Qual é a sua preguiça?

Preguiça, pelos dicionários, é: característica ou atitude que demonstra pouca disposição para o trabalho, ou aversão ao trabalho. Está também relacionada com negligência, indolência, mandriice, demora ou lentidão em praticar qualquer ação. Alguém se identifica? Ah, vai. Quem nunca?
Vamos pular a parte que diz respeito  ao trabalho, e vamos ao que nos interessa aqui. Demora ou lentidão para praticar uma ação...relacionada à corrida, naturalmente. 
Quando pensamos em preguiça nessa área, geralmente é para correr, certo? Então, quero mostrar que existem outras formas de preguiça, que podem nos prejudicar ainda mais.
A preguiça mais comum, acredito, é aquela de manhã, de acordar, levantar e ir correr. Mais do que preguiça, é falta de coragem mesmo. A gente vive é na inércia,e  a cama está sempre tão boa, e normalmente dormimos menos do que gostaríamos...é muito tentador ficar mais um pouquinho, né? Nããããããooooo!!
Eu, sinceramente, tenho poucas vezes este sentimento. Na verdade, tenho tanta certeza de que serei mais feliz depois de correr, que isso é mais motivador do que ficar na cama. Até porque, se não for correr, o certinho  é levantar do mesmo jeito e fazer outras coisas que são necessárias, como trabalhar, arrumar casa...nossa, correr é bem mais divertido. 
O negócio para espantar a preguiça da manhã é deixar tudo mais ou menos separado e organizado mentalmente para levantar e, sem pensar, fazer o que é necessário, no automático. E aí, quando perceber, está correndo, e ficando só mais feliz, e tornando o dia melhor. Dá para ver que eu gosto mesmo é de correr de manhã, não?
E a minha preguiça física é maior no final do dia, porque mistura com cansaço. Já trabalhei, tenho que cuidar da minha família, é o horário que posso ficar com Arthur, então me organizar para correr à noite é sempre mais difícil. E também tem que deixar tudo separado, arrumado, porque se sentar no sofá...já era. Isso é estatístico. Ainda mais se parecer que vai chover. Correr na chuva ok, sair para correr na chuva torrencial...sei não.
Nas férias é pior ainda. No verão eu bebo no almoço. Vinho rosé, espumante, Magners...alguma coisa vou beber. E não quero que isso vire um problema porque tenho que pagar o treino no final do dia. Prefiro ter a consciência tranquila de ter treinado e dali em diante não penso mais nisso. Claro que tem gente que prefere ou só pode correr no final do dia. O importante é não ter preguiça de arrumar as coisas e nem de correr. É que o meu lema é: não deixe para correr à noite se pode correr de manhã com certeza. Sabe? é a certeza...
Mas estou falando isso para chegar em outro ponto da preguiça: de pensar. De se organizar. Acho que essa é a pior, porque prejudica tudo. Se você prefere deixar para ver a planilha só na hora, pensar no horário que vai sair para correr no próprio dia, "ver como o dia se desenrola"...já era. 
Tem mais uma situação. Essa é pior, porque aparentemente a gente foi super disciplinado, e fez questão de manter o treino. Você sai na sexta-feira à noite, volta tarde e meio drinks, bota o despertador porque pensa, afinal de contas, que sábado é o dia do longo e ninguém mandou sair na sexta, ué. E ainda fica se achando o cdf da planilha. Mas será que vale a pena? Você efetivamente levanta, mas não acorda, se arruma, esquece coisas, como levar água ou dinheiro, porque está dormindo ainda, e faz um lixo de treino, suando álcool e se arrastando. Só fica feliz porque acabou, e às vezes nem consegue fazer tudo. E o resto do dia é estranho. 
Ah, entreguei o treino, o que importa é que está feito. Discordo. Se você pensar um pouco, vai concluir que é melhor descansar no sábado, ceder à inércia, e deixar o treino para domingo. Ou dessa vez ir à tardinha, ou à noite. O treino vai sair melhor e você não vai se sentir culpado por ter saído na sexta. Porque sair também é legal. Mas isso exige que você não tenha preguiça de pensar e de estabelecer o que é mais razoável e melhor para você, seu treino, e sua saúde. 
Claro, pode acontecer de você sair para correr no único horário que pode, tipo 11h num dia de verão, porque tem compromissos familiares ou de trabalho, ou mesmo porque dormiu mais, e o treino não sair bom. Me acontece direto. Odeio correr com sol a pino, mas se não tenho opção, prefiro pensar que fiz um treino de sofrimento, me preparando para o pior. Mas fiz isso como escolha consciente, e era o possível nas circunstâncias. Ou seja, planejamento para isso, levando mais água, um dinheiro de emergência, e, por que não, reduzindo um pouco a quilometragem, se for necessário.  
O mesmo acontece com as prioridades. Eu percebi que ano passado, de novo, eu tive preguiça de pensar nas minhas metas e nos meus objetivos de corrida. Por que? Não sei. Talvez porque eu adore fazer provas, só que fazer muitas provas tira a gente do rumo para atingir os resultados que pretende nas provas alvo. 
Claro que é bem mais fácil sair da preguiça quando tem prova. A gente levanta com mais vontade, sabe que vai ter gente, que a hidratação está garantida, usa o tênis favorito...prova é sempre mais tentador do que treino. Mas muita prova significa perda de treino, já que mesmo na prova que é para ser treino a pessoa fica louca e corre competindo. 
Para mim, isso também foi preguiça. Preguiça de ir treinar, de pensar no que era mais importante naquele momento, e escolher fazer prova. 
Se eu tenho prova de 10km no domingo, não tem longo de 14km no sábado, que era importante para a meia maratona dali a um mês, e os 14km eram em um ritmo totalmente diferente dos 10km da prova. Além disso, tendo prova domingo, e não treino, a musculação de sexta é leve e de membros superiores. E musculação é fundamental para o corredor se manter forte!
A preguiça de estabelecer metas também é ruim. Você fica naquela planilha sem rumo, se inscreve nas provas porque são legais, porque o pessoal vai, porque tem visual, sem pensar muito se você quer realmente correr aquela distância, naquele terreno, naquela época do ano. Fora que não evolui nada, me desculpe.
Concluindo: às vezes, não ir treinar não é sinal de preguiça, e sim de sabedoria e autoconhecimento. Preguiça pode ser sair de casa para correr só para cumprir uma tabela que você nem sabe a finalidade. E vez ou outra, deixar a preguiça física vencer, e ficar em casa, com a família, curtindo até mais tarde da manhã, e recalcular a rota do dia...também vale. Para os outros dias, tenha muita motivação de sair da cama para correr, ver o mar, se sentir em contato comigo mesma, meditar, ter novas ideias, clarear a mente...Vença a preguiça mental e corra!! 








Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A história de alguém fora do grupo de risco: de amiga de infância a coleguinha na corrida, com vocês a meiguice da Priscila Leite!

E para fechar com chave de ouro, quem eu quero ser quando crescer...Carol Sena!!

Gente como a gente, em busca do seu melhor: Ana Paula Martins e sua alegria!!