Meia do Rio, o retorno!

Em 2014 corri a meia maratona do Rio. Da Yescom, ou melhor, da Globo. Ficou entalada. (vide post). Não costumo repetir prova desse tipo, mas tinha "que me vingar" (#aloka). E adoro o Rio, não me conformava de ter ficado tão frustrada em correr lá. 
Então ano passado (porque tem que ser muito tempo antes) o Diogo botou pilha para fazer a meia maratona "certa", que é a que está inserida na programação da Maratona Caixa do Rio. Não pensei muito e me inscrevi. Acho que isso foi em agosto. Em setembro já reservei hotel, no bairro do Flamengo, o mais próximo possível da chegada, para minimizar o fator de estresse número um da outra vez, que foi a ida para a casa dos meus tios depois da prova, naquela muvuca. Quando me inscrevi, já comprei o transporte para a largada também, eliminando outro fator de estresse. 
Durante meses nem pensei muito no assunto, fui só levando os treinos, mas a partir de fevereiro passei a encarar como prova-alvo, porque o Diogo disse que era possível fazer um bom tempo, coisa que eu custava a acreditar depois do fiasco da outra vez. Mas realmente me dispus a treinar sério e me concentrar em ser feliz e correr bem. 
Durante os meses que antecederam a prova, recebi muitos emails da organização. Nossa, que preparação!! Que marketing! O instagram @maratonadoriooficial já mostrava o que nos esperaria: palestras, dicas de nutrição, de treinamento, depoimentos de atletas...sempre tinha algum assunto para a gente viver a prova desde muito antes. Adorei. 
Claro, a prova ser no domingo com  feriado também ajuda. Eu consegui ir na quinta-feira, com marido e filho, e não teve correria. Quinta passeamos, sexta o Arthur ficou com os primos e eu me esbaldei na expo!
Eu acho que prova grande tem que ter feira, não tem essa de entregar kit em loja, com cupom de desconto. Quer ser major? tem que ter expo.  A meia do Rio é da olympikus, então tinha um stand bom da marca, mas não só dela.  Tinha muita coisa legal, eu comprei cadarço elástico, viseira (runlastic), gel, capinha protetora de celular, pink cheeks (lançamentos), e ainda encontrei a minha linda amiga Debs Aquino na Vivian Bogus e acabei comprando alguma coisa com ela, claro. O Péricles não se divertiu tanto quanto eu, mas não pareceu ficar tão entediado, porque realmente tinha muita coisa para ver. 
Eu ainda personalizei a camiseta, paguei mas não era nada demais, e não esperei nem 5 minutos para ficar pronta. 
A retirada do meu kit foi rápida, sei que teve gente que pegou fila, mas eu fui na sexta à tarde e peguei direto. Acho que o kit podia ser um pouco mais caprichado, a inscrição não é barata e são tantos patrocinadores...a viseira era fuleira, eu não como biscoito recheado piraquê (como vem biscoito recheado de chocolate num kit de corrida, minha gente?), e a mochila, que eu gostei bastante, está descosturando...mas a camiseta é boa, e linda!
Pegamos dias lindos de sol, turistamos um pouco, vimos meus primos, e ainda assim consegui descansar para a prova.
Ficamos no Hotel Regina, recomendo, é bem localizado, e o staff era simpático E eficiente. 
Claro que ficar na região da prova tem o plus de todo mundo estar por ali, parecia que o Rio respirava corrida. Acho que respirava mesmo, porque mesmo indo em outras regiões tinha gente já com a camiseta, da maratona, da meia ou da run family, e isso dá um ar de prova internacional, muito bom. 
No sábado jantamos em um restaurante bem honesto na rua ao lado do Hotel, chamado Carmelo, de comida italiana mas que não tinha só massa, sacam? Eu, por exemplo, comi frango com batata doce, mas de um jeito totalmente diferente do que imaginam, com curry, temperos, parma...uma delícia. As sobremesas pareciam ótimas, mas doce na véspera da prova não rola. 
Agora, dormir às 22h para acordar antes das 4h da manhã é algo muito louco, que só quem corre não acha ridículo. Tá, eu até acho, mas isso não me impede. 
O hotel ofereceu café da manhã a partir de 4h30min, mas 4h15 desci e já tinha tudo pronto, e o povo comendo. Eu até levei minhas coisinhas para comer, mas no hotel tinha muita coisa que eu como, vários itens sem gluten, ovo nosso de cada dia...então já me resolvi ali mesmo. Levei um pacotinho de batata doce chips porque a largada era quase duas horas depois do café, e eu morro de medo de sentir fome como já senti antes, e isso me quebrar. 
Vamos lá. O transporte funciona? Funciona. Funcionaria melhor ainda se os usuários fossem mais educados, inclusive. A moça que organizava estava rouca, tentava botar ordem e formar as filas para os ônibus que chegavam, mas sempre tem quem fure, que reclame sem ter razão, ou mesmo tendo, mas com uma grosseria injustificável...O fato é que ingressamos em um dos ônibus em torno de 5h e pouco, era noite ainda, mas o caminho é longo, e quando chegamos na Barra estava amanhecendo, um espetáculo da natureza. O ônibus abriu as portas logo, e percebi que estávamos  2 km da largada ainda. 
Eu tinha que deixar coisas no guarda volumes E fazer xixi. Bom porque a movimentação aquece, já que eram 6h15. Parece que dá tempo, né? Dá não. 
Eu queria largar mais na frente, todo mundo me deu essa dica, e era algo importante para mim, mas não deu.
O guarda-volumes era bem organizado, botava no saco plástico entregue dentro do kit, na janelinha de um ônibus, e esse ônibus ia para a chegada. Pensei que poderia ter tentado não usar o guarda-volumes, mas eu sou assim. Tenho coisas. Tralhas. Opções. Deixei lá, e fui para a fila do banheiro. Por mais banheiro que exista, nunca serão suficientes. Até que não demorou, mas quando eu saí ouvi o sinal da largada. 
E lá fui eu, já tinha alongado na fila do banheiro, e trotei para a chegada, aquecimento mesmo, dei uma agilizada, entrei na largada (que não tem organização alguma) e eis que uma corredora veio abrindo caminho, educada, pedindo licença para passar, mas firme, indo mais para a frente. Me fiz de amiga dela, e fui no vácuo. Isso me deu uma boa vantagem, e fui escolhendo o lado junto com ela, conseguimos ir mais para a frente mesmo. Ainda assim, passei no portal de largada 12 minutos após o sinal.
A largada já era melhor do que a da outra prova, porque era mais largo o espaço. Ao contrário da outra vez, corri nos dois primeiros km, embora costurando um pouco, mas não chegava a afunilar até chegar no primeiro túnel. Na subida do Joá tinha muita gente caminhando, era km2 para 3, e o povo tira foto, e tal. O espaço era bom e eu achei que ia conseguir manter um ritmo bom de subida. Linda a vista. Olhando agora no tomtom, não foi bem assim. E na subida da Niemeyer não consegui manter o ritmo. Estava vindo forte e subia bem, mas era muita gente juntinha caminhando ou correndo beeem devagar, e ultrapassar ali era mais difícil, porque o espaço era menor. Me irritei um bocadinho (mas nem tanto), mas o pace dali, de 5'22, 5'24, foi decisivo para depois eu não conseguir fechar a prova no tempo que queria.

Fui para tentar 1h45min, o que com subida é mais complicado, mas menos de 1h50min já me faria feliz. Mantive o ritmo de 5', em média, por quase todo o percurso, menos nessas subidas. E na descida não soltei o suficiente, porque quem já lesionou tem medo, a gente desce com cautela...
médio, né?

Do km12 em diante a prova fica realmente boa, orla, túnel, organização, e beeeem menos gente, porque os rápidos já foram e você já ultrapassou os bem mais lentos do que você e está correndo com mais ou menos a mesma turma, se conseguir manter o ritmo, e eu consegui. Fiquei super feliz, estava correndo forte, ritmada, concentrada, mas sem sofrimento, o calor foi chegando mas era suportável, era calor das 8h, e não das 11h, um dia espetacular, o mar estava especialmente lindo, a paisagem do Rio é de tirar o fôlego. Hidratação havia de sobra, eu optei por levar isotônico e não pegar, para ganhar tempo já que sou muito muito atolada nesse negócio de abrir saquinho plástico e tal. A água eu peguei em alguns pontos apenas, mas aproveitei as nuvens de água que tinham mais no final. Eu não sou boa com água de copinho, acabo inalando, por isso levo o que é meu, mas como tinha medo de desidratar, pegava pelo menos para um gole gelado e me molhar um pouco.
Tomei meu gel de carbo, não esperei para ver se precisava. Tomei nos km que me propus e ponto final, para garantir um fim de prova digno.
No km 16 já sabia que para 1h45min não dava mais, mas isso não me desanimou, eu mantive o ritmo e nos dois últimos km  fiquei abaixo de 5'. Depois da quebra no km19, que já aconteceu antes. É quando eu acho que se fossem 16km eu seria mais feliz kkkkkk
Fiquei bem louca no 20k,. Penso que dava para forçar mais, né? pelo jeito sobrou...

O final dessa meia maratona é muito legal, tem bastante gente pelo caminho, o Diogo apareceu e ouvi uns gritos, mas sou muito grossa porque não consigo nem interagir em final de prova assim. Massss, na chegada mesmo, lembrei de primeiro celebrar, e depois parar o relógio, porque afinal a alegria era correr. Vejo nas fotos como tem gente olhando para baixo, como eu costumava fazer. 
Dessa vez, como tudo foi muito cedo, não tinha marido nem filho me esperando, mas não fiquei triste. Eu estava precisando curtir aquele momento. E curti. Percebi que cheguei bem porque tinha um lugar para crioterapia ao lado da chegada e não tinha fila, ficavam estimulando a gente a ir. Ah, fui, né? Tinha umas bacias, tipo ofurôs, de gelo. Simmmm. Tirei tenis e meia e observei. Tinha gente que mergulhava ali. Só de olhar me deu um ruim. Eu sentei no chão e coloquei meus pés e depois as pernas, até metade, dentro do local. Uau. Chegou a dar choque. Mas foi muito bom, de verdade. Ganhei toalha para me secar, e fez uma baita diferença na recuperação esse gelo total.
Tempo líquido de 1h49min02. Em 21.360metros. Meu pace deu 5'06 no tomtom, o deles deu 5'11, claro. Como sou louca, fui ver no app do pace, e se fosse 21,10, eu teria feito em 1h47 alto, mais próximo do que queria. De toda maneira, o pace foi de 5'06, dentro das minhas metas, o 5'00 está se aproximando...
Esse negócio de queimar mais de 1000 calorias...o felicidade...Melhor é olhar e ver que é orla que não acaba mais!

Agora, ver que tem quase 5000 mulheres que completaram, e ser a 175...é muita alegria!! Resultado de treino, alimentação, boa orientação, foco...
E agora, diferente do que foi este ano, quero voltar ano que vem. É uma prova que, se eu puder, vou fazer sempre, e não necessariamente para melhorar tempo, mas porque é bom demais!

Essa foto define, porque já estava no final, e a vontade era de correr, correr, correr!!




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Viajar para correr e correr na nova casa

Periodização da corrida - Guest Post by Grazi Evangelista

Hoje é dia da maratonista amadora experiente: Kerly Santos