Último post da série Maratonistas: Daniel de Oliveira, o cara das grandes distâncias




Hoje é dia do cara que eu chamo carinhosamente de grilo falante. Ele fica meio de voz da consciência, uma consciência bem ousada, corajosa, que te empurra para frente, e que te anima. O que ele fala entra no cérebro da gente, e poucas pessoas são capazes disso. O único entrevistado homem do blog nesta série, porque ele é um super parceiro em todas as minhas ideias, inclusive as mais malucas, esteve conosco no Treino Maria da Penha em BC, apoiou e a Wellness, da qual é sócio, patrocinou todos os treinos das Mulheres que Correm. Daniel é educador físico, sócio da Wellness, clinica de treinamento funcional e corrida em Blumenau, maratonista, ultramaratonista, triatleta (que faz não um ironman, mas 5 de uma vez só, pessoa bem normal hahahahaha). Ah, sim, me chama de Pasold, adoro! Vai fazer um deca iron este ano, e vai correr a maratona de Floripa no domingo!!!! Então ele é perfeito para hoje. 
Com vocês, o motivador.


1. Qual o barato das longas distâncias? 
Sinto que em distancias longas tenho a oportunidade de estar conectado comigo e com tudo que me cerca. Nota da entrevistadora: eu chamo isso de pessoa evoluída. Ele realmente se conecta.

2. Quando e como percebeu que era isso que você queria fazer e que era bom nisso?
Correr sempre foi uma forma de encontrar equilibrio, certo dia após um acontecimento muito estressante, saí para correr e fiz a conexão pela primeira vez, mas de forma involuntária, depois disso, comecei a buscar repetir o estado alcançado, faço isso até hoje e cada vez com melhores resultados, a prática é constante.
Nota da entrevistadora: é a isso que me refiro quando falo que tenho vontade de sair correndo, quando estou estressada. Porque a gente literalmente sai correndo, e quem não corre olha com cara de que eu sou louca. Porque  só quem corre sabe o bem estar depois de uma corrida que eu denomino NECESSÁRIA. 

3. A partir de algum momento na longa distância você sente que entra em um estado mental diferente?
O estado de plenitude, ou aqui agora, como gosto de chamar, acontece por um comando voluntário, dou esse comando no momento que desejo um desempenho melhorado, ou superação de algum tipo de dificuldade, nesse estado, posso ver portas e janelas, onde antes, só existiam paredes.
nota: é ou não altamente motivador e desafiador ao mesmo tempo? esse estado de consciência é que é o difícil. Eu entro em alfa, não sei de mais nada.

4. O mais legal das provas desse tipo é a preparação para elas? E qual a pior parte?
O melhor das provas longas é estar no caminho, desfrutar o momento de cada passo observando tudo e todas as coisas que me cercam, com o olhar do maravilhamento. 
A parte ruim, é não conseguir fazer com que todos que amo, consigam desfrutar das mesmas percepções e ve-las sofrendo, sem poder ajudar.
Aprendi com o Daniel a buscar a felicidade no caminho de uma prova, e não ficar esperando que chegue só no final. Nem sempre funciona, mas ajuda demais no estado mental.



5. O que mudou do Daniel do primeiro iroman para o que vai fazer o triplo, quintuplo, décuplo iron? 
Daniel do primeiro iron fazia os desafios por ego e vaidade, buscando prazer por conquistas, hoje, tudo que me importa é a felicidade do caminho, independente da aceitação alheia.
Hoje sigo meu caminho, o caminho do amor.
O que dizer? Só que a motivação é algo realmente importante, e você pode mudá-la com o tempo a partir de suas conquistas e fracassos. Né? Porque tudo é aprendizado.  

Dani, muito obrigada por ter aceito participar, e por tudo o que você sempre aceita quando eu proponho. 
Este é o último post sobre maratonas e maratonistas. Espero que tenha sido esclarecedor ou ao menos motivador para a corrida em geral, e para  a maratona em particular. Meu objetivo nunca foi trazer aspectos técnicos de treinamento, preparação, nutrição...era realmente que pessoas que correram e/ou correm maratonas, de diversos perfis, pudessem compartilhar comigo e com vocês  seus sentimentos e percepções pessoais  sobre A PROVA, desde a decisão de correr a primeira.
Eu adorei receber respostas tão diferentes e tão encantadoras dessas pessoas queridas que aceitaram conversar comigo. 
Deixa só deixar uma explicação para encerrar esta série. Eu conheço as 4 pessoas que foram entrevistadas, mas a escolha delas foi feita com base em perfil e um critério de exclusão foi o de não ser uma grande amiga ou amigo pessoal. Porque isso tira a objetividade, a percepção crítica de quem entrevista e às vezes de quem é entrevistado, e gera sempre a pergunta do outro super amigo: por que não eu? A Sabine eu não conhecia pessoalmente, só a acompanhava em rede social e sabia que era da TV (quem não?). A Simone eu conheci em um jantar pré prova com um casal de alunos dela que são meus amigos. Tivemos ótima sintonia, e temos bem pouco contato, o que é uma pena, e sou eu que a acompanho, não o contrário. Não obstante isso, ela é a única atleta de corrida profissional que me conhece (os outros só eu conheço kkkk). Não sou tão caruda de mandar perguntas para atletas que não sabem quem eu sou. O Diogo, meu treinador, é profissional, mas marchador...e aí vai. O Igor Amorelli não me conhece...ainda hahahahaha. 
A Kerly foi sugestão de uma pessoa. Conheci a Kerly num momento interessante da corrida na vida dela e na minha. Ela me marcou e agora sei que fiz isso com ela também, foi uma surpresa feliz. Mas também não temos contato, embora da mesma profissão inclusive. E tem o Dani. Sim, ele eu considero um amigo. Mas é o cara que corre mais longe que eu conheço e que me conhece. Eu conheço a Fernanda Maciel, rainha da montanha, mas ela definitivamente não sabe quem eu sou. E tinha que ser alguém não apenas que corre, mas que bota os outros para correr, e que eu já sabia que poderia animar quem vai correr dia 27 em Floripa, ou fazer a sua primeira ou próxima maratona este ano. Além de motivar a desafiar seus limites em qualquer área da vida. Conhecê-lo é um privilégio. 
Então, amigos e amigas, de vocês eu quero ouvir sempre sobre suas maratonas. Eu adoro quando leitoras e leitores, amigos ou não,  escrevem suas opiniões aqui, no instagram, ou no face. E quem quiser nos comentários falar da sua experiência em maratona (A Sissa, por exemplo, corre várias por ano), vou adorar, e pretendo compilar opiniões e depois fazer um post só delas e sobre as várias distâncias de provas a partir de corredores. 
Foi bom demais colher esses depoimentos, me emocionei. 
Continuem comigo, vamos aos próximos temas. Assunto nunca falta. Beijos.

(Treino Maria da Penha, agosto de 2016, Daniel era o puxador dos 10km)

Comentários

  1. Muito legal as palavras do Daniel. Sou fã desse cara.
    Uma grande inspiração, como todos que passaram por aqui.
    Pretendo ainda esse ano, fazer a Maratona de Curitiba e conquistar o sub 4h.
    Valeu Daniel, Sabine, Kerly e Simone.

    Marcelo
    www.corramais.blogspot.com.br




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