Diários de Viagem parte 1: por que Palma de Mallorca?

Depois dessa série de entrevistas,  vou falar de mim de novo. Mas só porque o assunto é bom.  
Há alguns anos eu procuro corridas bonitas pelo mundo, como todo mundo aqui sabe. Tá, não é bem verdade. Eu procuro corridas em todo lugar para onde eu viajo. Não faço maratonas, então não estou atrás das majors, mas as meias maratonas me interessam. Bom, até April Fools me interessou (corrida do dia da mentira), porque era o que tinha em Atlantic City. Não se assustem com o "parte 1". Tenho bastante para contar (falo muito, escrevo até menos), e é blog, não é post de instagram com todos os caracteres e "continua nos comentários", que não julgo quem faz, mas acho que foge da ideia de restringir e sintetizar. Aqui a gente vai embora. Livre. Eu leio muito as colunas espetáculo da Anne Dias no site da Ativo e na Revista O2. E jornalista é jornalista...entende da bagaça. Eu, portanto, só quero share experiences!
Pois bem. Meu pai já pagou uma viagem para cada filho conhecer a Alemanha. Eu sou a filha que não conhece o país, fiz outra viagem, com a minha mãe, há mais de vinte anos, que não incluía a Alemanha. Então meu pai falou uma ideia linda que ele tinha de irmos juntos para Berlim e eu correr a maratona. Atualizei a ideia para ser a meia maratona, que eu vi que acontece normalmente em abril, e fiquei maravilhada. Isso foi no início do ano passado. Masssss meu pai tem vários poréns...ele agora tem diabetes (sob controle), ele estava com um problema de sensibilidade nos pés, a médica estava meio reticente em ele viajar de avião, que já não é o meio de transporte favorito do  meu pai. Além disso, ele é cheio de compromissos, septuagenário hiperativo (a mente dele é top, a mil o tempo todo), tem uma agenda super organizada com meses de antecedência, e vi que ele foi ficando apreensivo em não conseguirmos organizar isso como ele gostaria. 
Enfim, no início deste ano ele veio falar comigo e dizer que então eu deveria ir sem ele, com o paitrocínio. Só que aí eu não queria ir para Berlim. Até pela época, que seria só da maratona, que não era minha prova, e lá só para maratona me interessaria, eu acho. E ir sem ele para a Alemanha ia ficar muito estranho. Como escolher o lugar? Foram dois fatores. 
1º:  Pela data. É, minha gente, quem não vive disso tem que compatibilizar, certo? Eu já estava com as férias marcadas para outubro, marido também. É geralmente quando tiro férias porque é uma época boa para viajar para qualquer lugar, não é frio nem quente, e não é alta temporada, menos caro. Usar o feriado também ajudava em relação ao filho, que ficou. E em outubro eu vi como opções, inicialmente, a meia maratona de Londres e a Rock and Roll Lisboa. Gostei das duas, até porque não é maratona, mas a meia de Londres é praticamente uma major. Depois vim a saber que é dificílimo conseguir se inscrever, e dão preferência para os ingleses, provavelmente eu não conseguiria. Lisboa parecia legal porque quero muito fazer uma prova do circuito Rock and Roll, com bandas pelo caminho e o astral rock. No dia em que vi essas provas comentei com meu pai, que estava conosco em casa, e ele se empolgou com Londres. 
2º pelo marido: sim, neste ano ele estaria junto. Estamos comemorando dez anos juntos agora final do ano, e estávamos justamente pensando em viajar para comemorar, só o casal. E aí fui falar de Londres e Lisboa e ele quase cuspiu em mim. Não viu graça alguma em nenhuma das cidades. Tchau. Mas, de fato, tínhamos falado em ir para Barcelona, de modo que ele logo veio com essa opção. Então lá fui eu, para o site Correr Pelo Mundo, meu amigo querido de calendário de provas, procurar o que tínhamos por ali. E não tínhamos muita coisa. 
De repente me lembrei que há uns dois anos eu vi, sem querer, no site Correr Pelo mundo, um vídeo de uma prova em Palma de Mallorca, que fica na Espanha (ou Catalunha...), e que eu tinha ficado maravilhada. Mas parecia algo tão impossível que nunca mais pensei no assunto...até aquele momento. Entrei no site da prova e, meu povo, se você assiste ao vídeo dos anos anteriores e vê as fotos, quer ir imediatamente, nem pensa muito. É perto de Barcelona, seriam poucos dias, só para ir correr mesmo, sem a pretensão de conhecer o local (o que depois se revelou uma pena), mas era uma prova boa e pareceu bem organizada, já na 3ª edição. Péricles não estava mega animado de início, só que o que meu pai quis desde o começo era me dar uma viagem de corrida, então nesse caso, isso tinha um peso beeeeem grande, eu queria encontrar uma prova legal, e não qualquer coisa para constar. E quando vi o sol, o mar, a paisagem da prova...não tive qualquer dúvida. Era aquela.  
Eu me inscrevi em março, ou seja, logo no início, e paguei 35 euros. R$ 140,00 uma inscrição de meia maratona, ótimo. A prova tem  maratona, meia e 10km. Sabendo que tem prova que custa mais de 300 doletas, achei ótimo o preço. Logo recebi a confirmação e sempre recebia notícias da prova. Achei no instagram e vi as fotos de 2016. O tema da prova é Follow the Sun. Estando lá você entende por que (@palmamarathon).  
Bom, escolher a distância e como organizar a viagem com  prova, é algo que você tem que pensar antes. A tia aqui então vai dar umas dicas...
Dica de quem tem feito isso com frequência: defina o objetivo da viagem. Se é uma viagem de passeio com uma corrida encaixada, eu sugiro fazer uma distância de no máximo 10km, bem relax, pode passear primeiro e correr no final da viagem, porque o importante é só terminar. Mas se você é como eu, que leva a sério quase todas as provas, ou já tem como objetivo uma certa distância, que supera 15km, minha dica é você correr logo no início da viagem, e depois relaxar. Isso porque a gente naturalmente não consegue cumprir uma planilha em viagem (são muitas variáveis), daí fica sem correr vários dias antes de fazer a prova, o que já não é o ideal, não faz musculação nem outro tipo de atividade controlada (caminha pacas, mas é diferente, na verdade só serve para cansar pernas), e a alimentação também sai da rotina, mesmo com um super planejamento. Uma coisa é manter a alimentação adequada por dois, até três dias de viagem. Por 10, 12, quando você está em Paris, Londres, NY...te desafio!! Ainda mais com marido, que quer comer bem (o que nunca é uma salada com proteína e massa sem gluten ou batata doce) e com a bebida alcoólica que insiste em aparecer no caminho da gente. E você não quer ser a mala da pessoa que foi com você, né? Inclusive, se o objetivo principal é correr, sou da opinião de ir com alguém que tem o mesmo objetivo.
Eu acho ótimo chegar, ter um dia inteiro para se adaptar a fuso, lugar, altimetria, temperatura, procurar antes lugares para comer de forma menos punk, e aí partiu corrida. 
Depois, é comemoração pelo resto da viagem, e se você tiver feito uma meia maratona ou maratona, já teria um ou dois dias off mesmo, só dá uma esticada!
Se tiver a oportunidade de um treininho de corrida depois, é lucro, mas não obrigação. Se correr no final da viagem, é normal ficar sempre pensando que deveria estar se controlando (mesmo não estando), ou efetivamente se controlar e depois ficar triste porque deixou de aproveitar algumas coisas. Ninguém paga para a gente correr, pelo contrário, então tem que ser a parte fun time da viagem. 
Fiz um treininho ainda no dia da viagem, fomos para Barcelona, e no dia seguinte para Mallorca, para correr dia 15, domingo.  Ah, nossa passagem baratuxa não dava direito a bagagem, e cada uma, para despachar, custava 60 euros. Sim, 60. Se fizesse ida e volta, como no nosso caso, pagava 30 pela volta, ou seja, 180 euros para nós dois! Oi? Não, né? Faço coisas demais com 180 euros. Por 20 a gente deixou no guarda volumes do aeroporto. Muita coisa que eu usaria para a corrida já estava na minha bagagem de mão porque eu sou neurótica e morro de medo de a mala não chegar (o seguro não paga o valor sentimental das coisas), e aí minhas coisinhas mínimas eu tenho, como a roupa da prova, o tênis, viseira, óculos...basicamente tudo!!
Usei basicamente só roupa de corrida em Mallorca, porque era o short que eu tinha. Esse negócio de só poder levar a mala de mão faz a gente ficar mais esperta. Não deixei de levar nada que era importante, e vi que preciso de bem menos do que imaginava...como normalmente é, né gente? 
Lá é tudo lindo desde que a gente pousa no aeroporto. A cidade é perto, tem praia, barcos modernos, restaurantes e bares, e tem a parte histórica linda, além das muitas praias nas redondezas, que já sabíamos que não seria desta vez. Mas acho que quero passar a velhice lá.




No próximo post conto sobre kits e pré prova, mas foi a paisagem acima a primeira que vi ao chegar no local...




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