uma prova tão incrível, e eu não quero ir. Sorry. E correr a São Silvestre tem um aspecto motivacional ótimo: você se obriga a treinar no final do ano, não tem outra opção. Não dá para abandonar tudo e esperar o ano seguinte. 
Eu prefiro ter uma prova em fevereiro para fazer, que já me mantenha motivada, mas posso também dar uma relaxada entre Natal e Ano Novo, treinando mais de leve, compatibilizando com o teor sanguíneo do meu álcool. 
Respeito e admiro demais o pessoal que foi correr a São Silvestre. Quem quiser, me conta como foi a experiência. Acho que tenho medo de me frustrar, e isso me barra.
Agora o ano já virou, hora de pensar as provas para montar e planejar os treinos. De leve, como a semana merece. Planejar ainda não é realizar. Tenho umas ideias a esse respeito, depois conto.
Um lindo 2017 para todos, de força nas pernas e na cabeça! 








Comentários

  1. Filha Andrea Pasold , duas ponderações: 1. na condição de teu Pai considero me um entusiástico apoiador de tuas participações em corridas; 2. não concordo que tenha havido uma significativa ampliação da presença feminina nas corridas de São Silvestre de 1990 para 2010. Assim afirmo porque em 1990 foram 10% de mulheres correndo ( 800 para 8000) e em 2010 foram 14, 28 % (3000 para 21000)= 04, 28% em 20 anos é uma ampliação pequena... 0,21% ao ano apenas!
    Beijo do teu maior torcedor,
    Pai

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    1. Pois então, pai, realmente o aumento foi pífio, mas em geral, nas corridas de rua, a participação feminina vem aumentando a cada ano, felizmente. E ter incentivo paterno é sempre maravilhoso!

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  2. Andrea,
    corri a SS no ano de 2009 e o horário de largada na época era por volta das 16Hs,calor muito forte!!!Esperei pela chuva de final da tarde para amenizar e ela não apareceu.
    Correr a SS é uma experiência única,é uma prova para se festejar,para curtir,correr no meio daquele mundo de corredores é em alguns momentos bem difícil,sempre digo que minha cota de SS está cumprida.
    Vale à pena,voce vai acima de tudo se divertir com o clima da prova.
    Feliz 2017 e boas corridas para vc!!!

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    1. Então, Jorge, estou me preparando para ir de coração aberto e sentir isso que você falou, conseguir me permitir só curtir e festejar. Ainda chego lá. Ótimas corridas para nós!!

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  3. Andrea!

    Compartilho em alguns aspectos do teu pensamento em relação a SS!. Talvez um dia, quando meus filhos forem maiores... Mas por hora também não é uma prova que considero indispensável em meu calendário, apesar de ter em mente que um dia a farei pelo seu significado...

    Só registrar ainda que adorei o comentário do seu pai, em relação aos percentuais, bem coisa de pai né? Ri muito!

    Abs

    Fábio Wehmuth

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  4. Fábio, é que a pressão para fazer a SS é grande, né? A questão das crianças também é complicada...quanto ao meu pai, o que dizer...são estatísticos a valer!! abraços!

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