Corri minha melhor meia maratona em Palma de Mallorca!! Final dos diarios de viagem

Vamos ao que interesse que é a corrida. Largava primeiro a maratona e alguns minutos depois a meia, e bem depois os 10km. Com isso muita gente completava a meia junto com corredores de 10km. Havia divisão de baias, mas achei bem ruim, eram diferenças pequenas para os primeiros currais e o último curral era para quem completasse a meia em 1h40 para cima. Poxa, tem muita diferença completar em 1h50min (que era minha ideia) e 2h30min, para largar todo mundo junto. Consegui fazer os educativos e dar uma aquecida porque o espaço era enorme. 

Vejam quanta gente. Essa sou eu conversando com o brasileiro, e sabendo qual era a real da prova. Que não era plana...

Eu entrei na minha baia e fiquei lá, mas beeeem na frente. Paciência. Não consigo fazer fora da regra, e olha que a baia na nossa frente estava bem vazia. Gastei uns bons minutos andando até a largada, nem tinha notado que já tinha largado, na real. E dali em diante foi uma alegria sem fim. Os primeiros 12km são na orla, mar lindo lindo, e o outro brasileiro me avisou que no retorno de 10km tinha uma leve subida. Tinha mesmo. Eu tinha olhado a altimetria e não tinha entendido as subidas. Falando com ele entendi. A gente subia da orla para a cidade histórica, e lá é só subida sem parar, e as descidas são suaves, aos poucos, não tem descidão quase. E onde tinha, eram pedras portuguesas ou paralelepípedo o piso, então não dava para se largar. Muitas curvas no centro da cidade, onde eu tinha ido no dia anterior, e apesar de não ser o mais confortável, era lindo. 
Eu tive noção de que seria assim então resolvi que ia correr bem os primeiros 12km e se depois quebrasse, bom, daí eu veria. Imaginei que ia reduzir ritmo em subidas e isso já me aliviaria para mudar o estímulo. Fui forte mesmo nessa primeira metade, pelo menos para mim. O 5º km, o da subidinha, foi o mais lento, em 5'04, e os demais abaixo de 4'55. No km10 a gente passava pelo caminho de ida, e o Péricles estava lá. Tem uma filmagem bem engraçada, porque eu sabia que ia passar por ele e aproveitei para jogar uma das garrafinhas de hidratação, que já estava vazia (calor começou no 6km). Coitado, ele só não esperava, então eu meio que arremessei hahahaha. 
Dali em diante variei muito, mas também porque não quis me estressar. Quando soube das subidas, achei que seria impossível baixar meu melhor tempo, de 1h47, porque não era a prova propícia, e eu realmente queria aproveitá-la ao máximo. Só que eu me sentia muito bem, e forte, então não tive que reduzir muito, salvo onde não tinha jeito.
O primeiro km só de subida foi horroroso, 5'30, e variei de 5'00 a 5'26 do 14km ao 19km, por causa das curvas e subidas, que compensava matando nas descidas suaves. 
A hidratação realmente era farta, só que nada é bem gelado. A água é entregue em pequenas garrafinhas normais de água mineral, a gente tem que desenroscar a tampa. A parte boa é que não precisa tomar tudo de uma vez, uma delas eu até botei no bolso do short (ah, vivian bogus sabe das coisas). O isotônico é em copo aberto. Não consigo tomar e correr. Agora li uma nova dica e vou testar em treino, mas é sempre um fracasso, eu aspiro, tipo cheiro a bebida do copo, dá tudo errado, se bebo não respiro, engasgo, pareço dislexa, então é melhor parar, pegar e caminhar. Eram copos com 3 goles no máximo, em alguns pontos peguei dois. Ou seja, sim, caminhei nesses pontos sem nenhum remorso. Estive na maior parte da prova com um pelotão super bom, que me ajudava a manter o ritmo, e isso é raro no Brasil. Perdi parte do pessoal numa parada de isotônico, e alguns que estavam forçando muito depois eu ainda alcancei quando deram uma segurada. 
O final tem uma descida, e isso é maravilhoso. A descida é na avenida principal da cidade, um lugar arborizado, encantador e a população vive totalmente a prova, a cidade estava em função dela, gritos, sinos, cantoria. Teve banda, DJ, cantores, por todo o percurso, como outras provas grandes. Eu estava  estasiada. 
Os dois últimos km fiz para 4'56 e sobrando, e ainda corri os últimos 100m para 4'34, em pura emoção.
Passar ao lado da catedral, com o mar do outro lado, parecia que eu tinha sido colocada no meio de uma obra de arte perfeita, era assim que eu me sentia. 
Embora agora esteja aqui narrando, eu desencanei do tempo da prova lá pelo km 15, certa de que fazer abaixo de 1h55 seria um ótimo resultado para quem estava se divertindo tanto. Mas devo confessar o seguinte: na entrevista, me perguntaram o que eu esperava da prova, e eu disse que era fazer abaixo de 1h50min. Como não sabia no que aquilo ia dar, fiquei com medo que me achassem no final para perguntar se eu tinha conseguido o tempo que pretendia, e aí ia ficar triste em dizer que não. Tola, né? Pior que eu achei minha resposta péssima, deveria ter dito que o objetivo era ser feliz, porque o retorno era garantido! Nunca imaginei que seria entrevistada, falei em espanhol, português e inglês, uma beleza. Espontâneo foi...(quem viu? ai que vergonha depois)
Quando eu olhei o relógio da prova, em 1h49, faltando 50 metros, eu já fiquei feliz, porque é um bom tempo para meia maratona com subidas, piso irregular, calor e tal. 
Mas aí olhei para o meu relógio, e me dei conta do tempo líquido: 1h46min, para 21.180km!! Média 5'03!! Aí realmente vibrei pacas, fiz uma chegada digna de Debs Aquino, mas não tinha ninguém, sério, ninguém para fotografar. Isso lá é bem amador. O Péricles filmou os metros finais, mas não a passagem pela chegada. Me emocionei demais, pensei tanto no meu pai, que tinha me proporcionado aquela felicidade endorfinada. Fizemos logo um vídeo em que eu mostro a medalha e agradeço a ele. 

Fui a 15ª na minha categoria, entre 236. E a 103ª mulher de 1479, achei ótimo. 
Agora vem a parte funny total. O pós prova de Mallorca. A água oferecida era quente. Ok, água dá. O isotônico eles tiravam do pacote e entregavam. Quente. Mas realmente quente. Porque a temperatura ambiente era alta naquele horário. Peguei para botar para gelar no hotel, porque eu teria dor de barriga se tomasse daquele jeito. 
E aí vinham os comes. A primeira mesa era com um folhado recheado de creme, sim, um folhado, com açúcar confeiteiro por cima. Muito açúcar confeiteiro. Eu comecei a rir. Mas o pessoal pegou, sabe? Principalmente a alemoada. Depois tinha um pacotinho de um biscoito salgado sabor queijo, que peguei para o Arthur. E era isso. Fruta não tinha. 
E tinha a cerveja. Erdinger alcohol free, patrocinadora. Eu ia pegar só para o marido. Mas cheguei ali, e eles serviam tão lindo, a garrafa inteira no copo, e quando peguei...era gelada, bem gelada como tem que ser. Ou seja, hidratação com cerveja sem álcool foi o que teveeeeeeee!!!


Claro que o Péricles tinha levado minha sacolinha com uma garrafinha grande, whey, glutamina, e tudo o que eu precisava para meu pós dar certo. Lembrei até de alongar depois, fiquei felizona. 
Facilmente pegamos um táxi para o hotel, e eu tinha uma Freixenet trincando me esperando, achei bem justo!
Encontrei um restaurante italiano que tinha massa sem glúten, coisa linda, e completei minha felicidade. 
Fomos embora no mesmo dia, porque era essa a proposta. Com a vontade imensa de voltar, e ficar mais tempo. Foi meu melhor tempo, e até agora minha melhor prova em todos os sentidos. O Rio perdeu dessa vez kkkk. A verdade é que a melhor é sempre a próxima, né? Já louca para viajar para correr de novo, porque me deu muita saudade escrevendo. E muita gratidão ao meu pai, que me proporcionou isso tudo. Dei a medalha de presente para ele no mesmo dia em que chegamos, no meio do aniversário da minha afilhada, e ele ficou super contente, ficou usando, nos emocionamos...mais uma vez a corrida conecting people.
beijos


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