A história de quem passou de plateia a protagonista: Monica Paris, a que virou corredora depois do câncer

O modo pelo qual conheci a Mônica mostra como o universo age de uma forma muito louca e que basta a gente estar aberto para conhecer as pessoas que realmente isso acontece. Há alguns anos organizei uma festa teoricamente surpresa para meu marido em casa, em Blumenau. Teoricamente porque ele percebeu, claro. E convidei a Carol, minha amiga irmã de Floripa, inclusive para dormir lá em casa. Ela perguntou se podia levar uma amiga de Joinville e claro que podia! E era a Mônica. Mas a Carol logo disse que elas ficariam em hotel. Ela chegou um pouco tímida, mas o povo lá era animado, a festa foi bem forte, e elas foram ficando, até o ponto que não era recomendável que saíssem para ir para o hotel. Resultado, dormiram ambas lá em casa. Nem conversamos tanto assim, mas eu a achei muito legal, com bom astral. 
Pula para maio de 2016, e no mesmo treino que a Pri veio para voltar a correr, a Mônica também se inscreveu, porque mora em BC!!! Foi muito bom reencontrá-la e descobrir que ela corria, eu não tinha ideia!  Depois ela foi também no Treinão Maria da Penha, em agosto, baita parceira. 
Ela está no caso das #mulheresquenosorgulham, e a corrida entrou na sua vida depois do câncer, para mudar para melhor! Leiam novamente o primeiro post antes das entrevistas, para lembrar o que o dr. Dráuzio fala sobre a corrida e a prevenção de recidiva e auxílio à cura definitiva. 
A Mônica vem para nos mostrar que sempre há tempo para parar com as desculpas e calçar os tênis. Que quando a gente decide mudar, nada nos impede. Obrigada por compartilhar tua história, Mônica, tenho certeza de que vai sacudir muita gente. 



1. Você corria antes de ter câncer? E depois, o que te levou a correr, ou voltar a correr?

Sempre gostei de esportes, mas corrida nunca tinha me interessado.
Durante o tratamento de um câncer de mama, eu, que estava afastada do trabalho, comecei a acompanhar uma amiga que participava de corridas de rua, para me distrair, passar o tempo e fotografá-la. Comecei a observar a alegria daquele pessoal, cruzando a linha de chegada, abraçando os amigos, aquela adrenalina que dava para sentir de longe.
E comecei a ir em quase todas as corridas que aconteciam na minha cidade, só para sentir a energia boa que o pessoal passava, isso diminuia minha depressão. E foi então que, depois de um tempo, eu pensei: eu bem que poderia estar do outro lado dessa grade, correndo também, me superando. E assim tudo começou, aos poucos.

Nota: isso é estar aberto para novas possibilidades, não é? e vejam que ela logo percebeu o clima, aquele que só acontece em dia de prova, aquela energia acumulada de todo mundo junto.


2. Durante o tratamento, pôde correr? quanto tempo levou? O médico recomendou ou teve restrições?

Comecei a correr durante o tratamento, treinava nos dias em que os efeitos da quimioterapia eram mais amenos.
Comecei com trotes intercalando com caminhadas, depois com o tempo consegui correr, gradativamente.
O médico recomenda a fazer qualquer exercício durante o tratamento - desde que você se sinta bem.
Nota: isso mudou, que bom!! Aquela ideia de repouso total, como já falei, acho que só deprimia ainda mais a pessoa. 

3. Qual a maior dificuldade em fazer exercicios durante o tratamento ou o pós operatório? 
Para mim, a dificuldade veio por estar acima do peso. Durante a quimioterapia eu aumentei meu peso em 13kg, por conta dos corticóides. E essa dificuldade era visível na prática de exercícios - porque além de mais pesada, você fica com menos resistência, menos fôlego, mais cansada.
Nota: muito disso era inchaço mesmo. E aí a gente se pergunta o que vem primeiro: correr para emagrecer ou emagrecer para correr? Ela descobriu que podia correr com qualquer peso, mas mais magra teria uma corrida de mais qualidade e portanto mais prazerosa. 


4. As pessoas que você conheceu na corrida foram importantes na fase de tratamento contra a doença?
Totalmente importantes. Sempre me motivavam, festejavam minha superação, me apontavam como "exemplo" de força de vontade, e isso fazia com que eu mais e mais me orgulhasse e continuasse os treinamentos, mesmo quando não estava tão bem psicologicamente. Aliás, quando eu não estava bem eu me forçava a correr, porque sabia que a adrenalina me promovia o bem estar, e depois do treino tudo estava melhor.
Não sou eu, viram? A gente nunca se arrepende de ir correr, só de não ir!! Depois que a gente vai nem lembra que antes estava desanimada!


5. O que mudou em você como corredora após ter câncer?
Eu não tenho dúvida nenhuma que a corrida foi essencial para minha cura. Cura física e psicológica.
Durante as corridas, o meu pensamento trabalhava a milhão, eu fazia uma terapia comigo mesma. Era o meu momento, só meu. Colocava todos os problemas em ordem, fazia planos para o futuro, tudo durante a corrida. Acabava os treinos ansiosa para colocar tudo o que eu tinha pensado em prática! Consegui, com a corrida, a eliminar rapidamente os 13kgs que adquiri no tratamento.  
Hoje procuro motivar pessoas que estão começando, incentivo quem está com dificuldade, me coloco como exemplo.
O que dizer? adorei!! A corrida é a minha meditação ativa! E não é solidão coisa nenhuma!!


6. Há algo que você gostaria de compartilhar com outras mulheres e com homens tb, sobre o momento em que você descobriu o câncer?
 Como é de se prever, quando recebi o diagnóstico, meu mundo caiu. Mas encarei todo o processo como um acontecimento da vida, que requeria ações rápidas, práticas e urgentes. Em momento nenhum me senti uma pessoa que teve o “azar”, mas me senti responsável  e encarei os procedimentos como devem ser encarados.
Em nada tem utilidade o discurso de vítima, ou lamentações. É necessário encarar os fatos e praticar ações necessárias que encaminhem à resolução do problema. Otimista que sou em todas as situações da vida; encaro tudo com muita disciplina, seguindo à risca as orientações médicas, modifiquei hábitos, criei novos e entendo ter feito o certo.
Passados sete anos tenho plena confiança de estar definitivamente curada.
Queria que todas as pessoas soubessem o quão grande e forte são, e que em mantendo a boa saúde mental e com muita disciplina vencem qualquer obstáculo que a vida lhes apresente.
E - DIAGNÓSTICO PRECOCE, sempre. Isso salva vidas, como salvou a minha. Previna-se.

Nota: Ser uma pessoa prática muitas vezes é mais eficiente do que ser apenas positiva em relação aos problemas. Mesmo em choque, não ficar paralisada pela doença faz muita diferença. Encarar uma doença grave como um obstáculo a ser superado é um grande aprendizado para mim. Bora se cuidar sempre e para sempre! 



A Monica me mandou a outra foto, mas eu tenho essa guardada aqui, e gosto demais, é do Treino Maria da Penha, e irradia muita vida!

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