A história de quem não desiste de correr: Siegrid Ane, uma guerreira!

A história de hoje é diferente. Eu conheço pouco a Ane. Conheço, na verdade, por ela ser corredora da Wellness, então temos vários amigos e conhecidos em comum, e eu sempre a achei tão guerreira, empolgada nas provas de corrida de Blumenau, cheia de vida. Por isso me surpreendi quando soube que ela estava doente, com câncer de mama, esse infeliz. E eu soube porque ela não escondeu de ninguém. Ela mesma reconhece que também tinha problemas com a palavra "câncer" antes de acontecer com ela, e tudo mudou, porque acho que a mudança faz parte do processo, não é? 
Qualquer doença ou dificuldade nos ensina muito sobre nós mesmos, e é sempre uma oportunidade de mudança, normalmente para melhor. Tem gente que não muda nada, é verdade, que não enxerga a oportunidade de autoconhecimento e de evolução, só pensa em se curar o mais rápido possível e voltar à vida exatamente como era antes. É uma forma de encarar as coisas e não se deixar vencer, e não estamos aqui para julgar, porque só quem passa sabe. Mas são minoria. Pelo que converso com as pessoas, vejo que o que mais se altera são as prioridades, valores, e isso traz mudança de conduta. Leveza naquilo que pode ser leve, sem criar problemas onde eles não existem, porque você aprende o que é problema mesmo e o que é incômodo (quem me lê com frequência sabe que repito sempre isso). 
A Ane está tão consciente que tem também um blog para falar do assunto https://comobuscaralternativasparaenfrentarocancerdemama.wordpress.com/
Eu logo pensei nela, especialmente porque a tenho visto correndo desde sempre, descobrindo a doença. Ela parou por muito pouco tempo! É engenheira, tem filho, marido, pacote completo. E a corrida. Adoro ler o que ela escreve também, então espero que a gente aprenda muito uma com a outra, e vocês também, leitores. Vamos ler Siegrid Ane!!

(Feliz, acho que  porque com esse dia e esse mar...quem não fica?)

1. Você corria antes de ter câncer? E depois que descobriu, o que te levou a voltar a correr ou manter a corrida?

Sim, eu corria pouco mais de um ano, comecei a correr em janeiro de 2016, fui diagnosticada com o câncer de mama em maio de 2017, em meio ao treinamento para minha primeira maratona que aconteceria em agosto de 2017.
No dia que recebi a notícia do câncer eu perguntei para o médico se podia continuar correndo, e, ele falou que deveria continuar, e só teria que parar uns 20 dias após a cirurgia, e com isso eu acreditei que realmente poderia correr a maratona, mas no decorrer do percurso não foi tão simples assim... Os 20 dias se transformaram em 40 dias para voltar a fazer a primeira corrida de leve, e nesse período eu imaginei que não conseguiria mais fazer a maratona, porém, gostaria de continuar correndo caso fosse liberada pelo médico, para manter o corpo ativo e principalmente a mente tranquila, a corrida me revigora e me deixa com uma energia boa para poder enfrentar o tratamento.

Nota: eu sentia dentro de mim que tinha algo em comum com a Ane. É esse senso prático dela. Leiam no blog dela, é muito impressionante. A primeira pergunta da pessoa foi se podia continuar correndo!!! Acho que o fato de pensar que poderia correr a maratona deu forças, mesmo de forma inconsciente

2. Durante o tratamento, desde quando pôde correr? O médico recomendou ou teve restrições? 

O mastologista me liberou para atividades físicas 40 dias após a cirurgia, e encaminhou para oncologista, e com o resultado da biópsia surgiu a necessidade de fazer o tratamento com quimioterapia; na primeira sessão de quimioterapia eu falei para a médica que eu pretendia continuar as atividades e ela autorizou, dentro das minhas limitações e falou que meu corpo seria o regulador, nada de excessos, e com isso optei em não treinar tiros e morros, mantendo apenas corridas planas.
 Nota: eu me lembro de quando a pessoa que fazia quimioterapia só ficava em casa passando mal, e nenhum médico autorizava exercícios. É tão importante a pessoa se sentir viva de verdade , não é? E correr é isso. Claro, a Ane logo aprendeu os limites do corpo e focou nisso. Melhor correr meia boca do que não correr. 

3. Qual a maior dificuldade em fazer exercícios durante o tratamento ou o pós operatório? Vai haver algum momento em que você talvez não possa correr?

Um dos efeitos colaterais da quimioterapia, no caso do meu protocolo, foram dores nas articulações, que lembrava canelite, nesses dias eu fazia caminhadas e funcional, alguns dias de baixa imunidade eu sentia um cansaço físico maior, onde também diminuía o ritmo, mas não deixei de fazer atividade física. Uma restrição do tratamento é não poder pegar sol, com isso os treinos de corrida estão sendo na esteira. Vou iniciar o tratamento de radioterapia, e, segundo a médica, evitar exercícios de braço no funcional, e, podem ocasionar cansaços físicos mais no final do tratamento, mas vou esperar acontecer...
 Nota: não poder correr na rua é duro, a vantagem da esteira é que passa tanta gente que o tempo passa até mais rápido, né? Eu corro quase sempre sozinha na rua, e é na esteira que mais vejo gente. Essas dores nas articulações eu fiquei condoída, a sensação de lesionada é triste. Mas o mais legal é que ela não desiste! E é isso aí, sem sofrer por antecipação!!

4. As pessoas que você conheceu na corrida são importantes na fase de tratamento contra a doença?

Com certeza, a corrida me trouxe muitos ensinamentos e muitos amigos, e algumas pessoas acabaram se tornando fundamentais, o professor do grupo de corrida, sempre fez com que eu acreditasse em mim, me ensinou a não desistir e principalmente o professor do funcional que, além de personal está me motivando e ajudando no equilíbrio emocional.
Eu conheço bem o poder motivador desses caras, são os melhores para levar a gente para frente. Terapia em grupo na corrida, e com os coachs, o que pode ser melhor? 

5. Algo mudou em você como corredora após ter câncer?

Nunca me importei muito com relação ao tempo de prova, mas sempre procurei melhorar a corrida e o meu tempo nas provas, mas com o câncer eu aprendi que o tempo é o que se vive hoje, é agora, e que o número que marca no meu Tomtom é apenas o registro dos minutos para completar a prova, e não me importo quantos minutos preciso para chegar no final, importante é chegar feliz.
Chegar no final, chegar feliz. Bom demais. Rumo à maratona, Ane!! 

6. Há algo que você gostaria de compartilhar com outras mulheres e com homens também, sobre o momento em que você descobriu o câncer?

Sou da opinião que “Nada, absolutamente nada acontece por acaso”, nem sempre as coisas acontecem na hora ou no momento que a gente gostaria, mas em algum momento a gente descobre, ou não, o motivo. Até quase dois anos atrás eu fui mais para sedentária do que ativa, sempre achava que não tinha tempo para atividade física, e que tinha que trabalhar, conheci a corrida através da minha vizinha, fiz uma aula experimental, me identifiquei e não parei mais. 
O diagnóstico do câncer aconteceu na minha fase profissional mais conturbada, mas, acredito que o senso prático, pensamentos positivos e a corrida foram fundamentais para manter a tranquilidade nesse momento. 

Ane me mandou algumas fotos, e eu escolhi essa porque me emocionou ela não estar só. E a emoção de quem está com ela é visível, e isso torna a foto real. Viva. 

Nota final: Ane teve que arrumar tempo para ela se tratar, do pior jeito. Cuide da saúde para não cuidar da doença é o melhor a fazer. Mas estamos percebendo essa falta de padronização, o câncer não escolhe não, todo mundo está sujeito. Então a dica é viver o melhor de todos os dias, e mexendo o corpo de forma regular (com a corrida eu prefiro, mas cada um escolhe o seu favorito), você sempre tem a sensação de estar no seu melhor momento, e isso é muito bom! Estar cansado fisicamente de uma atividade que te deu alegria, é bom demais! Ah, sim, viram, alguém botou a Ane para correr. Por isso eu vivo atrás, funciona com um monte de gente, eu boto mesmo pra correr!!!


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