Avaliação de tênis: tradição x novidade: Nike Zoom Pegasus na 34ª edição e Hoka One One Clifton na 4ª

Demorei a ter meu primeiro Nike para correr. Usei alguns modelos da tecnologia Lunar, depois tive  Vomero, e voltei para Lunar, especialmente o Glide. A primeira lesão que tive foi depois de fazer uma prova usando o Vomero. Culpa dele? Não, né? Mas fez parte do conjunto da obra. Eu treinei distâncias maiores do que estava acostumada, volume grande, subidas e descidas fortes, e como era muito treino para o Desafrio de Urubici (aquele do nunca mais), negligenciei a musculação. Isso, mais o dia da prova só na lama das trilhas sem fim (minha infelicidade também) e a descoberta de não estar com o tênis ideal...boom!
Fiquei receosa por um tempo, até o Roehniss me indicar o Pegasus, na época na versão 32. Foi indicado como um tênis bom para provas, com estabilidade. Na época ele me explicou que a minha pronação era tão suave que não justificava usar o lunarglide, para pronadores (é um tênis leve, ótimo). Apaixonei pelo Pegasus. Comprei dois pares e revezava. Confortável sem ser macio demais, bom para treinos longos, para provas maiores, para rodagem. Solado em waffle, com boa propulsão e boa tração, firme para correr na chuva. Como ele é mais fofinho, encharca bem quando a gente corre na chuva ou em superfície com água, mas seca. Não tive dúvidas ao comprar o 33, que achei bem parecido com o 32. Quando saiu o 34, meu 33 ainda estava bom, perguntei para o Roehniss e ele disse que valia a pena o novo investimento, porque havia melhorias no tênis. De fato. Bom, um modelo que está na 34ª edição tem que ter seus méritos e, especialmente, seus fãs.
Desde o primeiro uso o modelo nunca me machucou, parece sempre que o tênis já era meu, mesmo sendo o  par novinho, e isso não é sempre que acontece. Mas a forma dele não é grande, tenho que comprar o 38 mesmo, porque na parte da frente, especialmente até o modelo 33, ele era bem curto. Agora, no 34, até isso ficou melhor, parece ficar menos pontuda a frente. 
A malha do cabedal ficou mais leve, e com isso...menos calor. Porque fresquinho o tênis não é, é dos que abraça e te ama, mas isso dá um pouco de calor. Eu usei o 32 em meia maratona, e agora uso o 34, e ele realmente parece agora mais responsivo e flexível. Se eu tivesse que escolher uma palavra para ele, seria SEGURANÇA. Me sinto muito segura usando o modelo. Assim como a palavra para o Kinvara (da Saucony, já avaliado), seria VELOZ. Para provas de 21km em viagens, por exemplo, como em Mallorca, acho perfeito o Pegasus, e é confortável para usar para caminhar, se precisar, o que realmente não acontece com todos os tênis de corrida. 
Li o livro A Marca da Vitória, do Phil Knight, um dos fundadores da Nike, ao lado do incrível Bill Bowerman. Um post será certamente sobre o livro e sobre as pesquisas que fiz após a leitura. Os caras se dedicam a ser grandes e com  tecnologia de primeira nos tênis, embora não tenham tido nunca uma fábrica de sapatos. Enfim, assunto para o futuro. 
Olhem o meu:
Mas ele está assim:


Essa cor, inclusive, está em promoção, com vários tamanhos disponíveis. Ele tem outras cores lindas!!
Embora ele fique com carinha de sujinho, é um tênis muito resistente. Os meus 2 pares do modelo 32 e os do modelo 33 estão em ótimo estado ainda, não parece que rodaram o que já rodaram. E olha que um dos meus pegasus 33 já rodou bastante. Só que devo compartilhar que nas últimas vezes que fui usar um dos modelos 32, senti ele mais pesado. Talvez fosse o dia, talvez fosse porque eu usei um muito leve no treino anterior, mas ele me pareceu meio travado, então agora uso só em treino na areia, coitado. Mas é um tênis super durável, e acho que o 34 vai no mesmo caminho, porque embora use mais em prova e treino longo, são esses que desgastam os sapatinhos, né? 
Para pisada neutra, o feminino pesa 247 gr no meu tamanho, ou seja, não é mega pesado, mas não é dos levíssimos. 
Em relação a preço, baita relação custo benefício, pela durabilidade e qualidade. Em média R$ 500,00, com promoções inclusive no site (veja acima), e tem na Hardt do Shopping Park Europeu para quem estiver ou passar por Blumenau, com aquelas condições maravilhosas de pagamento e, pelo que eu soube, um valor bem ótimo. Se você nunca usou, melhor ir na loja, testar, passear com ele, para ter certeza de que serve para você.  Agora, se teve o 32 ou o 33, pode comprar sem erro pela internet, se preferir, achar um bom preço, e não for de Blumenau, Indaial ou região, nem de Balneário, Camboriú, porque o Denis Hardt traz o tênis para quem estiver em BC (eu sou vip pacas kkk).
Procurando um modelo diferente, não gosta de minimalista (e o Pegasus já está longe disso), gosta de conforto e sensação de propulsão? 
Então convido você a conhecer o Clifton 4, da Hoka One One. Eu nunca tinha ouvido falar dessa marca até conhecer o Roehniss, que me indicou para provas na época, por ser o tênis mais leve da marca. Hoka, sério? pensei eu. Hoka não me dizia nada. Isso era 2015, e fui olhar na internet os modelos,  a marca nem existia no Brasil. Nossa, eu achei todos muito feios. Todos. Feios. Alguns feios demais. Pareciam tênis da época do Bamba (quem lembra não conta para ninguém)
Só que depois que você corre há algum tempo, descobre que a beleza não pode ser o seu principal parâmetro. Se fosse assim, eu usaria um asics Noosa, que para mim é o que há de mais maravilhoso, pena que não tem nada a ver com o que eu preciso e quero para minha vida de corredora. 
E estou falando isso porque, como já mencionei, muita gente compra pela beleza. E se você entrar no site da Nike, por exemplo, enlouquece, e aí acaba fazendo compras inadequadas. Na linha zoom, por exemplo, são vários os modelos, e nem todos servem para todo mundo. 
Enfim, tudo isso para dizer que a gente tem que dar uma chance para os feios hahahahaha.O que importa é a eficiência. Mas mesmo assim, fiquei bem receosa, até por achar alto demais, achei que não sentiria firmeza, pelo extra amortecimento. Li num site português que os modelos parecem tênis ortopédicos, ri muito. Não tinha muito dinheiro para gastar na feira de Amsterdam, optei pelo Kinvara, e não tinha Hoka lá, não vi em lugar algum. Mas a ideia ficou na minha cabeça. 
Fazendo pesquisas, descobri que a marca é realmente nova, de 2009, de origem francesa, vejam só. 
Deixa contar como foi. Vi que tinha sido lançado o Clifton 4, fiz algumas pesquisas, e os avaliadores dizendo que tinha ficado ainda melhor o modelo. Na viagem para Barcelona, eu achei tudo caro. Muito caro. Principalmente nas lojas da Nike, com seus preços tabelados em euro! Era o preço do Brasil, sem possibilidade de parcelamento nem descontinhos. Claro, nos EUA seria diferente, tem outlet, e você leva modelos anteriores quase de brinde. Mas viajando eu confesso que gosto de ver lançamento.
E descobri uma loja em Barcelona que vendia Hoka. Uma. Tive que dar um baita nó no marido para a gente ir para aquelas bandas, achei um super café, ficava perto (4 quadras hahahaha) de um lugar que talvez ele quisesse ir...e ele foi mesmo foi de querido comigo. A loja era pequena, mas tinha muita coisa, na verdade tinha todos os lançamentos, quase comprei um New Balance, mas aí era porque era o mais lindo do mundo, então acordei a tempo, não sabia nada sobre o modelo. 
Os tênis Hoka são bem caros, agora que chegaram ao Brasil a média de preço é de R$ 800,00 (vi na keep running). No site da marca custa $130 patacas, acho que dólares, mas não está bem claro.
Eu paguei 130 euros, o que, pela cotação da época, deu pouco mais de R$ 500,00, ou seja, vale a pena comprar fora nesse caso. Agora sei que já tem Hoka na Hardt. 
Foi recomendado para provas, ainda não fiz, já explico. O tênis é bem diferente do que estamos acostumados, especialmente quem costuma usar os mais baixos. O drop dele não é alto, mas o solado todo é. Só que tenho que confessar que fiquei muito surpresa já quando provei na loja. Ele é bem estável, e no pé não fica com a sola tão espessa. Só tinha essa cor feminina, e achei que o modelo melhorou bastante no quesito estética. Pesa 212 gr o feminino, e a gente sente ele muito leve nos pés, impressionante. Quando vi achei que fosse ser pesado, e coloquei nos pés na loja e achei interessante. 
Ele tem a forma grande, comprei o equivalente ao 37 e ficou ótimo, até meio larguinho nas laterais, mas como os pés incham, ok. 
O que eu sabia que teria que me acostumar (ou não) era à elevação na entressola, que serve para se moldar ao formato do pé, ali no ladinho interno que a gente tem a curva, sabem?Aqui ó:



Então, no Clifton, assim como no Pure Boost da Adidas, por exemplo, a área para essa parte é alta por dentro do tênis, para encaixar ali (a pessoa não tem canal no youtube para mostrar as coisas e ir falando, tem informações que são difíceis de explicar por escrito e estaticamente...desculpem). Assim que a gente usa a primeira vez é estranho. Mas hoje em dia acostumei, no geral. Tenho pureboost (que uso para passear, nunca para correr), e ele é bem confortável.
E o Clifton? Confortável e com ótima propulsão. Eu tive aquela sensação inicial de que ele seria muito bom para treinos longos, pelo conforto, amortecimento super, etc, e ainda assim sendo leve. Isso porque achava que não me sentiria segura com ele em treinos de tiros e provas. 
Mas o uso está mostrando que não é bem assim. Em um dia muito quente eu saí com ele, usando meias erradas, que me cortaram os pés, exatamente na curvinha. Creditei tudo às meias, fiquei com bolhas. Não ficava firme o pé no tênis, então roçava direto. Tive que tirar a meia de um dos pés para terminar o treino, e foi ruim, bem ruim. A palmilha não é macia e gostosinha.
Só que fui fazer o longo do sábado com ele na semana seguinte, e experimentei a seguinte sensação: até o km 9, muito conforto e sensação de ser impulsionada. Dali em diante, comecei a sentir a mesma fricção na parte altinha do tênis por dentro, e o conforto reduziu muito. Eu estava num ritmo totalmente paquera, e percebi que quando acelerava o tênis respondia mais e melhorava o conforto de novo. Com isso concluí que ele serviria melhor para treinos regenerativos (pouca quilometragem), e agora estou com vontade de  experimentar uma prova de 5km ou 10km com ele, mas não arriscaria uma de 21km. Ele é considerado de performance, e eu deveria ter acreditado desde o início. Não usei na chuva ainda, mas usei com areia na pista, e ele foi firme.
Agora várias lojas têm os modelos da marca, e o Clifton é o modelo mais vendido e elogiado. Mas diferentemente dos outros que a gente já conhece, e que têm chances de darem certo mesmo comprando sem experimentar diretamente (quero dizer o seguinte: se você já usou Asics, algum modelo, e deu certo, tem mais chance de dar certo com outro da marca), esse tênis precisa ser testado antes de comprar. Você tem que colocar no pé e ver se se sente bem com ele. De preferência dar uma trotada. Se já tiver um pureboost da Adidas e gostar dele, vai se sentir mais à vontade. Então recomendo ir a alguma loja física e experimentar. Andar com ele na rua,  por exemplo, eu não gosto. Daí dá a sensação de muito alto e fofo,e a parte da curvinha é ruim. Mas começando a correr já fica gostoso. 
Uma coisa que já me falaram sobre os modelos Hoka é que eles arrumam a tua passada, e devo dizer que senti um pouco isso. O Clifton é para pisada neutra, e me sinto pisando super certo quando estou nele, parece que o pé aterrissa melhor.  
Por fim, R$ 800,00 é bastante dinheiro, é o preço normal do Kinvara, que eu gosto mais para competir. De outro lado, é um tênis que parece que vai durar uma vida. Fica para cada um decidir...
Adoro deixar as pessoas em dúvida!!
Estou querendo falar sobre Adidas, que deve ser o último post, vamos ver se consigo. Acabaram os dias de recesso, férias, como quiserem, hora de voltar a treinar bonito, período de base. Ai, tá calor. Ai, depois fica frio. Ai, chove. Ai, filho em férias. Ai, como a gente reclama. Esperar o ideal é uma tarefa inglória. E o mérito está em fazer apesar das adversidades.  Se inscrevam em uma prova, assumam um compromisso, mantenham-se se desafiando. Não é época de lançamento de modelos, e já há muita promoção por aí para comprar tênis novo e se animar de vez!













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