E para fechar com chave de ouro, quem eu quero ser quando crescer...Carol Sena!!


Vamos à nossa última, mas não menos importante, participação nessa série sobre distâncias e velocidade. A Carol também é advogada, vejam só. Mas eu nem sabia nada disso. Sabia que era líder do Divas que Correm em Floripa, e depois fui percebendo que era muito estranho não termos nos conhecido ainda. Ambas de Floripa, estudamos direito na UFSC, e ela trabalha em um escritório que conheço vários outros advogados. Também dá aulas e fez mestrado, e tal e coisa. E corre! Pacas! Com leveza e determinação! Nos conhecemos virtualmente, passamos a nos acompanhar, e na largada da Volta à Ilha deste ano, finalmente nos abraçamos de verdade, e foi um abraço de quem já se conhecia há muito tempo. Quando encontro com ela, o que acontece menos do que gostaria, parece que sempre nos falamos. Ela tem estado em vários "palquinhos", como ela chama os pódios, e treina beeeem forte para chegar onde quer. 
Não pensa no aumento de distância como um "caminho natural" na corrida. Teve uma fratura por estresse ano passado e, com isso, precisou parar e reavaliar o sentido e os objetivos do esporte na  vida. Eu a admiro bastante e acho que temos muito em comum. Carol Sena é musa!


1. Há quanto tempo corre? Teve alguém que te levou para a corrida?
Eu corro há 4 anos. Minha irmã Fabíola que me sugeriu, assim que eu entrei no doutorado, pra não enlouquecer hahaha! Ela também fez doutorado e correu por mais de 20 anos.
Sério, gente, não tem válvula melhor do que correr. Conheço quem coma. Deve funcionar por um tempo, mas quando você vê o estrago depois...Eu comecei a correr quando fui estudar para o concurso, exatamente para não enlouquecer.

2. Você descobriu que era rápida e investiu ou decidiu tentar ser uma
corredora de velocidade e foi treinar?
Eu descobri que era rápida quando fiz meus primeiros 10k abaixo de 50min com apenas 10 meses de corrida. Na verdade eu não investi na velocidade de início, porque fui tentada (como a maioria dos iniciantes) a aumentar a distância. Então depois de fazer 5 meias maratonas (a primeira já abaixo de 2h) eu resolvi tentar ser rápida em
distâncias maiores e em 2016 fiz uma meia-maratona em 1:36. Nessa prova eu fraturei o ísquio por estresse e tive que "recalcular a rota", o que me levou a (re)descobrir o prazer de correr distâncias menores e querer melhorar as marcas principalmente nos 5k.
Mais uma que se animou excessivamente, e ultrapassou os limites para o momento. Foi rápido. Mas podia ter tirado a Carol da corrida, se ela não voltasse a pensar nisso...

3. Qual sua distância favorita? há alguma razão? qual seu melhor tempo nela?
Ainda é a meia-maratona, meu melhor tempo é 1:36:34. Isso dá um ritmo de 4:33, e acho que é por isso que eu gosto tanto: é uma distância que exige não só pulmão e pernas, mas muito cabeça, manter velocidade por 21 quilômetros não requer apenas do corpo!
Adorei! 

4. Tem alguma prova favorita? qual e por que?
Eu faço poucas provas, em torno de 4 ou 5 por ano. Não sou "a louca" das provas. Mas o Volta à Ilha sem dúvida é a prova que mora no meu coração, pela bagunça do revezamento. Fizemos 2 anos seguidos em octeto feminino e foi sensacional! De provas de rua, minha preferida é a Track&Field Run Series do Iguatemi. Gosto do percurso plano e do kit, além da organização ser bem legal.
Fora a gracinha de ir para o pódio, né amiga? Não entendi o papo de "louca das provas", dããããã. 

5. Qual a melhor parte de correr distâncias menores e qual a pior?
 A melhor parte é a preparação, porque os treinos passam a ser mais curtos do que aqueles direcionados às distâncias maiores. Atualmente meu "longo" é de 8k, 10k, 12k... Acho que a pior parte de correr distâncias menores é que, se você está focada em velocidade e resultado, não tem espaço pra erro em dia de prova! Deu bobeira, só na próxima!
Ainda mais para quem não faz muitas provas!

6. Qual a parte sofrida do treino?
Os treinos de tiro. Se bem que estou aprendendo a gostar deles. São muito desafiadores e necessários, porque só com eles a capacidade cardiorespiratória melhora.
O que dizer, né? Tiros, minha gente, tiros. Não há nada que faça você mais rápido que não esses treinos de velocidade. Mesmo que não seja para ser suuuuuper veloz. Qualquer melhora exige a mudança do estímulo, ficar ofegante...

7. Qual a estratégia para buscar cada vez melhores tempos mesmo ficando mais velha?
Bom, eu vou fazer 37 anos, comecei a correr "velha", né? Acho que esse fato te dá maturidade e disciplina pra encarar o treinamento a sério, a treinar na esteira mesmo contra a vontade, a eventualmente dizer não a algum happy hour durante a semana e dormir cedo, aprender a reconhecer a importância dos treinos de tiro, ouvir o corpo e descansar quando necessário, manter uma alimentação regrada durante a semana (quanto mais leve, mais rápida a corrida, pelo menos pra mim!) e a não dispensar uma tacinha de vinho tinto todos os dias sem o menor peso na consciência haha!
Nós somos gêmeas, sério. 

8. Suplementação: é vida?
Comida é vida!
Admiro. 

9. Alguma estratégia especial de alimentação para os treinos de
velocidade e dia de prova?
Nesse último ano focando em provas curtas e velocidade, não adotei nenhuma estratégia de alimentação especial além da que eu já sigo, que é comer comida. Continuo com o acompanhamento da minha nutricionista, foquei em diminuir o percentual de gordura e ganhar massa muscular. Mas no dia da prova eu aproveito pra comer bisnaguinha com pasta de amendoim no café da manhã hehe!
Vi fotos. Achei um abuso.

10. Tem alguma dica para quem quer correr curtas distâncias cada vez
com mais velocidade? O pulo do gato...
 Além da bisnaguinha? Bom, eu voltei pras distâncias curtas depois de uma fratura por estresse, que me deixou de muletas por 4 semanas e sem treinar por 6 semanas. Isso fez com que, no retorno, eu recomeçasse praticamente do zero.
E o que eu aprendi nesse recomeço é a dar importância para a técnica de corrida (principalmente com treinos educativos, que tive que fazer muito na reabilitação), algo que a gente acaba deixando de lado no início da prática do esporte, principalmente quando quer partir pras distâncias maiores. Com a técnica aprimorada, a corrida rende mais, sem tanto desperdício de energia.
Os treinadores agradecem, Carol!!

11. Chega no seu limite?
 Ai que pergunta difícil! Sempre tem aqueles 30% né? Dizem! hahaha! Acho que não chego não. Sou conservadora. Nunca "quebrei" em prova.

A bagunça do revezamento que quase me enlouquece! hahaha
Conservadora que faz 21km em 1h36, imagina quando for para a morte!
Abaixo Carol no Volta à Ilha, fazendo que nem sofria, e no palquinho de 1º lugar de 5km na TF Iguatemi desse ano, voando muito!





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