Hoje é dia da maratonista amadora experiente: Kerly Santos




Hoje vou apresentar a vocês uma maratonista experiente, embora como corredora nem seja tanto assim, se considerarmos a velha guarda e como a corrida geralmente evolui na vida das pessoas. Quando eu já tinha corrido a meia maratona de NY, ela estava na transição 5km-10km, e hoje ela já percorreu muito mais milhas do que eu, não tenho dúvidas!! Eu a conheci por uma amiga comum, em Curitiba, somos as três com a mesma profissão, e tivemos uma conexão boa imediatamente. Ela é uma querida! E eu a escolhi (na verdade tive uma dica, valeu sis) porque ela escolheu correr distâncias maiores, se apaixonou, e nunca mais parou. Forest pacas. 
Mas sinceramente, nem eu sabia de tudo o que ela já tinha feito como corredora. É gente como a gente (assim como a Sabine, claro. Não, a Simone Ponte Ferraz é profissa, outro tipo de gente, menos como a gente 😆), tem que conciliar treino com vida que não tem nada a ver com treino, ouve os comentários que a gente a-do-ra ("vai envelhecer correndo assim", "não pode fazer bem correr tanto", "vai fazer outra maratona? pra que?", "não vai sair hoje porque treina amanhã? que chato isso"), e segue em frente. Com vocês, Kerly!
Ela escreveu um texto, então eu adaptei como respostas às perguntas, para seguirmos o padrão (mais ou menos...).


1. Aconteceu alguma situação especial que levou à decisão de correr uma maratona ou você considera uma evolução natural na sua corrida? 

Comecei a correr em 2012 em provas de 5km, logo passei a distancia de 10km, quando ouvi comentário de uma advogada em sala de audiência dirigido a mim de que "para correr 5km não saia nem de casa!". Nesse momento me senti desafiada e em quatro semanas pedi para um professor da academia me preparar para dobrar a distancia em uma prova da Adidas! Ele me questionou o que eu queria, respondi: " Não ser a ultima e não chamar o Samu"! E assim foi, conclui.
Nota da entrevistadora: ela se sentiu desafiada, eu mandaria para um lugar bem mais específico. Hoje a gente sabe que sair para correr sempre vale, qualquer que seja a distância, né? E adorei o objetivo dela, sempre penso nesse para mim. E olho para trás quando acho que estou muito mal, procurando o carro branco...
Segui correndo por alguns meses, ora provas de 10km, ora de 5km. Foi quando conheci Andrea Pasold e Simone Nascimento Andriani, quando estiveram em Curitiba para uma dessas provas da Adidas. Em momento diversos, ambas me descreveram com minucias como foi a experiência de correr uma meia maratona em NY. Fiquei fascinada e resolvi que no ano seguinte iria fazer tal prova. Participei do sorteio e consegui a vaga para a minha primeira meia maratona - 17/03/2013! (Andrea e Simone, desde 2012 botando o povo pra correr!)

Porém, meu pai descobriu que uma de suas artérias estava gravemente entupida e teria que fazer uma cirurgia de ponte de safena urgente. Ele iria comigo a NY, o que fez com que eu me decidisse por também não ir e cuidar para que tudo desse certo com ele. Sofri muito, mas muito mesmo, por tudo.
Em prantos, contando da frustração de não correr e da preocupação com a cirurgia dele para uma amiga, ela que não entende NADA de corridas, me disse: "Você não é mulher de fazer nada pela metade, não me venha com essa historia de "meia maratona", você vai para NY mas não para fazer metade, sim fazer "inteira", corra a maratona toda e não metade dela". E assim, foi!
Nota: A-DO-REI essa miga loka.
No mesmo dia em que seria a meia de maratona de NY, aconteceu a meia maratona de sampa (17/03/2013) e eu estava lá! Não perdi meus treinos, meu pai operou em SP na terça feira seguinte após a prova e tudo correu bem, está bem até hoje, graças a Deus!

No mesmo ano, seguindo o conselho de minha amiga,  decidi que iria me preparar para a maratona de NY de 2014! Então voltei ao treinador e disse que minha meta continuava a mesma: " Não ser a ultima e não chamar o Samu"!. Ele teria alguns meses para me preparar para a maratona de Curitiba (17/11/2013), pois era nela que iria testar meu corpo para o desafio dos 42,195km de NY. Sinceramente fiquei com medo de investir em uma prova cara, viagens e tudo o mais e não dar conta do que seria a longa distancia, por isso comecei em casa!

2. A sensação depois de terminar a prova, foi a que esperava? E qual foi?
Deu tudo certo e, em 02/11/2014 corri a Maratona de NY, com meu pai me esperando na finish line! Foi uma das maiores emoções da minha vida!!
Nota: já me emocionei só de ler!
Assim, comecei a correr maratonas, sou apaixonada pela distancia.

3. Qual a próxima meta, depois que se corre maratona? Mais uma?
Corri a primeira maratona focando na segunda. 
Nota: ela não teve a ressaca nem o "nunca mais", gente!!
Quando conclui o desafio de NY, li uma reportagem na revista Contra Relógio sobre a mais bela ULTRAMARATONA do mundo -  TWO OCEANS, em Cape Town,  África do Sul. Distancia de 56km de muita subida, mas beirando uma das partes mais linda do planeta, passando pelos dois oceanos! 
Meu treinador disse que eu era uma corredora muito nova para já querer ser ultra, que seria necessário um pouco mais de experiência, algo tipo pelo menos 5 maratonas. E ai fui eu, fiz as 5 maratonas: Curitiba, NY, Colônia (Alemanha); Santiago (Chile); Dublin (Irlanda), estas duas ultimas no mesmo ano.
Nota: eu, que sou eu, fiquei sem palavras...como assim as 5?

Em 15/04/2017 me tornei ULTRAMARONISTA! Corri a ultramaratona TWO OCEANS - um dos maiores desafios que já me submeti! Foi duro, mas incrível. A sensação de ser forte e capaz é indescritível. 
Nota: Incrível

4. Qual seu perfil de corredora, então, atualmente?
Não sou corredora de tempos rápidos, minhas maratonas foram sempre entre 4h30 e 4h40, mas sou apaixonada por ela, pelo que a distancia me proporciona, pelo que consigo enxergar de mim, mesmo quando estou correndo, a emoção/sensação    de que quando quero parar (isso é bem comum), e mesmo assim insisto e não desisto. 
Gente, Two Oceans!!! E desistir não é uma opção, se liguem!

5. E como foi uma ultra?
A ultramaratona foi uma emoção à parte, enfrentei uma prova em que se considera tempo bruto, com quase quatro pontos de corte, limite máximo de 7h! No km 28 sofri com fortes câimbras que fez com que minha amiga seguisse e eu praticamente iniciasse a caminhar. Corria e andava nas piores subidas, foi vencendo com muita dificuldade cada ponto de corte, inclusive os do 42km! Fechei a prova com tempo record "6h57"! Emoção do começo ao fim! Consegui, e isso foi incrível!   
Com emoção!!

6. Qual a pior parte de correr maratonas ou outras longas?
A  pior parte das provas de longas distancias com certeza são os treinos e a vida regrada a que se obriga  o corredor  (alimentação, não álcool, musculação, massagem, RPG, planilhas sem falhas; acordar cedo no frio e muito mais cedo no calor), mas para quem é apaixonada nada disso importa, pois se tem a certeza que no final tudo valerá a pena.

7. Qual a melhor parte?
Os amigos que a corrida traz são a coisa mais maravilhosa, se divide muito  com as pernas que te acompanham nos treinos e, mesmo quando estou sozinha, sinto que as "pernas parceiras" estão comigo. Foi assim na África do Sul.
Nota: caiu um cisco...

8. E agora?
A próxima meta - Maratona de Berlim - 24/09/2017! Não vejo a hora, e os longos continuam!!!

Adorei, Kerly, você certamente inspirará muita gente com sua história. Todos podemos, basta querer, treinar, persistir, e ter a mente focada nos objetivos. Imaginem, ela me agradeceu por ter sido a primeira a colocá-la em longas distâncias, junto com a Simone. Logo eu hahahahaha!! Nem sabia. E isso foi bem antes de Mulheres que Correm, ou seja, antes de ter consciência do quanto eu acredito na corrida como fonte de felicidade e empoderamento para a mulher. Sério, quem corre uma Two Oceans, faz o que quiser da sua vida!!


Direto do túnel do tempo!!

Comentários

  1. Uau... Me emocionei em vários trechos deste depoimento. Me identifiquei e preciso confessar: na preparação para a 1a.Maratona (daqui a exatamente 9 dias - Em Florianópolis) já estou pensando qual será a de 2018... Obrigada Andrea e Kerly por compartilharem conosco essas memórias e reflexões.

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  2. Ola Kerly,
    Parabéns pelas conquistas.
    Do se sentir desafiada, ao concluir uma ultramaratona, foram muitos kms de dedicação.

    Muito legal a história da Maratona de NY.

    Boa prova na Maratona de Berlim!

    Marcelo
    www.corramais.blogspot.com.br


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