Missão Botar para Correr: cumprida!

Essa é a minha. Mentcheeera. Também não é assim. É bem verdade que já botei muita gente para correr. A pessoa me pergunta se eu corro, se eu gosto, começa a se interessar, coitada...num instantinho já está quase comprando o tênis e iniciando os trotes. O mais legal não é isso. É ver essa pessoa se apaixonar pela corrida e correr mais do que eu. Melhor do que eu. Mais rápido do que eu. 
Acho que consigo ser bem persuasiva. Provavelmente isso se deve à paixão com a qual falo do assunto. Marta não corria até ano passado e em fevereiro fez sua primeira meia maratona em Verona, na Itália. Monica não corria há cinco anos, e agora faz ultratrail e ultramaratona. Angelica também. Fora as que eu nem conheço e botei para correr sem saber. 
Pois bem. Ano passado, depois do Treinão Lei Maria da Penha, a dra. Carla, da OAB de BC, me convidou para participar da Jornada da Mulher Advogada do Vale do Itajaí (agora não estou certa de que era assim o nome, mas era essa a ideia), como palestrante falando sobre algo relacionado ao direito e as mulheres. Só que ela convidou muitas outras juristas ótimas, e os temas foram sendo pegos kkkkk.
No final, eu já nem estava mais me sentindo capaz de falar algo que fizesse diferença. Eu não tenho conhecimento jurídico nem suporte de pesquisa para falar sobre violência contra a mulher (para isso há Gabi Manssur), assédio sexual, etc. E já havia quem falasse sobre discriminação de gênero, que é um assunto que me pulsa. 
Foi então que ela sugeriu que eu falasse sobre empoderamento feminino, corrida, algo assim. 
Comecei a pensar sobre isso, e montei uma fala na qual eu pudesse relatar o que vocês costumam ler aqui no blog, que são minhas aventuras e desventuras na corrida, especialmente o início e o que emociona, o que me inspirou, e com isso tentar inspirar outras mulheres a fazerem o mesmo, e especialmente perceberem que a corrida empodera a mulher de uma forma muito especial. 
Na verdade, a corrida é um símbolo. Você pode encontrar outra atividade que também te dê o mesmo sentimento de alegria na solitude. Mas a corrida  é mais barata e mais prática. E é o que funciona para mim e para muitas outras mulheres. 
Isso já foi depois do primeiro treino Mulheres que Correm, e antes do segundo, o que rolou em Blumenau. De todo modo, eu já tinha visto olhinhos brilhando depois da primeira corrida. 
Na ocasião, fiquei feliz com o resultado e a aceitação, mas não pensei mais nisso. Já falo sobre corrida aqui e em outros lugares, para várias pessoas, e especialmente com as mulheres que correm pelo nosso instagram, chamando atenção para a importância de fortalecermos nossa autoestima, sororidade e lutarmos pela dignidade no nosso dia a dia. E acredito que a corrida é um baita fator de elevação da autoestima. 
Também provavelmente porque acredito nisso com fervor, entre as advogadas que me assistiram em Itajaí estava a dra. Maria Terezinha, de Joinville, e ela me convidou (na verdade, intimou) para levar a palestra para Joinville no mês da mulher, este que hoje se finda (sim, gente, acabou março, é isso). Foi um susto. 
Eu não tinha nenhuma brecha na agenda. Estou sozinha na Unidade Judiciária desde final de fevereiro, tive minhas férias suspensas e retornei ao trabalho antecipadamente por conta de um problema de saúde do meu colega, que emendou com férias. 
Resumo da bagaça: eu já tinha assumido (há meses) minhas aulas na Amatra de Itajaí nas segundas feiras à noite (porque é um dia que não faço audiência, em geral), aula em Blumenau em final de semana,  aulas em Rio do Sul, também em final de semana, tudo nesta época, porque não estaria trabalhando sozinha, só que subitamente me vi trabalhando por dois e acumulando tudo isso com aquele aplicativo massa, sabem? V I D A. Sim, porque tem a família, o marido, a casa, e sim, a corrida, meu amor. Fora o próximo treino mulheres que correm, que rolará ainda no primeiro semestre...oba. 
Recuei das aulas de Rio do Sul, o local mais longe, porque não poderia viajar em sextas-feiras estando na titularidade da Vara do Trabalho. Não dei conta de fazer pautas duplas (significa fazer audiencias de manhã e à tarde) direto, porque aí não sobra tempo nem inteligência para fazer sentenças adequadamente, que afinal de contas são o resultado que as pessoas esperam, quando não há acordo.  Despacho entre as audiências, aproveitando que tenho dois monitores. Mais do que nunca, sou a rainha da marmita e tenho tudo a mão, facilitando a minha vida.  
Adiei para o final de março o início das aulas, que adoro, com essa turma incrível da Amatra de Itajaí, gente pensante e queridos. E tive que rebolar para manter os treinos, criando novas rotinas e horários para encaixar o pilates (essencial) e a musculação (idem) sem atrapalhar a vida familiar.  Ah, tinha mudado em janeiro de nutricionista e de dieta, de forma um tanto radical. Estou até hoje em adaptação. Tranquilo E favorável.
Estudamos até no carro, eu e Arthur, contando números das placas e transformando em letras do alfabeto e então palavras e sílabas. Falamos em inglês. Fazer jantar virou um artigo de super luxo. No máximo boloterapia com filho. Alguém se identifica? 
E sumi do blog. Não dava mais. Encontrar amigas? Deve ser legal. Não lembro...né Bea e Carol? Vida social...hum...lembro vagamente. Não estou me queixando, povo, de verdade. Adoro minha vida  e quase tudo nela é resultado das minhas escolhas. Mas gosto de ter o máximo de controle possível, e isso fugiu de mim com imprevistos e acúmulos. O que não significa que não tenha dias ruins, quando me sinto sufocada. E resolvi abrir assim para vocês porque sei que a maioria também tem a vida beeeem amalucada e se sente constantemente perdida com tudo fugindo do seu controle...e a gente fica buscando o tal pertencimento, né? O que é meu? Me dê de volta o que é meu, cadê minha vida e meu tempo? Somos todas muito parecidas, afinal. E cansei de achar que dou conta de tudo o tempo todo. Nem sempre isso funciona. 
E vem a dra. Maria Terezinha me dizer que não aceitaria um não como resposta. 
Fiz muitos cálculos e adequações, porque no meio disso papis recebeu título de cidadão honorário de Floripa, no meio da tarde de uma quinta feira, e eu naturalmente fui. Todos de casa fomos. 
E não é que deu certo? Conseguimos fechar dia 29, que já não tinha audiência marcada à tarde (um engano, provavelmente).
Confesso que achei que a doutora estava muito otimista. Não imaginei que o assunto pudesse despertar o interesse que ela estava imaginando. Mas como falar sobre isso é um prazer, também não pensei mais.
Não encontro palavras adequadas e suficientes para descrever a noite de quarta feira passada. A receptividade e a energia que encontrei na OAB de Joinville foram espetaculares. Mulheres fisicamente diferentes, com expressões diferentes no rosto, algumas curiosas, outras desconfiadas de início (sim, percebi), que, ao longo daquela hora em que falei (o que para mim não é suficiente, da próxima preciso de uma hora e meia, pelo menos),  foram se abrindo para mim, e fui sentindo um calorzinho gostoso, como quando a gente corre de manhã cedo no sol do inverno depois de arrepiar de frio quando sai de casa. 
Considerei mais do que cumprida a minha missão. Que não era (só) botar para correr. Era mostrar que nós, mulheres, somos capazes de qualquer coisa que realmente queiramos, especialmente depois de correr 5km. Que sentir a alegria individual de correr não é egoísmo, e sim um direito mais do que justo, e que traz a possibilidade de sermos melhores, inclusive para aqueles que amamos. Que na corrida a competição diz respeito à competência, e não a divergências por gênero. Que o resultado é proporcional à preparação e ao foco. Em tudo o que fizermos.
E que não precisamos que algo ruim ou muito diferente aconteça na nossa vida para a gente mudar aquilo que não gosta, que incomoda. 
Voltei de Joinville reenergizada, privilegiada por ter ganho tanto carinho.
E concluí que a contribuição que eu tinha para dar, individualmente, através deste blog, já dei. Já compartilhei muitas experiências que tive na corrida e até relacionadas à nutrição e, até por lógica, começarei a me repetir. Repito edições de provas, treinos, verões, invernos...não me parece que ainda haja muito a acrescentar, eis que continuo sendo uma corredora apaixonada e amadora. Como sempre. Eu mudo sempre, todos mudamos, e ao mesmo tempo somos os mesmos. Entendem?
Quando comecei a escrever aqui, uma das motivações foi poder falar para mais gente o que muitos me perguntavam individualmente: como foi a prova, como é correr 10km, que treinos eu faço, se corria todos os dias, como é viajar para correr, etc. Mas não tenho o tempo que gostaria para compartilhar mais, para explorar mais, e mesmo fazendo muuuuuita pesquisa de mercado lendo as revistas especializadas e outros blogs, não consigo mais me expressar como gostaria. 
A palestra direcionada me fez ver que posso contribuir, estimular, incentivar, compartilhar, com hora e lugar marcados, para quem quiser ouvir. E assim posso me organizar. 
Então o blog vai acabar? Não. Não consigo. Tenho apego. Mas vai mudar. Estou com algumas ideias, vou trazer mais colaboradores, participações, e tratar de temas específicos e compartilhar não mais as minhas percepções e experiências, mas a de quem entende realmente do que está falando, além dos leitores e leitoras que se habilitarem. Mais ou menos como uma revista eletrônica. Pretendo muito mais fazer perguntas e depois que me tragam  respostas. Eu estou muito a fim de aprender, minha curiosidade se aguça a cada dia. Espero que venham comigo. 
Vou dar um tempo para reorganizar aqui, e também porque estou bem louca com tudo que tenho para fazer, mas em breve voltarei, Muito obrigada pelo carinho nesses anos. E pensar que comecei a escrever quando Arthur era baby, e agora ele já escreve, lê, e corre. 
Até mais! 









Comentários

  1. Ola Andrea,

    Muito legal! Mas quando der... não deixe de publicar o relato das provas, que sempre foram e ainda são muito enriquecedor! Tem muitos kms para um livro!

    Abraços.

    Marcelo
    www.corramais.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Estou voltando, não aguento! Tenho muitas coisas para contar, não consigo guardar tanta alegria e aprendizado só para mim. Obrigadão!! Dá uma olhada na nova configuração, nas barras laterais, sobre gel de carbo, e me diz o que achou!!

      Excluir
    2. Bem interessante a coluna sobre o gel, uma superdica na verdade. Também tentei outros suplementos para substituir esses saquinhos como melado de cana...mas não deu...literalmente melou...o gel ainda é mais prático. Valeu pela dica dos orgânicos.

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Viajar para correr e correr na nova casa

Periodização da corrida - Guest Post by Grazi Evangelista

Hoje é dia da maratonista amadora experiente: Kerly Santos