Vamos estrear com uma manezinha de Floripa: a rápida e consistente Gabriela Paula


Conheci a Gabriela Paula em uma das primeiras corridas Track and Field que participei. Ela ganhou. Depois disso a vi em quase todas as outras que fiz (senão todas), e ela ganhou sempre hahahahaha. Nos 10km é minha musa inspiradora, uma pessoa real com objetivos reais e muito treino na veia. Depois a conheci pessoalmente, a Simone já conhecia do colégio Coração de Jesus, mas eu estudei no Colégio Catarinense, então não sabia quem ela era. Além de tudo, ela é muito legal. Te incentiva quando te encontra, parabeniza, é humilde. Advogada da Formacco, que dá nome à equipe da qual ela faz parte, ela se destaca também em provas de aventura como Volta à Ilha e demais provas da Ecofloripa. Tem uma filha super fofa. Tenho muito respeito pelos resultados dela. E ela tem muito a dizer para nos inspirar. Diferentemente de mim, ela sempre esteve envolvida com esporte de forma competitiva, e fazia tudo bem feito. Com vocês, Gabi.
1. Há quanto tempo corre? Teve alguém que te levou para a corrida?
Eu sempre pratiquei atividade física desde pequena. Desde os 14 anos fui atleta de Handebol, participando de diversas competições pelo Estado. Começou a ficar difícil praticar a modalidade após entrar para a faculdade de Direito, mas consegui manter até os 21 anos. Depois me interessei pelo jiu jitsu e vi que também era boa nesta modalidade. Mas uma ruptura do ligamento cruzado anterior me fez abandonar o esporte aos 24 anos. Tentei voltar a correr logo após, mas tive uma tendinite patelar decorrente da cirurgia e doía muito, então fiquei um bom tempo só fazendo academia. Quando eu tinha 34 anos, e minha filha então com seis meses, meu personal trainer Antonio Saccomori conseguiu me convencer a participar de uma prova de corrida (era a Volta a Lagoa de 2009, tradicional prova de 10,5 km em Florianópolis). Me lembro que quase morri tentando acompanha-lo, na época com um polar que só mostrava os batimentos cardíacos - quase chegando a 200 bpm. Achei que ia enfartar, tamanho o esforço que tive que fazer, afinal, não podia desistir, pois meu treinador estava ali ao meu lado "me fiscalizando" hehe.

Terminei a prova sem caminhar em nenhum momento e fiquei surpresa ao ver que tinha ficado em primeiro lugar na minha categoria, já subindo ao pódio na primeira prova que participei. Tomei gosto pelo esporte, principalmente por ser uma pessoa competitiva e determinada, características necessárias para a evolução, persistência e resultado neste esporte. Daí por diante não parei mais.

Nota da entrevistadora: nem todo mundo começa ganhando como ela, mas vejam que ela também achou que ia morrer...como todas nós.

2. Você descobriu que era rápida e investiu ou decidiu tentar ser uma corredora de velocidade e foi treinar?
Olha, eu já fiz tudo quanto é tipo de prova (hehe). Comecei nas provas de curta distância (5 e 10 km), obtendo sempre uma das primeiras colocações, mas senti também a necessidade e vontade de experimentar distâncias maiores. Logo, estava fazendo algumas meias maratonas (já fiz umas cinco), algumas maratonas (Porto Alegre, Chicago, Nova York e Oslo, na Noruega), duas ultramaratonas (Desafio do Pateta - 2014 e do Dunga - 2016, na Disney) e um Iron Man em Floripa em 2015.

Contudo, meus tempos em maratonas sempre foram mais altos (adoro participar mas não tenho resultados tão bons nesta distância. Meu melhor tempo foi 3h38m). Em meias maratonas, meu melhor tempo foi 1h32m. Sei que se eu me esforçar eu consigo baixar bastante esses tempos, mas onde eu me destaco mais é em distâncias menores e também em corridas de aventura (até 21 km), pois correr em meio a natureza me motiva e eu sempre me saio muito bem.

Neste vai e vem de distâncias, uma hora fazendo uma prova de 10 km, outra fazendo uma trail run, em outra uma maratona, nos tira o foco e ficamos mais lentas e sem objetivos. Este ano então resolvi voltar a focar apenas em provas de 5 e 10k, melhorando meus tempos, fazendo um polimento e também dando um tempo para o meu joelho, pois tenho artrose na patela, que me causa um certo desconforto nas corridas, principalmente nas de maior distância.
Experimentar é legal, até para descobrir qual é a sua.


3. Qual sua distância favorita? há alguma razão? qual seu melhor tempo nela?
Minha distância favorita é a de 10k. Acho que é porque consigo manter um ritmo bacana e não tão intenso quanto uma prova de 5k e tenho maior controle sobre meu desempenho, por causa da minha estrutura muscular. Já fiz 40'06" em 2014. Estava na minha melhor fase. Ter ido para outras distâncias e inclusive o triathlon me tirou dessa velocidade. Esse ano voltei a fazer 41'20" no início do ano mas algumas contraturas e meu problema no joelho me fizeram dar uma recuada. Espero voltar com os trabalhos de força que venho fazendo. Também estou tendo maior consciência corporal hoje em dia, o que tenha certeza vai me ajudar a melhorar meu tempo.  

Só tenho uma coisa a escrever: FO-CO. 

4. Tem alguma prova favorita? qual e por que?

Sim, a Volta a Lagoa sem dúvida é a minha prova preferida, pois simboliza o início da minha vida de corredora.

5. Qual a melhor parte de correr distâncias menores e qual a pior?
A melhor parte é que acaba logo o sofrimento (rs) e a pior é a intensidade. Sofro demais, chega a dar tonturas e  náuseas, pois chego muitas vezes no limite do meu corpo. a de 5k é a pior para mim, pois apesar de ser curta, a explosão e potência exigem muito dos músculos. Foram nas corridas de 5k que eu cheguei em pior estado.  
Nota: 5km para prestar, tem que ser para a morte. Não tem jeito. 

6. Qual a parte sofrida do treino?
Nossa, todo treino é sofrido! Quando recebo a planilha já começa o sofrimento só de pensar em cumprir o planilhado. O que eu acho mais difícil é começar, depois flui. Também quando estamos acostumados com uma planilha e vem outra bem diferente, gera todo um desgaste de adaptação. Também nesse vai e vem de trabalho, casa, filha, namorado, as vezes estou cansada para treinar, mas procuro espantar a preguiça e não faltar nem um dia sequer de treino. A não ser, é claro, que tenha compromissos profissionais, com a família ou uma viagem. Mentira, nas viagens eu levo sempre um par de tênis, hahaha.
Uhu, é das louquinhas como eu, sempre um par de tênis!! E também não pensa muito, né? Levanta e vai, é isso, minha gente, todo mundo se apavora com a planilha, mas cumprir é o que tem.

7. Qual a estratégia para buscar cada vez melhores tempos mesmo ficando mais velha?
Confesso que não penso muito na idade. Sei que meu melhor tempo nos 10k foi em 2014, mas esse ano consegui chegar muito perto, apenas focando na prova alvo. Mas claro que a idade pesa. Sinto que após uma prova, levo mais tempo para me recuperar, e tento respeitar o meu corpo com relação a isso. Após uma prova, ao invés de recomeçar na semana seguinte com treinos puxados, me dou uns dias de folga, porque sei que essa recuperação é importante. No mais, é cuidar da alimentação, ter hábitos saudáveis, fazer a suplementação correta e esquecer um pouco esta questão da "idade". Já sinto que algumas provas eu perco para meninas mais novas que eu e isso não me abala, é super natural, afinal elas estão no auge. O que me abala é não dar o meu melhor e perder por isso.   
Nota: Eu não vejo muitas meninas mais jovens do que a Gabi correndo como ela, acho que tem a parte da maturidade também. Tem muita menina boa de corrida mas que não quer abrir mão de sair, mata treino, até porque não tem noção do quanto isso faz diferença depois. O que realmente acho que faz diferença, e fico feliz que não seja só comigo, é a recuperação. Hoje em dia também minha recuperação depois de uma prova forte é bem mais demorada. 

8. Suplementação: é vida?

Sim, acredito que num mundo cheio de stress, da correria do dia a dia e da contaminação dos alimentos que consumimos, é obrigatório, sob a orientação de um profissional especializado, suplementar o que não podemos ingerir normalmente no dia a dia. Mas não faço nada que não seja prescrito pelo meu médico.
MUSA

9. Alguma estratégia especial de alimentação para os treinos de velocidade e dia de prova?
Acho que cada organismo funciona de um jeito, cada um tem seus próprios hábitos. Meus treinos e provas são no período da manhã, então não como nada antes da prova, a não ser o pré-treino indicado pela nutricionista. No dia anterior, a noite, costumo comer um carboidrato leve, evitar fibras e ingerir muita água, garantindo sempre uma boa hidratação e energia.
Resumo: conheça seu corpo...

10. Tem alguma dica para quem quer correr curtas distâncias cada vez com mais velocidade? O pulo do gato...
É estar disposto a sofrer. Nos treinos, dar o máximo mesmo. Vejo que tem gente que realmente acredita que estamos lá correndo por puro prazer e com alegria e realmente não imaginam o sofrimento que estamos passando, a vontade de desistir que sempre ataca nossos pensamentos no meio do percurso, mas afastamos e seguimos em frente, para atingir a meta traçada, que é o pódio ou o nosso melhor tempo.  ​

A-DO-REI. Só sofrendo para melhorar, não tem jeito, não sou a única!! E no final, tudo vale a pena!!!
A foto abaixo é daquelas em que a gente parece estar puxando o pelotão...e ela está!!
Gabi, muito obrigada, especialmente pela sua franqueza, e te desejo sempre muito sucesso. Quem sabe um dia consigo estar ao teu lado em um pódio? 




Comentários

  1. Nossa, demais essa entrevista Andrea!!! Agradeço a oportunidade de ler e aprender com essas corredoras tão inspiradoras. Ela acha 3h38min em uma maratona um tempo não muito bom. E eu achando o meu 3h54min bem legal para a primeira maratona. O mais bacana disso tudo é ver como somos diferentes e iguais ao mesmo tempo. Cada uma em sua distância preferida, fazendo seu melhor, sofrendo e cruzando a linha de chegada. Adoramos desafios (cada uma com suas paixões) e buscamos nos superar dia após dia, treino após treino.

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